Dentro do apartamento em Paris do influenciador libanês Ulap

Samar Seraqui de Buttafoco, também conhecido como Ulap, também conhecido como “Une Libanaise à Paris”, foi um dos primeiros influenciadores que a França conheceu. Embaixadora de um estilo cosmopolita com tendência a misturá-lo, este ex-jornalista usa seus poderosos seguidores digitais para chamar a atenção para causas importantes para ela. A última? Líbano, para a qual ela arrecadou 87.000 euros e lançamento uma fundação humanitária com três de seus seguidores que se seus amigos. Para a série Une Fille Un Style, nós a visitamos em seu apartamento em Paris, casa de uma pintura de Ines de la Fressange e cadeiras Bertoia.

A$AP Ferg Drops New Video Dennis Rodman ft. Tyga

O poderoso atacante do Chicago Bulls, Dennis Rodman, está de volta com toda sua glória na moda! A $ AP Ferg acaba de lançar seu último vídeo, Dennis Rodman, de ‘Floor Seats II’ após seu EP no ano passado. No início do mês, quando a faixa foi lançada, Rodman proclamou no instagram “Eu sou o cara mais sexy do mundo, … mais sexy que [Michael] Jordan.”

Director: Frank Borin x Ivanna Borin
Producer: Veronica Radaelli
Production Company: UnderWonder Content
Exec Producer: Frank Borin x Ivanna Borin
DP: Maz Makhani
VFX: Frender VFX
Prosthetics FX Makeup: Malina Stearns & Sasha Glasser
Colorist: Joseph Bicknell @ Company3 NYC
Editor: Ivanna Borin & Frank Borin
Video Commissioner: Hope Wilson

Recém-curada de um câncer de mama, Fernanda Motta conta como enfrentou a doença sem perder a positividade

‘Foi dolorido, sim, tive problemas, mas tentei que fosse o menos dramático possível’, diz modelo
Gilberto Júnior

Jaqueta, vestido, bracelete e colar, tudo Christian Dior, brincos Chanel e tênis Alexandre Birman Foto: Thais Vandanezi
Jaqueta, vestido, bracelete e colar, tudo Christian Dior, brincos Chanel e tênis Alexandre Birman Foto: Thais Vandanezi

Foi durante o banho, num domingo qualquer de julho de 2019, que Fernanda Motta percebeu algo estranho em seu seio esquerdo. “Senti um carocinho e sabia que não era normal. Pensei em cisto, displasia mamária… Conheço bem meu corpo, e aquele nódulo era completamente estranho para mim”, conta a modelo fluminense, de 39 anos. No dia seguinte, submeteu-se a uma bateria de exames; e o diagnóstico veio sete dias depois. “Em momento algum, passou pela minha cabeça que poderia ser câncer. Mas era um tumor maligno. Não me desesperei. Acredito que as coisas não acontecem por acaso na vida da gente. Lógico que não foi a maior felicidade do mundo. Como não poderia voltar atrás, decidi seguir em frente, encarar o problema e conquistar minha vitória, sem perder a positividade. Tinha certeza absoluta de que tudo daria certo.”

Jaqueta e macacão , ambos Chanel, e tênis Converse Foto: Thais Vandanezi

Uma semana após os resultados dos exames, a modelo iniciou o tratamento. Retirou uma parte considerável da mama, reconstruída na mesma cirurgia, e fez 14 sessões de quimioterapia. Para preservar ao máximo os cabelos, usou uma touca térmica que congela o couro cabeludo. “A partir de agora, minha missão é tentar desmistificar o câncer. Esse nome é pesado demais, e não significa uma sentença de morte. Muitas pessoas evitam ir ao médico ainda com aquela velha ideia de que ‘quem procura acha’. O diagnóstico precoce é determinante nessa batalha.”

Mãe da pequena Chloe, de 6 anos, Fernanda preferiu deixar a filha de fora. “Ela nunca soube o que estava acontecendo. A menina não precisa crescer com esse tipo de memória. Nos dias em que fazia o procedimento, antes de dormir, jantávamos juntos. Se estava um tiquinho cansada, simplesmente deitava e descansava. Não estou dizendo que sou a Mulher-Maravilha ou tirei o tratamento de letra. Foi dolorido, sim, tive problemas, mas tentei que fosse o menos dramático possível. Inclusive, continuei a trabalhar. Gravei a novela ‘Bom sucesso’ enquanto passava por esse processo.”

