Conheça cinco profissionais que estão revolucionando o mercado de beleza negra

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Do cabeleireiro que desenvolve tendências para cabelos crespos à dermatologista especializada no cuidado com a pele negra, confira
BÁRBARA ÖBERG (@BARBARAOBERG)

Uma miscelânea de obras de arte e produtos de beleza compõe o moodboard da maquiadora Laura Peres: os trabalhos de Jean- -Michel Basquiat e do fotógrafo dinamarquês Jacob Holdt; água de beleza da Caudalie e makes da nova-iorquina Milk (Foto: Thiago Bruno, Arthur Germano, Markus Prime, Knight, ShawnG, Getty Images, Reprodução/Instagram e Divulgação)

LAURA PERES (@lauraomesmo)
O vozeirão e a altura – 1,75 metro – fizeram a maquiadora Laura Peres, de 31 anos, ficar mais conhecida como Laurão no mercado de beleza. A carioca chegou a ingressar na faculdade de direito, mas logo percebeu que não tinha muita conexão como meio jurídico. Optou por investir em algo que adorava fazer: maquiagem. “Amava me produzir e arrumar minhas amigas”, lembra. “Fiz um curso no Senac sem muita noção de como funcionava esse universo, mas queria muito trabalhar em revista.” 

Morando no subúrbio carioca, sem contatos ou proximidade com profissionais da beleza, começou a mandar seu currículo para lojas de maquiagem, arrematando uma vaga na MAC. Além do atendimento da clientela, por lá chegou a fazer parte da equipe que atuava nas semanas de moda brasileira, que até hoje é o seu lugar favorito para exercer seu papel como maquiadora. “Foi um chamariz. Passei a fazer assistência para grandes nomes, quando conheci o Rodrigo Costa, que me abriu de vez as portas deste mercado, me indicando trabalhos importantes”, afirma.

De capa de revista à produção de âncoras do conglomerado de mídia mexicano Televisa nas Olimpíadas do Rio em 2016, Laura foi realizar um dos seus sonhos no ano passado: assinar pela primeira vez a beleza de um desfile no SPFW. “Gosto da adrenalina, da criação, da correria”, explica. “E sempre faço questão de trabalhar com uma equipe formada por pardos e pretos. O meu foco é trazer mais profissionais que entendam e atuem no segmento de beleza negra”, conclui.

O que Rihanna, Janelle Monáe, Jacy July e Magá Moura têm em comum? Todas são inspiração de beleza para Daniele da Mata. A leitura também ocupa lugar no seu moodboard com Minha História, de Michelle Obama (Foto: Thiago Bruno, Arthur Germano, Markus Prime, Knight, ShawnG, Getty Images, Reprodução/Instagram e Divulgação)
O que Rihanna, Janelle Monáe, Jacy July e Magá Moura têm em comum? Todas são inspiração de beleza para Daniele da Mata. A leitura também ocupa lugar no seu moodboard com Minha História, de Michelle Obama (Foto: Thiago Bruno, Arthur Germano, Markus Prime, Knight, ShawnG, Getty Images, Reprodução/Instagram e Divulgação)

DANIELE DA MATA (@afrocruela e @damatamakeup)
Há 15 anos trabalhando com beleza, a empresária e influenciadora paulista Daniele da Mata já experimentou um pouco de cada área dessa indústria. Antes de cogitar virar maquiadora, inspirada pelo projeto Promotoras Legais Populares, que trata sobre violência doméstica e direitos sexuais das mulheres, decidiu que cursaria direito. “Queria defendê-las, a maioria era negra e parecida comigo”, explica.

Para pagar os estudos, ela começou a trabalhar como maquiadora, quando notou que em sua cadeira também era possível discutir comas clientes direitos e autoestima. Essa simbiose entre beleza e ensino se transformou na primeira escola de maquiagem para pele negra do Brasil. “Percebia que comas alunas negras eu precisava dar um passo para trás e abordar temas como identidade e amor próprio”, recorda. Daniele viajou para vários estados do País levando seu projeto Negras do Brasil, que se transformou em um curso online também. Hoje, aos 30 anos, é conhecida na internet como Afro Cruela, graças ao cabelo bicolor cheio de personalidade, conquistado depois de um processo árduo de transição capilar após dez anos de química alisante.

