“Coleções diminuirão e o trabalho artesanal será valorizado”, dizem Dolce e Gabbana

Em conversa e em ilustrações exclusivas para Marie Claire, Domenico Dolce e Stefano Gabbana refletem sobre o período de isolamento e o resgate da herança cultural e de moda como força de reconstrução para a Itália depois de meses de pandemia. Falam ainda sobre a cultura das influencers e ecoam os anseios da indústria por coleções mais enxutas e calendários mais sincronizados com as estações. A seguir, detalhes da mais recente coleção de verão da casa
FERNANDA MOURA GUIMARÃES

Dolce & Gabbana - A herança italiana se mistura com motivos tropicais em inspiração do verão 2020 da grife (Foto: Cortesia Dolce & Gabbana)
Dolce & Gabbana – A herança italiana se mistura com motivos tropicais em inspiração do verão 2020 da grife (Foto: Cortesia Dolce & Gabbana)

Era uma cena típica de semana de moda: imprensa, fotógrafos, influenciadores, modelos e curiosos na porta do QG da Dolce & Gab­bana, em Milão, momentos antes do desfile da marca, em fevereiro deste ano. Um detalhe inédito, no entanto, fazia a diferença: aqui e ali, rostos cobertos por máscaras pipocavam na multidão. Outros convidados menos preparados improvisavam uma cobertura facial com lenços e cachecóis e ensaiavam as primeiras versões do que ficou conhecido como “coronakiss” – cumprimento com beijinho no ar e sem toque. Os cuidados que, em retrospectiva, parecem medidas um tanto ingênuas de proteção, tinham um motivo: a Itália via o início do surto de casos de coronavírus e os noticiários daquele dia anunciavam a imposição de medidas de contenção draconianas em cidades a poucos quilômetros de Milão.

Dolce & Gabbana - Fiéis a uma feminilidade vintage, as cinturas marcadas, as bolsas de alça manual e os escarpins de bico fino são marcas registradas da dupla  (Foto: Cortesia Dolce & Gabbana)
Dolce & Gabbana – Fiéis a uma feminilidade vintage, as cinturas marcadas, as bolsas de alça manual e os escarpins de bico fino são marcas registradas da dupla (Foto: Cortesia Dolce & Gabbana)

Mas semanas antes do desfile – e sem imaginar a proporção que a pandemia tomaria – Domenico Dolce e Stefano Gabbana já puxavam o que se tornaria uma fila de constantes doações e ações beneficentes de marcas de luxo contra o vírus. No início de fevereiro, a dupla reforçou o investimento em pesquisa científica para um tratamento contra a Covid-19 que vem sendo desenvolvido na Universidade Humanitas, instituição italiana para a qual a marca já doava. “Diante de uma tragédia de dimensões tão vastas, cada ação pode parecer irrelevante, mas entendemos que mesmo um gesto muito pequeno poderia ter um significado enorme”, contam Domenico e Stefano em entrevista a Marie Claire, direto do confinamento na capital da Lombardia. Pouco mais de uma semana depois que a dupla apareceu para receber os agradecimentos na boca de cena do desfile, Milão entrou em lockdown.

Para os designers, a quarentena trouxe novas perspectivas sobre o futuro da moda e também sobre o que chamam de “italianidade”, gene mais forte do DNA da marca e de seus fundadores que, juntos, unem as estéticas e culturas distintas do norte e do sul do país – Stefano é milanês e Domenico vem de Polizzi Generosa, pequena cidade da Sicília. O maximalismo, o ornamentalismo religioso e a sensualidade dramática e mediterrânea que fizeram da Dolce um dos grandes expoentes da moda italiana são trazidos aqui em ilustrações inspiradas na coleção de verão 2020 da marca e feitas com exclusividade para Marie Claire. “Redescobrimos o valor de estar em casa, transformando-a em um local de trabalho, de arte, de criação; o valor da família, dos relacionamentos humanos, da solidariedade. Quando vejo vídeos de pessoas cantando ópera na varanda, me emociono”, conta Domenico.

