Senadoras republicanas são contra indicação à Suprema Corte antes da eleição

Democrata Joe Biden disse que nomeação agora seria ‘exercício de poder político puro’

A senadora pelo Alasca, a republicana Lisa Murkowski
A republicana Lisa Murkowski, senadora pelo Alasca – Greg Nash – 9.set.20/AFP

Após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que pretende nomear uma mulher ainda nesta semana para a vaga de Ruth Bader Ginsburg na Suprema Corte, duas senadoras republicanas se manifestaram contra uma indicação antes da eleição de 3 de novembro.

Neste domingo (20), Lisa Murkowski, representante do Alasca no Senado americano, afirmou em comunicado que deve ser adotado o mesmo padrão de 2016, quando a Casa se recusou a aceitar indicação do então presidente, Barack Obama, a dez meses do pleito.

“Estamos agora ainda mais perto da eleição de 2020 —a menos de dois meses—, e acredito que o mesmo padrão deve ser adotado.”

No sábado, outra republicana, Susan Collins, senadora pelo Maine, também havia se posicionado contra uma nomeação neste momento. O líder da maioria da Casa, Mitch McConnell, porém, afirmou em comunicado que levaria adiante uma indicação de Trump, mantendo a promessa de “apoiar sua [do presidente] agenda, em especial suas excepcionais nomeações para o Judiciário federal”.

Outros senadores republicanos, que rejeitaram a nomeação de Obama há quatro anos, têm rebatido as acusações de hipocrisia.

“O que estamos propondo é completamente consistente com o precedente”, afirmou John Barrasso, eleito por Wyoming, à emissora de TV NBC. Já Tom Cotton, do Arkansas, disse à Fox News que “a maioria do Senado está cumprindo nosso dever constitucional e o mandato que os eleitores nos deram em 2016 e 2018”.

No cenário atual, os democratas têm poucas chances de bloquear a escolha de Trump, pois são minoria no Senado (45 das 100 cadeiras).

O rival do republicano na disputa presidencial, o democrata Joe Biden, fez um apelo aos republicanos neste domingo e pediu para que não realizassem nenhuma votação antes de novembro. O ex-vice de Obama também atacou a intenção de Trump, de realizar a indicação o quanto antes, chamando-a “exercício de poder político puro”.

“Os eleitores deste país deveriam ser ouvidos. São eles que esta Constituição prevê que devem decidir quem tem o poder de fazer essa nomeação”, afirmou Biden, na Filadélfia. O democrata disse ainda que, se eleito, ele deveria ter a chance de fazer a indicação à Suprema Corte.

Segundo uma pesquisa realizada por Reuters e Ipsos neste sábado e domingo, 62% dos americanos concordavam que a indicação deveria ser feita pelo vencedor da eleição presidencial, enquanto 23% disseram ser contra.

Ginsburg morreu na noite de sexta-feira (18), aos 87 anos, de complicações de câncer pancreático após atuar por 27 anos no tribunal.

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Farm lança primeira coleção carbono zero e plantará 140 mil árvores até 31 de dezembro

Serão mil mudas por dia, entre Mata Atlântica e Amazônia
Gilberto Júnior

A coleção “Presente do futuro” da Farm Foto: Divulgação

As atitudes e os discursos da ativista ambiental Greta Thunberg pegaram o time da Farm de jeito. Impressionados com a potência do “chamado” da adolescente sueca, Marcello Bastos e Kátia Barros, fundadores da marca carioca, decidiram se mexer e avançaram mais uma casinha no âmbito da responsabilidade ambiental. Pela primeira vez na história da grife, desde 1997, eles lançam uma coleção carbono neutro, demostrando preocupação com as mudanças climáticas. “Só duas coisas importam para a gente no momento: sustentabilidade e o universo digital. Levamos à frente apenas projetos que tenham a ver com essa filosofia, implementada em 2016”, diz Bastos.

Depois de um complexo cálculo de emissão de gases de efeito estufa, foi definido que serão plantadas mil mudas por dia até 31 de dezembro, totalizando 140 mil árvores, que serão distribuídas entre a Mata Atlântica e a Amazônia. “A natureza sempre foi uma grande fonte de inspiração para nossa estamparia”, explica Taciana Abreu, head de marketing da etiqueta e responsável direta por essa mudança de postura. “Quatro anos atrás, quando cheguei à Farm, convidei a Chiara Gadaleta (consultora de sustentabilidade e embaixadora do Pacto Global da ONU) para nos ajudar nessa missão. Em nossas conversas, ela deixou claro que é impossível uma marca ser 100% verde atualmente, mas há muitas maneiras de diminuir drasticamente o impacto no meio ambiente.”

