Concurso ‘The Look of the Year’ que revelou Gisele Bündchen terá versão totalmente online

Liliana Gomes, à frente de ‘The Look of the Year’, conta histórias de outras edições e acredita que hoje é preciso personalidade para se destacar
Mariana Coutinho

Gisele em sua edição de The Look of The Year Foto: Divulgação

O concurso que revelou Gisele Bündchen ao mundo será promovido este ano de maneira 100% digital. E isso inclui o desfile das finalistas e a plateia de jurados, que estarão atentos nas “fileiras A” de uma videoconferência. “The Look of the Year” teve que mudar  por conta da pandemia, mas o formato online pode ser ainda mais democrático, acredita Liliana Gomes, diretora da JOY Model, à frente do concurso.

Organizando a competição desde os anos 90, quando ela era promovida pela extinta agência Elite no Brasil, Liliana viu despontarem estrelas como Ana Beatriz Barros, Fernanda Tavares, Isabeli Fontana, Raica de Oliveira e Carol Ribeiro. Agora, ela diz que além da beleza, conta muito a personalidade e os valores das modelos.

Com cerca de 20 mil inscrições anuais, o concurso espera receber ainda mais interessadas com a versão online. Nos anos anteriores, o evento era realizado em São Paulo e muitas candidatas pelo Brasil tinham dificuldades para fazer o deslocamento. “O formato digital é mais acessível”, destaca Liliana.As inscrições estarão abertas a partir de 21 de Agosto, até 15 de Novembro, pelo site do concurso. A final nacional do evento será em 8 de dezembro.

Em conversa com Ela Digital, a empresária conta histórias de outros concursos, os primeiros passos de modelos famosas e fala sobre sua aposta na diversidade. Confira a seguir:

Acha que o The Look of The Year ser todo online vai abrir possibilidade para pessoas que antes não teriam como participar do concurso?

O online é muito mais democrático do que o evento presencial. Ele facilita, reduz custos, aproxima e permite que, do conforto da sua casa, você possa ser avaliada, com toda a segurança e respeitando o distanciamento social, sendo introduzida em um universo antes tão distante.Seguramente, vai ajudar muitas candidatas. Durante a pandemia, intensificamos ainda mais o expertise do scouting online.Como é um novo formato, obviamente terá seus desafios para podermos fazer todo processo de busca e preparação de candidatos, além da avaliação do júri via Internet, mas estamos nos adaptando a uma nova realidade e buscando formas alternativas e criativas. Estou muito ansiosa para ver o resultado. Vamos usar bastante as lives para orientar modelos, scouters e pais, a comunicação via rede social e as vídeo-chamadas para avaliação individual das modelos. É um novo formato, muito direto e acessível.

Liliana Gomes está à frente do concurso 'The Look of the Year' Foto: Henrique Schiefferdecker
Liliana Gomes está à frente do concurso ‘The Look of the Year’ Foto: Henrique Schiefferdecker

Você revelou modelos como Gisele Bündchen, Isabeli Fontana, Fernanda Tavares, Ana Beatriz Barros e Lais Ribeiro. Como as conheceu?

Vi a Gisele em um casting no Shopping Eldorado. Fomos ali para ver cerca de 50 modelos e gostamos muito dela. Os candidatos todos iriam depois para o Playcenter, mas convidamos Gisele a ir até a agência onde eu trabalhava na ocasião, ao invés de ir para o parque de diversões, e ela aceitou. Depois disso, participou do The Look of The Year, que aconteceu seis meses depois, em 1994. Obviamente nós não sabíamos que Gisele se tonaria a Gisele. Naquele momento, só sabíamos que ela era promissora, bela, com potencial e personalidade.

A Fernanda Tavares eu vi em um concurso em Natal, em 1994. Fui à uma seleção na cidade e, à tarde, a mãe de Fernanda me procurou no meu hotel, para que eu visse sua filha. Selecionamos ela para participar do evento e ela acabou chegando até a final nacional. Um fato importante a saber é que nem Fernanda e nem Gisele ganharam o concurso naquele ano, e de qualquer forma construíram carreiras brilhantes.

Isabeli Fontana se inscreveu no The Look of The Year em 1996. A ficha dela chegou pelos Correios, quando estávamos indo para o aeroporto, para a seletiva de Curitiba. Ela nos encontrou no evento com sua família, ensaiou para desfilar e foi aprovada. Acabou ganhando o 3º lugar nacional. Logo depois, viajou para França, e sentia muitas saudades da mãe, porque era muito jovem. Naquele mesmo evento estavam Michele Alves e Ana Beatriz Barros.

