Ações de empresas de games e ETFs crescem 50% no rali da pandemia

Mesmo com forte crescimento, analistas preferem empresas de computação em nuvem
E-INVESTIDOR
einvestidor@estadao.com

Competição de Call of Duty no começo de 2020 (Foto: Bruce Kluckhohn/USA Today Sports)

(Kamaron Leach/ WP Bloomberg) – Os ganhos de assinantes da Netflix no início deste ano pareciam levar a empresa de streaming para a coroação como a rainha da quarentena. Em vez disso, é o setor de videogame que reivindica o trono.

O índice Solactive Video Games & Esports ganhou 77% desde o início dos bloqueios nos Estados Unidos, em março, enquanto a ação da Netflix subiu 44% durante o mesmo período. E os retornos sobre os ETFs, os fundos negociados em bolsa, de videogame totalizaram mais de 50% este ano.

“Os videogames e os esportes eletrônicos (eSports) são os verdadeiros campeões”, diz Pedro Palandrani, analista de pesquisas da Global X Management Company, uma empresa de investimentos que administra o HERO, um ETF de videogames e eSports que obteve um retorno de 51% este ano.

Palandrani espera que o setor prospere mesmo depois do solavanco inicial de ficar em casa. “Isso é algo que continuará a aumentar nos próximos anos”, afirma ele.

Electronic Arts Inc., a responsável por Apex Legends e Madden NFL, relatou recentemente vendas recordes em dezenas de milhões de novos jogadores inscritos. A Activision Blizzard Inc. e a Take-Two Interactive Inc. também obtiveram bons resultados. Tudo isso vem antes dos lançamentos pré-natalinos de novos consoles da Sony Corp. e da Microsoft Corp., que devem adicionar lenha à fogueira dos jogos.

Ainda assim, alguns investidores estão evitando o setor. A Bloomberg Intelligence calculou que, embora os ETFs de computação em nuvem tenham tido um retorno médio de 49% este ano – abaixo dos 56% dos ETFs de jogos – eles viram um total de entradas oito vezes maiores.

“É estranho para mim que os videogames sejam ignorados pelos consultores”, diz Eric Balchunas, analista de ETF da Bloomberg Intelligence. “Os números estão aí.”

Ele disse que está surpreso que os consultores financeiros da geração baby boom “não sabem o tamanho desse mercado” de games mesmo ao assistir às crianças em suas famílias.

Palandrani adverte que alguns investidores podem não estar cientes de como os jogos online são amplos e dinâmicos hoje em dia e de como eles podem complementar ou substituir outras formas de mídia social.

“Esses comportamentos são pegajosos”, afirma Palandrani. “Conforme os videogames continuam a expandir seu público e adicionar recursos adicionais, ele está emergindo potencialmente como a próxima geração da Internet: um metaverso cheio de milhões de usuários interagindo em uma realidade virtual ‘verdadeiramente’ realista.”

Startups se prepararam para o apocalipse, mas tiveram uma surpresa

Empresas de tecnologia fizeram demissões e até imaginaram a falência no começo da pandemia, mas a recuperação veio mais rápido do que imaginavam
Por Erin Griffith – The New York Times

“Foi uma viagem turbulenta”, disse Sam Zaid, executivo-chefe da startup de compartilhamento de carros Getaround

startup Getaround, aplicativo de carona, começou o ano demitindo 150 funcionários e reduzindo suas operações depois de ter feito grandes gastos numa expansão rápida.

Dois meses depois, com a propagação do coronavírus, as atividades pioraram ainda mais. A companhia demitiu mais 100 empregados e os que ficaram concordaram com um corte dos seus salários. A empresa obteve um empréstimo de US$ 5 milhões a US$ 10 milhões e enfrentou rumores de que iria à falência.

Mas, em maio, algo inesperado ocorreu. A Getaround se recuperou com as pessoas começando a usar os seus serviços para voltarem a trabalhar. A receita da companhia nos Estados Unidos neste ano hoje está 40% superior ao registrado no ano anterior. No mês passado, ela chamou de volta os funcionários licenciados e começou a contratar novos.

“Temos visto uma recuperação muito rápida”, disse Sam Zaid, diretor executivo da empresa, acrescentando que agora está levantando mais dinheiro. “É uma aventura”.

Quando a pandemia do coronavírus se abateu sobre o país, em março, muitas startups de tecnologia se prepararam para o fim, com o cessar das suas atividades, investidores alertando para tempos sombrios à frente e especialistas em restruturações prevendo o início de uma “grande guinada” depois de um boom que durou uma década. Cinco meses depois e esses alertas apocalípticos não se traduziram no abalo que muitos esperavam.

O financiamento para as jovens empresas tem sido robusto, particularmente para as startups de maior porte. Algumas delas, como o aplicativo de trading de ações Robinhood, e o site de mídia social Discord, arrecadaram centenas de milhões de dólares em capital novo nos últimos meses, registrando uma maior valorização. E as ofertas iniciais na bolsa de empresas de tecnologia ganharam fôlego, junto com um mercado acionário em ascensão.

“As coisas estão muito melhores do que nossos temores há 90 dias”, disse Rich Wong, investidor da Accel, empresa de capital do risco no Vale do Silício.

A estabilização criou uma desconexão surreal entre as startups de tecnologia e a economia geral. Enquanto lojas, restaurantes e muitas outras empresas vêm entrando com pedidos de recuperação judicial ou enfrentando uma das piores recessões da história, o setor de tecnologia evitou o pior da destruição.