A coleção “Presente do futuro” da Farm Foto: Divulgação
A coleção “Presente do futuro” da Farm Foto: Divulgação

Uma das medidas adotadas foi a revisão da linha de jeanswear. Todas feitas no Brasil, as peças são confeccionadas com algodão BCI e utilizando apenas químicos biodegradáveis certificados Green Screen. Como não levam poliéster ou elastano, há também a redução de emissão de microplástico dos produtos nas lavagens. E não para por aí. “O algodão que usamos é certificado e o processo de tintura da malha é natural. No fim de 2016, lançamos a linha re-FARM, reaproveitando sobras e ressignificando o consumo”, observa Taciana. Outro ponto importante é a lojinha da marca dentro do Enjoei, um comércio eletrônico para consumo colaborativo. “Com essas ações, a gente consegue minimizar o impacto negativo da moda no mundo.”

A coleção “Presente do futuro” da Farm Foto: Divulgação
A coleção “Presente do futuro” da Farm Foto: Divulgação

Obviamente que no meio do caminho há dificuldades. O couro de abacaxi, por exemplo, não funcionou. “Queríamos muito incluir o material, mas ele é duro, pouco maleável. Mais uma vez: não é possível ser completamente sustentável por causa dessas questões”, aponta a head de marketing. No atacado, a coleção de verão teve resultados animadores apesar dos efeitos da pandemia, com queda de 25% em relação ao verão passado. “O alto verão, que chegará às multimarcas em novembro, foi surpreendente”, avisa Bastos. “Nossa retomada foi a melhor possível. Na verdade, não sofremos muito ao longo dos últimos meses. Investimos pesado em mídias digitais, anunciando peças lúdicas e sofisticadas. As promoções foram essenciais.”

Num futuro próximo, a intenção é conectar ainda mais a grife, sem tirá-la do caminho eco-friendly. “Tanto que daremos continuidade ao plantio de árvores”, ressalta Taciana.

The Fall-Winter 2020/21 Ready-to-Wear collection – CHANEL

The CHANEL Fall-Winter 2020/21 Ready-to-Wear collection combines feminine and masculine influences with a romantic elegance.

Video by Guillaume Delaperriere.

Photographer Ana Abril for Vogue Portugal with Tess Sakharova

Photographer: Ana Abril. Fashion Stylist: Caterina Ospina. Hair: Gino Mateus. Makeup: Gino Mateus. Production: Ananas Agency. Model: Tess Sakharova at Uno Models

‘Magazine Luiza ter só 16% de líderes negros é inaceitável’, diz o presidente da empresa, Frederico Trajano

Programa de trainee só para negros provocou forte reação nas redes, mas Trajano afirma que iniciativa é necessária
Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

Frederico Trajano: ‘Sabíamos que essa nossa ação afirmativa iria desencadear discussões’ Foto: Paulo Whitaker/Reuters – 23//10/2017

A decisão do Magazine Luiza em colocar apenas negros em seu próximo programa de trainees, conforme noticiado pelo Estadão/Broadcast, teve, segundo o presidente da empresa, Frederico Trajano, um componente matemático. De um lado, há o desequilíbrio entre o número de funcionários e o de lideranças negras dentro da empresa. Por outro, ter à frente pessoas que refletem a realidade da população brasileira levará a tomadas de decisão que aumentarão as vendas – e gerarão maior valor ao acionista. “Somos responsáveis por quem selecionamos e promovemos”, diz. “Claramente, se temos 53% da equipe negra e parda e só 16% de negros e pardos em cargos de liderança, há um problema para resolver com uma ação concreta.”

A decisão de criar um programa de trainees voltado para pessoas negras partiu da empresa ou teve a ver com demandas de investidores?

