‘The Boys in the Band’ disseca angústias do que era ser gay na era pré-Stonewall

Peça ganha nova versão para o cinema, depois de um revival bem-sucedido na Broadway
Leonardo Sanchez

Escrita por Mart Crowley, “The Boys in the Band” é uma peça americana que se firmou como um dos produtos culturais pioneiros no retrato da homossexualidade de forma naturalizada e sem julgamentos. Dois anos depois, a trama virou filme e repetiu no cinema o ineditismo que já havia alcançado no teatro, pelas mãos de William Friedkin.

Agora, “The Boys in the Band” ganha uma nova leitura, com atualizações nas entrelinhas, para tempos em que a homossexualidade convive livre e diariamente com as pessoas em boa parte do mundo.

Dirigido pelo ator-diretor Joe Mantello e produzido por Ryan Murphy, o longa estreia na Netflix nesta quarta-feira e, neste caso também, dois anos depois de uma montagem da peça, agora na Broadway, vencedora do Tony de melhor revival.

O pavor inicial que ele sentiu ainda jovem, ao descobrir “The Boys in the Band”, tem muita relação com a maneira como a peça e o filme originais foram recebidos pela comunidade gay. Se, por um lado, as obras eram um aceno sincero e bem-intencionado a ela, por outro, escancaravam os problemas trazidos pela marginalização de ser gay na Nova York dos anos 1960 —e para isso se apoiavam em personagens que não gostavam de sua homossexualidade.

“Hoje nós temos o luxo de olhar para a trama a partir de uma perspectiva histórica. Nós sabemos que um ano depois da estreia da peça Stonewall aconteceria”, ele diz, lembrando a revolta no bar de Nova York que detonou o movimento por direitos LGBT nos Estados Unidos. “Então hoje nós podemos contextualizar a raiva e a aversão que estão borbulhando na sala onde a história se passa. Eu acho que, quando a peça e o filme originais saíram, as pessoas não tinham essa visão, então de fato eles pareciam muito desoladores.”

Os personagens da peça se reúnem no apartamento de Michael, que mais tarde naquela noite recebe a visita inesperada de um colega da faculdade, que não sabe de sua homossexualidade. Michael faz de tudo para esconder esse seu lado, aflorando os nervos de todos e causando uma explosão de angústias e sentimentos reprimidos por ele.

Cena da versão de 1970 do filme “The Boys in the Band” – Divulgação

Seu colega de elenco de palco e de tela, Zachary Quinto, concorda. “O que aconteceu foi que o Mart Crowley capturou um momento muito específico na história sem saber que o estava fazendo. Esse é o último vislumbre de um tempo em que os gays eram isolados, alienados, marginalizados, perseguidos e processados pelo que eram, e isso estava prestes a mudar drasticamente.”

O olhar diferente que surge nesta releitura é sutil. Os diálogos e as dinâmicas entre os personagens do filme de 1970 e desta nova versão são praticamente iguais. Segundo Mantello, o diretor, não havia motivo para fazer uma ampla atualização —o que realmente importa é a maneira como os gays e a sociedade no geral se relacionam com a trama 50 anos depois.

“Essa é uma história específica, de um tempo específico. Se fizéssemos algum tipo de atualização, isso afetaria todo o funcionamento daquele grupo. Por outro lado, na versão do Friedkin, que é hétero, você tinha metade do elenco formado por homossexuais, mas que tinham que ficar no armário. Agora, nós olhamos para ‘The Boys in the Band’ como um grupo total e abertamente gay —elenco, direção e produção— e vemos como isso afeta o material”, afirma o diretor.

“Ainda há muito progresso a ser feito, mas estamos em um mundo diferente. Se esses homens estivessem vivendo em Nova York este ano —quer dizer, em qualquer ano recente e sem uma pandemia—, eles teriam muito mais facilidade para sonharem, aceitarem o amor, serem felizes e serem pessoas mais saudáveis”, acrescenta Parsons.

Também repetindo o papel da Broadway nesta nova versão cinematográfica, Matt Bomer diz que chegou a se encontrar com William Friedkin quando foi convidado para integrar o elenco. Mesmo que o cineasta não seja homossexual, deu ao ator “ótimas visões do que estava acontecendo nos Estados Unidos” na época do lançamento do primeiro longa.

“Mesmo hoje ‘The Boys in the Band’ não pode deixar de ser uma peça política. Não há como ver essas histórias, principalmente nos anos 1960 e 1970, e não perceber que aqueles homens estão sofrendo por causa da opressão, não pensar que algo precisa mudar. Esses homens estão condenados a repetir aquela noite para sempre até que algo mude. Então é importante entender de onde nós, enquanto homossexuais, viemos e o quão longe chegamos”, diz Bomer.

