Gwyneth Paltrow explica como ela e ex-Chris Martin tiveram sucesso como pais

Gwyneth Paltrow conta como ela e Chris Martin conseguiram criar seus filhos juntos após o divórcio.

Além disso, Gwyneth Paltrow compartilha com Drew que ela usa a injeção anti-rugas XEOMIN e diz a Drew que ela acha que ajudou a suavizar as linhas entre as sobrancelhas. Gwyneth é porta-voz da Merz Aesthetics – fabricante do XEOMIN (incobotulinumtoxinA). Para obter mais informações sobre o Xeomin, clique aqui: https://www.xeominaesthetic.com/

Mulheres negras lutam, literalmente, pela preservação da vida selvagem em ‘Akashinga’, produzido por James Cameron

Akashinga: guerreiras em nome da preservação da vida selvagem no Zimbábue Foto: Kim Butts / Kim Butts

“Akashinga” é um termo que significa “corajosa” na língua xona, de origem bantu e falada no norte do Zimbábue. Tal denominação não poderia ser mais pertinente para o trabalho de 170 guardas florestais mulheres que todos os dias saem de suas casas para defender a preservação de animais sob risco de extinção pela caça furtiva, como elefantes e rinocerontes.

A atuação destas guerreiras armadas (e remuneradas) se tornou foco de um curta-metragem documental produzido por ninguém menos que James Cameron, diretor de “Titanic” e “Avatar”. “Akashinga – The brave ones” vai ao ar nesta terça-feira (22), no canal a cabo National Geographic – a versão original, sem legendas em português, está disponível no site nationalgeographic.com ou no YouTube.

A unidade de protetoras da vida selvagem foi fundada em 2017 por Damien Mander, um australiano veterano da Guerra do Iraque. Akashinga é o desdobramento de uma viagem feita por ele oito anos antes ao continente africano, quando Mander criou a International Anti-Poaching Foundation (IAPF), organização com foco no combate à caça furtiva.

Treinamento de guardas do projeto Akashinga, no Zimbábue Foto: Kim Butts / Kim Butts
Treinamento de guardas do projeto Akashinga, no Zimbábue Foto: Kim Butts / Kim Butts

No projeto Akashinga, as mulheres recebem não apenas treinamento voltado para a gestão administrativa de áreas de preservação. Elas também são preparadas para possíveis confrontos físicos, com aulas de autodefesa e manejo de armamentos.

Mas se já existia uma entidade voltada para a preservação antes, qual a motivação para criar um braço formado apenas por mulheres?

– As forças predominantemente masculinas são prejudicadas pela corrupção contínua, nepotismo, embriaguez, agressividade para com as comunidades locais – conta Damien Mander – Decidimos inovar, usando uma equipe feminina para administrar uma reserva natural inteira no Vale do Baixo Zmabeze, no Zimbábue, e ficamos surpresos com a transformação e o potencial. Nos primeiros dois anos e meio, Akashinga ajudou a impulsionar uma redução de 80% na caça furtiva de elefantes na região.

Ele pontua que a inspiração para o projeto Akashinga veio da atuação de um grupo feminino atuante na Reserva Natural Balule, na África do Sul. Chamadas de Black Mambas, as patrulheiras cercam o perímetro como monitores ambientais desarmados, apoiando uma unidade armada e privada contra a caça furtiva dentro da reserva.

Armas em punho para a presevração da vida selvagem no Zimbábue Foto: Kim Butts / Kim Butts
Armas em punho para a presevração da vida selvagem no Zimbábue Foto: Kim Butts / Kim Butts

A meta de Mander é empregar no Akashinga 1.000 mulheres até 2025, protegendo uma rede de 20 reservas naturais. Ele conta que quando o programa foi inaugurado, foi decidido criar oportunidades para os membros mais marginalizados e vulneráveis da comunidade. As 87 mulheres que passaram pela primeira seleção eram todas sobreviventes de graves agressões sexuais, violência doméstica, órfãs da AIDS, mães solteiras, esposas abandonadas e profissionais do sexo.