Em seus dois perfis @damatamakeup e @afrocruela, reúne fãs e alunos que conferem dicas de produtos e produções esporádicas que faz em celebridades, como a cantora Liniker e a filósofa Djamila Ribeiro. Por trás das cortinas, virou consultora de marcas de beleza para o desenvolvimento de cores e produtos focados na pele negra. “Meu objetivo é fazer uma mudança na indústria cosmética em geral, do produto ao consumidor”, explica.

Três marcas para ficar de olho indicadas por Rosangela Silva: os cosméticos da Kurandé (@kurandecosmeticos), turbantes da Boutique de Krioula (@boutiquedekrioula) e os acessórios da marca Zâmbia (@zambiabrand) (Foto: Thiago Bruno, Arthur Germano, Markus Prime, Knight, ShawnG, Getty Images, Reprodução/Instagram e Divulgação)
Três marcas para ficar de olho indicadas por Rosangela Silva: os cosméticos da Kurandé (@kurandecosmeticos), turbantes da Boutique de Krioula (@boutiquedekrioula) e os acessórios da marca Zâmbia (@zambiabrand) (Foto: Thiago Bruno, Arthur Germano, Markus Prime, Knight, ShawnG, Getty Images, Reprodução/Instagram e Divulgação)

ROSANGELA SILVA (@rosanegrarosa)
Chapinha, babyliss, permanente afro, pastinha química, relaxamento…Desde pequena, quando aprendeu a cuidar do seu cabelo sozinha, Rosangela Silva escuta que esses eram os melhores métodos para deixá-lo “bonito”. Com falta de informação e poucos produtos de qualidade para fios cacheados no Brasil, a hoje empresária só foi fazer sua transição capilar em 2009. “Comecei a ver youtubers americanas com cabelões crespos e cacheados, não fazia ideia de que isso era possível”, conta.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Todo esse processo inspirou o blog e canal no YouTube Negra Rosa, onde Rosangela, além de testar cosméticos, mostra formas de estilizar os cachos, cria tutoriais de maquiagem e fala sobre empoderamento e autoestima. Mas não foi só seu cabelo que sofreu nesse processo. “Quando trabalhei como representante de uma grande marca de beleza, fazia misturas de produtos para chegar no meu tom, o batom era a maquiagem mais democrática que havia para pele negra”, lembra.

Foi nessa busca por uma cobertura que não deixasse seu rosto esbranquiçado que ela conheceu sua sócia e amiga Ana Heller. A dupla transformou a experiência online em negócio, e o nome do blog de Rosangela batizou a sua marca de cosméticos (http://www.negrarosaloja.com.br). Com gel para cabelo, blush e outras opções de produtos, as bases para pele com até sete tons são o carro-chefe. “Não padronizamos a beleza negra: nós não somos iguais, temos fenótipos diferentes”, explica.

Três mulheres poderosas pautam o moodboard da dermatologista Katleen da Cruz Conceição: Donna Summer, Oprah Winfrey e Djamila Ribeiro (Foto: Thiago Bruno, Arthur Germano, Markus Prime, Knight, ShawnG, Getty Images, Reprodução/Instagram e Divulgação)
Três mulheres poderosas pautam o moodboard da dermatologista Katleen da Cruz Conceição: Donna Summer, Oprah Winfrey e Djamila Ribeiro (Foto: Thiago Bruno, Arthur Germano, Markus Prime, Knight, ShawnG, Getty Images, Reprodução/Instagram e Divulgação)

KATLEEN DA CRUZ CONCEIÇÃO (@katleendermato) 
Preta Gil, Lázaro Ramos, Hugo Gloss, Ludmilla e Iza. Esses são alguns dos nomes famosos entre os pacientes da dermatologista Katleen da Cruz Conceição, de 48 anos. Além do jeito descontraído e do bom humor da médica, o seu sucesso se dá graças a sua especialidade: a pele negra.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Como não estudou patologias ou tratamentos específicos para o seu próprio tom de pele na faculdade, foi em um congresso em São Francisco, nos Estados Unidos, que descobriu esse novo universo. “O racismo é tão velado que nunca questionei que nos livros de dermatologia só tinha especificações para pele branca”, lembra. “Desde alopecia por uso de trança, foliculite, oleosidade extrema no rosto, cabelos ressecados, até aspectos como autoestima, o paciente negro tem suas particularidades e necessidades próprias”, explica.