Definitivamente, não de investidores. Não espere isso tão cedo. Embora exista a pauta de ESG (meio ambiente, sustentabilidade e governança, da sigla em inglês), ainda não chegamos lá. Fizemos uma pesquisa interna. Eu não sabia, mas 53% da nossa equipe é formada por negros e pardos. Na mesma pesquisa, vimos que apenas 16% dos nosso líderes eram negros e pardos. Isso acendeu um sinal amarelo ou vermelho. Nunca nos posicionamos em relação à pauta racial porque não havia um diagnóstico claro dessa questão. A partir da pesquisa, vimos que tínhamos uma anomalia, um problema concreto. Somos muito pragmáticos. O caminho mais curto para se chegar à liderança é o programa de trainee. Porém, nos programas anteriores – e eu sempre entrevisto os finalistas –, a gente sempre tinha só uma pessoa negra ou parda no final. Então, de certa maneira, não estávamos conseguindo atrair e selecionar essas pessoas. Precisávamos fazer algo diferente. Não é oportunismo. Queremos resolver um problema que sabemos que temos. Estamos sendo honestos em relação à necessidade de mudar uma realidade que nós mesmos criamos. Somos responsáveis por quem selecionamos e promovemos.

Desde que a notícia do trainee 2021 foi publicada, houve forte reação na internet com comentários dizendo que a iniciativa é racista. Leitores ameaçam o Magalu com processos por discriminação racial, bem como com a suspensão de compras e a eliminação do app. Essa reação estava na conta de vocês?

Sabíamos que essa nossa ação afirmativa iria desencadear discussões. A iniciativa é inédita e somos uma empresa grande, com uma marca de muita visibilidade. Por intermédio da Lu, nossa influenciadora virtual, nos manifestamos nas redes, de forma contundente, sobre a legalidade do programa e a nossa intenção ao levá-lo adiante: atacar a baixa representatividade negra em nossa liderança. É inaceitável que apenas 16% dela seja composta por negros. Ao longo dos anos (15 no total), a companhia formou cerca de 250 trainees. Só 10 deles eram negros. Em todos os programas, houve enorme dificuldade de atrair talentos negros. O número de candidatos sempre foi baixíssimo. Por isso, a decisão de criar um programa exclusivo. Essa dificuldade de acesso tem sido um problema para uma companhia que acredita que a diversidade aumenta a competitividade, e queremos resolvê-lo.

Qual o benefício para a empresa quando ela investe em diminuir desigualdades?

Para o Magazine Luiza, a diversidade maior nos nossos quadros de liderança vai gerar resultados maiores. Mal ou bem, a nossa base de consumidores reflete a distribuição social e racial do Brasil, que é em mais de 50% formado por negros e pardos. Se não há nas lideranças pessoas com essas características, pode-se estar tomando decisões subótimas. Sobre sistemas que desenvolvemos, sobre o tipo de marketing… Além de gerar benefício macroeconômico para o Brasil, é nossa responsabilidade gerar valor ao acionista. Se tivéssemos mais representatividade de mulheres e negros – que é nossa questão mais sensível hoje – na liderança, teríamos ações mais efetivas. Isso geraria mais vendas e, em última instância, mais retorno aos acionistas.

O consumidor reage de maneira positiva em relação a essas questões?

No caso do consumidor, a situação mudou rápido. A pandemia foi um catalisador para a digitalização e para a responsabilidade social. O consumidor sai da pandemia mais digitalizado e cobrando mais responsabilidade social das empresas. Estamos colhendo frutos de ter tomado decisões que reverberaram muito e não foram só econômicas: como a de não demitir e fazer doações logo no início da pandemia. Essas decisões se converteram em mais vendas no pós pandemia.

Há mudança de mentalidade dos investidores para olhar para essas práticas de ESG?

ESG é pauta apenas de um fundo brasileiro mais ativista e alguns estrangeiros, mas poucos. Tenho centenas de grandes investidores e três ou quatro fazem perguntas específicas sobre esse tema. Ainda assim, os estrangeiros têm uma base de preocupação muito mais ambiental do que social. No Brasil, há uma questão ambiental muito importante. Para o Magalu, que é uma varejista, a pauta social deve ser mais relevante. Ninguém nunca me perguntou o que estamos fazendo com esse objetivo. Ainda é muito incipiente. Tem se falado mais. Que bom! Mas não tenho visto decisões práticas de investimento sendo tomadas por indicadores de ESG. Nosso interesse em virar uma empresa B-Corp (certificado de empresas que têm como modelo de negócios o desenvolvimento social e ambiental) veio antes dessa modinha do ESG dos investidores.