– Akashinga é uma maneira diferente de olhar para filantropia, empoderamento, aplicação da lei, desenvolvimento rural, saúde e bem-estar, e gestão de terras na África – analisa Mander – Tudo isso contribui para uma narrativa global mais ampla e impacta a pobreza, as mudanças climáticas e a crise de conflitos.

Da violência domestica à luta pela preservação

Uma das protagonistas desta história é Nyaradzo Auxillia Hoto. Ela tem 28 anos e uma filha de 8, chamada Tariro. Nyaradzo cresceu na vila Huyo, Nyamakate, localizada no Vale do Zambeze, no Zimbábue. Nascida em uma família muito pobre ao lado de oito irmãos, ela era brilhante na escola, mas seus pais não tinham dinheiro suficiente para que ela continuasse seus estudos, o que obrigou Nyaradzo a desistir da escola. Em desespero, ela se casou aos 20 anos, achando que não havia outra opção para sobreviver.

Guerreiras em formação: mais um dia de trabalho no projeto Akashinga Foto: Kim Butts / Kim Butts
Guerreiras em formação: mais um dia de trabalho no projeto Akashinga Foto: Kim Butts / Kim Butts

Presa em um relacionamento abusivo e vítima de violência, ela tomou coragem para se divorciar em 2014, passando a fazer bicos com jardinagem e venda de tomates. Três anos depois, tomou conhecimento do projeto Akashinga. Dali em diante, sua vida se transformou.

– Antes eu não pensava em animais, mas agora tenho uma forte paixão pela vida selvagem e pela natureza. Além disso, adquiri uma carteira de motorista, o que é um grande negócio para uma mulher rural africana – conta Nyaradzo, que também conseguiu comprar um terreno, onde hoje vive com a filha Tariro.

O sorriso de Nyaradzo Hoto, uma das 'rangers' do projeto Akashinga Foto: Reprodução
O sorriso de Nyaradzo Hoto, uma das ‘rangers’ do projeto Akashinga Foto: Reprodução

A “ranger”, como gosta de se autodenominar, também precisa conciliar a vida de guarda florestal com a rotina acadêmica. Nyaradzo voltou às salas de aula e, hoje, cursa Ciências em Vida Selvagem, Ecologia e Conservação na University of Zimbabwe.

Ela conta que sua comunidade, que antes zombava da possibilidade de mulheres se tornarem guardas responsáveis pela preservação de tantas espécies em extinção, agora admira a força do projeto. Um legado importante também para a filha Tariro, que já demonstra a vontade de ingressar futuramente no Akashinga.

– Quero garantir a todas as mulheres do mundo que o céu é o limite. Nenhum trabalho é feito só para homens. Nada é impossível, tudo que você precisa é coragem, comprometimento, caráter e dedicação – prega Nyaradzo – Eu sou forte hoje porque fui fraca antes. Estou destemida hoje porque tive medo antes.

A dermatologia precisa se preparar para tratar a pele negra. E o coronavírus deixou isso mais evidente

Registro internacional para catalogar exemplos de manifestações dermatológicas da Covid-19 compilou mais de 700 casos, mas somente 34 são de pacientes hispânicos e 13 de negros
Roni Caryn Rabin, do New York Times

A dermatologista Natalie Moulton-Levy, que trabalha em Manhattan, diz que condições comuns da pele se manifestam de formas diferente na pele negra, mas os médicos são treinados para fazer o diagnóstico na pele branca Foto: JEENAH MOON/NYT

Entre março e abril deste ano, os adolescentes começaram a aparecer em massa nos consultórios médicos nos EUA com bolhas roxas e vermelho vivo nos dedos dos pés e das mãos. Essa nova e inesperada característica da infecção pelo coronavírus fascinou o público e, de uma hora para a outra, fotos dos chamados “pés da Covid” coalharam as redes sociais.