A valorização da identidade cultural, além de componente estético, é para os estilistas um dos caminhos para a reconstrução do moral da Itália no momento em que o país retoma lentamente uma nova normalidade, com feridas ainda inflamadas da crise do coronavírus em sua economia, cultura e história e que devem demorar a cicatrizar. “O made in Italy mais do que nunca deve ser apoiado”, crava Stefano.

Dolce & Gabbana - O maximalismo aqui revisto em estampas e mistura de texturas, alguns dos pilares que fizeram da Dolce & Gabbana símbolo da moda italiana (Foto: Cortesia Dolce & Gabbana)
Dolce & Gabbana – O maximalismo aqui revisto em estampas e mistura de texturas, alguns dos pilares que fizeram da Dolce & Gabbana símbolo da moda italiana (Foto: Cortesia Dolce & Gabbana)

Por isso, a marca decidiu colaborar com a Camera Nazionale della Moda Italiana (associação que organiza a semana de moda de Milão com a qual havia rompido há mais de 20 anos) no projeto “Italia, We Are with You”, que doou respiradores e outros materiais médicos aos serviços de proteção civil durante a pandemia. A grife também participou oficialmente da primeira fashion week digital de Milão em julho, tornando-se uma das primeiras grandes marcas de luxo a entrar em um calendário virtual e totalmente experimental.

Inovação em comunicação digital, porém, não é terreno desconhecido para a casa. A Dolce ficou conhecida por ser pioneira na aposta em influencers e no público millennial – inúmeros lugares na primeira fila do último desfile em Milão, por exemplo, foram reservados a tiktokers do mundo todo. A dupla, no entanto, diz seguir atenta aos movimentos que condenam a ostentação de celebridades em tempos de pandemia, revelando discrepâncias socioeconômicas e realidades dissonantes perpetuadas pela cultura da influência digital.

Dolce & Gabbana - À siciliana: o preto, inspirado nos trajes das mulheres em luto, tradição no sul da Itália, aparece em conjunto com o ornamentalismo religioso  (Foto: Cortesia Dolce & Gabbana)
Dolce & Gabbana – À siciliana: o preto, inspirado nos trajes das mulheres em luto, tradição no sul da Itália, aparece em conjunto com o ornamentalismo religioso (Foto: Cortesia Dolce & Gabbana)

“Enfermeiros e médicos são nossos heróis – essas são as pessoas que devemos celebrar e admirar”, opina Domenico. Não apenas comercial, o investimento no público jovem e nativo digital tem um propósito: o de perpetuar a herança do país. “O que tentamos fazer com o nosso trabalho é contar e transferir, especialmente para os mais jovens, a ideia de bellezza, de uma criação feita com amor, carinho e atenção aos mínimos detalhes. Eles são nosso futuro”, revela Stefano.

Já em relação ao futuro da moda, os dois, em vez de se arriscarem em previsões, ecoam o discurso que reverbera na indústria pedindo ritmo e calendário de produção mais respeitosos com o meio ambiente. “Os tempos vão mudar, voltaremos a exibir casacos em novembro e não mais em julho!”, exclama Domenico. “As coleções diminuirão. Menor e melhor, qualidade e fatto a mano. A moda deve refletir a realidade, acompanhar os desejos que são ainda mais mutáveis hoje em dia”, continua.

