Angela Davis em quadrinhos: HQ francesa que conta história de ativista norte-americana chega ao Brasil

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Livro narra em quadrinhos a trajetória e as lutas da ativista e filósofa norte-americana Angela Davis, ícone do feminismo e do movimento negro
Leda Antunes

'Queremos o fim imediato da brutalidade policial e do assassinato do povo preto' exigiam os Panteras Negras Foto: Reprodução/Agir
‘Queremos o fim imediato da brutalidade policial e do assassinato do povo preto’ exigiam os Panteras Negras Foto: Reprodução/Agir

“Angela Yvonne Davis é uma lenda viva que inspira pessoas dos mais diversos segmentos políticos ao redor do mundo”, escreve a filósofa e escritora Djamila Ribeiro no texto de orelha da edição brasileira de “Miss Davis: a vida e as lutas de Angela Davis”, que acaba de ser lançado pela Editora Agir. No livro, os franceses Sybille Titeux de La Croix e Amazing Ameziane recontam a trajetória da consagrada ativista e filósofa norte-americana, ícone do feminismo e do movimento negro, na forma de história em quadrinhos.

O livro retoma a trajetória de Angela Davis desde sua infância, vivida em parte no estado do Alabama, narrando suas vivências como filha de pais que faziam parte da Associação Nacional Para o Progresso das Pessoas de Cor em um estado ainda sob segregação, e, posteriormente, em Nova York, onde as leituras comunistas influenciaram de forma definitiva sua formação intelectual e política.

A HQ ainda narra a participação de Davis no partido dos Panteras Negras e sua entrada na lista dos mais procurados do FBI, dando destaque a sua vivência na prisão e ao julgamento que terminou com o reconhecimento da sua inocência após uma intensa campanha pública global por sua liberdade. A partir da história de sua militância, os quadrinhos inserem o leitor no cenário da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos dos anos 1960 e 1970.

Angela Davis em quadrinhos Foto: Reprodução/Agir
Angela Davis em quadrinhos Foto: Reprodução/Agir

A ideia de contar a história de Davis em quadrinhos surgiu logo depois que a escritora Sybille Titeux de La Croix e o ilustrador Amazing Ameziane finalizaram o livro em que narram a trajetória do ativista e boxeador afro-americano Muhammad Ali, em 2015.

— O livro sobre Ali era tanto sobre o esporte quanto sobre sua luta pelos direitos civis nos EUA. Podemos dizer que o livro sobre Angela Davis é, portanto, uma continuação, desta vez através da figura de uma mulher que dedica a sua vida à luta pela igualdade, feminismo e anti-capitalismo — afirma La Croix, em entrevista concedida à CELINA por e-mail.

Para a autora, todos os aspectos da vida de Angela Davis a fizeram querer fazer uma história em quadrinhos sobre ela. “O objetivo principal é ajudar quem não conhece Angela Davis a descobrir suas lutas e suas ideias, que ainda estão bem vivas em 2020”, explica.

Ambos os autores acumulam anos de pesquisa sobre a cultura norte-americana e o período histórico que marcou a luta pelos direitos civis nos anos, entre as décadas de 50 e 70, bagagem que foi fundamental para o processo de desenvolvimento da HQ.

Vidas negras importam

“Queremos o fim imediato da brutalidade policial do assassinato do povo preto”, diz um dos itens do programa do partido Panteras Negras, citado logo no início de “Miss Davis”. A exigência, feita no final da década de 60, continua atual. A HQ sobre Angela Davis chega em um momento em que o debate sobre o racismo parece ter atingido um novo patamar global. Em junho, protestos em repúdio à violência policial contra a população negra nos EUA — desencadeados pelo assassinato de George Floyd, um homem negro morto por asfixia por um policial branco — se espalharam pelo mundo.

— Na França, o livro foi lançado um pouco antes da crise da Covid 19, então demorou um pouco para ter um retorno. Mas com o movimento “Black Lives Matter” se espalhando pelo mundo, está claro que este não é apenas um problema americano. O jovem negro Adama Traoré morreu estrangulado pela polícia francesa dizendo exatamente as mesmas palavras que George Floyd — conta Amazing Ameziane.

Neste contexto, recontar a história de Angela Davis se torna ainda mais importante, afirmam os autores da HQ.

— Começamos a trabalhar no livro em 2018, e este não era um tópico especialmente relevante na época, aos olhos das pessoas. Mas é importante contar a história de pessoas como Angela Davis o tempo todo. Sua luta ainda é relevante hoje e espero que o livro possa inspirar jovens leitores — afirma La Croix.

— Angela Davis nos inspira a desejar um mundo melhor — completa Ameziane.

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