Só que praticamente todas as imagens mostravam lesões rosadas na pele branca. Embora as pessoas não-brancas estejam sendo afetadas desproporcionalmente pela pandemia em todo o mundo, curiosamente a versão do fenômeno em pele negra era difícil de achar.

Na realidade, o problema não se limita ao “pé da Covid” ou às redes sociais; a dermatologia como um todo tem dificuldades com as peles parda e negra. Fez-se algum progresso de uns anos para cá, mas a maioria dos livros que servem de referência para o diagnóstico de doenças de pele não inclui fotos destas em pessoas de cor.

É uma omissão gritante que pode levar a diagnoses erradas e sofrimento desnecessário, já que, segundo os especialistas, as características principais dos problemas dermatológicos – como manchas vermelhas e bolhas arroxeadas – podem se revelar de forma bem diferente em pessoas de compleições diversas.

“O reconhecimento de padrões é a base da dermatologia, e grande parte dele se resume a uma questão de treinamento do olho para reconhecer certos tons que o levam a pensar em determinadas doenças. Acontece que esses matizes são afetados por outro, aquele que o cerca, ou seja, na pele escura podem parecer diferentes. Se você for treinado para procurar algo de uma tonalidade só, não vai reconhecer se vir aquilo em outra amostragem”, explica a dra. Jenna Lester, diretora do programa de cores da pele da Universidade da Califórnia, em San Francisco.

A médica recentemente revisou 130 imagens dos efeitos do coronavírus na pele encontrados em publicações científicas e descobriu que a maioria absoluta era de pessoas brancas.

Com a disseminação do coronavírus, os dermatologistas criaram um registro internacional para catalogar exemplos de manifestações dermatológicas da Covid-19 – que compilou mais de 700 casos, mas no qual somente 34 são de pacientes hispânicos e 13 de negros.

Só em julho a dra. Roxana Daneshjou e seus colegas da Universidade Stanford publicaram algumas imagens de “pés da Covid” em pacientes não brancos no “The Journal of the American Academy of Dermatology”

“Sabemos que, se a pele escura não estiver bem representada nas imagens, não só os dermatologistas mas os médicos de outras especialidades terão menos condições de fazer um diagnóstico adequado”, afirma o dr. Hao Feng, professor assistente de Dermatologia da Universidade de Connecticut.

Recentemente, ele afirmou que omissões desse tipo são comuns nos livros técnicos, nos quais somente dez por cento das imagens ilustram doenças dermatológicas em pele escura. Quando há fotos de negros disponíveis, elas geralmente descrevem a sífilis. Ele descobriu que o recurso digital VisualDx tem um conjunto mais diversificado, mas, mesmo assim, não passa de 28,5 por cento em tons de pele escura.

“Ser especialista e não ter experiência com a doença em pessoas de cor é como um clínico geral não saber examinar os pulmões ou o coração”, diz o dr. Art Papier, dermatologista e um dos fundadores da VisualDx.

Isso porque todos os médicos observam a pele em busca de pistas para outros males. As mudanças no tecido podem ser a primeira indicação de problemas que põem a vida em risco, como sepse, celulite ou reações graves a algum medicamento.

O estudo de Feng conclui que havia um número insuficiente de imagens de câncer em pele escura no material educacional examinado – ainda que a doença, embora menos comum, seja mais letal em pacientes negros e hispânicos, e geralmente diagnosticada em um estágio mais avançado. A taxa de sobrevida de cinco anos é de 66 por cento para os negros não hispânicos em relação a 90 por cento para os brancos não hispânicos.

No geral, os negros têm menos probabilidade que os brancos de consultar um dermatologista e menos ainda de fazer um exame para câncer de pele. E, mesmo quando procuram um especialista, segundo mostram os estudos, eles têm menos probabilidades que os brancos que sofrem do mesmo problema de receber indicação de certos tratamentos, como antibióticos orais para acne.

“Posso dizer, por experiência própria na clínica, que muita coisa passa batida porque o profissional não reconhece o processo da doença na pele mais escura”, diz Feng.