A demanda aumentou para startups que oferecem aprendizado virtual, telemedicinae-commercevideogames, serviços de streaming e software para trabalho remoto. Startups em áreas como fitness, atividade infantil também adaptaram suas ofertas no campo virtual.

O que não significa que as startups de tecnologia escaparam ilesas — algumas, como as que oferecem serviços de viagem, software de restaurantes ou ingressos para eventos, viram sua receita evaporar. Stay Alfred, startup de hospitalidade de luxo, de Washington, começou recentemente a eliminar suas operações por causa do vírus, do mesmo modo que a ScaleFactor, startup de contabilidade, do Texas, e a Stockwell, startup de máquinas automáticas para escritórios, conhecida como Bodega.

No geral, o dinheiro continua fluindo. As startups nos Estados Unidos levantaram US$ 34,3 bilhões no segundo trimestre, pouco abaixo dos US$ 36 bilhões há um ano, de acordo com o PitchBook e a National Venture Capital Association. Grande parte do financiamento foi para as empresas maiores, com o número de “mega rodadas” (acordos de mais de US$ 100 milhões) a caminho de superar o total do ano passado.

“As pessoas vêm tentando focar naqueles que acham que serão os grandes vencedores, companhias que deram uma reviravolta com sucesso e se adaptaram à nova norma”, disse Heather Gates, diretor gerente da Deloitte.

Por todo o Vale do Silício, o pânico começou a dissipar em maio. Foi quando as demissões diminuíram ao mínimo, de acordo com o Layoffs fyi, site que monitora os licenciamentos de funcionários nas startups. Somente 5% das empresas encerraram as atividades segundo o site.

As contratações começam a crescer. As ofertas de vagas postadas numa rede administrada pela Drafte, empresa de recrutamento, aumentaram 30% no mês passado, afirmou Vinaiak Ranade, o diretor executivo.

Os gastos também começaram a aumentar. A Brex, que fornece cartões de crédito corporativo para cerca de 10 mil startups nos Estados Unidos, informou que as despesas feitas em itens como software, servidores e anúncios estão agora mais de um terço acima das de fevereiro — embora gastos com viagens de negócios e snacks para escritórios continuem fracos.

Parte da mudança foi estimulada pelas startups que adaptaram seus negócios à pandemia. Uma delas foi a Activity Hero, loja online para atividades infantis. Em abril, as reservas na startup de San Francisco caíram 88% com o cancelamento dos acampamentos de verão no país, disse Peggy Chang, diretora executiva. Ela se preocupava de que a companhia não conseguiria sobreviver.

Assim, a empresa incentivou seus provedores a oferecerem atividades virtuais, promovendo aulas gratuitas e pequenos descontos para os pais. No verão as reservas retornaram, apenas online. Agora, disse Chang, ela vê nas atividades online um trampolim para expandir mais rapidamente quando as atividades presenciais retornarem.

Algumas startups de maior porte aproveitaram a oportunidade para arrecadar mais dinheiro dos investidores. DoorDash e Instacart, dois serviços de delivery que ficaram muito populares na pandemia, levantaram, coletivamente, mais de US$ 600 milhões em financiamentos em junho, e agora seu valor aumentou, com a Doordash avaliada em US$ 16 bilhões e a Instacart em US$ 13,7 bilhões.

A Robinhood, startup de trading online, levantou US$ 280 milhões em maio e mais US$ 320 milhões em junho. Canva, provedora de software de design online, viu seu crescimento acelerar à medida que mais pessoas passaram a trabalhar remotamente, e teve sua valorização dobrada para US$ 6 bilhões em junho. Discord, serviço de chat de mídia social cujo uso cresceu 50% na pandemia arrecadou US$ 100 milhões de financiamento em junho, em poucas semanas.

Ruben Flores-Martinez, fundador da Cashdrop, startup de e-commerce, disse não ter conseguido obter financiamento para sua companhia em janeiro. Mas o vírus levou os comerciantes locais a aderirem à atividade on-line e com isto centenas deles passaram a usar o software da Cashdrop.

“A covid chegou e acelerou as coisas exponencialmente”, disse Flores-Martinez, que em julho conseguiu um financiamento de US$ 2,7 milhões para sua companhia. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Startup de ‘carne vegetal’, Impossible Foods levanta aporte de US$ 200 mi

Desde sua fundação em 2011, a empresa americana já recebeu US$ 1,5 bilhão em investimentos
Por Agências – Reuters

A Impossible Foods usa biotecnologia para criar soja com alta taxa de hemoglobina

A startup americana Impossible Foods anunciou nesta quinta-feira, 13, que levantou um aporte de US$ 200 milhões. Desde que foi fundada em 2011, sendo pioneira na área de ‘carne vegetal’, a empresa recebeu ao todo US$ 1,5 bilhão em investimentos. Com os novos recursos, a startup pretende impulsionar sua área de pesquisa e desenvolvimento e também sustentar sua internacionalização. 

A Impossible Foods usa um método diferente para fazer seus produtos parecerem carne: no lugar de misturar soja, beterraba e outros vegetais, a companhia injeta geneticamente hemoglobina na soja, de maneira que seus hambúrgueres e outros produtos possam sangrar e ter gosto semelhante ao da carne. 

Essa nova rodada de aporte foi liderada pelo fundo Coatue, focado em tecnologia. Uma série de celebridades já participaram de investimentos na Impossible Foods, incluindo cantores como Jay-Z, will.i.am e Katy Perry, o ator Kal Penn e a campeã de tênis Serena Williams. Em março deste ano, a empresa levantou US$ 500 milhões em aportes em uma rodada liderada pelo fundo Mirae Asset Global Investments. 

