Designer Ricardo Graham lança móveis e objetos decorativos criados na quarentena

Carioca tem peças espalhadas pelo mundo
Suzete Aché

Vasos de Ricardo Graham Foto: Divulgação

Em uma casa rodeada por um jardim com árvores frutíferas, em Friburgo, o designer Ricardo Graham se dedica ao que mais gosta: trabalhar a madeira. “Apesar da nova rotina doméstica puxada, por conta da quarentena, continuo produzindo. Tenho estoque de material e adoro me sujar de poeira”, conta ele, que cria todas as suas peças artesanalmente.

Depois de ter passado quatro anos na Itália e na França aprendendo técnicas tradicionais de marcenaria, Ricardo mergulhou de cabeça no ofício e criou, em 2006, sua marca, O Ebanista. Nem chegou a pensar em seguir os passos do pai, Ricardo Ferreira, fundador da badalada Richard’s. Com as próprias mãos, esculpe móveis utilizando espécies tropicais de manejo florestal ou encontradas em demolições de casas antigas. Adora peroba-do-campo, sucupira e freijó.

Recentemente, Ricardo participou com suas peças da MADE, maior feira de arte da América Latina, que, este ano, aconteceu em formato digital. A poltrona Recordar, em madeira maciça, estofado em linho e encosto em corda, foi um dos destaques. “A expressão das curvas é um sentimento muito íntimo. Traduzir essa poética para a madeira é um dos meus grandes impulsos e desafios”, explica o designer. O banco Sela, uma de suas criações mais famosas, também fez bonito na mostra, especialmente pela ergonomia e pela leveza do desenho. A peça, aliás, é a única brasileira no portfólio da movelaria dinamarquesa PP Mobler, que reúne artistas como Hans J. Wegner, Zaha Hadid e Verner Panton. “Em 2018, começaram a produzir o Sela. São tradicionais e supercriteriosos na seleção das peças. Tenho o maior orgulho de estar lá.”

Cadeira de Ricardo Graham Foto: Divulgação
Cadeira de Ricardo Graham Foto: Divulgação

Suas criações mais recentes são uma poltrona com apoio para os pés, um aparador e objetos decorativos, como o vaso Origem, feito com sobras de madeiras. “São peças escultóricas, que estou gostando muito de fazer”, conta. Outra descoberta recente foi a madeira roxinho. “São incríveis as possibilidades que ela proporciona. Tem uma cor inusitada e surpreendente.” Tudo está à venda no http://www.oebanista.com.br, por preços que vão de R$ 900, os vasos, a R$ 15.800, cadeira Recordar.

Ele, que sempre figura entre os finalistas do A’Design Award, Prêmio Salão Design e Prêmio Museu do Objeto Brasileiro, agora está na plataforma internacional Stir, uma publicação sobre design, sustentabilidade e produção artesanal que teve a curadoria dos Irmãos Campana. “Faço parte de uma turma onde estão Domingos Tótora, Inês Schertel, Luiza Caldari e Hugo França”, orgulha-se.

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