Como organizar as milhares de fotos acumuladas nos últimos anos

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Apesar de parecer uma tarefa interminável, algum métodos podem ajudar a finalmente organizar fotos impressas e digitais
Por Sarah Firshein – The New York Times

Com tantas horas dentro de casa e a saudade de ver parentes e amigos, não há momento melhor do que agora para organizar fotos

Ao passar mais tempo em casa, temos a oportunidade de enfrentar projetos ambiciosos de todo o tipo, seja tentar aquela receita de pão caseiro ou melhorar o próprio espaço de trabalho. Mas ainda há uma tarefa que parece impossível: organizar as centenas, ou milhares (ou até centenas de milhares) de fotografias digitais e impressas. A ideia de classificá-las é aparentemente tão desafiadora que é melhor nem começar. As imagens se acumulam, o ciclo continua.

Mas, com tantas horas dentro de casa e a saudade de ver parentes e amigos, não há momento melhor do que agora para romper essa inércia.

“Quanto mais as fotos forem visíveis e acessíveis para nós, maior a probabilidade de lembrarmos do que nos leva a amar as pessoas em nossas vidas”, disse Eric Niloff, cofundador e diretor executivo da EverPresent, empresa de Boston que digitaliza e organiza fotos de família.

Mesmo se você tiver centenas de gigabytes (GB) reunidos ao longo de seis trocas de aparelho — de acordo com Niloff, o cliente comum da EverPresent tem no iPhone algo entre 15 mil e 20 mil fotos digitais — ou caixas de álbuns de décadas atrás, eis algumas maneiras simples de catalogar e organizar suas imagens.

Menos ênfase na abrangência e na classificação

“Sentar e dizer ‘Vou organizar meticulosamente 50 anos de slides e álbuns de fotografias e 10 anos de fotos digitais distribuídas em oito dispositivos’ é uma estratégia que dificilmente dará certo”, disse Niloff.

Em vez disso, ele sugeriu definir parâmetros específicos (organizar dois anos de fotos, por exemplo, ou fazer isso por duas horas a cada semana) e avançar gradualmente a partir daí. Reúna tudo em um lugar — fotos impressas podem ficar no chão, e as digitais em um computador, o melhor lugar para manter um arquivo mestre. No chão podemos criar pilhas do tipo “sim”, “não” e “talvez”; as imagens digitais podem ser marcadas como favoritas (ou “curtidas” no aplicativo Photos, da Apple) ou apagadas.

“Depois que entramos no ritmo favoritando as imagens, em poucas horas vemos como resultado uma linha do tempo coerente”, disse Niloff.

Cathi Nelson, fundadora da comunidade global Photo Managers, que organiza fotos, usa um sistema de hierarquização que ela chamada de “ABCS”: Álbum (as melhores imagens, dignas de um lugar em um álbum físico ou online); Backup ou caixa (fotos que queremos guardar, mas não precisam estar acessíveis); Corte (ou lata do lixo); e Stories, ou narrativas (fotos que evocam uma lembrança especial e merecem ser guardadas).

“Muitas emoções são despertadas nesse processo: haverá nostalgia e tristeza”, disse Cathi. “Mas não se perca: a ideia é olhar para cada foto por dois ou três segundos, no máximo.”

Ela também segue a regra dos 80/20: quando a classificação chegar ao fim, é provável que 80% de suas fotos sejam destinadas ao lixo, seja físico ou digital. Se a ideia dos 20% restantes despertar empolgação, isso indica progresso.

Coloque etiquetas nas fotos impressas e pense em digitalizá-las

Fotos avulsas precisam de um pouco mais de amor. Se, após a classificação, restar uma quantidade administrável delas, transfira os agrupamentos naturais para álbuns ou caixas de arquivo e repare no critério que as une, seja o ano ou as pessoas retratadas.

Se preferir manter um acervo completo no computador — imagens digitais são mais fáceis de transformar em presentes e compartilhar com outros — será necessário usar um scanner de boa qualidade e muita paciência e tempo livre. Uma alternativa é procurar serviços de digitalização na internet.

Coloque etiquetas nas fotos digitais e arquive-as

A maioria dos aplicativos de fotos permite que os usuários insiram palavras-chave personalizadas, que podem então ser usadas na busca por imagens específicas. Niloff recomenda começar com categorias básicas como pessoas, animais de estimação, hobbies e férias.

“A diferença entre 3 mil fotos sem etiqueta e 300 fotos organizadas por categoria pode ser a diferença entre seus filhos aprenderem a história daquelas imagens ou não”, disse ele.

Pastas (“Cartão de Natal 2020″, “Imprimir para a vovó”) facilitam o preparo das imagens para um projeto e permitem que outros (crianças, por exemplo) naveguem pelas imagens no seu dispositivo. Lembre que a cronologia ou a falta de uma cronologia não são a palavra final.

“Eis aí outro obstáculo que impede as pessoas de seguir com a organização”, disse Cathi. “Elas abrem uma caixa e pensam, ‘Céus, não consigo lembrar se o Johnny tinha 7 ou 8 anos nessa foto’. Mas, por mais que nossa vida tenha uma ordem cronológica, nossa memória das vivências é semântica. Quais são os temas das nossas vida? Viagem, parentes, férias: cada um tem critérios valiosos que podem ser usados para agrupar fotos.”

Apagar, fazer backup e compartilhar

Depois que seu arquivo mestre estiver sob controle, é importante manter a ordem. Niloff sugere definir intervalos periódicos – cinco minutos por semana, o último domingo do mês, etc. — para analisar as novas imagens e se livrar daquelas destinadas ao lixo.

“Temos um medo psicológico da ideia de deletar”, disse Cathi. “Mas, se nunca deletamos nada, a probabilidade de voltarmos a procurar essas fotos só vai diminuir.”

O que fazer com as novas fotos que desejamos incorporar ao acervo de alguma maneira? Isso varia de acordo com os critérios de cada um. Niloff ensina que uma tática é transferi-las para o computador e fazer backup em um drive externo ou serviço de armazenamento na nuvem. Apague do computador as imagens destinadas ao arquivo, deixando apenas as favoritas, que devem ser etiquetadas e classificadas. É como se atuássemos como leão de chácara do nosso acervo: só será aceito aquilo que é considerado digno.

Depois disso, vale tudo, mas os especialistas incentivam o compartilhamento de fotos em algum lugar, seja como um organizado e estiloso álbum fotográfico, como imagens impressas no tamanho 12×15 em papel reluzente, usadas em cartões de Natal personalizados ou mesmo em um perfil do Instagram.

“Quando estamos sempre organizando as fotos sem ter onde dar vazão a elas, sem álbuns de fotos nem publicações nas redes sociais, vivemos um estado de ‘paralisia analítica’”, disse Niloff. “Envie três fotos por mensagem a um amigo, crie uma apresentação de slides ao som de Taylor Swift: pense em algo que crie uma conexão com as pessoas.” /TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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