Os investimentos também vão ajudar a empresa a desenvolver novos produtos. A Impossible Foods já vem apostando em diferentes carnes além do hambúrguer: em janeiro, na feira Consumer Eletronics Show (CES), em Las Vegas, a empresa anunciou uma carne de “porco vegetal”

Em junho, o Impossible introduziu a venda online de seus hambúrgueres nos Estados Unidos, por meio de seu site, uma tentativa de reagir aos preços de carne bovina, que durante a pandemia dispararam em função do fechamento de várias fábricas. “Nosso crescimento no varejo certamente foi uma grande parte da história. Para nós, ao longo deste período (de pandemia), estamos tentando ajustar a forma como o consumidor de carne está cada vez mais comprando o produto”, disse David Lee, diretor financeiro da empresa, em entrevista nesta quinta. 

Naomie Harris e Keira Knightley narram animações sobre mudança climática

O curta-metragem ‘Extinction Emergency, Why We Must Act Now’ é um apelo a ações urgentes para desacelerar as mudanças climáticas e tem apoio do músico Brian Eno
Matthew Green, Reuters

Naomie Harris by Erik Madigan Heck

A atriz britânica Naomie Harris e o músico Brian Eno se uniram para produzir um curta-metragem que faz um apelo a ações urgentes para desacelerar as mudanças climáticas, em apoio à campanha de desobediência civil do movimento Extinction Rebellion.

Naomi Harris, que interpreta Eve Moneypenny nos filmes de James Bond 007 – Operação Skyfall007 – Contra Specter e no próximo filme No Time To Die, dá voz à animação, que também explora a ameaça representada pela perda acelerada de espécies.

“Estou orgulhosa de poder dar minha voz a este projeto, que espero que inspire os espectadores a apoiar as ambições do Extinction Rebellion com grande urgência”, disse a atriz em um comunicado antes do lançamento do filme nesta quinta-feira.

Chamado Extinction Emergency, Why We Must Act Now, o filme é a primeira de duas animações apoiadas por estrelas de Hollywood para ajudar na causa do Extinction Rebellion, que se originou no Reino Unido e mobilizou milhares de voluntários. A diretora é a animadora israelense Miritte Ben Yitzchak.

O segundo filme, chamado Climate Crisis, and Why We Should Panic, é narrado pela atriz Keira Knightley e defende uma ação emergencial contra o aquecimento global.

Centenas de cientistas e acadêmicos apoiam o Extinction Rebellion, dizendo que a desobediência civil é a única opção que resta para forçar os governos a adotar a escala de ação necessária para evitar milhões de mortes devido à mudança climática.

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década

Do Oculus de Santiago Calatrava ao Louvre Abu Dhabi de Jean Nouvel, essas estruturas vão para o alto e além na redefinição do dinâmico mundo da arquitetura
POR NICK MAFI | FOTOS GETTY IMAGES E DIVULGAÇÃO

design de prédios de escritórios, museus, aeroportos, estações de trem e residências nem sempre consegue ser revolucionário. Na verdade, boa parte da arquitetura consiste nas banalidades necessárias para o crescimento das cidades e o avanço da humanidade. Porém, de vez em quando aparece um projeto que atrai a atenção de todo o mundo e em seu processo, direciona a prática coletiva da arquitetura para um novo caminho.

Veja o caso do Apple Park, da Foster + Partners, que – desde seu telhado totalmente revestido por painéis solares até sua capacidade de manter uma temperatura interna de 20 a 25° C usando a entrada de ar fresco do exterior – revolucionou a forma como sedes de empresas são projetadas. Ou o CopenHill, projeto iniciado em 2013 pelo Bjarke Ingels Group (BIG) que redefiniu a ideia de que a arquitetura sustentável pode ser feita com design de ponta. Localizada em Copenhagen, a estrutura queima os resíduos e os transforma em energia limpa suficiente para abastecer anualmente 60 mil residências na região. E diferente de quaisquer outras plantas de gerenciamento de resíduos, CopenHill vai além: em seu topo, há uma pista de esqui de 450 metros, com trajetos diferenciados.

Como o design do BIG prova, a excelência na arquitetura é sempre um ponto de partida. Por um lado, é uma estrutura que usa o passado para se inspirar quanto à função, e, ao mesmo tempo, busca melhorar seu papel no mundo. De fato, a cultura evolui em pequenos passos, não grandes saltos. E testemunhar uma revolução arquitetônica é viajar para um futuro próximo por meio de um passado recente. Acreditamos que esses 13 edifícios fazem exatamente isso.

Fondation Louis Vuitton (2014), de Frank Gehry (Paris)

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década (Foto: Jptinoco/Getty Images)
Fondation Louis Vuitton (Foto: Jptinoco/Getty Images)

Devido a seus rígidos códigos de construção e pedigree arquitetônico, Paris está entre os lugares mais difíceis do mundo para projetar com sucesso a arquitetura moderna. Missão para o mais lírico de todos os starchitects, Frank Gehry, e sua fenomenal Fundação Louis Vuitton. Concluída em 2014, a estrutura de vidro fica entre árvores e gramados do Bois de Boulogne, em Paris. O edifício está repleto da impressionante coleção de arte da LVMH, com obras que vão de Yayoi Kusama e Marina Abramovič a Matisse e Giacometti, espalhadas por um espaço de 11,7 mil m² divididos em dois andares e meio. A inspiração de Gehry veio de grandes obras do século XIX. “Sempre gostei das estufas de vidro dos jardins franceses e britânicos. Quando nos deparamos com uma área no Bois de Boulogne, o vidro pareceu ser a melhor maneira incluir um prédio nesse belo jardim”, diz Gehry. “Não se pode pendurar os quadros no vidro, então tivemos que projetar também um edifício dentro do vidro”. Este jogo de sólido/vidro funciona com perfeição em seu ambiente verdejante. É uma estrutura onírica e resistente, bem como os caminhos sinuosos e a fileira interminável de árvores que a cercam.

