Charles Grant for Fashion Editorials with Ajok Marial & Romy Veronica

Romy wears Studio Jacklyn Eve Crop Top and Peony Swim High waisted bottoms. Valere Jewellery Necklace as a Belt. Havva Mustafa Boots.

Photographer: Charles Grant. Fashion Stylist: Emily Gurr. Hair & Makeup: Verity G. Models: Ajok Marial at Chic Management & Romy Veronica at Kult Models.

Romy Wears St Agni Dress Valere Jewellery Necklace and Batu White Croc Boots
Ajok Wears Studio Jacklyn Ryan Shirt, St Agni Pants and St Agni Brown thong. Prada Bag with Valerie Jewellery Earrings and Cuff
Ajok wears Sonya Swim Bikini with Studio Jacklyn Julia Blazer
Ajok wears- Peony swim full piece. Cendre Co Necklace and Valere Jewellery earrings and Cuff. Ivy Lee Copenhagen Boots. Velvet Canyon Sunglasses.
Studio Jacklyn Meg Dress and Lack of Colour Black Hat With Havva Mustafa Black boots, Arms of eve necklace and Valere earrings and cuff
Studio Jacklyn Genevieve Crop Top, Studio Jacklyn Oracle Sleeves with Sonya Swim bottoms Valere Jewellery Necklace and Cuf
Sonya Swin Bikini and Wrap Dress.
Ajok Wears Studio Jacklyn Genevieve Skirt with Sonya Swim Top Sarah J Curtis Headband Brown, Arms of ewe necklace, St Agni Brown Thong. Valere Jewellery Cuf
Sonya Swim Fullpiece with Studio Jacklyn Jesse Crop Jacket. Vintage Gold Belt and Cendre Co. Necklace
Romy Wears Sonya Swim Full Piece

Elisabetta Franchi | Spring Summer 2020 | Full Show

Elisabetta Franchi | Spring Summer 2020 by Elisabetta Franchi | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – MFW/Milan Fashion Week)

Paddy Conn – Super Human/Yellow Sun/Super Glue /Cult Leader /Wildflowers

Mulher-Maravilha 1984 é adiado para dezembro

Longa tem nova alteração de data e aguarda abertura dos cinemas
JULIA SABBAGA

Mulher-Maravilha 1984 teve sua data de estreia alterada mais uma vez. Anteriormente marcado para novembro, o longa agora será lançado em época de natal, com estreia marcada para 25 de dezembro nos EUA. No Brasil o longa estreia um dia antes, em 24 de dezembro.

Com os cinemas dos principais mercados ainda fechados devido à pandemia do novo coronavírus, estúdios tem empurrado o lançamento de seus maiores filmes conforme a situação mundial progride. A nova data de Mulher-Maravilha 1984 adia o filme, mais uma vez, em quase dois meses. 

“Estamos muito felizes com o filme e ansiosos para levá-lo para o público em época de comemorações”, disse o diretor da Warner Bros. Motion Picture Group, Toby Emmerich.

A diretora Patty Jenkins também comentou o novo adiamento:

“Porque eu sei quão importante é para vocês na tela grande, quando todos pudermos ter uma experiência juntos, eu espero que vocês não se importem de esperar um pouco mais. Com esta nova data no Natal, eu mal posso esperar para passar as datas festivas com vocês!”

Mulher-Maravilha 1984 conta com o retorno da diretora Patty Jenkins, Gal Gadot e Chris Pine, mas também inclui Pedro Pascal e Kristen Wiig como nova dupla de vilões. 

China prefere TikTok fechado nos EUA a venda forçada, dizem fontes

Empresa chinesa tem até o dia 15 de setembro para fechar o negócio da venda das operações do TikTok nos Estados Unidos
Por Agências – Reuters

Fontes disseram que a China está disposta a usar as revisões feitas em uma lista de exportações de tecnologia para atrasar qualquer acordo fechado pela ByteDance

O governo chinês se opõe a uma venda forçada das operações do TikTok nos Estados Unidos e prefere ver o aplicativo ser proibido no país, disseram três pessoas com conhecimento direto do assunto à agência de notícias Reuters nesta sexta-feira, 11.

A ByteDance tem negociado a venda das operações norte-americanas do TikTok com potenciais compradores, incluindo Microsoft e Oracle, desde que o presidente dos EUA, Donald Trump ameaçou no mês passado proibir o serviço se ele não for vendido até meados de setembro.