Liliana Gomes com Ana Beatriz Barros e Sérgio Matos Foto: Arquivo pessoal
Liliana Gomes com Ana Beatriz Barros e Sérgio Matos Foto: Arquivo pessoal

Ana Beatriz sempre foi linda, e a mãe dela a levou na agência, no Rio de Janeiro. Todos apostavam que ela ganharia, e de fato ganhou no Brasil, e foi o 3º lugar na edição internacional, onde haviam cerca de 80 meninas de todo mundo. Ninguém descobriu a Ana – a mãe dela é que foi a grande “fada madrinha”.

A Lais Ribeiro eu vi em Fortaleza, em uma seleção, em 2009. Ela tinha ido do Piauí para lá. No início, fiquei em dúvida, mas então a vi de biquíni, ela tinha ótimas proporções, com pernas longas e curvas. Um mês depois, ela tinha representação internacional e planos para ser apresentada à Victoria’s Secret. Lais sempre teve muito carisma, por isso construiu uma carreira brilhante.

O que é necessário para ser a nova Gisele ou  nova Lais?

Eu acredito que não existe uma “nova Gisele”, porque as modelos são muito diferentes entre si, e cada uma representa um determinado período, conforme o que vivemos na atualidade. Hoje, nós vivemos uma geração onde, cada vez mais, conta muito quem você é e como você se expressa, suas mídias sociais, seus valores…tudo isso entra no seu pacote.Não existe uma receita, e também não existia uma receita antes de Gisele. Na atualidade, acredito por exemplo que Lais simboliza muito esse momento, fruto da miscigenação, e da mesma forma temos Valentina Sampaio, que representa um momento importante de quebra de padrões e de respeito à diversidade, o que não acontecia há 20 anos atrás.Estamos aqui assistindo essas novas tops galgarem espaço conforme a representação demandada pelos tempos atuais, e vendo essas novas belezas chegarem e despontarem.

A JOY Model tem apostado na representatividade trans. Qual acha que é a importância de abrir esse espaço no mundo da moda?

Acredito que a moda antecipa os movimentos da sociedade e dá caminho para o futuro. Estamos vivendo uma época de quebra de padrões e sinto muito orgulho de viver esse momento. É uma questão de representatividade, que contempla a riqueza humana em suas mais diversas formas.Valentina Sampaio, que integra nosso time, abriu muitos espaços na história recente.Fazemos os esforços para acompanhar as mudanças demandadas pela sociedade e, sobretudo, antecipar os movimentos.Acredito que as novas gerações trazem em si essas mudanças, por isso vamos apenas em busca das belezas representativas dos novos tempos.

Liliana com Lais Ribeiro Foto: Arquivo pessoal
Liliana com Lais Ribeiro Foto: Arquivo pessoal

Como vê o mercado para as modelos brasileiras? Nossa diversidade continua em alta?

No Brasil, nós somos realmente diversos, por isso somos muito bons nesse mercado, porque nos miscigenamos há mais de 500 anos, e assim temos uma representatividade muita extensa de biotipos a oferecer ao mercado.O Brasil tem belezas incríveis, e em todas as suas formas.

Qual a melhor característica que uma modelo pode ter?

Hoje em dia, o que mais conta é a personalidade. Além disso, a flexibilidade, a inteligência e a beleza – que é representada das mais diversas formas, quebrando antigos padrões.

Clássico do Dia: ‘Os Demônios’ levou terror ao convento e provocou a ira do Vaticano

Crítico do Estadão, Luiz Carlos Merten comenta o filme de 1971, do diretor Ken Russell, permeado de sexo e violência
Luiz Carlos Merten , O Estado de S.Paulo

Cena do filme ‘Os Demônios’, de Ken Russell. Foto: Warner Bros

Pouca gente deve lembrar-se de Jean Giono, autor de livros como O Homem Que Plantava Árvores Um Hussardo no Telhado, e menos ainda de que, no final da 2.ª Guerra Mundial, ele chegou a ser preso, na França, acusado de colaboracionismo com os nazistas. Em 1961, Giono presidiu o júri de Cannes. Deu uma declaração que entrou para os anais do festival. Disse que não gostava de recepções, nem de filmes. Seu júri dividiu a Palma de Ouro entre Luís Buñuel (Viridiana) e Henri Colpi (Une Aussi Longue Absence). Outorgou seu prêmio especial ao polonês Jerzy Kawalerowicz, por Madre Joana dos Anjos.