Shanghai Tower (2015), de Gensler (Shanghai)

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década (Foto: Owngarden/Getty Images)
Shanghai Tower (Foto: Owngarden/Getty Images)

Projetada pela Gensler e concluída em 2015, a Shangai Tower (ao centro na foto) é o prédio mais alto da China e, com 630 metros de altura, é proprietária de uma grande lista de façanhas mundiais, como o deck de observação mais alto e em segundo lugar nos quesitos altura total e velocidade do sistema de elevadores. Essa lista, no entanto, perde um pouco de sua graça quando pensamos no projeto em si – em formato assimétrico com cantos arredondados – que economizou cerca de US$ 58 milhões em custos de material, em comparação com uma construção angular tradicional do mesmo tamanho. “A forma assimétrica da torre, seu perfil afilado e seus cantos arredondados permitem que o edifício resista a ventos fortes como tufões, tão comuns em Shangai”, diz Xiaomei Lee, diretor regional da Gensler na China e diretor de projeto da Shangai Tower. “Por meio de testes em túneis de vento realizados em um laboratório canadense, a Gensler refinou a forma da torre, o que reduziu a carga de vento no prédio em 24%. O resultado veio na forma de uma estrutura mais leve e muito mais econômica no consumo de materiais”.

432 Park Avenue (2015), de Rafael Viñoly (New York)

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década (Foto: Halkin Mason)
432 Park Avenue (Foto: Halkin Mason)

432 Park Avenue de Rafael Viñoly é o edifício residencial mais alto do Ocidente e, como tal, exigiu cuidados jamais vistos anteriormente. Localizado em Manhattan, no coração do Midtown, o arranha-céu de 425 metros de altura pode ser visto de todos os cinco distritos da cidade. Sua silhueta domina o horizonte de Nova York por todos os ângulos – e também de carros, trens e aviões da mesma forma – fato que não passou batido pelo arquiteto uruguaio de renome mundial. “Deixar uma marca tão proeminente e duradoura no skyline mais icônico do mundo é uma grande responsabilidade. Desde o início, sabia que precisava ter uma qualidade atemporal – o mais livre possível de modismos estéticos”, diz Viñoly . Os defensores do design enxergarão a elegância na forma regular e toda branca enquanto os céticos dirão que falta personalidade. Seja qual for o caso, a façanha da engenharia necessária para construir essa estrutura levou a arquitetura a um nível superior. Ou, como diz Viñoly, “o design expressa a solução estrutural de um enorme desafio de engenharia”. O edifício é composto essencialmente por seis estruturas separadas, sobrepostas, com um núcleo central ininterrupto formado pelos eixos dos elevadores e todos os serviços mecânicos do edifício. Fora dessa espinha dorsal, todo o espaço habitável preenche a estrutura. Apesar de todas as críticas, não há dúvida de que sua visão inaugurou uma nova era de super torres esguias.

The Broad (2015), de Diller Scofidio + Renfro em colaboração com Gensler (Los Angeles)

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década (Foto: Iwan Baan)
The Broad (Foto: Iwan Baan)

Em vários aspectos, os arquitetos da Diller Scofidio + Renfro são mágicos modernos. Tomemos, por exemplo, o design do The Broad em Los Angeles. Dentro, há uma coleção de quase duas mil obras de arte contemporânea – na teoria, nada diferente de qualquer outro museu do mundo. Aí terminam as semelhanças. O edifício de 4.600 m² atua como um amortecedor contínuo entre o mundo interno e externo. “A maioria dos museus é opaca às ruas e tem foco no interior. O The Broad usa um sistema “semi-poroso” – que apelidamos de “véu” – para promover uma interface urbana”, diz Elizabeth Diller, sócia e co-fundadora da DS+R, de Nova York. “A porosidade do véu sugere uma visão bidirecional. Ela atrai o olhar da rua pelos cantos “levantados”, enquanto as vistas de dentro da galeria são oblíquas para que os visitantes não se distraiam, sem serem totalmente isolados do mundo exterior.” Esse design em forma de favo também aprimora a obra de arte dentro da estrutura, tornando o exterior deslumbrante também multifuncional em sua estética. “As paredes do véu também são projetadas para que, apesar do movimento do sol, nenhuma luz solar direta penetre no espaço. A estrutura celular ao redor age como uma esponja, absorvendo e transmitindo luz conforme necessário”.

The Oculus (2016), de Santiago Calatrava (Nova York)

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década (Foto: Diego Grandi/Getty Images)
The Oculus (Foto: Diego Grandi/Getty Images)

O espanhol Santiago Calatrava construiu a reputação de criar estruturas tão dinâmicas que parecem prestes a decolar a qualquer momento. E o design do Oculus não é exceção. A estrutura de aço, concreto, pedra e vidro tem a forma da fênix em pleno vôo. Seu simbolismo, o surgumento das cinzas, é imediato, já que fica a poucos metros do National September 11 Memorial & Museum, no centro de Manhattan. Mas não é apenas sobre simbolismo, é também design. A facilidade de movimentação por um espaço que conecta 11 linhas de metrô e inúmeras lojas e escritórios faz desse hub de transportes uma maravilha arquitetônica. “Queria construir uma estação em que qualquer um pudesse se localizar com facilidade. Por quê? Porque encontrar o caminho certo em uma estação é essencial”, explica Calatrava. “A ideia de entrar no metrô por longas escadas rolantes, passando por lugares escuros, faz parte da vida cotidiana em Nova York. Mas tem que ser tão escuro? Não. Quis criar um lugar que proporcionasse uma sensação de conforto através de sua orientação, além de dar sensação de segurança, deixando tudo visível a olho nu”. Para quem já visitou o Oculus de Calatrava, é evidente que a missão foi cumprida com sucesso.