Blazer Balmain e bracelete Mariah Rovery Foto: Thais Vandanezi
Blazer Balmain e bracelete Mariah Rovery Foto: Thais Vandanezi

No começo deste mês, a top ganhou “alta” médica. A próxima consulta será em 2021. “Esse acompanhamento será necessário por alguns anos. Desde a primeira sessão de quimioterapia, eu tinha plena noção de que estava construindo minha cura. Não fiz um bolinho para celebrar a notícia. Lidei com a questão com praticidade e fé. Deus é maravilhoso e apenas comprovou o que já sabia internamente. Nesse sentido, a doença não me transformou. Só enalteceu alguns pontos. Também não fico olhando para a cicatriz que ficou no meu peito. Ela está lá como todas as outras que tenho espalhadas pelo corpo. Gosto de mirar o que vem por aí. Enfim, não quero que me vejam triste e sofrida porque essa não sou eu.”

E quem é Fernanda Motta? “Bem, nunca sonhei ser modelo. Fazia curso técnico de Edificações e pretendia ser arquiteta. Aos 16 anos, deixei minha terra natal, Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro), depois de muita insistência de um olheiro que me descobriu em Guarapari (município do Espírito Santo). Fui para São Paulo sem ter a mínima noção do que estava me esperando. Mas soube que ficaria no meio da moda para sempre quando fiz minha primeira foto”, relembra.

Diferentemente de outras meninas de sua geração, como Raquel Zimmermann e Isabeli Fontana, Fernanda não era uma presença nas grandes passarelas internacionais. Ganhou fama ao estrelar campanhas das marcas Rolex e Moët & Chandon. “Na verdade, direcionei meu nome para esses trabalhos mais comerciais, o que fez com que o mercado fashion me procurasse. Deu certo, e acabei sendo muito bem remunerada”, observa a top, que já foi considerada uma das modelos mais sexy do mundo pelo portal “Models.com” e apareceu nas páginas da “Sports Illustrated Swimsuit Issue”.

Paralelamente, a modelo construiu uma história na televisão. Apresentou o reality show “Brazil’s next top model” e o quadro “Dança da galera”, dentro do “Domingão do Faustão”. Participou também da novela “Totalmente demais”. “Não era um plano estar na TV, mas minha carreira é movida por oportunidades. Quando surge algo, paro e analiso o que estão me pedindo. Não aceito a proposta se percebo que não darei conta. Ah, acredita que vou rodar um filme de comédia assim que a pandemia terminar? Não sei nada ainda sobre o projeto, mas estou dentro. Quem não me conhece, não imagina o quanto sou palhaça no dia a dia”, diz ela, que toca nas redes sociais o programa “Conexão ReMotta”.

Jaqueta, vestido e tênis, todos Prada Foto: Thais Vandanezi
Jaqueta, vestido e tênis, todos Prada Foto: Thais Vandanezi

Longe dos olhos do público, Fernanda tem um casamento feliz com o empresário Roger Rodrigues há duas décadas — um dos mais longevos da indústria fashion. “Nossa relação é baseada em cumplicidade, respeito e companheirismo. Viajamos bastante, e o fator saudade é uma realidade. O que é até bom para sentirmos falta da pessoa. Isso acende a chama. Mas não é um bicho de sete cabeças, não! Nessa vida, tudo é possível. Basta querer. Só é um pouco impossível ganhar na loteria, porque já tentei e meus números nunca saíram.”

Styling:  Thiago Biagi. Edição de moda: Patricia Tremblais. Beleza: Patrick Guisso. Assistência de fotografia: Fernando Bentes. Produção de moda: Larissa Oliveira. Produção executiva: Matheus Martins. Ilustrações: @drawingzila. Tratamento de imagem: Stúdio Miqueias Souza.