Quem estiver familiarizado com o filme de 1970 vai perceber que, de fato, os novos tempos e a equipe quase toda gay da produção dão certo frescor à fatídica e desastrosa noite na qual a história se passa. Mantello reluta em dizer que essa é uma visão mais positiva do futuro que aguarda aqueles personagens, mas destaca que seria impossível o filme não refletir os tempos menos hostis e mais inclusivos de agora.

“Eu acredito que essa peça é um clássico americano e eu acho —e espero— que em 50 anos outro grupo de artistas possa olhar para ela pelas lentes do novo mundo que estará existindo até lá.”

THE BOYS IN THE BAND
Quando Estreia nesta quarta (30) na Netflix
Classificação 16 anos
Elenco Jim Parsons, Zachary Quinto e Matt Bomer
Produção EUA, 2020
Direção Joe Mantello

Street Style: as microbolsas são hit em Milão

As it-bolsas que ganharam versão micro chegaram com tudo às ruas de Milão durante a semana de moda Verão 2021
MARIE CLAIRE

Streetstyle Milão: microbolsas, Lois Opoku  (Foto: Getty Images)
Streetstyle Milão: microbolsas, Lois Opoku (Foto: Getty Images)

Durante o vaivém da Semana de Moda de Milão, que termina nesta segunda, dia 28, a tendência que mais chamou atenção entre os convidados dos desfiles foram as microbolsas. São versões bem pequenas das bolsas clássicas de grandes maisons. É quase uma brincadeira de estilo, já que elas carregam muito pouca coisa (um batom e um cartão de crédito, talvez) – mas abrem espaço para a criatividade e até para criar combos de duas bolsas ao mesmo tempo.

 Tamara Kalinic: Cannes Micro Bag, Louis Vuitton

Streetstyle Milão: microbolsas, Tamara Kalinic (Foto: Getty Images)
Streetstyle Milão: microbolsas, Tamara Kalinic (Foto: Getty Images)

– Jacqueline Zelwis: Mini Arlettis, Coccinelle

Streetstyle Milão: microbolsas, Jacqueline Zelwis  (Foto: Getty Images)
Streetstyle Milão: microbolsas, Jacqueline Zelwis (Foto: Getty Images)

– Tamara Kalinic: Transparent PVC mini Baguette + Peekaboo, Fendi

Streetstyle Milão: microbolsas, Tamara Kalinic (Foto: Getty Images)
Streetstyle Milão: microbolsas, Tamara Kalinic (Foto: Getty Images)

– Caroline Caro Daur: Frenesia Baguette, Fendi

Streetstyle Milão: microbolsas, Caroline Caro Daur  (Foto: Getty Images)
Streetstyle Milão: microbolsas, Caroline Caro Daur (Foto: Getty Images)

– Niki Wu: Mini Sylvie, Gucci

Streetstyle Milão: microbolsas, Niki Wu (Foto: Getty Images)
Streetstyle Milão: microbolsas, Niki Wu (Foto: Getty Images)

– Veronica Ferraro: Kelly Mini Bag, Hermés

Streetstyle Milão: microbolsas,  (Foto: Getty Images)
Streetstyle Milão: microbolsas, Veronica Ferraro (Foto: Getty Images)

10 itens para levar mais cor para sua cozinha

Aparelhos e utensílios coloridos podem ser elemento de destaque no ambiente ou compor um visual mais divertido

10 itens para levar mais cor para sua cozinha (Foto: Reprodução/Amazon)

Até alguns anos atrás, as marcas costumavam ser mais tímidas no design e na cor dos eletroportáteis e utensílios de cozinha. O padrão era tudo no branco, no inox ou, no máximo, preto.

Ainda bem que isso vem mudando e já é possível encontrar diversos aparelhos e utensílios coloridos. Na organização da cozinha, uma peça com cor forte pode ser um elemento de destaque; ou vários itens coloridos podem ajudar a compor um visual mais divertido.

Para isso, Casa Vogue separou dez itens para você levar um pouco de cor para sua cozinha.