O célebre episódio das freiras possessas de Loudun e uma possível influência sobre Glauber RochaDeus e o Diabo na Terra do SolTerra em TranseO Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro – a estrutura bipolar é característica dos maiores filmes do autor brasileiro. Antes dele, Kawalerowicz já criara os espaços do convento e da taverna, e entre eles o deserto, como expressões de uma indagação existencial e até metafísica. Exatamente dez anos depois o inglês Ken Russell colocou nas telas a sua versão do mesmo episódio. Russell era considerado na época o enfant terrible do cinema inglês. Incursionara pelo cinema de agentes secretos com O Cérebro de Um Bilhão de Dólares, foi para o Oscar com sua adaptaçãoo de D.H. Lawrence – Glenda Jackson ganhou o prêmio por Mulheres Apaixonadas, mas a cena que fica é a da briga de Alan Bates e Oliver Reed, ambos nus – e de novo com Glenda propôs a releitura da vida e obra de Tchaikovsky, ele como homossexual e sua mulher como ninfomaníaca em Delírio de Amor, primeira de uma série de biografias de grandes músicos que ele fez no cinema.

Ken Russel! Seu nome virara sinônimo de excesso. Vale lembrar o que escreve Jean Tulard no Dicionário de Cinema – “Nem contenção, nem comedimento – nenhuma preocupação com a exatidão ou em ser realista como nas biografias musicais hollywoodianas e soviéticas, mas um ponto de vista subjetivo e uma torrente de imagens que não deixa o espectador retomar o fôlego.” Tulard faz a ressalva – “Todo esse delírio é desordenado apenas aparentemente.” Numa entrevista em 1997, o diretor conta como tudo começou – “O produtor Robert Solo me enviou uma cópia da peça The Devils, de John Whiting, e um exemplar do livro de Aldous Huxley, de 1952, The Devils of Loudun, acrescidos de uma nota – ‘Gostaria de fazer um filme?’ Lembrava-me de haver visto a peça, mas não conhecia o livro. Li-o e achei o material muito rico, fiquei fisgado e imediatamente disse sim.” Mal o projeto foi anunciado e Russell foi contactado pelo ator Richard Johnson, que havia feito o protagonista masculino, Urbain Grandier, na montagem da peça de Whiting pela Royal Shakespeare Company, em 1961.

Russell já tinha um primeiro esboço do roteiro, que terminou assinando sozinho, embora se utilizando de diálogos da peça e do livro. Ele logo declinou da oferta de Johnson. Desde a primeira leitura visualizara Oliver Reed, o Gerald de Mulheres Apaixonadas, como Grandier. Chegou a oferecer o papel de Madre Joana a Glenda Jackson, esperando retomar a parceria com a grande atriz, e foi um choque quando ela declinou. Mais tarde, Glenda lamentou a decepção que causara em Russell, mas explicou que não queria fazer mais uma mulher neurótica e faminta por sexo. Russell voltou-se então para Vanessa Redgrave e ela aceitou ser a sua Madre Joana. Para muita gente, é o maior papel dessa atriz. Em sua autobiografia, ela chega a dizer que Os Demônios A Carga da Brigada Ligeira, a versão de seu ex-marido, Tony Richardson, de 1968, são as duas obras de gênio do cinema britânico no pós-guerra. O projeto foi levado à United Artists, que distribuíra os filmes anteriores do diretor, mas a companhia recusou, considerando o material muito explosivo. Os Demônios foi produzido pela Warner.

Cabe lembrar que, no bojo das transformações comportamentais na década de 1960, o início dos 70 assistiu a um florescimento do cinema erótico. Surgiram A Laranja MecânicaÚltimo Tango em ParisW.R. – Os Mistérios do OrganismoO Porteiro da NoiteEmmanuelle, culminando no sexo explícito de Nagisa Oshima em seu díptico, O Império dos Sentidos e O Império das Paixões. O pornô ganhou as telas e criou suas estrelas, Linda Lovelace (Garganta Profunda) e Georgina Spelvin (O Diabo na Carne de Miss Jones). Houve até um Hamlet (‘To fuck or not to fuck’). Mas o caso de Os Demônios era especial, e por dois motivos. O filme baseava-se numa história real – e o livro de Huxley havia sido definido como romance documentário, ou de não ficção. Havia, ainda, a questão da Igreja, e o Vaticano tentou impedir a exibição do filme no Festival de Veneza, chegando a ameaçar de excomunhão Russell e o diretor da mostra.

Para se manter fiel à história, Os Demônios passa-se antes do filme de Kawalerowicz. Na verdade, termina quando começa o clássico polonês – Madre Joana desatinada, num amplo espaço deserto que expõe toda a sua confusão interior. Na versão de Russell, o Cardeal Richelieu, que está consolidando seu poder na França, ganha o apoio do rei para exigir que o padre Grandier derrube os muros fortificados da cidade de Loudun. Richelieu é a eminência parda por trás do rei, e seu propósito é unificar o reino. Grandier resiste e é acusado de bruxaria. Embora religioso e preso ao voto de castidade, o padre possui uma vida sexual ativa. O governo central envia um exorcista para liberar as monjas ursulinas do convento de Loudun, que estariam possuídas pelo demônio – e, mais importante, a madre afirma haver feito sexo com o padre.