Shere Hite, a mulher que ‘chocou o mundo’ há 40 anos perguntando a mulheres sobre orgasmo

Shere Hite protestou contra a propaganda que havia estrelado para pagar estudos
MARGARITA RODRÍGUEZ

Shere Hite foi uma figura controversa nos EUA nas décadas de 70 e 80 – BBC News/Santi Visalli/Getty Images

Imagine uma mulher loira atraente com olhos azuis e batom vermelho na frente de uma máquina de escrever.

A imagem era de um anúncio com um slogan que dizia: “A máquina de escrever que é tão inteligente que ela não tem que ser.”

Quando a jovem modelo concordou em participar da propaganda, desconhecia que essa seria a mensagem.

Na verdade, ela pensou que havia sido selecionada porque “datilograva muito bem”, lembrou Joan Smith, escritora britânica e ativista de direitos humanos.

Mas, no momento em que a jovem modelo viu o anúncio, ficou indignada e não foi a única.

Integrantes da Organização Nacional de Mulheres dos Estados Unidos se reuniram em frente aos escritórios da empresa de publicidade em Nova York.

Ela se juntou ao grupo e protestou contra a propaganda que havia estrelado para pagar seus estudos de pós-graduação em História Social na Universidade de Columbia, em Nova York, uma das mais renomadas dos EUA.

Era a década de 1970 e a modelo em questão se chamava Shere Hite.

Anos depois, Hite acabaria se tornando uma heroína do feminismo e seu livro revolucionaria os conceitos sobre a sexualidade feminina.

A BBC News Mundo relembra sua história após sua morte no último dia 9 de setembro, aos 77 anos.

Seu primeiro livro, "The Hite Report", foi publicado em 1976
Seu primeiro livro, “The Hite Report”, foi publicado em 1976 – BBC News/Getty Images

3.500 mulheres

Após o incidente do anúncio, Hite começou a participar de reuniões da Organização Nacional para Mulheres.

Em uma delas surgiu o tema orgasmo e uma das questões que gerou silêncio entre as participantes foi: todas as mulheres o experimentam?

Isso foi lembrado por Smith no artigo “Shere Hite: On female sexuality in the 21st century” (“Shere Hite: Sobre a sexualidade feminina no século 21”, em tradução livre para o português), publicado em 2006 no jornal britânico The Independent.

Alguém sugeriu a Hite que investigasse o assunto e ela aceitou o desafio.

Para isso, ela elaborou questionários sobre a vida sexual que foram respondidos, de forma anônima, por cerca de 3,5 mil mulheres nos Estados Unidos.

Não eram questões de múltipla escolha – as participantes podiam escrever abertamente sobre suas experiências sexuais.

Qual é a função do orgasmo feminino?

Assim nasceu o livro: “The Hite Report: Nationwide Study of Female Sexuality” (“O Relatório Hite: Um estudo nacional sobre Sexualidade Feminina”, em tradução livre para o português), que foi publicado em 1976 e que “quebrou tabus e escandalizou o mundo”, como Smith apontou.

A obra tornou-se um best-seller. Estima-se que 50 milhões de cópias foram vendidas em todo mundo.

“30 anos atrás, um livro de uma escritora americana desconhecida tomou o mundo de assalto. Sua autora, uma jovem estudante de graduação, havia desmascarado um dos grandes mitos sobre a sexualidade feminina: que a maioria das mulheres deveria ser capaz de atingir o orgasmo através da relação sexual”, escreveu Smith.

Manifestação do movimento pelos direitos das mulheres em Washington em 1970
Manifestação do movimento pelos direitos das mulheres em Washington em 1970 – BBC News/Don Carl Steffen/Gamma-Rapho Via Getty Images

“Credibilidade”

Jack Halberstam, professora de Estudos de Gênero do Instituto de Pesquisa sobre Mulheres, Gênero e Sexualidade da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, lembra que o livro de Hite surgiu em um momento em que o movimento pelos direitos das mulheres nos Estados Unidos ganhava força e mudanças começavam a ser observadas na sociedade.

Muitas mulheres se organizaram, por exemplo, para falar sobre o aborto; outras sobre comunidades lésbicas e relações patriarcais.

“O ‘Relatório Hite’ foi muito importante porque deu uma espécie de credibilidade científica às afirmações que as mulheres, especialmente as brancas heterossexuais, estavam fazendo sobre profunda insatisfação com suas vidas domésticas e com o casamento heterossexual”, diz Halberstam à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.