Stefano Gabbana em seu estúdio em Milão. O estilista criou a marca que leva seu sobrenome com o então namorado, em 1985  (Foto: Cortesia Dolce & Gabbana)
Stefano Gabbana em seu estúdio em Milão. O estilista criou a marca que leva seu sobrenome com o então namorado, em 1985 (Foto: Cortesia Dolce & Gabbana)

Já a aposta no resgate da expertise de moda local, do valor humano da manufatura e da valorização da experiência – características que devem pautar ainda mais o mercado de luxo daqui para a frente – são aspectos que a Dolce & Gabbana já comunicava antes da pandemia e deve continuar. Como disse o próprio Domenico em entrevista a Marie Claire em maio de 2019: “Luxo não é um sapato. Luxo é saber apreciar uma boa mozzarella, e poder compartilhar isso com seus amigos, sua família. É comer para dividir uma experiência, não só para sobreviver”. Mais italiano, impossível.

Nascido em um vilarejo na Sicília, Domenico acredita no poder de coleções mais compactas e na valorização do trabalho artesanal local (Foto: Cortesia Dolce & Gabbana)
Nascido em um vilarejo na Sicília, Domenico acredita no poder de coleções mais compactas e na valorização do trabalho artesanal local (Foto: Cortesia Dolce & Gabbana)

ETRO Fall/Winter 2020 Campaign

ETRO unveiled its Fall/Winter 2020 campaign captured by the lens of Dario Catellani and styled by Sissy Vian.

Revelado a Campanha Publicitária ETRO Fall Winter 2020/21 Advertising Campaign, lensed by Dario Catellani. Um hino à harmonia e ao amor pela natureza que parte do princípio de que não estamos sós, mas, junto com a natureza e os animais, convivemos no mesmo planeta.

Criadores de ‘Avatar’ deixam produção de live-action da Netflix

Bryan Konietzko e Michael Dante DiMartino citaram divergências criativas envolvendo o planejamento da série
JOÃO PEDRO MALAR – O ESTADO DE S.PAULO

Criadores do desenho animado de 2005 citaram divergências criativas com a Netflix Foto: John Staub / Netflix / Divulgação

Os criadores do desenho animado Avatar: A Lenda de Aang, Bryan Konietzko e Michael Dante DiMartino, anunciaram nesta quarta-feira, 12, que decidiram abandonar a produção de uma versão live-action da animação. A nova série está sendo produzida pela Netflix.

Konietzko e DiMartino citaram divergências com a Netflix envolvendo a “visão” que eles tinham para a série e seu conteúdo. “Quando a Netflix me trouxe para comandar a série junto com Michael há dois anos, eles fizeram uma promessa pública de apoiar nossa visão. Infelizmente, essa promessa não foi cumprida”, disse Konietzko em uma publicação no Instagram.

“A adaptação live-action da Netflix tem o potencial de ser boa. Ela pode acabar sendo algo que muitos de vocês acabem gostando. Mas o que eu tenho certeza é que qualquer versão que chegue nas telas não será a que eu e Brian imaginamos ou queríamos fazer”, disse DiMartino em outra publicação.

Os dois destacaram que ainda querem produzir outros conteúdos sobre o universo da série, mas não se envolverão mais com a produção da Netflix. A versão live-action de Avatar: A Lenda de Aang tinha sido anunciada em 2018. A produção começou em 2019, e não há informações se ela continuará mesmo com a saída dos seus produtores executivos.

A animação, lançada em 2005, conta com três temporadas e gerou diversos prêmios, um filme live-action, O Último Mestre do Ar, e continuações com histórias em quadrinhos e a animação Avatar: A Lenda de Korra. O desenho está disponível na Netflix.

Gisele Bündchen supera meta e vai plantar 250 mil árvores na Amazônia

Foram mais de 5 mil doações que ultrapassaram em muito a meta inicial de 40 mil árvores

Gisele Bündchen Foto: Nino Muñoz

Em seu aniversário de 40 anos, a ubermodel Gisele Bündchen estabeleceu uma meta de plantar 40 mil árvores na Amazônia. Nesta quarta-feira, ela compartilhou em seu Instagram que mais que quintuplicou a meta e chegou ao incrível número de 250 mil árvores plantadas a partir de mais de 5 mil doações à ação Viva a Vida.

