Farm lança primeira coleção carbono zero e plantará 140 mil árvores até 31 de dezembro

Serão mil mudas por dia, entre Mata Atlântica e Amazônia
Gilberto Júnior

A coleção “Presente do futuro” da Farm Foto: Divulgação

As atitudes e os discursos da ativista ambiental Greta Thunberg pegaram o time da Farm de jeito. Impressionados com a potência do “chamado” da adolescente sueca, Marcello Bastos e Kátia Barros, fundadores da marca carioca, decidiram se mexer e avançaram mais uma casinha no âmbito da responsabilidade ambiental. Pela primeira vez na história da grife, desde 1997, eles lançam uma coleção carbono neutro, demostrando preocupação com as mudanças climáticas. “Só duas coisas importam para a gente no momento: sustentabilidade e o universo digital. Levamos à frente apenas projetos que tenham a ver com essa filosofia, implementada em 2016”, diz Bastos.

Depois de um complexo cálculo de emissão de gases de efeito estufa, foi definido que serão plantadas mil mudas por dia até 31 de dezembro, totalizando 140 mil árvores, que serão distribuídas entre a Mata Atlântica e a Amazônia. “A natureza sempre foi uma grande fonte de inspiração para nossa estamparia”, explica Taciana Abreu, head de marketing da etiqueta e responsável direta por essa mudança de postura. “Quatro anos atrás, quando cheguei à Farm, convidei a Chiara Gadaleta (consultora de sustentabilidade e embaixadora do Pacto Global da ONU) para nos ajudar nessa missão. Em nossas conversas, ela deixou claro que é impossível uma marca ser 100% verde atualmente, mas há muitas maneiras de diminuir drasticamente o impacto no meio ambiente.”

A coleção “Presente do futuro” da Farm Foto: Divulgação
A coleção “Presente do futuro” da Farm Foto: Divulgação

Uma das medidas adotadas foi a revisão da linha de jeanswear. Todas feitas no Brasil, as peças são confeccionadas com algodão BCI e utilizando apenas químicos biodegradáveis certificados Green Screen. Como não levam poliéster ou elastano, há também a redução de emissão de microplástico dos produtos nas lavagens. E não para por aí. “O algodão que usamos é certificado e o processo de tintura da malha é natural. No fim de 2016, lançamos a linha re-FARM, reaproveitando sobras e ressignificando o consumo”, observa Taciana. Outro ponto importante é a lojinha da marca dentro do Enjoei, um comércio eletrônico para consumo colaborativo. “Com essas ações, a gente consegue minimizar o impacto negativo da moda no mundo.”

A coleção “Presente do futuro” da Farm Foto: Divulgação
A coleção “Presente do futuro” da Farm Foto: Divulgação

Obviamente que no meio do caminho há dificuldades. O couro de abacaxi, por exemplo, não funcionou. “Queríamos muito incluir o material, mas ele é duro, pouco maleável. Mais uma vez: não é possível ser completamente sustentável por causa dessas questões”, aponta a head de marketing. No atacado, a coleção de verão teve resultados animadores apesar dos efeitos da pandemia, com queda de 25% em relação ao verão passado. “O alto verão, que chegará às multimarcas em novembro, foi surpreendente”, avisa Bastos. “Nossa retomada foi a melhor possível. Na verdade, não sofremos muito ao longo dos últimos meses. Investimos pesado em mídias digitais, anunciando peças lúdicas e sofisticadas. As promoções foram essenciais.”

Num futuro próximo, a intenção é conectar ainda mais a grife, sem tirá-la do caminho eco-friendly. “Tanto que daremos continuidade ao plantio de árvores”, ressalta Taciana.

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