Segundo a especialista, as constatações do ‘Relatório Hite’ levaram a muitas discussões sobre a relação desigual de mulheres e homens no que diz respeito ao prazer em uma dinâmica heteronormativa, e “acho que uma das grandes revelações de sua obra foi que poucos mulheres relataram ter orgasmos” ao praticar sexo com penetração convencional.

É que mais de 70% das mulheres que participaram do estudo disseram que não conseguiam chegar ao orgasmo por meio do sexo com penetração e que precisavam de estimulação no clitóris para alcançá-lo.

Hite escreveu: “Os pesquisadores devem parar de dizer às mulheres o que elas devem sentir sexualmente e começar a perguntar como elas se sentem sexualmente”.

Milhares de mulheres nos Estados Unidos se organizaram para discutir questões que as afetavam não apenas do ponto de vista político e social, mas também sexualmente
Milhares de mulheres nos Estados Unidos se organizaram para discutir questões que as afetavam não apenas do ponto de vista político e social, mas também sexualmente – BBC News/Don Carl Steffen/Gamma-Rapho Via Getty Images

“Uma bomba”

Não é que o orgasmo feminino ou a sexualidade das mulheres não fossem temas discutidos antes, esclarece Halberstam.

Cada período da história teve uma narrativa diferente sobre o prazer feminino. Por exemplo, no século 16, este era considerado chave para a reprodução.

“Acreditava-se que uma mulher precisava ter um orgasmo para conceber um bebê. Porém, mais tarde, quando as pessoas perceberam que o orgasmo feminino não era necessário para a concepção, surgiu um novo conjunto de suposições sobre o prazer feminino que se fundiu com o estilo vitoriano”, diz Halberstam.

O que diferencia o livro de Hite é o contexto em que foi produzido.

“No cenário psicológico americano, a incapacidade de uma mulher de chegar ao clímax em um encontro heterossexual era entendida como seu fracasso, atribuído à sua frigidez ou talvez houvesse algo errado com ela fisicamente”, acrescenta Halberstam.

“Mas a obra de Hite mostrou que um grande número de mulheres não pode atingir facilmente o orgasmo em relacionamentos heterossexuais penetrativos. Essa foi uma grande bomba lançada sobre a sociedade americana.”

“Diria que foi um desafio para o ego masculino”, reflete a professora.

“Muitos homens pensavam que apenas estar lá levava as mulheres a paroxismos de alegria e prazer, mas estava muito claro que as mulheres relataram altos graus de insatisfação em suas vidas de casadas e isso foi impactante.”

Hite escreveu: “Muitos homens ainda parecem acreditar, de uma forma bastante ingênua e egocêntrica, que o que os faz se sentir bem é automaticamente o que faz as mulheres se sentirem bem.”

Luta pela igualdade de gênero nos Estados Unidos atraiu mulheres de diferentes grupos sociais
Luta pela igualdade de gênero nos Estados Unidos atraiu mulheres de diferentes grupos sociais – BBC News/Ann E. Zelle/Getty Images

‘A verdadeira revolução sexual’

Jornalista, escritora e pesquisadora britânica, Julie Binder participa, desde 1979, de campanhas de combate à violência contra mulheres e meninas.

Para ela, foi Hite quem, de muitas maneiras, “deu início à verdadeira revolução sexual para as mulheres”.

“Embora a revolução sexual dos anos 1960 tenha popularizado a pílula anticoncepcional, o que obviamente significou que as mulheres puderam evitar uma gravidez indesejada, e isso gerou um impacto enorme na vida delas, os homens saíram mais beneficiados desse processo, porque tiveram acesso desenfreado às mulheres”, argumenta Bindel.

“Por meio do estudo de Shere, ficamos sabendo que muitas mulheres, que usavam o risco de engravidar como desculpa para evitar o sexo com penetração, passaram a achá-lo doloroso, desagradável e nem um pouco estimulante”, acrescenta Bindel.

Quando Hite realizou seu estudo, percebeu que havia sexólogos homens que tendiam a analisar a sexualidade feminina sob uma perspectiva masculina.