A top uniu forças com o Instituto Socioambiental (ISA) para colocar em prática o plano. A intenção era reflorestar a região que vem sofrendo com o desmatamento — em junho, um recorde foi quebrado na série histórica do mês, com 1.034,4 km² devastados, área quase do tamanho da cidade do Rio.

Para comemorar a superação, Gisele postou um vídeo dançando uma música que viralizou no Tiktok e disse: “Fico muito feliz que minha intenção de retribuir tudo que a Mãe Tera me deu nesses 40 anos acabou alcançando milhares de pessoas em todo mundo e vamos conseguir plantar muito mais que as 40 mil árvores que doei”. Em julho, Gisele contou à Revista Ela com exclusividade seus planos de aniversário ligados ao reflorestamento.

Diana | Musical sobre Lady Di chegará à Netflix antes da Broadway

A biografia da princesa de Gales será filmada em um teatro sem plateia
FÁBIO GARCIA

Princesa ‘Diana’ musical com estreia na Netflix antes da reabertura da Broadway, fazendo história

Lady Di está chegando na Netflix. O musical Diana, inspirado na biografia da princesa Diana, será lançado em 2021 na plataforma de streaming… antes mesmo de chegar aos palcos (via Variety).

A versão da Broadway estava com produção adiantada e tinha previsão de estreia para o final de março, mas a pandemia do novo coronavírus chegou e a princesa Diana precisou retornar para a coxia por conta do isolamento social.

Como não há qualquer previsão de retorno dos musicais da Broadway, já que o teatro deve ser uma das últimas atividades a retornar após controlada a pandemia, o jeito foi lançar Diana primeiramente na Netflix.

Embora não possa substituir uma apresentação ao vivo no teatro, estamos honrados de fazer parte do entretenimento de qualidade oferecido pela Netflix a todos os seus assinantes no mundo inteiro“, diz o comunicado anunciando a estreia do musical.

Uma apresentação de Diana será realizada em um teatro sem plateia para a gravação, com a presença de todo o elenco da peça da Broadway. Jeanna de Waal viverá a princesa de Gales, que contracenará com Roe Hartrampf (príncipe Charles), Erin Davie (Camilla Parker Bowles) e Judy Kaye (rainha Elizabeth). As canções foram escritas por Joe DiPietro e musicalizadas por David Bryan.

A Netflix e outros serviços de streaming têm apostado em musicais da Broadway, mas essa será a primeira vez que um deles chega em primeiro lugar às plataformas digitais. Ainda não há data de estreia, mas deve ser antes de maio de 2021, data prevista para o musical chegar à Broadway.

Uma loja de queijos com sotaque gringo em Paris

Dois sócios e um único desejo: apresentar aos parisienses sabores de queijos de outros lugares
Por Débora Pereira

Cow : Cheese of the World. FOTO: Débora Pereira/Profession Fromager

A queijaria Cow, em Paris, está completando um ano de existência, sinal que mesmo com o coronavírus o negócio deu certo. “Cow”, vaca em inglês, é também a sigla para “Cheese of the World” (queijos do mundo), uma loja diferente por oferecer uma variedade internacional de queijos em um ambiente moderno e descontraído.

Alexandre Renault, um dos sócios conta que a ideia de abrir uma loja que se dedicasse quase exclusivamente a queijos estrangeiros surgiu ao observar que a gama de queijos estrangeiros na França é bem limitada.

Visão a partir do fundo da loja. FOTO: Débora Pereira/Profession Fromager

“Ninguém tinha se atrevido a fazer isso antes, uma loja com 80% de queijos estrangeiros em Paris. Dizemos aos clientes que o queijo nos faz viajar por sabores que não estão habituados a descobrir nas queijarias tradicionais, mas pelas dificuldades de logística oferecemos uma seleção bastante curta – cerca de cinquenta referências – de quinze países. Mas também temos também alguns queijos franceses” afirma  Renault.