Até problemas relativamente comuns podem dificultar a vida do médico que nunca viu sua manifestação em pessoas de cor.

Lester conta que quando ainda estava na faculdade um paciente chegou à clínica com uma irritação que deixava a pele levemente arroxeada. “Ninguém sabia o que era”, admite. Mas uma biópsia revelou que era uma doença tão comum que os médicos a diagnosticam na base do olho, sem a necessidade de exames ou procedimentos especiais: psoríase. Entretanto, é comum não ser identificada nem tratada entre as pessoas de cor.

“A literatura médica descreve os sinais como ‘manchas rosadas com escamas brancas prateadas’, mas não tem nada a ver com o que se vê na pele escura, que ganha tons arroxeados. Muitos pacientes meus usam muito hidratante quando a pele resseca, de modo que a escamação também não fica muito visível”, conta ela.

A aparência de muitas erupções cutâneas varia de acordo com as diferentes compleições. “O eczema, por exemplo, geralmente descrito como causador de vermelhidões e coceira, nos negros causa pequenos calombos; já a pitiríase rósea é descrita como uma mancha maior com outras menores saindo dela, mas esse padrão não se aplica às pessoas de tez escura”, completa Lester.

O melanoma, variação mais grave do câncer de pele, nos negros se manifesta onde os médicos nem pensam em examinar: na palma das mãos e na sola dos pés.

A palidez, que pode ser indicação tanto de anemia como de redução do fluxo sanguíneo e da oxigenação, tem outra aparência nos negros. “A cor muda, fica meio acinzentada, o que me faz pensar em George Floyd. Quando o vemos no chão, sua pele já é de um marrom acinzentado, mostrando a falta de oxigênio”, explica a dra. Lynn McKinley-Grant, professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade Howard e presidente da Sociedade da Cor da Pele, que promove a conscientização e a educação dessas variações.

Quando Tierra Styles, de 31 anos, natural de Auburn, na Geórgia, perguntou ao pediatra sobre a irritação que aparecera na nuca de seu filhinho, o médico disse que não era nada. Nas consultas posteriores, o diagnóstico foi primeiro de sarna e, depois, de eczema, mas as pomadas receitadas não surtiram efeito algum.

Por fim, Styles levou o garoto a uma dermatologista negra, que lhe disse que a mancha que deixava a pele áspera feito lixa era uma doença benigna chamada queratose pilar.

“Ela inclusive procurou uma internet uma foto para me mostrar, mas não achou nenhuma. Não havia uma única foto de um negro com aquele problema para eu ver”, conclui.

Iman Divide 17 looks de 1975 até agora | Life in Looks | Vogue

Supermodel Iman, da passarela, aos momentos de Met Gala e o encontro às cegas que mudou para sempre sua vida.

Director: Max Bartick
DP: Steven Tong
Producer: Gabrielle Reich
Editor: Marcus Niehaus
Location: The Mercer Hotel
Special Thanks: Annie Leibovitz
© Helmut Newton Estate/Courtesy Maconochie Photography
Shutterstock
Getty Images

Rafa Gallar New Editorial for Vanidad Magazine with Flora Musy

Photographer: Rafa Gallar at 8 Artist Management. Fashion Stylist: Berta Alvarez. Hair Stylist: Manu Fernandez. Makeup Artist: Jose Belmonte. Model: Flora Musy at Trend Models

A história da iraquiana Mareana Essa que passou por guerras até virar a designer de sobrancelha das famosas no Brasil

Mareana Essa, que viveu dois conflitos armados em seu país natal, reconstruiu a vida no Rio: ‘Passei a amar ainda mais a paz e a enxergar as dificuldades sob outro prisma’
Em depoimento a Marcia Disitzer

Mareana Essa Foto: Ana Branco/Agência O Globo

Nasci no início  de uma guerra. Em 1980, quando cheguei ao mundo, meu país natal, o Iraque, entrou em conflito armado com o Irã.