Elbphilharmonie Hamburg (2017), de Herzog & de Meuron (Hamburgo)

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década (Foto: Medvedkov/Getty Images)
Elbphilharmonie Hamburg (Foto: Medvedkov/Getty Images)

Em sua forma mais básica, o design da Herzog & de Meuron para a Elbphilharmonie Hamburg é uma evidência física de que a reutilização adaptativa pode ser feita para um efeito impressionante e surpreendente. O vidro cobre completamente a parte superior da estrutura, fazendo com que pareça mais um navio ultramoderno do que um espaço para apresentações musicais. Concluída em 2017, a metade inferior do prédio (do qual a Elbphilharmonie Hamburg ocupa a parte de cima) tem uma história mais antiga e remonta a 1963, um prédio de tijolos construído inicialmente para ser um armazém. Sua localização era estratégica, já que ficava à margem da foz do rio Elba, no coração geográfico da cidade. Quando este e muitos outros edifícios antigos de tijolos (alguns do século XIX) foram abandonados, um plano foi implementado para transformar esses espaços industriais em empreendimentos públicos. Ninguém poderia prever a popularidade da Elbphilharmonie Hamburg. Os ingressos vivem esgotados, em parte por seu valor acessível em comparação com outras filarmônicas. O interior do local também tem um layout democrático, seus 2.100 assentos ficam ao redor do palco, equalizando status e qualidade de experiência. A crença na igualdade entre as pessoas foi reforçada em março de 2017. No auge da crise dos refugiados na Europa, o Elbphilharmonie organizou um festival dedicado à música e cultura síria, que reuniu moradores e recém-chegados à cidade.

Apple Park (2017), de Foster + Partners (Cupertino)

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década (Foto: Dronandy/Getty Images)
Apple Park (Foto: Dronandy/Getty Images)

Para alguns, o Apple Park será sempre lembrado como a visão final do inimitável fundador da empresa, Steve Jobs. Porém, para muitos, o mais recente QG da Apple será considerado a principal conquista arquitetônica, de como pode ser projetado a sede de uma empresa com visão de futuro. Criado pela Foster + Partners, o campus de 700 mil m² foi o ápice do sonho que Jobs teve em 2004, durante um passeio pelo Hyde Park, em Londres. Foi lá que decidiu alocar sua empresa em um novo ambiente que eliminasse a barreira entre o prédio e a natureza. Para atender essa ambição, Jobs convocou o arquiteto Norman Foster, vencedor do prêmio Pritzker. “Na minha primeira reunião com Steve Jobs em 2009, ele lembrou que a região [centro da Califórnia] costumava ser o pomar dos Estados Unidos e surgiu a idéia de recriar essa paisagem como parte do conceito”, diz Foster. “Nessa abordagem, os prédios e o cenário são inseparáveis e específicos às necessidades da Apple. Steve e eu compartilhamos uma visão para o projeto; o Apple Park é o resultado da união de duas equipes para finalmente se tornar uma”. Essa visão inclui um edifício principal em forma de anel que funciona com energia totalmente sustentável, grande parte oriunda dos painéis solares que revestem o topo da estrutura em forma de nave espacial. Para uma empresa de ponta como a Apple, a energia solar parece quase arcaica, o que levou Foster e sua equipe a criar um edifício que realmente respira.

Entre cada andar, há um dossel para proteger os funcionários do intenso sol da Califórnia. Escondido dentro de cada um há um sistema de ventilação que circula o ar pelo edifício. Jobs – que não era fã de ar condicionado – queria que seus funcionários sentissem brisas, como se estivessem sentados ao ar livre. Através de uma série de sensores, o edifício mantém uma temperatura de 20 a 25° C, tudo por meio de troca de ar com o exterior. O campus também abriga nove mil árvores, muitas delas frutíferas, como maçãs, ameixas e damascos. Esse cenário verde não é um detalhe estético: todas as plantas são variedades tolerantes à seca, plantadas para resistir a mudanças climáticas.

Louvre Abu Dhabi (2017), de Jean Nouvel (Abu Dhabi)

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década (Foto: Liz Coughlan/Getty Images)
Louvre Abu Dhabi (Foto: Liz Coughlan/Getty Images)

Se a década passada pode ser vista como um Renascimento Árabe moderno para os Emirados Árabes Unidos, o Louvre Abu Dhabi é certamente peça central nesse movimento. Concluído em 2017, o edifício estimado em US$ 650 milhões localizado em Abu Dhabi é um marco para a cidade que, na década de 1950 ainda não tinha ruas pavimentadas, eletricidade ou água encanada. A estrutura de 24 mil m², projetada por Jean Nouvel, apresenta uma cúpula de aço inox e alumínio, cortada e colocada em camadas para um efeito deslumbrante. Quando o intenso sol do Oriente Médio incide sobre a cúpula, os raios de luz formam estrelas. Foram necessários oito anos de obras para que as estrelas se alinhassem neste edifício, que é o maior museu de arte da Península Arábica. Ao contrário do National Museum of Qatar (mais nacionalista, construído dois anos depois, a cerca de 555 quilômetros de carro), o Louvre Abu Dhabi promove sua impressionante variedade de arte ocidental disposta em 23 galerias (entre as obras, um auto-retrato de Van Gogh de 1877, a estação de Saint-Lazare pintada por Monet em 1877, o famoso quadro de Napoleão atravessando os Alpes em um cavalo branco pintado por Jacques-Louis David e a Composição com Azul, Vermelho, Amarelo e Preto de Mondrian de 1922)