10 itens para levar mais cor para sua cozinha (Foto: Reprodução/Amazon)
Batedeira vermelha Kitchenaid, cafeteira verde Delta Q e Nespresso creme (Foto: Reprodução/Amazon)

Batedeira Stand Mixer Artisan Kea33cv Empire Red, Kitchenaid
Batedeira planetária com alta potência para quem prepara massas, bolos e outros. Tem corpo robusto em metal, em um vermelho que a marca chama de Empire Red, e tigela em aço inox. R$ 2.299,90

Máquina de Café QLIP, Delta Q
Máquina exclusiva para cápsulas Delta Q, com design compacto e bastante personalidade, ainda mais nesse tom de verde. Conta com 19 bar de pressão, o que faz um espresso mais cremoso. R$ 249,00

Cafeteira Inissia Cream, Nespresso
Uma dos clássicos modelos de cafeteira da Nespresso, essa versão está disponível nesse tom lindo de creme. Prepara espresso de 40 ml e café longo de 110 ml. Também tem 19 bar de pressão, o que promete extrair o café perfeito das cápsulas. R$ 479,00

10 itens para levar mais cor para sua cozinha (Foto: Reprodução/Amazon)
Chaleira elétrica vermelha, chaleira Le Creuset laranja, pipoqueira amarela e chaleira rose gold (Foto: Reprodução/Amazon)


Chaleira Elétrica Cherry Semp Vermelho
Chaleira com 1,7 litro de capacidade, com desligamento automático quando a água atinge o ponto ideal de fervura. Feita em aço inox no tom vermelho cereja. R$ 129,90

Chaleira Tradicional com Apito Laranja, Le Creuset
Peça tradicional da Le Creuset em tons de laranja. Feita em aço carbono, que tem eficiente absorção de calor sem deformar, e com acabamento em esmalte vítreo. R$ 521,77

Pipoqueira de Tigela Sem Óleo Amarelo, Multilaser
Promete pipoca pronta e quentinha em dois minutos, feita sem óleo. A pipoqueira tem saídas de vapor para que a umidade não tire a crocância das pipocas. Uma peça amarela para ficar à vista na sua cozinha. R$ 132,20

Chaleira de Cerâmica Colonial 1,7 Litro Rose Gold, Ceraflame
Chaleira feita em cerâmica refratária e acabamento a mão, na cor rose gold. Promete economizar 30% do tempo de fervura e manter a temperatura de forma mais duradoura. R$ 230,89

10 itens para levar mais cor para sua cozinha (Foto: Reprodução/Amazon)
Torradeira vinho, jogo de panelas azuis e liquidificador cobre (Foto: Reprodução/Amazon)

Tostador Metálico, Black & Decker
Tem funções aquecer, tostar e descongelar, com abertura feita para fatias mais largas. São sete níveis de temperatura e acabamento metálico em tom vinho. R$ 190,05

Liquidificador Osterizer Clássico Cobre, Oster
Liquidificador clássico Oster na cor vermelha, com jarra de vidro refratário e resistente, que pode ir à lava-louças. Tem 600 watts de potência e três velocidades. R$ 362,88

Conjunto de Panelas Casa Ambiente, 7 Peças, Genebra
Para finalizar, um conjunto de panelas coloridas, com revestimento em cerâmica e tampas em vidro temperado. Conjunto conta com leiteira, panela 16 cm, panela 18 cm, caçarolas 20 cm, 22 cm e 24 cm e frigideira. R$ 298,00

ONDE COMPRAR

Escândalo na moda: ex-diretor Gérald Marie da agência de modelos Elite na França é acusado de estupro de menores

Justiça francesa abriu processo após acusações de ex-modelos. Casos envolvendo Gérald Marie começaram ainda nos anos 1980.
Por RFI

Foto de setembro de 2001 mostra Gérald Marie com modelos da Elite Model — Foto: Pascal Guyot/AFP

A justiça francesa abriu uma investigação por estupro de menores contra Gérald Marie, ex-diretor da agência de modelos Elite na Europa. O processo foi lançado após acusações de ex-modelos e de uma jornalista da BBC, informou a Promotoria de Paris.

Fashion Week de Paris começou nesta segunda-feira (28). Mas o assunto que está nos jornais do dia não é o que acontece nas passarelas, e sim um escândalo envolvendo os bastidores da indústria da moda datando dos anos 1980. Uma investigação por “estupro e agressão sexual” e “estupro e agressão sexual a menor” foi aberta contra um dos grandes nomes dos tempos áureos das top models.

Gérald Marie, de 70 anos, é atualmente diretor da agência Oui management. Mas antes disso, ele foi o chefe histórico para a Europa da agência Elite, a maior do mundo, criada em 1971 em Paris por John Casablancas e Alain Kittler, e que ficou conhecida por ter ter representado algumas das modelos mais famosas das passarelas, como Naomi Campbell, Claudia Schiffer ou Cindy Crawford.

O ex-diretor da agência, que foi casado com a top model Linda Evangelista, é alvo de três acusações, uma por agressão sexual e três por estupro. Uma das supostas vítimas é a ex-jornalista da BBC Lisa Brinkworth. Ela afirma que uma noite em outubro de 1998, Gérald Marie, com quem ela foi a uma boate, “sentou-se sobre ela” e “começou a colocar seu pênis na parte inferior de seu abdômen”.