Foi assim

Mareana Essa, 40 anos

“Este combate sangrento durou longuíssimos oito anos, uma boa parte da minha infância. Eu morava com minha família, de classe média, numa casa, em Bagdá. Era comum caírem mísseis em escolas e hospitais, matando civis. Muitas vezes, eu ia para a escola aos prantos com medo de ser alvo de um desses ataques. Lembro como se fosse hoje o dia em que a guerra acabou: oito de agosto de 1988. Foi nesta data também que fiz a minha primeira comunhão. Porém, infelizmente, a paz durou pouco. Dois anos depois, foi a vez  do Iraque e o Kuwait duelarem. Estava com 10 anos.

De um dia para o outro, tudo parou e deixei de frequentar a escola. Bem parecido com o que está acontecendo aqui no Brasil por causa da pandemia do novo coronavírus. Considero ainda pior o que estamos vivendo agora: numa guerra, é possível ir para outro país e recomeçar. Já a pandemia é mundial, não tem para onde fugir.

“Numa guerra, é possível ir para outro país e recomeçar. Já a pandemia é mundial, não tem para onde fugir”

Durante dois anos, tempo que durou o conflito, eu e minha família, depois de nos abrigarmos no porão de casa, buscamos refúgio numa fazenda. Ficávamos sabendo de vizinhos que iam para a guerra e nunca mais voltavam. Apesar de termos feito tudo para evitar perdas, meu primo foi assassinado em Bagdá. Foi muito, muito triste.

No final da década de 1990, a minha família decidiu deixar  o Iraque e se estabelecer na Turquia. Naquela altura, eu já estava cursando a faculdade de História, que acabei não concluindo. Em Istambul, conheci um amigo iraquiano do meu irmão chamado Vector. Foi amor à primeira vista. Ficamos noivos e nos casamos em 1999. Foi a melhor escolha que fiz em toda a minha vida.

Vector já tinha duas irmãs que moravam no Brasil. Em 2001, decidimos escrever um novo capítulo de nossas vidas na Cidade Maravilhosa. Quando cheguei ao Rio, sofri um verdadeiro choque cultural. A Praia de Copacabana deve estar molhada até hoje com as minhas lágrimas. Eu me sentia extremamente só e morria de saudades da minha mãe, era muito apegada a ela. Também achava o português uma língua superdifícil. Queria voltar de qualquer jeito, mas meu marido dizia ser impossível. Até que um dia, na mesma Praia de Copacabana em que chorava, ouvi uma moça falando árabe e puxei conversa, para espantar a solidão. A tal moça era a marroquina Karima Elmaataoui, que dava consultoria para  a novela ‘O clone’. Conversa vai, conversa vem, ela me convidou para ajudá-la nos bastidores do folhetim. Eu aceitei e nunca mais parei. Lá, conhecei outro marroquino, chamado Said, que me levou para trabalhar num salão de beleza. Todos ficaram encantados com a sobrancelha feita com linha, técnica milenar que aprendi aos 14 anos com minha mãe. Na sequência, saiu uma reportagem no então caderno ELA falando sobre a minha história e o método caiu nas graças das cariocas. Hoje, trabalho no Care Salão, em Ipanema, e tenho clientes fiéis como Marisa Monte, Glória Maria, Gloria Perez e Ingrid Guimarães. Já lancei uma pomada manipulada para pentear sobrancelhas e vou apresentar, até o fim do ano, uma sombra para cobrir as falhas, ambas em parceria com a Dermage. Eu e meu marido também estamos à frente de um restaurante de comida árabe, chamado Baghdad, em Copacabana. Temos dois filhos brasileiros: Ashur, de 10 anos, e Raquel, de 3. Somos felizes.

Pelo fato de ter passado por duas guerras, passei a amar ainda mais a paz e a enxergar as dificuldades da vida sob outro prisma, os problemas do dia a dia me parecem pequenos, entende? Também sempre agradeço muito a Deus por tudo que me aconteceu: Bagdá é minha mãe, mas o Brasil cuidou de mim, é o meu padrinho.”