CopenHill (2017), de Bjarke Ingels Group (Copenhagen)

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década (Foto: Courtesy of BIG/Rasmus Hjortshoj)
CopenHill (Foto: Courtesy of BIG/Rasmus Hjortshoj)

Bjarke Ingels, sócio-fundador e diretor criativo do Bjarke Ingels Group (BIG), não é estranho à arquitetura radical. O arquiteto de 44 anos tem um currículo que não deve nada ao de arquitetos com o dobro de sua idade. No entanto, é o design de CopenHill, uma estrutura em sua cidade natal, Copenhague, que entrega a genialidade do jovem arquiteto. Em sua essência, CopenHill é a prova de que a arquitetura ecológica pode ser realizada com alto design. Para isso, a usina ecológica que transforma dejetos em energia limpa não libera resíduos na atmosfera. Longe disso. Anualmente a estrutura pode converter 400 mil toneladas de resíduos em energia limpa, suficiente para abastecer 60 mil casas na região. Mas não se trata apenas de gerenciamento de resíduos – é sobre diversão também. Apesar de nevar decentemente, a topologia quase plana não torna a Dinamarca um país atraente para esquiadores. Aí Ingels vai e constrói uma pista de esqui de 450 metros no topo do prédio, com três percursos diferentes para iniciantes, intermediários e avançados. “O que amo nesse projeto é que também mostra o poder de transformação do formgiving – dar forma ao que ainda não existe – para moldar o futuro”, diz Ingels. “Tenho um filho de nove meses e ele crescerá em um mundo sem saber que houve um tempo em que você não podia esquiar no telhado de usinas de energia.”

The National Memorial for Peace and Justice (2018), da MASS Design Group em colaboração com a Equal Justice Initiative (Montgomery, Alabama)

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década (Foto: Getty Images/Bob Miller)
The National Memorial for Peace and Justice (Foto: Getty Images/Bob Miller)

National Memorial for Peace and Justice é um nome que, aparentemente, parece consolar seus visitantes. No entanto, com razão, a estrutura faz qualquer coisa menos isso. Projetado pela MASS Design Group de Boston, o memorial ao ar livre foi criado em respeito às vítimas de linchamento nos Estados Unidos. À entrada no memorial, enfileiram-se colunas vermelho escuro com nomes de vítimas e local de acontecimento desses atos impensáveis (como a homenagem ao pastor Arthur St. Clair, linchado por realizar o casamento de um homem negro e uma mulher branca na Flórida em 1877, ou quando Lacy Mitchell foi linchada na Geórgia por testemunhar contra um homem branco acusado de estuprar uma mulher negra em 1930). À medida que os visitantes entram em contato com esses nomes, o chão se inclina lentamente para baixo, enquanto as colunas permanecem no mesmo nível, eventualmente suspensas acima dos visitantes, de uma maneira que evoca os linchamentos que ocorreram em todo o país. A partir daí, o museu se abre para um espaço central, onde os visitantes ficam de pé e olham para todas as colunas suspensas. O National Memorial for Peace and Justice é uma experiência educacional, se não angustiante, para todos os visitantes. O que mais esperar de uma estrutura destinada a lançar luz sobre um passado tão sombrio?

Fass School and Teacher’s Residence (2019), de Toshiko Mori (Fass, Senegal)

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década (Foto: Iwan Baan)
Fass School and Teacher’s Residence (Foto: Iwan Baan)

Grande parte da arquitetura é sobre ter uma grande visão e implementá-la no nível da comunidade. E talvez em nenhum lugar isso seja mais evidente do que na Fass School and Teacher’s Residence, uma escola primária na costa do Senegal. Desenhada por Toshiko Mori – fundadora e diretora da Toshiko Mori Architect, de Nova York –, a estrutura circular foi moldada pela história da terra. “O projeto é baseado em um paradigma vernacular das antigas estruturas das casas coletivas do Senegal”, diz Mori. “As escolas comuns nessa área são constituídas por paredes retas de blocos de concreto e telhados de metal corrugado, estruturas muito hostis e alienantes, que esquentam muito no sol e ficam muito  barulhentas na chuva.” Para a Fass School and Teacher’s Residence, Mori usou como matéria prima a terra para os tijolos de barro das paredes, sustentadas por aço e bambu. Depois foram pintadas de branco, um passo importante que refletir os raios do sol. O telhado da escola é uma combinação de bambu e grama, outro elemento que mantém as temperaturas baixas na sala de aula (em Fass, as temperaturas podem facilmente ultrapassar os 40°C). A escola, que recebe cerca de 300 alunos entre 5 e 10 anos, é a primeira na área que ensina as crianças a ler e escrever em sua língua nativa, o pulaar, assim como em francês. “Sobre a arquitetura, queria expandir o potencial de uma tipologia tradicional e familiar de construção e transformá-la em um novo ícone contemporâneo de instituição pública, com funções e espaços compartilhados”, explica Mori. Em outras palavras, a arquiteta nascida no Japão teve uma grande visão e a implementou de maneira significativa.