“Eles achavam que se a mulher não gostava de penetração era porque ela tinha um problema, que poderia ser psicológico ou físico e que talvez justificasse o uso de um medicamento ou cirurgia”, diz Bindel.

Hite argumentou que isso não fazia sentido e que para as mulheres desfrutarem da sexualidade, deviam ter uma excitação sexual adequada.

“Dizia que a penetração não excitava as mulheres e que isso incomodava terrivelmente algumas pessoas”, explicou Hite ao jornal britânico The Guardian em uma entrevista em 2011.

Lésbicas também realizaram manifestações e debates em defesa dos direitos das mulheres nos Estados Unidos. Esta foto é de 1978
Lésbicas também realizaram manifestações e debates em defesa dos direitos das mulheres nos Estados Unidos. Esta foto é de 1978 – BBC News/Ann E. Zelle/Getty Images

“Um mundo de possibilidades”

Hite perguntou às mulheres sobre suas experiências com o orgasmo porque “as respostas sexuais das mulheres foram ignoradas” e havia sexólogos que insistiam que a maneira de encontrar prazer era através da penetração, explica Bindel.

O que Hite revelou em seu primeiro livro foi “o que as mulheres já sabiam”, mas sobre o que dificilmente se falava na época: a importância da estimulação clitoriana para atingir o orgasmo.

“Foi revolucionário porque permitiu que as mulheres falassem sobre assuntos que eram extremamente incômodos e até embaraçosos, porque nos disseram que não devíamos falar sobre sexo, mas que tínhamos de aguentar”, diz Bindel.

“Isso abriu um mundo de possibilidades para nós. Passamos a poder ter essas conversas sem nos sentirmos estranhas ou constrangendo as pessoas ao nosso redor”, acrescenta.

Na década de 1970, falar sobre masturbação era um tabu. Mas, para Hite, se tratava de um assunto fundamental, pois seu estudo mostrou a importância para as mulheres de encontrar prazer sexual em si mesmas.

“Ela não estava atacando os homens, mas tentando educar os dois sexos sobre os fatos biológicos por trás do prazer sexual”, disse Smith.

“Mas se sua insistência para que as mulheres fossem ouvidas foi inovadora, sua vinculação das relações sexuais aos direitos humanos, a ideia de que o que acontece durante as relações sexuais levanta questões de igualdade e justiça foi revolucionária”, acrescentou.

Grupo de manifestantes protesta contra concurso Miss Mundo nos Estados Unidos em dezembro de 1970
Grupo de manifestantes protesta contra concurso Miss Mundo nos Estados Unidos em dezembro de 1970 – BBC News/W. Breeze/Evening Standard/Getty Images

Elemento emocional

Bindel destaca que outro mérito de Hite é que ela convidou para a conversa não apenas mulheres com alto nível de escolaridade ou da elite social, mas também as da classe trabalhadora, aquelas que não tinham acesso aos debates nas universidades.

Em pesquisas subsequentes, a autora abordou o elemento emocional na sexualidade feminina, um tema que as mulheres também queriam discutir.

“Naquela época, o movimento de libertação das mulheres estava criando grupos nos quais as participantes expressavam que estavam sexualmente, emocionalmente e romanticamente insatisfeitas e que sentiam que os homens tendiam a não fazer um esforço para que se sentissem bem consigo mesmas e com o relacionamento”, diz a escritora.

Hite levou muitas mulheres a considerar que poderiam fazer exigências na esfera mais íntima e também a exercer controle sobre suas experiências sexuais: sua obra “libertou muitas mulheres da insatisfação”, diz Bindel.

A jornalista Katharine Q. Seelye, do jornal americano The New York Times, concorda.

“Para todas as mulheres que fingiram orgasmos durante a relação sexual, o ‘Relatório Hite’ ajudou a despertar seu poder sexual e foi visto como um avanço rápido na liberação feminina”, escreveu ela no obituário de Hite.

Líderes icônicas do movimento feminista, como Gloria Steinem (foto), e Barbara Ehrenreich defenderam Hite
Líderes icônicas do movimento feminista, como Gloria Steinem (foto), e Barbara Ehrenreich defenderam Hite – BBC News/Getty Images

Críticos

O livro de Hite foi, no entanto, duramente criticado por alguns setores da sociedade americana, que apontaram nele falhas metodológicas, como uma amostra pouco representativa das mulheres.