China pode recusar acordo do TikTok nos EUA, afirma jornal chinês Global Times

Respondendo às divergências entre o controle majoritário da empresa, o jornal chinês Global Times afirmou que é improvável que Pequim aprove o acordo “injusto” que está sendo imposto ao TikTok
Por Agências – Reuters

O movimento visa pacificar a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, que planejava banir o TikTok nos Estados Unidos por motivos de segurança

Em meio ao imbróglio da negociação do TikTok, o jornal chinês Global Times afirmou nesta segunda-feira, 21, que é improvável que a China aprove um acordo “injusto” no caso do app nos Estados Unidos.

Está em andamento nos Estados Unidos uma negociação entre o Tiktok, a Oracle e o Walmart para a criação de uma nova empresa, a TikTok Global.  O movimento visa atender às demandas da administração do presidente dos EUA, Donald Trump, que planejava banir o TikTok nos Estados Unidos por motivos de segurança.

A Oracle e o Walmart disseram que o negócio já estava acordado com a ByteDance, controladora chinesa do aplicativo, e que a participação majoritária do TikTok estaria em mãos americanas. Mas a ByteDance disse nesta segunda-feira, 21, que a TikTok Global seria sua subsidiária nos EUA com 80% de propriedade.

“É claro que os termos do acordo mostram extensivamente o estilo de intimidação de Washington. Eles prejudicam a segurança nacional, os interesses e a dignidade da China”, disse o jornal chinês em um editorial em sua edição em inglês publicado na noite desta segunda-feira. “Pelas informações dos EUA, o negócio foi injusto. Ele atende às demandas irracionais de Washington. É difícil para nós acreditar que Pequim vai aprovar tal acordo”.

Hu Xijin, editor-chefe do jornal, chegou a comentar o assunto no Twitter na noite desta segunda. Respondendo aos comentários que Trump fez ao canal de TV Fox News sobre como a TikTok Global seria “totalmente controlada” pela Oracle, ele disse: “Pare de extorquir. Você acha que o TikTok é uma empresa de um país pequeno? Não há como o governo chinês aceitar sua demanda. Você pode arruinar os negócios do TikTok nos Estados Unidos, se os usuários dos EUA não se oporem, mas você não pode roubá-lo e transformá-lo em um bebê americano”.

Global Times é um tablóide publicado pelo People’s Daily, o jornal oficial do Partido Comunista da China, mas não fala em nome do partido e do governo ao contrário de sua publicação original.

O governo da China se absteve de comentar diretamente sobre os detalhes do negócio, embora o Ministério das Relações Exteriores tenha dito que os Estados Unidos deveriam oferecer um ambiente justo e não discriminatório para as empresas estrangeiras.

A agência de notícias Reuters relatou este mês, citando fontes, que Pequim se opôs a uma venda forçada das operações do TikTok nos Estados Unidos pela ByteDance e preferia ver o aplicativo de vídeo curto encerrado nos Estados Unidos.

Segundo a ByteDance, o acordo ainda requer a aprovação dos reguladores de Pequim e Washington. O Ministério do Comércio da China revisou, no final de agosto, uma lista de controle de exportação de tecnologia que, segundo especialistas, lhe daria supervisão regulatória sobre qualquer negócio da TikTok. A ByteDance e o Ministério do Comércio não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Principais objeções

Neste último fim de semana, ByteDance, Oracle e Walmart disseram que chegaram a um acordo que atenderia ao apelo de Trump para que o TikTok fosse vendido para uma empresa americana a fim de garantir a permanência de sua operação nos Estados Unidos. No entanto, os lados definiram o negócio de maneira diferente em declarações públicas.