Uma espiada no escritório da Fortis Construction em Portland, Oregon

A firma de construção Fortis Construction contratou a firma de arquitetura Woofter Bolch Architecture para renovar seus escritórios em Portland, Oregon.

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Collaborative space

“Inspirada por uma visão para acentuar e fortalecer a colaboração, a renovação da Sede do Fortis combina os principais valores da empresa: o apoio de membros individuais da equipe com uma cultura audaciosamente inovadora e experimental. Como uma melhoria de curto prazo, o projeto exigia um refinamento de espaço estratégico, em vez de uma revisão imediata. Além disso, o escritório teve que estar totalmente ocupado e funcional durante a construção, influenciando ainda mais as oportunidades e desafios do projeto.

A organização, a disposição funcional e a materialidade dos novos espaços criam um perímetro que define o ambiente de trabalho aberto, onde os membros da equipe permanecem conectados e energizados a partir de suas estações de trabalho individuais. Cores vibrantes de pintura definem cabines telefônicas privadas e pequenos espaços de reunião com um volume revestido de Doug Fir que abriga uma sala de reunião projetada intencionalmente para diferentes tipos de reunião. Em vez de uma mesa de conferência clássica, a equipe de design desenvolveu uma solução de mobiliário auxiliar apoiada por tecnologia integrada elegante. A ampla variedade de espaços para conferências, intervalos e chamadas privadas aumentam significativamente a usabilidade e a funcionalidade, resultando em maior eficiência e produtividade. Os membros da equipe podem “escapar” da área de escritório aberto, permitindo sessões de trabalho colaborativas sem perturbar os colegas que se concentram em um trabalho focado e individual. A simples inserção desses elementos espaciais faz uma grande diferença funcional sem uma renovação perturbadora.

A maioria da equipe do Fortis trabalha no campo, e a sede atende uma empresa com mais de 450 funcionários. Como resultado, soluções funcionais, eficazes e inovadoras foram necessárias para acomodar seu rápido crescimento no escritório e no campo. Com uma grande probabilidade de expansão futura, a equipe de design incorporou estrategicamente sistemas de parede pré-fabricados e estações de trabalho experimentais. A variedade de sistemas arquitetônicos, móveis e novos tipos de estações de trabalho foram incorporados para informar futuras decisões de design de escritório. A cultura de escritório do Fortis muda regularmente a disposição dos assentos para colocar equipes funcionais e acomodar uma equipe que se move consistentemente entre a sede e o local de trabalho. A configuração de escritório aberto e estação de trabalho, que se abre para a luz natural no sul e no leste, é projetada para explorar continuamente as estações de trabalho em movimento ”, diz Woofter Bolch Architecture.

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Open-plan workspace
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Meeting room
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Brainstorming room
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Corridor

No Irã, banda Dingo formada só por mulheres luta para poder se apresentar em público

Grupo Dingo, criado em 2016, só esteve diante de uma plateia mista em duas ocasiões. Na República Islâmica, mulheres devem cantar apenas para mulheres
AFP

Da esquerda para a direita, as integrantes da banda iraniana Dingo: Malihe Shahinzadeh, Negin Heydari, Faezeh Mohseni e Noushin Yousefzadeh. Elas se apresentaram em um festival de música do Golfo Pérsico organizado pelo Estado. Formada em 2016, a banda 100% feminina só se apresentou duas vezes a uma plateia de homens e mulheres. Pelas regras da República Islâmica do Irã, mulheres cantam apenas para plateias exclusivamente femininas Foto: ATTA KENARE/AFP

Os homens aplaudiram, as mulheres assobiaram e o grupo cantou. Teria sido algo comum se não fosse o fato de o show ter acontecido em um anfiteatro público no Irã e a banda ser 100% feminina. A música rítmica e cativante que tocaram naquela noite quente se chama bandari, e as canções são baseadas em temas folclóricos transmitidos de geração em geração e familiares a grande parte do público. Porém, desta vez a música era tocada por mulheres, em um festival organizado pelo Estado para destacar a “música do Golfo Pérsico”.

Vestidas com roupas tradicionais, as mulheres também tocaram alaúde e tambores dohol. Pouco depois, o público começou a acompanhar a banda, entoando as canções que as quatro artistas cantaram no palco de Bandar Abbas, no sul do país. Esse tipo de expressão de alegria é frequentemente desaprovado pelas autoridades do Irã, que há mais de 40 anos é governado por um regime islâmico rígido.

