Naomi Osaka: vitória e protesto no US Open para que pessoas ‘comecem a falar’ sobre justiça racial

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Durante todo o torneiro, tenista japonesa usou máscaras com os nomes de sete vítimas negras da brutalidade policial nos EUA
Reuters

Naomi Osaka celebra a vitória no US Open Foto: Matthew Stockman/Getty Images/AFP

A tenista Naomi Osaka coroou sua vitória no US Open com um desafio para as milhões de pessoas que assistiram a partida final do torneio, no sábado (12): “comecem a falar” sobre justiça racial.

Quando entrou no estádio Arthur Ashe para a primeira partida do US Open, há 12 dias, Osaka colocou seu ativismo no centro, vestindo uma máscara em homenagem a Breonna Taylor, mulher negra assassinada por policiais que invadiram seu apartamento em março. A cada partida do torneio – em um total de sete –  ela usou uma máscara diferente para levar os protestos do movimento Black Lives Matter contra a brutalidade policial à vasta base de fãs do tênis internacional.

Após a vitória no torneio, questionada sobre a mensagem que desejava passar ao usar as máscaras com nomes de pessoas negras mortas pela polícia americana, ela devolveu a pergunta ao jornalista: “Qual a mensagem que você recebeu?”.

“O ponto é fazer com que as pessoas comecem a falar”, disse a tenista.

Osaka, que nasceu no Japão, é filha de pai haitiano e mãe japonesa, e passou seus anos de formação nos EUA. Hoje, ela vive em Los Angeles, mas representa seu país natal nas competições. Sua influência ultrapassa fronteiras:

“Tudo o que eu fazia fora das quadras de alguma maneira também estava nas quadras”, ela explicou em uma entrevista na TV depois de vencer a bielorussa Victoria Azarenka em três sets e garantir o título no US Open. “Comecei a desejar mais ainda a vitória para poder mostrar mais nomes nas máscaras”.

Uma das personalidades mais famosas do Japão, Osaka chamou atenção antes mesmo do US Open começar. Ela forçou o adiamento da semifinal do Western & Southern Open no mês passado, depois de deixar uma partida em protesto contra os policiais que atiraram em Jacob Blake, no Wisconsin, acompanhando boicotes realizados por jogadores da NBA e da WNBA.

“Ver o genocídio contínuo de pessoas negras nas mãos da polícia está, honestamente, me deixando enojada”, escreveu Osaka em uma rede social.

A americana Billie Jean King, pioneira no tênis, disse que as atitudes de Naomi Osaka a colocam no panteão dos grandes atletas ativistas.

“Já tem mais de 50 anos que atletas como Muhammad Ali, Juan Carlos e Tommie Smith e as Nine Originals (nove mulheres que, em 1970, reivindicaram igualdade de oportunidades no tênis americano, dando origem à Associação de Tênis Feminino) usaram seus esportes, suas vozes e suas ações para mudar a humanidade. O bastão foi passado adiante, e Naomi Osaka o aceitou.”

Naomi Osaka entra na quadra para a final do US Open contra a tenista bielorussa Victoria Azarenka. Ela usa máscara com o nome de Tamir Rice, menino negro de 12 anos que foi morto pela polícia americana Foto: AL BELLO / AFP

A máscara que Osaka usou na final do US Open tinha o nome de Tamir Rice, um menino negro de 12 anos que segurava uma arma de brinquedo quando um policial branco atirou contra ele em Cleveland, Ohio, em 2014. Osaka diz que pensou em usar a máscara também no pódio, mas foi convencida a não fazê-lo. A tenista, que tem estudado a História do Haiti para formar sua visão sobre justiça racial e social, afirmou que tem interesse em conhecer as famílias das sete pessoas que homenageou com as máscaras usadas no US Open.

“Eu aprendo mais com as experiências. Acho que compartilhar histórias e ouvir as experiências de outras pessoas é algo que vale muito.”

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