Apesar do contexto histórico bem delineado – com o tema do poder -, Russell em momento algum aproximou-se de seu material com a prudência de Huxley e Whiting. O que o atraía era justamente o oposto, a possibilidade de fazer um granguignol operístico, permeado de sexo e violência. Chegou a dizer que uma frase de Huxley havia sido decisiva para que ele quisesse fazer o filme. “As esposas de Cristo transformaram-se em performers de cabaré, e atrações de circo (freaks).” Com a cumplicidade do futuro diretor Derek Jarman, contratado como diretor de arte, criou cenários grandiosos, repletos de detalhes anacrônicos, para representar o convento. O modelo, segundo Jarman, teria sido Metrópolis, o clássico futurista de Fritz Lang, com o objetivo de criar um visual abstrato e intemporal. Numa cena, o Cristo crucificado metamorfoseia-se no padre Grandier para tentar Madre Joana. Em outra, mais polêmica, o rei Luís XIII, cercado de eunucos, travestis e cortesãs, visita o convento e participa de uma missa profana, durante a qual as freiras nuas, ou seminuas, participam de masturbações coletivas e se apropriam de um Cristo de madeira para sodomizar o rancoroso e repressivo Padre Barré, que Russell visualizou como um sósia de John Lennon. Essa cena orgiástica – The Christ rape – foi cortada, ou pelo menos atenuada, em diversos países. Russell foi chamado de blasfemo e herege, e Oliver Reed e Vanessa Redgrave- na época já casada com Franco Nero – foram proibidos de entrar na Itália até 1974.

Na visão de Russell, o Padre Grandier e a Madre Joana são inimigos mortais que potencializam seus desejos autodestrutivos, e é nesse sentido que Os Demônios é uma prequel para o filme de Kawalerowicz. O autor polonês baseou-se nos quatro últimos capítulos do livro de Huxley, depois que Grandier é torturado e morre na fogueira. O padre, no Kawalerowicz, é outro – Surin. No Russell, o rei e Richelieu são projeções invertidas um do outro. São representados como drag queens, e na cena de abertura, uma recriação da Vênus de Botticelli, o rei incorpora a deusa. Esse clima de perversão da corte antecipa A Favorita, do grego Yorgos Lanthimos, mostrando o rei como um títere do cardeal, que usa do poder absoluto, e qualquer outro meio, para atingir seu objetivo – a nova França, na qual Igreja e Estado serão uma coisa só.

Nos anos e décadas seguintes, trabalhando quase sempre com biografias de compositores, Russell nunca deixou de surpreender com a potência visual de seu cinema. Joseph Lanza chamou seu livro Ken Russell and His Films de Phallic Frenzy, mostrando na capa uma mulher de boca escancarada para abrigar uma enorme banana. Pauline Kael, a famosa crítica norte-americana, tinha verdadeira ojeriza pelo cinema do diretor. Dizia que seus filmes são homoeroticos no estilo, mas do ponto de vista dramático são bizarramente anti-homossexuais. Longe de ser uma unanimidade, ele foi importante por antecipar questões de gênero, antes que se tornassem viscerais no cinema atual, mas desconcertava pelo barroco exacerbado de suas mise-en-scènes.

No limite, o personagem de Russell cria sempre um mundo de sonhos e desejos – e a fluidez da música lhe permitia liberar a imaginação – que se destroi em contato com a dura realidade. Só como curiosidade, Russell deveria dirigir Evita com Liza Minnelli, mas divergências criativas entre o diretor e a estrela impediram o projeto de decolar e o filme terminou sendo feito por Alan Parker, com Madonna, em 1996. No período mais fecundo de sua carreira, ele fazia de dois a três filmes por ano. Em 2001, num depoimento gravado, admitiu que talvez estivesse totalmente louco, atormentado por suas fantasias. “As pessoas pensam que já morri, e meus projetos não encontram mais ninguém interessado em bancá-los.” Morreu em 2011, aos 84 anos.

Charles Grant Exclusively for Fashion Editorials with Jasmin Egeblad

Shot in Australia’s natural wonderland and featuring Australia’s best and most loved home grown designers such as Zimmermann, Aje, Bec & Bridge and Ginger & Smart.

Photographer: Charles Grant. Fashion Stylist: Nicole Adolphe. Hair & Makeup: Kim Pham. Model: Jasmin Egeblad at Priscillas Models.

Cape by Ginger & Smart Dress by Bec & Bridge Shoes by Rag and Bone
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