“Parece que uma nova parte da sociedade nos viu”, declarou Noushin Yousefzadeh, que toca alaúde. “Pelo menos todos os ensaios serviram para alguma coisa”.

A banda de Yousefzadeh, Dingo, foi formada no final de 2016. De acordo com o dialeto local, o nome do grupo se refere aos primeiros passos que as crianças dão. Esse show, que fizeram no ano passado, havia sido apresentado apenas uma vez antes para um público misto.

“Os festivais são uma grande oportunidade porque, em circunstâncias normais, não podemos cantar na frente dos homens”, disse a percussionista Faezeh Mohseni.

Tanto ela quanto suas companheiras usavam vestimentas tradicionais muito coloridas, com lantejoulas e bordados em ouro, comumente usadas pelas mulheres da província de Hormozgan.

Quando se apresentam para um público feminino, Faezeh canta solo. Mas alguns dias antes da apresentação, foram informadas que homens e mulheres iriam comparecer, então o grupo teve que se adaptar.

“Tivemos que passar dias ensaiando cantando em coro”, explicou Malihe Shahinzadeh, que toca pippeh, outro tipo de percussão local.

Que as mulheres podem cantar em público não está totalmente claro na República Islâmica. Nenhuma lei proíbe isso especificamente, de acordo com Sahar Taati, ex-diretora do departamento de música do Ministério da Cultura e Orientação Islâmica, conhecido como Ershad. No entanto, a maioria dos clérigos acredita que o som de mulheres cantando é “haram” – proibido – porque pode ser provocativo para os homens e levar à depravação, acrescentou.

A banda iraniana Dingo ensaia em um estúdio caseiro apelidado de 'sala Dingo', em Bandar Abbas, no sul do país. Formada em 2016, a banda 100% feminina só se apresentou duas vezes a uma plateia de homens e mulheres. Pelas regras da República Islâmica do Irã, mulheres cantam apenas para plateias exclusivamente femininas Foto: ATTA KENARE / AFP
A banda iraniana Dingo ensaia em um estúdio caseiro apelidado de ‘sala Dingo’, em Bandar Abbas, no sul do país. Formada em 2016, a banda 100% feminina só se apresentou duas vezes a uma plateia de homens e mulheres. Pelas regras da República Islâmica do Irã, mulheres cantam apenas para plateias exclusivamente femininas Foto: ATTA KENARE / AFP

O clero xiita também repudia a música laica, que consideram um entretenimento que distrai a religião. Seu veto, imposto logo após a Revolução Islâmica de 1979, foi progressivamente retirado, principalmente por conta da música “revolucionária”, usada para animar as tropas na guerra Irã-Iraque dos anos 1980-1988. Naquela época, o destaque era reservado à música tradicional iraniana, em contraste com outras variantes da música ocidental, rotulada de “decadente” pelas autoridades.

Mas desde que o moderado Hassan Rohani foi eleito presidente em 2013, sucedendo o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, organizar shows de música ficou mais fácil. Ainda assim, elas têm que enfrentar várias restrições. As apresentações devem ser aprovadas pelo Ershad, e é quase impossível para os cantoras se apresentarem sozinhas, a menos que o façam para um público feminino.

“As mulheres podem cantar para públicos mistos se duas ou mais mulheres cantarem juntas, ou se a cantora for acompanhada por um homem no palco, cuja voz é pelo menos tão forte quanto a dela”, disse Taati.

Assim foi feita a adaptação persa do musical “Les Misérables”, que foi apresentada em Teerã no inverno de 2018-2019, com os solos femininos apoiados por uma voz masculina nos bastidores.

A banda Dingo tentou várias vezes se apresentar para públicos mistos. Diante das dificuldades, “se cansaram”, comentou Negin Heydari, ex-integrante que toca kasser, um pequeno tambor que acompanha o dohol e o pippeh. Agora, quando as autoridades organizam festivais e espetáculos como este, apresentam a sua candidatura, embora não saibam até ao último minuto se serão aceitas. Mas, para elas, só a euforia de tocar para públicos mistos fazem valer as horas de incerteza e de ensaio.

Negin contou como seu marido ficou feliz por finalmente vê-la se apresentar no palco. Para os ensaios utilizam o que chamam de Sala Dingo: um quarto no pátio dos pais de uma delas, à prova de som. Todas têm sonhos para a banda, desde tocar mais no Irã até apresentações no exterior.