Mas as críticas não se restringiam à metodologia. Conservadores, sobretudo grupos religiosos, acusaram Hite de querer destruir a família e os relacionamentos.

A revista Playboy, para a qual ela posara uma vez, chamou sua obra de “The Hate Report” (“O Relatório do Ódio”, em tradução livre).

Outros disseram que ela deveria mudar seu nome para “Sheer Hype” (“Puro Hype”), um trocadilho com seu nome que sugeria que Hite estava apenas buscando se promover.

Alguns até disseram que ela odiava homens.

“Hite sofreu muitas críticas injustas, assédio e difamação”, lembra Bindel.

Feministas americanas importantes, como Gloria Steinem e Barbara Ehrenreich, vieram em sua defesa e denunciaram que os ataques contra ela eram fruto do machismo e contra o feminismo.

Hite acabou recebendo ameaças de morte e decidiu deixar os EUA.

Depois de deixar os Estados Unidos, Hite se estabeleceu na Europa. Ela morreu em Londres
Depois de deixar os Estados Unidos, Hite se estabeleceu na Europa. Ela morreu em Londres – BBC News/Yvonne Hemsey/Getty Images

Sobre homens

Apesar das críticas, ela seguiu adiante e, como aponta Bindel, mergulhou ainda mais em suas pesquisas.

Assim nasceu o livro: “The Hite Report on Men and Male Sexuality” (“O Relatório Hite sobre Homens e Sexualidade Masculina”), publicado em 1981, e no qual participaram mais de 7 mil homens.

Isso porque uma das abordagens de Hite era em que medida os homens também eram vítimas de pressupostos culturais.

“Os direitos humanos dos homens são ignorados ao dizermos a eles que eles sempre precisam ter uma ereção?”, questionou ela.

Em 1987, Hite lançou “Women and Love: A Cultural Revolution in Progress” (“Mulheres e Amor: Uma Revolução Cultural em Andamento”, em tradução livre).

“Um dia, ela aparecia no talk show de Oprah Winfrey (apresentadora de TV americana) e no dia seguinte, em frente a uma plateia lotada na Universidade de Oxford, na Inglaterra, oferecendo ao público uma rara entrada no santuário interno dos quartos de outras pessoas”, escreveu Emily Langer, repórter do jornal americano The Washington Post, em outro obituário de Hite.

Seus estudos continuaram a receber críticas por razões semelhantes: metodologias de pesquisa não rigorosas. Na verdade, alguns acadêmicos e cientistas sociais os chamaram de pseudociência.

Até o número muito limitado de entrevistados foi questionado.

“Em uma entrevista que fiz com ela, ela me lembrou que (Sigmund) Freud entrevistou apenas três mulheres como base para seu trabalho mais conhecido”, lembra Bindel.

Em 1995, Hite renunciou à cidadania americana e se estabeleceu na Europa.

Ela continuou a ser uma figura polêmica, mas vários especialistas concordam que Hite não só ajudou muitas mulheres a pensar sobre sua própria sexualidade, mas também mudou a perspectiva de alguns homens, talvez por isso, alguns também se lembrem dela como educadora sexual.BBC NEWS BRASIL

Paris prepara sua primeira estátua de uma heroína negra contra a escravidão

Solitude teve atuação emblemática na ilha francesa de Guadalupe no Caribe, no início do século XIX
AFP

A prefeita de Paris Anne Hidalgo posa ao lado de Jean-Marc Ayrault, presidente da Fundação para a Memória da Escravidão, durante a cerimônia de inauguração do “Jardim Solitude” que leva o nome de uma figura histórica e heroína na luta contra a escravidão na Guadalupe francesa Foto: BERTRAND GUAY / AFP

PARIS — A prefeita de Paris, a socialista Anne Hidalgo, inaugurou neste sábado um parque na capital francesa onde será instalada a primeira estátua de uma heroína negra que lutou contra a escravidão na ilha francesa de Guadalupe, no Caribe, no início do século XIX.