National Museum of Qatar (2019), de Jean Nouvel (Doha)

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década (Foto: Iain Masterton/Getty Images)
National Museum of Qatar (Foto: Iain Masterton/Getty Images)

Se o público esperava ver os bilhões de dólares em arte ocidental que o Catar comprou nas últimas décadas, então a construção de um museu nacional era uma necessidade real. E quando isso aconteceu em 2019 com a abertura do National Museum of Qatar, os muitos Picassos, Rothkos, Pollocks e Cézannes não foram vistos. O que o público teve no lugar, dentro do novo e impressionante edifício projetado por Jean Nouvel, pode ter sido ainda mais relevante. O edifício de 33 mil m² contém muitos artefatos, histórias e imagens – desde a descoberta do petróleo até a vida no Golfo Pérsico – que contam a criação do Catar moderno (a lista das alas inclui “A Formação do Catar”, “Ambientes Nacionais do Catar” e “Catar Hoje”). No entanto, muitos, se não todos os museus nacionais do mundo, de alguma forma, contam a história de seu povo desde o início até os tempos modernos. O que difere o National Museum of Qatar de qualquer outro museu é, obviamente, sua arquitetura revolucionária. Há informações mais fáceis de enumerar: seu exterior consiste de 539 discos, com 76 mil elementos de revestimento estampados; o interior é giratório e o teto sobe e desce, constantemente surpreendendo os visitantes pelas onze galerias interligadas. E aí termina qualquer explicação simples. O que tornou o projeto deste museu tão complexo foi o briefing: um edifício que, por sua forma e formação, se tornasse a personificação da identidade do Catar. A resposta de Nouvel veio na forma da rosa do deserto, um fenômeno natural na região que consiste na cristalização em camadas de minerais que ocorrem na areia salgada. Com seu traço hábil, Nouvel conseguiu capturar a essência do milagre que foi a formação do Qatar, uma pequena nação que se estende por 11.400 km² (uma área menor que a do Estado de Sergipe).

The Shed (2019), de Diller Scofidio + Renfro em colaboração com David Rockwell (Nova York)

13 prédios que redefiniram a arquitetura e o design na última década (Foto: Iwan Baan)
The Shed (Foto: Iwan Baan)

De muitas formas, a meta do novo centro cultural de US$ 475 milhões de Nova York parecia impossível: como um centro cultural poderia entreter nova-iorquinos que acreditam já ter visto de tudo? Resposta: Coloque um edifício sobre rodas para que ele possa se dividir em dois e apresente a programação artísitica mais diversa que a cidade já assistiu. O The Shed, inaugurado na primavera de 2019, começa como um espaço cultural estático de 18,5 mil m². No entanto, a estrutura consiste em uma concha externa (feita de painéis ETFE leves e luminescentes) construída sobre um conjunto de rodas conectadas a uma pista curta. Ao ser ativada por um motor de 121 cavalos (a mesma potência de um Toyota Prius), a concha se afasta da estrutura principal do edifício, criando um edifício totalmente novo que ainda faz parte do original. “Muitas vezes edifícios flexíveis são genéricos. Queríamos fazer um edifício flexível com um forte caráter arquitetônico”, diz Elizabeth Diller, sócia da Diller Scofidio + Renfro, que contou com a colaboração do Rockwell Group para essa criação. “Nosso objetivo era criar um edifício que fosse tão flexível, que se adaptasse a um futuro que ainda não se conhece. Tão flexível que poderia até mudar sua pegada”.

Tradução: Adriana Mori | *Matéria originalmente publicada na Architectual Digest

Prada | Resort 2020 | Full Show

Prada | Resort 2020 (New York City/USA – Piano Factory New York) by Miuccia Prada | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p/Multi Camera)

MOHA

Moha photographed by David Mesa, in exclusive for Fucking Young! Online.
Art Direction: Daniela López @danielalopezp
Text: Andrea Silveira @andreafsilveira

A natureza humana é uma bela expressão da força criativa do universo.
Revela, em seus pequenos detalhes, a conjugação da vida e o desejo de fazer parte
do criador. Sua melhor versão é aquela em que somos um com tudo
que nos rodeia: almas particulares, em diferentes formas orgânicas compartilhando o humano
experiências. É a diversidade na unidade, a presença de todas as cores ocupando
todos os espaços. É amor sem barreiras, indo e vindo sem barreiras.
Mas quantos graus de separação pode haver entre o
sonho e solidariedade humana? Em que ponto da jornada perdemos
nossa natureza e começamos a construir narrativas de sofrimento, de separação, de
exclusão, do domínio uns dos outros sobre os seres vivos deste planeta?
Algumas pessoas parecem perdidas em meio a tempestades. Eles se tornam viajantes do espaço-tempo
em busca de novos horizontes, e inúmeras vezes são considerados outsiders.
Este é o cenário que devemos mudar, começando em nós mesmos. Mas nada
é tão fácil que nos permite desfrutar do caminho sem muito esforço. E
nada é impossível que nos impeça de ser o que nascemos para ser:
almas livres.
Pertencemos à terra sob nossos pés e se não nos reconhecermos
da mesma forma, então estamos verdadeiramente perdidos de nossa própria reflexão. A liberdade está em nosso
genética, conduzindo nossos passos por todos os caminhos. Não somos estranhos, mas
peregrinos conectados em transição permanente.

Angelina Jolie questiona imparcialidade de juiz que analisa divórcio com Brad Pitt

Defesa do ator diz que recurso é tentativa de adiar julgamento da custódia dos filhos

Os atores Angelina Jolie e Brad Pitt

Angelina Jolie, 45, e Brad Pitt, 56, estão batendo de frente por causa o juiz que está analisando o divórcio deles. De acordo com a revista estadunidense “People”, a atriz entrou com um pedido de remoção do magistrado.

Feito em 7 de agosto pela equipe de advogados dela, o documento afirma que John W. Ouderkirk “não fez comunicações obrigatórias de negócios em andamento e relações profissionais” entre ele e os advogados de Pitt.

A defesa de Jolie diz também que o fato de Ouderkirk não ter revelado detalhes de outros casos de divórcio em que estava trabalhando com a equipe legal do ex-marido deixa o julgamento dele “tendencioso”.

“[Jolie] nunca teve a oportunidade de levantar uma preocupação ou contestar as crescentes relações de negócios entre o juiz Ouderkirk e o advogado [de Pitt] —relacionamentos que forneciam um fluxo constante de renda para o juiz Ouderkirk e o potencial para trabalho futuro”, diz a queixa. “Este é precisamente o tipo de circunstâncias com clientes que, repetidas, criam dúvidas sobre a capacidade de um juiz privado remunerado de permanecer imparcial.”

Procurado, o juiz não respondeu à publicação. No processo, ele tem 10 dias para responder ao pedido de Jolie.

Já a defesa de Brad Pitt classificou o recurso de Jolie como “uma tentativa velada de adiar o julgamento de questões de custódia pendentes neste caso”. O julgamento da custódia dos filhos do ex-casal está marcado para outubro.

Nos autos, Pitt chamou Jolie de “Ave Maria” e argumentou que Ouderkirk de fato “aceitou novos compromissos envolvendo advogados dele”, mas que o assunto foi “totalmente revelado à ex-mulher” e que ela “nunca se opôs ao envolvimento contínuo de [Ouderkirk] neste processo até agora”.

“Infelizmente, os indivíduos mais prejudicados pela jogada tática de Jolie são os próprios filhos das partes, que continuam privados de uma resolução final para essas questões de custódia”, dizem os advogados do ator.

Em comunicado enviado à “People”, a advogada de Jolie respondeu que “é lamentável que a equipe do Sr. Pitt tenha procurado intervir antes da resposta do juiz Ouderkirk”. “Só podemos concluir que esta é uma tentativa de obstruir ou influenciar a resposta do juiz Ouderkirk. Qualquer atraso neste processo é devido à sua zelosa tentativa de criar um exceção especial não reconhecida para o benefício de seu cliente”, afirmou.

Ouderkirk foi contratado por Pitt e Jolie em 2017 para supervisionar o divórcio deles em privado, algo relativamente comum nos Estados Unidos.

O mesmo magistrado foi quem casou os dois em 2014, na propriedade francesa da família, o Château Miraval. Ele foi um dos 20 participantes do evento.

Juntos, os astros de Hollywood têm seis filhos (alguns adotados): Maddox, 18, Pax, 16, Zahara, 15, Shiloh, 14, e os gêmeos Knox e Vivienne, 12.

Jolie pediu o divórcio em 2016. Ela e Pitt foram declarados solteiros no ano passado, enquanto o processo judicial de separação prossegue.

Usuários de WeChat nos EUA crescem mais de 40% depois de ameaça de Trump

Depois de fala de Donald Trump sobre banir o app de conversa, aplicativo vê alta e chineses nos EUA temem ficar sem contato com familiares
Por Agências – Reuters

Não estava claro como o governo poderia implementar a proibição do WeChat em meados de setembro

Nos Estados Unidos, os downloads dos aplicativos de conversa WeChat e Signal aumentaram mais de 40% nos últimos dias. O crescimento acontece depois que o presidente Donald Trump ameaçou banir o app da empresa chinesa Tencent, segundo dados da Sensor Tower compartilhados com a agência de notícias Reuters na quinta-feira, 13.

Os usuários do WeChat nos Estados Unidos correram para instalar a plataforma antes que ela pudesse desaparecer das lojas de app nos celulares. Outros, especialmente na China, buscaram alternativas como o Signal, que é criptografado, de propriedade da Signal Foundation sem fins lucrativos.

Os downloads de aplicativos WeChat nos Estados Unidos aumentaram 41% em uma média de seis dias em relação à semana anterior à proibição dos EUA, anunciada na última quinta-feira, de acordo com a Sensor Tower. Os downloads do aplicativo Signal nas lojas de aplicativos dos EUA e China aumentaram separadamente em 30% e 90%.

“Não apenas alternativas como WhatsApp e Telegram estão oficialmente bloqueadas na China, mas o Signal tem uma vantagem inerente por ser bem conhecido por ser fortemente criptografado”, disse Stephanie Chan, estrategista Mobile Insights da Sensor Tower. A Signal não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

Os usuários do WeChat também recorreram a outro aplicativo de chat de propriedade da Tencent, o QQ, já que a proibição não abrangia especificamente este produto. Seus downloads nos Estados Unidos triplicaram na semana passada, mostraram dados da Sensor Tower.

Alguns imigrantes chineses e expatriados temem que a perda de acesso ao popular WeChat possa cortar o contato com a família e amigos na China, onde os aplicativos de mensagens instantâneas mais populares dos EUA, incluindo FacebookWhatsApp e Telegram, foram bloqueados pelo governo chinês.

Não estava claro como o governo poderia implementar a proibição do WeChat em meados de setembro. Ele poderia solicitar que a Apple e a Alphabet, controladora do Google, removessem o WeChat de sua loja de aplicativos ou solicitassem que os apps parassem de oferecer acesso ou atualizações aos usuários dos EUA.

Alguns usuários disseram que planejavam acessar o WeChat nos Estados Unidos usando uma rede privada virtual (VPN), uma ferramenta comum que as pessoas usam na China para ocultar endereços IP para escapar das restrições do governo.