Mas autoridades chinesas avaliam que uma venda forçada faria com que a ByteDance, dona do aplicativo, e a China parecessem fracos diante da pressão de Washington, disseram as fontes. A ByteDance disse à agência de notícias Reuters que o governo chinês nunca sugeriu fechar o TikTok nos EUA ou em qualquer outro mercado.

Duas das fontes disseram que a China está disposta a usar as revisões feitas em uma lista de exportações de tecnologia em 28 de agosto para atrasar qualquer acordo fechado pela ByteDance, caso necessário.

O Escritório de Informações do Conselho de Estado da China e seus ministérios de Comércio Exterior e Comércio não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters.

Perguntado sobre Trump e o TikTok, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, disse a jornalistas que os EUA estão abusando do conceito de segurança nacional e os instou a parar de oprimir empresas estrangeiras. 

Stella Jean protesta contra racismo na moda italiana

Estilista que já vestiu Beyoncé e Rihanna anunciou boicote à Semana de Moda de Milão: ‘Uma geração inteira de novos italianos viveu por muito tempo em uma condição de invisibilidade total.’
Reuters, O Estado de S.Paulo

Stella Jean. ”Uma geração inteira de novos italianos viveu por muito tempo em uma condição de invisibilidade total.’ Foto: AP Photo/Andrew Medichini

Stella Jean, a estilista italiana de origem haitiana que acaba de anunciar um boicote à Semana de Moda de Milão, diz que sofreu racismo a vida toda.

Mas foi só quando a estilista, de 41 anos, encarou isso na indústria da moda italiana, majoritariamente branca, que ela percebeu o quão relutantes as pessoas são em falar sobre o assunto.

Agora, Stella Jean, cujas saias e vestidos de cores vivas são usados por celebridades como Beyoncé e Rihanna, afirma que não pode mais ficar em silêncio diante do que ela vê como um aumento nos incidentes raciais na moda italiana.

A ex-modelo, ‘apadrinhada’ de Giorgio Armani e única negra a ser indicada para o influente Conselho de Moda da Itália, não exibirá sua última coleção na Semana de Moda de Milão no final deste mês em um protesto contra o racismo.

“Como a primeira e única estilista negra na história do Conselho de Moda, é minha responsabilidade explicar para aqueles que não perceberam a extrema marginalização em que vive minha minoria”, disse ela à Thomson Reuters Foundation.

“Uma geração inteira de novos italianos…viveu por muito tempo em uma condição de invisibilidade total.”

Stella Jean afirmou que embora a discriminação tenha sido uma “companheira de viagem desagradável e pontual” em sua vida, ela só a encontrou na indústria da moda recentemente, quando levantou questões de raça. Ao fazê-lo, ela descobriu que “abordar o assunto do racismo na Itália é até hoje um tabu inconfessável”.

A Itália é mais branca do que a maioria dos outros países europeus e tem havido relativamente pouco debate sobre o passado colonial do país, racismo ou integração.

Android 11 Go, voltado para celulares básicos, deve ser lançado em outubro

Visando celulares mais básicos, o Android 11 Go tem suporte para 2GB de memória RAM e quer otimizar a configuração de mensagens no smartphone

O Android 11 Go deve estar disponível no próximo mês, informou o Google

Depois do lançamento da sua versão mais recente de sistema operacional, o Android 11, o Google já revelou a versão Go do software, prometendo mais espaço livre e melhor desempenho nos celulares. Segundo a empresa, o Android 11 Go foi desenvolvido para suportar melhor configurações de celulares como telas maiores, câmeras duplas e armazenamento extra, apesar de ser voltado para smartphones básicos. 

Lançado oficialmente no início de setembro, o Android 11 traz uma nova organização de notificações de mensagens, uma ferramenta de gravação de tela e um hub especial para controlar dispositivos de casa conectada. Agora, na versão Go, o objetivo é levar esses recursos para celulares mais básicos, que operam com configurações diferentes do Pixel ou de lançamentos da Xiaomi, nos quais o Android 11 já está disponível.

O Android 11 Go tem suporte para 2 GB de memória RAM. A marca era 1,5 GB no Android 10 Go, o que proporciona um espaço adicional de 270 MB para os usuários no aparelho — de acordo com o Google, o suficiente para rodar mais três ou quatro apps paralelamente no dispositivo. 

Assim como o Android 11, a nova versão também reúne todas as notificações de apps de mensagem em um só lugar, para tornar mais fácil visualizar, responder e gerenciar conversas. Além disso, configurações de privacidade também foram atualizadas para especificar melhor os itens aos quais o usuário pode dar permissão de uso, como microfones ou câmeras, por exemplo. O Android 11 Go deve estar disponível no próximo mês, informou o Google. 

Um apê de 42 m² bem resolvido e com muito estilo

Imóvel em Belo Horizonte teve interiores projetados para inspirar e relaxar o morador
POR MARIA CLARA VIEIRA | FOTOS DENTRO FOTOGRAFIA

Não poderia faltar conforto e uma boa biblioteca no projeto (Foto: Dentro Fotografia)

No burburinho de Belo Horizonte, MG, este apartamento de  42 m² pertence  a um escritor e coach empresarial que se divide entre São Paulo, Europa e Ásia. “Ele queria um lugar em sua cidade natal para conseguir diminuir o ritmo e descansar. Ao mesmo tempo, desejava que o espaço o inspirasse a ler e a produzir conteúdo”, conta o arquiteto Pedro Haruf, que assina o projeto. 

Antes sem personalidade, o apê ganhou estilo com a marcenaria preta que delimita a área da cozinha, agora completamente integrada ao living. “Pensamos em um espaço social múltiplo, que unisse o estar, a cozinha e a biblioteca com harmonia”, diz o profissional. Por esse motivo, a geladeira foi embutida na marcenaria e passa despercebida.

  Um apê de 42 m² bem resolvido e com muito estilo  (Foto: Dentro Fotografia)

mobiliário confortável, um dos destaques do apartamento, era mandatório para os momentos de relaxamento e leitura do morador. “Optamos por assentos clássicos, como a poltrona de Sergio Rodrigues, garimpada em um antiquário no Rio de Janeiro, cadeiras Wishbone, de Hans J. Wegner, e a versão do Jader Almeida da cadeira Windsor”, finaliza o arquiteto.  Um refúgio perfeito para se inspirar.

  Um apê de 42 m² bem resolvido e com muito estilo  (Foto: Dentro Fotografia)
  Um apê de 42 m² bem resolvido e com muito estilo  (Foto: Dentro Fotografia)
  Um apê de 42 m² bem resolvido e com muito estilo  (Foto: Dentro Fotografia)
  Um apê de 42 m² bem resolvido e com muito estilo  (Foto: Dentro Fotografia)
  Um apê de 42 m² bem resolvido e com muito estilo  (Foto: Dentro Fotografia)
  Um apê de 42 m² bem resolvido e com muito estilo  (Foto: Dentro Fotografia)
  Um apê de 42 m² bem resolvido e com muito estilo  (Foto: Dentro Fotografia)
  Um apê de 42 m² bem resolvido e com muito estilo  (Foto: Dentro Fotografia)

‘A gente opera no limite do caos’, diz Reed Hastings, fundador da Netflix

Referência no setor de entretenimento, empresa diz que ‘jeitinho brasileiro’ de se relacionar foi incorporado à cultura criada nos Estados Unidos
Por Fernando Scheller – O Estado de S. Paulo

Reed Hastings, fundador e copresidente da Netflix

Imagine uma empresa onde ninguém sabe a hora que você entra, não confere despesas de viagem e nem seus dias de férias. Além disso, você é encorajado a fazer gastos relacionados a trabalho – sem limite nem necessidade de pedir a assinatura de um diretor. Parece utópico? Pois esses são elementos do modelo que a Netflix, referência em serviços de streaming, vem adotando há 20 anos. “A gente opera no limite do caos”, definiu Reed Hastings, fundador e copresidente da empresa, em entrevista ao Estadão.

Porém, o executivo, que está lançando um livro sobre a “experiência Netflix” – A Regra é não ter Regras, que sai no Brasil pela Intrínseca –, explica que entrar (e permanecer) nesse “clube” é mais difícil do que parece. Junto com a liberdade de tomar decisões e até de chamar a atenção do chefe, vem também um sistema de avaliação constante, que separa os funcionários “excepcionais” dos “adequados”. Para esses últimos, o destino não é treinamento ou aconselhamento – e sim demissão.

Na trajetória de empresa em apuros – que tentava vender a operação de envio de DVDs pelo correio à então poderosa Blockbuster para pagar US$ 50 milhões em dívida – a negócio multibilionário, Hastings disse ao Estadão que a cultura foi o que “segurou as pontas” do negócio. “É por causa da nossa cultura que nós fomos tão bem-sucedidos”, disse. “O foco na liberdade de decisão e na criatividade continua muito similar ao que era no início.”

Algumas mudanças, porém, foram incorporadas ao longo do tempo, entre elas um certo “tempero” do jeito brasileiro de se relacionar. Que ele garante: pode ser benéfico para a Netflix no longo prazo.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Antes de o sr. fundar a Netflix, houve vários projetos anteriores de empresas. Como isso teve origem?

Quando estava na universidade, comecei a me interessar em construir coisas – e a maioria delas não funcionou. Um exemplo: fiquei muito entusiasmado com a ideia de um mouse de computador que você mexeria com o seu pé. E o que acontece é que, depois de uns 45 minutos, você vai ter cãibra na perna. E o chão é muito sujo. Então tive de deixar essa ideia para trás. Muitas ideias que eu tinha não eram muito boas – mas não é algo que você consegue entender logo no começo. Mas sempre tive essa disposição de tentar ideias e ver se elas funcionavam.

O sr. menciona no livro alguns fracassos do início da Netflix – como demissão de 30% dos funcionários, quando o negócio ainda era pequeno. Aprende-se com os fracassos?

Sim, o livro é sobre sucessos e fracassos – e todos os nossos principais sucessos vieram dos aprendizados de como lidar com o nosso time. É onde realmente começou a Netflix. Então, tentamos algumas coisas que não foram bem – e dessa forma, sim, aprendemos com algumas situações desafiadoras, como aquele corte de funcionários.

A Netflix aplica o Keeper’s Test, que é um teste contínuo de avaliação que permite o desligamento do funcionário a qualquer momento. Ele pode servir de mapa para outras empresas?

Dizer que isso é um mapa para as empresas seguirem é muito forte. Eu acho que cada empresa tem de ler o livro, entender os elementos que fazem ou não sentido. O que nós estamos tentando mostrar no livro é uma descrição honesta do que nós fazemos, porque nosso projeto é bem diferente. Mas cada um pode decidir o quanto pode ou consegue aplicar à sua realidade.

Livro 'A regra é não ter regras'
Livro ‘A regra é não ter regras’

Qual foi o diferencial que permitiu a Netflix, de não perder o bonde da tecnologia, como na mudança do DVD físico para o streaming?

Nós acreditamos que a nossa cultura é o valor essencial do nosso sucesso em todas as nossas formas de negócio, começando com o envio de DVDs pelo correio e expandindo a partir daí (para o streaming). E é por causa da nossa cultura que nós fomos tão bem-sucedidos. A nossa cultura melhora com o tempo, mas acredito que o núcleo central das nossas crenças – o foco na liberdade de decisão e na criatividade – continua muito similar ao que era no início.

A Netflix separa os funcionários “excelentes” dos “adequados”, que devem ser demitidos. Por que a empresa dá o que chama de “bônus generoso” a quem sai?

Porque eles tentaram com afinco, deram o melhor de si, e nós queremos ser bons e que eles tenham a chance de encontrar uma nova função em uma nova empresa. Mas para a gente está muito clara a diferença entre time e família – e foi assim desde o começo. Uma família é um grupo com o qual você pode sempre contar para o que der e vier. Se seu irmão é completamente disfuncional, ele vai continuar a pertencer à família. Mas o nosso conceito é de equipe. E um time precisa de performance, de excelência e de garantir que cada um tenha sua chance (para mostrar talento).

Em uma cultura de avaliação constante, ninguém está a salvo? O Keeper’s Test vale para todos?

Sim, vale para todos. Eu inclusive de vez em quando pergunto para os meus chefes (do conselho de administração): eu devo ser substituído? E vai chegar um momento em que a resposta vai ser sim. E tudo bem, porque a empresa tem de priorizar a produtividade, a honestidade (nas relações) e o aprendizado.

O Netflix não confere despesas ou dias de férias, mas admite que isso acaba saindo mais caro do que ter esse controle. Por que a empresa tomou esse caminho?

Em muitas empresas, o objetivo é que tudo seja limpo, eficientes, estéril. E isso pode funcionar para eles. Mas nós queremos ser férteis, bagunçados – a gente opera no limite do caos. E porque é esse motivo, porque operamos no limite, que a gente se permite ter grandes ideias e abraçar a criação de novos conceitos de negócio.

A Netflix é uma empresa americana que está se tornando cada vez mais global. Novas culturas estão influenciando a companhia?

Definitivamente, esse processo de nos tornarmos global está nos tornando melhores. De maneira geral, americanos não gostam de perder tempo ou bater papo – parece falso e também uma perda de tempo. Os brasileiros, porém, gostam de conversar na hora do almoço, de falar de outras coisas – esportes, filhos etc. – e depois voltar ao trabalho. O que entendemos é que, nesse aspecto, o jeito brasileiro é melhor. No longo prazo, é mais eficaz, porque você forma relações com as pessoas. Então, ao redor do mundo, nós mudamos para reuniões mais abertas, em que as pessoas podem conversar mais, falar sobre a vida em geral. Isso nos tornou melhores.

Em seu livro, há momentos de dúvida e dívida. O que o sr. espera que empreendedores aprendam com seu livro?

Que ser empreendedor é também ser um extremo otimista. Você tem de estar disposto a pular de um avião sem paraquedas. E isso porque você vai ter certeza de que um pássaro vai voar na hora certa – e você vai conseguir pegá-lo. É um otimismo nada razoável – até porque a maioria de nós não tem êxito. E se você chegar a um momento desafiador ou cometer um erro, o único jeito é seguir em frente. É preciso admitir que, se você fizer coisas arriscadas, nem todas vão funcionar. E é ok que você tente e falhe.

Sonho americano é virado do avesso em série com Kirsten Dunst

Série chegou à Globoplay na semana passada com todos os dez episódios disponíveis e uma segunda temporada já prevista
Luciana Coelho

A atriz Kirsten Dunst, que estrela “Como se Tornar uma Divindade na Flórida” – Valerie Macon/AFP

Há um lado pantanoso do “sonho americano”, a ideia de que qualquer um é capaz de prosperar com base no próprio esforço até obter um padrão de vida confortável. A série de humor negro “Como se Tornar uma Divindade na Flórida”, com Kirsten Dunst, leva esse simbolismo ao pé da letra.

Produzida pela plataforma americana Showtime, a série passou nos Estados Unidos há um ano sem maior barulho, embora tenha rendido a Dunst uma indicação ao Globo de Ouro (perdeu para Phoebe Waller-Bridge). Chegou à Globoplay na semana passada com todos os dez episódios disponíveis e uma segunda temporada já prevista.

Em “Como se Tornar”, a personagem de Dunst, Krystal, ascende em uma empresa de suprimentos de papel e limpeza do tipo pirâmide, na qual a meta é cooptar mais gente e assim arrecadar parte dos lucros dos tutelados.

No topo, como sempre, fica o guru que enriqueceu com o método e enriqueceu os asseclas mais próximos, legando ao pessoal da base, não raro, miséria e desgraça.

A história é similar ao episódio real documentado em “The Vow”, em exibição na HBO, sobre uma empresa de autoajuda que se tornou uma quase-seita nos EUA dos anos 2000.

Em “Como Se Tornar”, contudo, não há espaço para sutileza. Se no documentário a promessa do enriquecimento espiritual ou pecuniário se torna intrigante porque pode enredar qualquer um, na ficção da Showtime só caem no conto os mais desprovidos.

Krystal é o que os americanos chamam, pejorativamente, de “white trash”, ou lixo branco, aquela parcela da população do país que escapa do racismo, mas não de outras armadilhas que impedem a meritocracia de realmente funcionar.

Com menos educação e menor acesso a bons empregos e informação, não tem bens e vive soterrada por um pilha de dívidas que vão de excessos de consumo a contas criadas por um sistema de saúde voraz, no qual o atendimento gratuito existe em poucos estados.

Diante das dívidas e de uma filha bebê para alimentar, resta a Krystal, funcionária de um parque aquático decadente, assumir como negócio a razão de vida de seu marido, Travis (um irreconhecível Alexander Skarsgård, de “Big Little Lies”): recusar membros para a FAM, empresa que alista associados para alistarem mais associados em uma pirâmide infinita e, assim, repassar seus produtos de baixa qualidade.

Diferentemente de Travis, porém, Krystal é cínica, sabe onde está se metendo e não liga de tragar outros com ela.

Mais interessante que a personagem de Dunst, à qual falta alma, é se entreter com os que orbitam à sua volta, como os vizinhos Ernie e Bets (Mel Rodriguez e Beth Ditto, a vocalista da banda Gossip) e seu ingênuo “mentor”, Cody (atuação impressionante do jovem ator canadense Théodore Pellerin –eis aí alguém para ficar de olho).

Ao pintar os iludidos como gente tão simplória, “Como se Tornar” oscila: ora diverte, ora é simplista.

‘Como se Tornar uma Divindade na Flórida’ está disponível no Globoplay