Saiba o que as grandes marcas de cosméticos estão mudando em seus processos para se tornarem mais sustentáveis

Scroll down to content

NATÁLIA LEÃO

Mathilde Thomas, fundadora da Caudalie, marca francesa com produtos que não contêm ingredientes de origem animal, óleos minerais e agentes poluentes. (Foto: Divulgação)

Você pagaria mais caro por um cosmético que levasse o selo de sustentável? Uma pesquisa de tendências de mercado de 2019 apontou que 54% da geração Z está disposta a desembolsar a partir de 10% a mais em produtos com atributos como cruelty free (não testados em animais), veganos, orgânicos e eco-friendly. Prova de que a sustentabilidade já está nos carrinhos virtuais dos e-commerces e nos nécessaires. Agora, as grandes labels de cosméticos de luxo correm – cada uma na sua velocidade – para se adequar.

CAUDALIE; DIOR; LANCÔME (Foto: Divulgação)
CAUDALIE; DIOR; LANCÔME (Foto: Divulgação)

A Dior Beauté reduziu o tamanho e o volume de suas embalagens. Os frascos da linha Capture Totale C.E.L.L. agora são feitos com vidro reciclável e os elementos podem ser separados (dá para desparafusar a válvula pump) para facilitar a reciclagem. Os produtos da linha ainda são livres de substâncias controversas como silicone volátil, óleos minerais e BHT. “Essas mudanças já nos ajudaram a economizar 50 toneladas de papelão. A Dior está comprometida em limitar ao máximo possível a sua pegada de carbono”, disse Edouard Mauvais Jarvis, diretor de comunicação ambiental e científica da marca à Vogue francesa. A Lancôme, do grupo L’ Oréal, tem, desde 2007, uma política de embalagem responsável, com meta de usar somente materiais de florestas com gestão sustentável e onde a biodiversidade seja protegida. “Recentemente, criamos o projeto L’Oréal para o Futuro, que destinará € 150 milhões para a regeneração de ecossistemas naturais danificados e esforços no combate às mudanças climáticas”, explica Maya Colombani – diretora de Sustentabilidade da L´Oréal Brasil. A francesa Caudalie foi além: seus produtos não contêm ingredientes de origem animal, óleos minerais e agentes poluentes como o sulfato de sódio. A marca também faz parte, desde 2012, do movimento 1% For The Planet, revertendo 1% do seu faturamento mundial anual para associações de proteção ao meio ambiente.

A história mostra que mudanças significativas de paradigmas dificilmente vêm de grandes marcas. No mercado cosmético, se por um lado a maioria não está disposta a virar seus processos do avesso pelo bem imediato do planeta, algumas estão dando passos na direção de uma produção mais sustentável. E pequenos passos dados por gigantes podem significar muito.

WELEDA (Foto: Divulgação)
WELEDA (Foto: Divulgação)

NATUREZA SELVAGEM
Você e a terra vivem em comunhão. Essa é uma das crenças máximas da antroposofia – ciência que estuda as relações entre o ser humano e o meio ambiente – e raiz da Weleda, marca suíça de cosméticos e medicamentos fundada em 1921 por Rudolf Steiner, criador da doutrina. E como transportar para 2020 uma filosofia de quase cem anos? É mais lógico que parece: “É da natureza que vem todos os insumos para os nossos produtos, por isso a preservação dela é um compromisso inerente à marca desde sua origem”, explica Maria Claudia Pontes, CEO da Weleda América Latina. A Weleda tem oito jardins próprios e mais de 50 fornecedores certificados ao redor do mundo onde são plantadas as matérias-primas. “Totalmente sustentável, esse tipo de agricultura acredita na totalidade do meio ambiente e entende que cada ser tem sua função. Por isso, em um único cultivo, há várias espécies de plantas e animais. Livre de agrotóxicos, o adubo é natural, e as plantas se misturam e garantem a vitalidade que o ambiente precisa”, completa Maria Cláudia. O que a Weleda também construiu ao longo desse século de existência foi um portfólio digno de qualquer grande marca de beleza – de cremes redutores de sinais, passando por pós-barba, óleos corporais e uma linha de cuidados com o bebê – sem abrir mão dos três pilares de sustentabilidade de seu DNA: social, econômico e ambiental.

SIMPLE ORGANIC (Foto: Divulgação)
SIMPLE ORGANIC (Foto: Divulgação)

GREEN IS THE NEW BLACK
e você já se rendeu aos produtos veganos, orgânicos, cruelty free e totalmente cool da Simple Organic, sabe que, apesar de se tratar de uma marca jovem e nacional, ela não deixa nada a desejar às grandes. A label, que já contempla linha de maquiagem completa, skincare e produtos kids se prepara para lançar um lubrificante íntimo sustentável. “É natural que aqueles que se preocupam com uma alimentação mais ‘limpa’ queiram fazer o mesmo como que usam na pele”, diz a fundadora Patrícia Lima. Em meio à pandemia, ela viu crescer sua base de clientes, o que deu ânimo extra para o plano de expansão internacional. “Ganhamos clientes preocupados com os rumos do planeta e que incluíram as compras online em seus hábitos. Agora, vamos entrar no mercado americano, onde já fomos premiados, e fortalecer nosso digital.”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: