O que está em jogo na disputa pela Linx entre Stone e Totvs

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Por Felipe Matos

Imagem: Pixabay

A Stone surpreendeu o mercado anunciando na semana passada que havia feito uma oferta de compra da Linx por mais de R$ 6 bilhões. A operação seria paga com 10% em ações e 90% em dinheiro, levantado por meio de uma nova emissão de ações na bolsa de Nova Iorque.

A ação fazia tanto sentido, que chegou a ser considerada genial por muitos, inclusive eu. As sinergias entre as empresas são mesmo evidentes. A Stone é uma gigante dos pagamentos, com forte presença de suas maquininhas no varejo físico, enquanto a Linx é uma potência em software para o setor, com destaque para vendas digitais.

Porém, surgiu um novo capítulo ainda mais surpreendente nessa história. No final da semana, a Totvs tornou público que apresentou uma proposta de fusão com a Linx, por um valor cerca 1% maior que a oferta da Stone. A operação com a Totvs também faz sentido, embora se pareça mais com uma consolidação mais tradicional, já que ambas as empresas atuam basicamente da mesma forma, como fornecedoras de software.

Segundo executivos da Totvs, as negociações da fusão já vinham acontecendo com a Linx muito antes do anúncio da Stone, sendo que sua oferta se tornaria pública após a apresentação de resultados daquela empresa, marcada para o último dia 10. Entretanto, a tal apresentação acabou sendo cancelada na última hora pela Linx. Logo em seguida, foi anunciado que haviam fechado o acordo com a Stone.

No meio da disputa, há um queda de braços entre acionistas minoritários da Linx e os fundadores. Isso porque na oferta da Stone, os fundadores recebem uma gorda indenização por não competição, que na prática, faz com que eles tenham um prêmio de cerca de 30% sobre o valor de suas ações em relação aos demais acionistas. Já a Totvs propôs uma fusão que pagaria o mesmo valor por ação a todos os acionistas.

Agora, Totvs e acionistas minoritários da Linx questionam a validade do acordo com a Stone, inclusive das multas que a empresa deveria pagar à Stone em caso de desistência do negócio. Para eles, a empresa não considerou o melhor interesse dos acionistas ao descartar a oferta da Totvs. Todos esse imbróglio ainda deve render novos capítulos, podendo até mesmo se tornar uma balha judicial. É possível que uma nova oferta seja feita pela Stone, buscando ajustar a relação com todos os acionistas, até porque a empresa já levantou na bolsa os recursos para a aquisição.

Esse episódio demonstra sobretudo a importância da boa governança corporativa para os negócios, com especial cuidado no alinhamento de interesses dos diferentes stakeholders: investidores, executivos, fundadores e demais acionistas. Aguardemos pelos próximos capítulos.

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