Enquanto a ByteDance disse que será proprietária majoritária da TikTok Global, a Oracle e o Walmart disseram que a propriedade da ByteDance seria distribuída a seus investidores — muitos dos quais estão sediados nos EUA — e que a própria ByteDance não teria nenhuma participação direta. Eles também disseram que quatro dos cinco membros do conselho da TikTok Global seriam americanos.

O editorial do jornal Global Times se opôs à existência de apenas um assento no conselho reservado para um cidadão chinês, bem como à inclusão estipulada no conselho de um “diretor de segurança nacional” aprovado pelos EUA. Ele também denunciou a necessidade da ByteDance revelar seus algoritmos para a Oracle como parte do papel de “parceiro de tecnologia confiável” e criticou a probabilidade de a TikTok Global bloquear o acesso chinês ao seu aplicativo.

O TikTok, porém, nunca esteve disponível na China. No país asiático, está disponível um app equivalente da rede social de vídeos curtos, chamado Douyin. Nos EUA, o TikTok tem mais de São mais de 100 milhões de usuários ativos mensais.

“Como TikTok e Douyin devem ter o mesmo código-fonte, isso significa que os EUA podem conhecer as operações de Douyin”, disse o Global Times. “Se a reorganização do TikTok sob a manipulação dos EUA se tornar um modelo, isso significa que uma vez que qualquer empresa chinesa de sucesso expandir seus negócios para os EUA e se tornar competitiva, ela será alvo dos EUA e se tornará uma empresa controlada pelos EUA por meio de trapaça e coerção”.

A ByteDance, sediada em Pequim, tem apenas dois cidadãos chineses em seu conselho de cinco membros, com os outros três sendo estrangeiros dirigindo empresas sediadas nos Estados Unidos. 

Promessas

Mesmo enquanto os envolvidos discutem sobre quem será o proprietário do TikTok Global, outra questão surgiu depois que Trump concordou no fim de semana em manter o popular aplicativo funcionando nos Estados Unidos por mais uma semana: como ele criará 25 mil novos empregos no país?

Essa promessa, repetida pelo presidente no sábado, 19, em um comício de campanha na Carolina do Norte, era parte de uma concessão que os compradores ofereceram para convencer Trump a aprovar a transação para a criação da TikTok Global.

Mas especialistas afirmam que a meta elevada de contratações será difícil de executar. Um número tão alto sugere uma expectativa de crescimento maciço da receita em um momento em que o TikTok enfrenta desafios globais sem precedentes.

Se o TikTok operasse com uma eficiência mais próxima à de outras empresas de internet, como o Twitter, a empresa precisaria aumentar sua receita em até 19 vezes nos próximos anos. Espera-se que o TikTok gere cerca de US$ 1 bilhão em receita até o final de 2020, informou a agência de notícias Reuters anteriormente.

Muitos dos novos empregos nos EUA provavelmente serão em funções de engenharia, moderação de conteúdo e segurança, dado o foco intenso do governo nas políticas de privacidade de dados do aplicativo, disse Dan Ives, analista de tecnologia da Wedbush Securities.

“De uma perspectiva de segurança e infraestrutura, eles terão que contratar milhares de pessoas para se concentrar nessa questão, dada sua sensibilidade”, disse ele.

Além disso, fica mais difícil justificar uma equipe maior. Como a ByteDance ainda possuirá o algoritmo do TikTok e o licenciará para a nova empresa com sede nos Estados Unidos, ela não precisará contratar grandes equipes que trabalham com inteligência artificial.

A Oracle e o Walmart também podem criar divisões dentro de suas empresas para atender ao TikTok, o que pode contribuir para a contagem de empregos, disse Abishur Prakash, futurista geopolítico do Center for Innovating the Future, uma empresa de consultoria em tecnologia e geopolítica.

Uma fonte familiarizada com as discussões do acordo disse que o número de 25 mil empregos foi baseado em organizações de tamanho semelhante que atendem a tantos usuários quanto o TikTok, sem dar mais detalhes. A fonte acrescentou que o número de empregos era, na verdade, conservador em um esforço para prometer pouco e entregar muito.