A mulher, chamada Solitude, foi uma “histórica heroína dos escravizados de Guadalupe (…), nascida em 1772” e “filha de uma escravizada africana e de um marinheiro branco”, segundo indica a Cidade de Paris em um comunicado.

Hidalgo afirmou que a estátua será instalada no jardim inaugurado em Paris, chamado Solitude em homenagem à “mulher que, por sua valentia e seu compromisso com a justiça e a dignidade, abriu junto com outros o caminho para uma abolição definitiva da escravidão na França”.

— Em breve, uma estátua desta heroína, a primeira de uma mulher negra em Paris, será colocada aqui neste parque — disse a prefeita.

Em maio de 1802, uma expedição francesa desembarcou em Guadalupe, seguindo ordens de Bonaparte, para restabelecer a escravidão abolida em 1794.

Diante das tropas francesas, a resistência se organizou, apoiada por ex-escravizados, entre eles várias mulheres e a própria Solitude, que se juntou aos combates mesmo grávida.

Solitude foi presa e condenada à morte. Em 29 de novembro de 1802, no dia seguinte a dar à luz, foi executada por enforcamento.

Photographer David Roemer for Nicole Benisti FW20 with Irina Shayk

Photography: David Roemer at Atelier Management.Fashion Stylist: Elizabeth Sulcer at La La Land Artists. Hair Stylist: Harry Josh. Makeup: Tatyana Makarova at Statement Artists Model: Irina Shayk at The Lions.

Resident Evil: Infinite Darkness | Novo série animada ganha trailer pela Netflix

Projeto trará Claire Redfield e Leon S. Kennedy
ARTHUR ELOI

Netflix divulgou o primeiro trailer de Resident Evil: Infinite Darkness (ou Resident Evil: No Escuro Absoluto no Brasil), nova série animada da franquia de games da CAPCOM. A prévia traz Claire Redfield e Leon S. Kennedy, personagens clássicos dos jogos. Veja abaixo.

Detalhes sobre o seriado ainda não foram divulgados, com a sinopse apenas descrevendo como “uma série de terror com um toque de ficção científica“. O trailer foi liberado antes da hora pela Netflix Portugal, mas o projeto foi oficialmente confirmado no dia seguinte, durante a transmissão da CAPCOM na Tokyo Game Show. Após a oficialização, a Netflix também liberou pôster do seriado.

Resident Evil: Infinite Darkness estreia na Netflix em 2021. Além disso, a plataforma também trabalha em uma série live-action da franquia.

Atsushi Nakashima | Spring Summer 2021 | Digital

Atsushi Nakashima | Spring Summer 2021 | Digital Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – MFW/Milan Fashion Week)

As flores do fim de semana de Milão

A primavera chegou no Hemisfério Sul e por aqui comemoramos com os looks florais mais inspiradores do fim de semana durante a temporada de moda de Milão Verão 2021
MARIE CLAIRE

Semana de moda de Milão: Moschino (Foto: Divulgação )
Semana de moda de Milão: Moschino (Foto: Divulgação)

O fim de semana foi florido durante a temporada Primavera/Verão 2021 de Milão. As principais marcas que passaram pelas passarelas, de alguma maneira, lançou mão da estampa floral em seus looks. Longe da explosão de cores e dos traços intensos associados à estação florida, o que surgiu nas coleções foram tom lavados, suaves, apresentando formas delicadas e até mesmo difusas.

– Emilio Pucci

Semana de moda de Milão: Emilio Pucci (Foto: Divulgação )
Semana de moda de Milão: Emilio Pucci (Foto: Divulgação)

– Giorgio Armani

Semana de moda de Milão: Giorgio Armani (Foto: Divulgação )
Semana de moda de Milão: Giorgio Armani (Foto: Divulgação)

– Valentino

Semana de moda de Milão: Valentino (Foto:  )
Semana de moda de Milão: Valentino (Foto: Divulgação)


– Ferragamo

Semana de moda de Milão: Ferragamo (Foto: Divulgação )
Semana de moda de Milão: Ferragamo (Foto: Divulgação)

– Moschino

Semana de moda de Milão: Moschino (Foto: Divulgação )
Semana de moda de Milão: Moschino (Foto: Divulgação )