Antoine Farge, o outro sócio, lembra que estava há quatro anos na Dinamarca e visitou uma queijaria com queijos incríveis. “Cada vez que eu voltava do exterior, trazia queijos que não encontrava aqui. Percebi que havia um conceito a ser desenvolvido” justifica ele.

Balcão separa cliente do vendedor. FOTO: Débora Pereira/Profession Fromager

O maior desafio, claro, é a logística. “Temos que negociar diretamente com cada fornecedor, o que exige muita organização e gestão. Da Alemanha, temos o Alp Blossom (uma massa cozida curada com uma camada de flores), o Limburger de casca lavada … Da Inglaterra, os queijos vem da Neal’s Yard. Da Áustria, o Sibratsgfaell. Da Dinamarca, o Gammelknas e o Gnalling. Da Espanha, o Cabezuela tradicional, o Pata de mulo e o 4 Picos. Da Irlanda, o Coolea. Da Itália, Burrata di Andria, Caciocavallo Irpino, Marzolino d´Etruria, Montebore, Stravacco … De Portugal, São Jorge, São Miguel e Serra da Estrela … Da Suécia, Wrangebäck … Por outro lado, os produtos frescos são 100% franceses”.

Dar “provinhas” é fundamental para apresentar novos queijos. FOTO: Débora Pereira/Profession Fromager

Segundo os sócios, os clientes no início eram só famílias e pessoas do bairro, o 5º arrondissement de Paris. Mas aos poucos foram aparecendo outros perfis, os expatriados que vêm aqui em busca dos sabores do seu país. “O que mais tem são portugueses e já tivemos brasileiros em busca do queijo canastra, mas explicamos que infelizmente não existe permissão para exportar no Brasil” conta Alexandre.

“Como os sabores dos queijos que apresentamos são novidade para os clientes, sempre damos uma provinha de cada queijo, isso acaba representando 10% do nosso volume de vendas, mas é importante fazer conhecer novos sabores …” conta Antoine.

Conheça a loja no vídeo abaixo

Mulan | Trailer frenético e cheio de ação aquece para estreia no Disney+

Filme chegará diretamente ao streaming nos Estados Unidos
GABRIEL AVILA

Disney+ revelou um trailer inédito de Mulan. Frenética e cheia de ação, a prévia aquece para a estreia do filme, que perdeu sua estreia nos cinemas norte-americanos e chegará diretamente no streaming.

Disney ainda não revelou uma estratégia de lançamento de Mulan no Brasil. 

Niki Caro (Terra Fria) assina a direção de Mulan, que traz a chinesa Liu Yifei, uma das atrizes mais populares desta geração no país, como a protagonista, além de Donnie Yen como o mentor Tung e Jet Li como o Imperador.

Microsoft lançará smartphone Surface Duo de tela dupla por US$ 1,4 mil

O celular Surface Duo tem duas telas tradicionais separadas por uma dobradiça, mas conectadas para funcionarem juntas
Por Agências – Reuters

A Microsoft ainda não deu prazo para lançamentos fora dos Estados Unidos

Microsoft anunciou nesta quarta-feira, 12, que o Surface Duo, seu smartphone de tela dupla, chegará às lojas nos Estados Unidos em 10 de setembro com preços a partir de US$ 1,4 mil. O Surface Duo é dobrável como um livro, mas, ao contrário de dispositivos como o Galaxy Z Fold 2, da Samsung, que usa vidro especial flexível para criar uma única tela, o Duo tem duas telas tradicionais separadas por uma dobradiça, mas conectadas para funcionarem juntas.

Em entrevista a jornalistas antes do anúncio do Surface Duo, executivos da Microsoft descreveram o telefone como uma ferramenta para trabalhar com seus aplicativos de produtividade, de maneira semelhante ao uso de dois monitores em computadores de uso corporativo.