“Queremos tornar a Dingo internacional”, disse Faezeh, enquanto Malihe mal pode esperar que o resto do mundo ouça a música de seu povo.

Depois de tantas horas de dedicação, ganharam um prêmio especial por sua atuação no festival do ano passado. Após o show, Negin Heydari deixou o grupo por “diferenças artísticas” e seu lugar foi ocupado pela guitarrista Mina Molai. A pandemia da covid-19, que atinge o Irã duramente, reduziu as esperanças do grupo de gravar um álbum e promover seu estilo de música no exterior.

“Para mim, o período de confinamento foi uma oportunidade para investigar a música da nossa região e também para melhorar a minha técnica”, explicou Maliheh, esclarecendo que ainda não sabe improvisar. “Até agora, fizemos apenas versões do repertório folclórico de Bandari, mas já estamos pensando em criar canções originais”, acrescentou.

Apesar das restrições religiosas, os homens podem ouvir solos cantados por mulheres, algo facilmente verificável se alguém entrar em um táxi em Teerã. É comum encontrar um taxista seguidor de Googoosh, uma diva pop pré-revolucionária que ressurgiu na América do Norte em 2000 após anos de silêncio em seu país natal. Outros usam pendrives com canções das irmãs Hayedeh e Mahasti, ícones da música antes de 1979, agora enterradas na Califórnia. Outras cantoras são Galareh Sheibani, jovem que vive na costa oeste dos Estados Unidos e conseguiu alcançar o público iraniano graças à internet, e a soprano Darya Dadvar, radicada em Paris, uma das poucas mulheres que cantou solo para um audiência mista desde a revolução.

Juíza dos EUA suspende decisão de Trump de banir WeChat

Aplicativo chinês não poderia ser baixado em território americano a partir deste domingo; medida havia sito determinada por Trump em meio à guerra diplomática entre Washington e Pequim
Por Agências iternacionais – O Estado de S.Paulo

Para banir apps, Trump alega questões de segurança nacional

Uma juíza dos Estados Unidos suspendeu a decisão do governo de Donald Trump de proibir downloads no território americano do WeChat, aplicativo chinês que reúne ferramentas semelhantes às do WhatsApp, do Facebook e do Instagram.  

A proibição entraria em vigor neste domingo, 20, e havia sido determinada em meio à guerra diplomática entre Estados Unidos e China. Trump alega que os aplicativos chineses WeChat e TikTok ameaçam a segurança nacional.

A decisão da juíza Laurel Beeler, de São Francisco, atendeu a um pedido feito por usuários do WeChat. Segundo ela, “o interesse do governo na segurança nacional certamente é significativo. Mas, embora o governo tenha estabelecido que as atividades da China levantam preocupações de segurança nacional significativas, ele apresentou escassas evidências de que o banimento do WeChat para todos os usuários dos EUA resolveria a questão”.

O WeChat tem cerca de 19 milhões de usuários ativos diários nos Estados Unidos, segundo dados da empresa Apptopia do início de agosto. Ele é popular entre estudantes chineses, americanos que vivem na China e alguns americanos que têm relacionamentos pessoais e corporativos com chineses. 

O TikTok, outro aplicativo chinês que seria proibido a partir deste domingo nos EUA, também conseguiu adiar o banimento. Ontem, Trump afirmou ter aprovado um acordo para a Oracle comprar uma participação minoritária do TikTok, de acordo com a agência de notícias Bloomberg. “Eu dei minha bênção ao negócio. Se eles conseguirem, é ótimo. Se não o fizerem, tudo bem também”, disse Trump a jornalistas. “Eu aprovei o conceito do acordo ”.

O negócio entre as empresas é uma resposta a um decreto do presidente assinado no início de agosto, que proibiu transações no país com os proprietários chineses do TikTok. O governo americano deu o prazo de 12 de novembro para a ByteDance, dona do app, firmar um acordo para a venda de suas operações nos EUA. A nova empresa se chamará TikTok Global, afirmou Trump. 

A Bytedance deverá manter a maioria dos ativos da TikTok e o controle sobre o algoritmo do app. A gigante de softwares Oracle e outros investidores americanos assumirão participações minoritárias. O negócio, porém, ainda depende da aprovação do governo chinês.