Gaúcha de nascimento e carioca de criação, a maior referência de sua vida é o seu pai, que é coronel e médico dermatologista. Influenciada por ele, Katleen, depois da pós-graduação, passou sete anos trabalhando como médica no exército enquanto fazia outra pós-graduação em medicina estética. “Na época, a dermatologia era voltada mais para doenças, o lado estético nem era reconhecido pelo conselho de medicina”, ressalta. Hoje, há dez anos trabalhando na clínica da médica Paula Bellotti, no Rio de Janeiro, desenvolveu ali o primeiro setor com protocolos e tecnologias desenvolvidas especialmente para o seu público, que é 99,9% negro.

O colorista Amadeu Marins compartilha um pouco do seu universo: os livros Hair, de John Barrett, e Hit Makers - Como Nascem as Tendências, de Derek Thompson; o disco África Brasil, de Jorge Ben; a obra de Piet Mondrian, produto capilar da linha Pigments,  (Foto: Thiago Bruno, Arthur Germano, Markus Prime, Knight, ShawnG, Getty Images, Reprodução/Instagram e Divulgação)
O colorista Amadeu Marins compartilha um pouco do seu universo: os livros Hair, de John Barrett, e Hit Makers – Como Nascem as Tendências, de Derek Thompson; o disco África Brasil, de Jorge Ben; a obra de Piet Mondrian, produto capilar da linha Pigments, da Alfaparf Milano, e o pente glamoroso da Balmain (Foto: Thiago Bruno, Arthur Germano, Markus Prime, Knight, ShawnG, Getty Images, Reprodução/Instagram e Divulgação)

AMADEU MARINS (@amadeu.marins)
Trabalhando desde janeiro no francês David Mallett, um dos salões de beleza mais famosos do mundo, o colorista Amadeu Marins, de 27 anos, ainda cruza os corredores do estabelecimento sem acreditar na sua realidade. Nascido na comunidade de Manguinhos, no Rio de Janeiro, o carioca perdeu seus pais ainda criança, quando tinha 8 anos. “Passei a viver coma minha madrinha, ela era rígida e me criou dizendo que eu tinha sempre que ser o melhor dos melhores por ser negro”, lembra. As oportunidades surgiram primeiro no esporte, quando praticava handebol profissionalmente e migrou da escola pública para a particular. https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Depois de uma fratura acabar com os seus sonhos na quadra, chegou a fazer curso técnico em administração, estagiou em um banco até que começou a trabalhar em uma loja de calçados. “Bastou uma palestra no Instituto L’Oréal da Tijuca para eu me matricular em um curso – pago comas vendas de salgadinhos feitos pela minha sogra na época – e me formar cabeleireiro.” No currículo, coleciona passagens por salões cariocas como Fil Hair & Experience e Crystal Hair.Amadeu sempre fez questão de trazer clientes negras para ocupar sua cadeira. “Desde que entrei nessa profissão, nunca fui ensinado ou ouvi falar sobre um olhar estético voltado para a beleza preta, tudo era muito superficial e adaptado”, explica. Foi nessa onda de descobrimento de técnicas e tendências para fios crespos e cacheados que ele criou o “afro ginger”, uma coloração ruiva especial para esse tipo de cabelo.

Esse histórico o levou para Paris, onde chegou a trabalhar na rede Jean Marc Joubert. Hoje, no salão David Mallett, como o único negro e latino da equipe, atende de Giancarlo Giammetti, parceiro de negócios do estilista Valentino, a Estelle Colin, âncora da rede de televisão francesa France 2. “Tive que sair do Brasil porque queria crescer profissionalmente e vi que no País não havia esse espaço de reconhecimento como preto. Não quero ser exceção”, finaliza.

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