No aplicativo de mensagens Teams, por exemplo, um chat de vídeo pode ocupar uma tela enquanto a outra exibe as mensagens. No Outlook, é possível clicar em um link no corpo de um email e abri-lo na tela oposta, para que o usuário possa continuar lendo ou respondendo ao email.

“Não estou tentando reinventar o telefone”, disse Panos Panay, diretor de produtos da Microsoft, a repórteres. “Mas acredito que esta é a melhor maneira de fazer as coisas.”

A tela dupla também permite uso simultâneo de aplicativos que não são da Microsoft, como a execução das redes sociais Twitter e Instagram lado a lado. Panay disse que uma das combinações favoritas do presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, era usar o aplicativo Kindle, da Amazon, para ler livros enquanto fazia anotações com uma caneta no aplicativo OneNote na outra tela.

Panay disse que a Microsoft escolheu o sistema operacional Android, do Google, porque ele dá aos usuários acesso ao grande ecossistema de aplicativos móveis do Android. “Ter a Play Store é fundamental”, disse ele.

O dispositivo não tem conectividade 5G e só está disponível nos Estados Unidos no lançamento. A Microsoft não deu prazo para outros mercados.

Salto alto com os dias contados? Moletom em alta? Pandemia coloca a indústria fashion em xeque

Restrições impostas pelo novo coronavírus preocupam dos gigantes globais às etiquetas nacionais
Gilberto Júnior

Irina Shayk em campanha de pijamas Foto: Divulgação
Irina Shayk em campanha de pijamas Foto: Divulgação

A stylist carioca Nathália Cherém brinca que deu umas “férias” para os pés assim que começou a praticar o distanciamento social. Os saltos altos foram parar no fundo do armário e não devem sair de lá tão cedo, mesmo com a chegada da aguardada vacina contra a Covid-19. “Quando preciso sair de casa, só uso tênis”, observa ela. “Nós, mulheres, sofremos essa imposição da sociedade, né? Querem nos ver nas ‘alturas’. Depois da pandemia, acredito que vamos continuar apostando no conforto. A moda será consumida de outra forma.”

CEO da Capri Holdings, John Idol demonstra preocupação com o futuro da Jimmy Choo, marca de sapatos que faz parte do portfólio do grupo ao lado das grifes Versace e Michael Kors. “Realmente, o negócio de calçados está sob pressão”, afirmou o empresário numa teleconferência, reproduzida pelo site “Quartz”. De fato, as restrições impostas pelo novo coronavírus pegaram a indústria fashion em cheio — dos gigantes globais às etiquetas nacionais.

Saltos em baixa? Foto: Tristan Fewings / Getty Images
Saltos em baixa? Foto: Tristan Fewings / Getty Images

Até março, os campeões de vendas na carioquíssima The Paradise, da dupla Thomaz Azulay e Patrick Doering, eram os conjuntos e os vestidos soltos. Os estilistas captaram rapidamente a mudança de comportamento e lançaram produtos que dialogam com as necessidades atuais, como máscaras e uma linha de homewear — com destaque para os robes. “Que podem ser usados em casa e na rua”, ressalta Azulay. “A moda é muito múltipla. Vão continuar existindo diversas formas de produzir: consciente, inconsciente… Não foi todo mundo que entendeu esse recado celeste.”

Com lojas no Brasil, a italiana Intimissimi reduziu e extinguiu uma série de peças para investir em outras mais pertinentes ao momento. Os pijamas e o loungewear cresceram 1.800% durante a pandemia. “As pessoas estão em busca de estilo e conforto, e nós oferecemos isso”, diz Alvaro Gutierrez, country manager da marca de lingerie no país.

Atenta, a Forum, especialista em jeans, elegeu o moletom o protagonista da coleção Stay Positive, que traz ainda uma parceria com a artista visual paulistana Verena Smit. A intenção é encher de positividade o look nosso de cada dia.