A jornalista havia se infiltrado na indústria da moda como modelo para investigar a questão do “comportamento sexual impróprio de alguns agentes” para um documentário da BBC. Após a divulgação do filme, a Elite anunciou a demissão de dois de seus executivos, incluindo Marie. Mas ambos recuperaram seus cargos alguns dias depois e apresentaram uma denúncia por difamação contra a BBC e o jornalista estrela do programa em que foi divulgado, Donal MacIntyre.

Questionado sobre este escândalo em um programa da televisão francesa em 1999, Gérald Marie negou as acusações. As denúncias poderiam ter prescrito, mas Anne-Claire Lejeune, advogada da ex-jornalista, mencionou a existência de um acordo assinado então entre a BBC e Elite, após a denúncia por difamação, segundo o qual Brinkworth não falaria sobre a suposta agressão. Isso “deveria possibilitar a suspensão do prazo de prescrição”, disse a advogada.

Uma das supostas vítimas tinha 17 anos

Foto de novembro de 2004 com Gérald Marie, presidente do Elite Model Group — Foto: Liu Jin/AFP
Foto de novembro de 2004 com Gérald Marie, presidente do Elite Model Group — Foto: Liu Jin/AFP

Além da ex-jornalista, outras três ex-modelos o acusam de estupro em Paris. A americana Jill Dodd afirma ter sido estuprada por Marie em 1980, quando tinha 19 anos; outra americana, Carre Sutton, diz ter sofrido “inúmeros” estupros por parte do ex-chefe da Elite em 1986, quando tinha 17 anos; assim como a sueca Ebba Karlsson, nascida em 1969, que denuncia um estupro em 1990.

A AFP tentou, sem sucesso, entrar em contato com o advogado de Marie. Este último disse ao jornal Sunday Times no sábado que “nega categoricamente” as acusações.

“Espero que esta investigação permita que outras tenham a coragem de falar”, disse a advogada Anne-Claire Lejeune ao Repórteres sem Fronteiras. É um primeiro passo encorajador e um alívio para as vítimas”, acrescentou.

Caso Epstein abriu a porta para novas denúncias

Jeffrey Epstein, preso por crimes sexuais, em fotografia tirada pela Divisão criminal de justiça de Nova York — Foto: New York State Division of Criminal Justice Services/Handout/File Photo via REUTERS
Jeffrey Epstein, preso por crimes sexuais, em fotografia tirada pela Divisão criminal de justiça de Nova York — Foto: New York State Division of Criminal Justice Services/Handout/File Photo via REUTERS

O mundo da moda na França já foi abalado em 2019 pela investigação nos Estados Unidos sobre o famoso empresário Jeffrey Epstein, que morreu em julho de 2019 acusado de abusar sexualmente de dezenas de menores. Dentro deste caso, foi aberta uma investigação na França que deu início a uma convocação de depoimentos.

No centro da investigação está o francês Jean-Luc Brunel, fundador das agências de modelos Karin Models e MC2 Model Management, acusado de “estupro” e “agressão sexual”.

(Com informações da AFP)

Chadwick Boseman cortou próprio salário para Sienna Miller receber valor justo no filme Crime Sem Saída

By Ben Travis | Posted 28 Sep 2020

Actors: Chadwick Boseman and Sienna Miller

À medida que o mundo do entretenimento aceita o falecimento prematuro de Chadwick Boseman – que travou uma batalha privada contra o câncer de cólon por quatro anos antes de falecer em agosto – a nova edição da Empire homenageia o ator icônico, olhando para trás em seu trabalho e legado, e falando com aqueles que trabalharam com ele ao longo dos anos. Entre eles está Sienna Miller, que estrelou ao lado de Boseman no thriller policial do ano passado, 21 Bridges – e como produtor do filme, Boseman foi fundamental na escalação de Miller para o papel do detetive Frankie Burns.

“Ele produziu 21 Bridges e foi muito ativo tentando fazer com que eu fizesse isso”, disse Miller ao Empire. “Ele era um fã do meu trabalho, o que era emocionante, porque era retribuído de mim para ele, dez vezes. Então ele me abordou para fazer isso, me ofereceu esse filme, e foi em um momento que eu realmente não queria mais trabalhar. Eu trabalhava sem parar e estava exausta, mas queria trabalhar com ele. ”

21 Bridges

Além de perseguir Miller para o filme, Boseman foi além: lutando para que sua co-estrela recebesse um pacote de pagamento maior por ingressar na produção, a ponto de doar parte de seu próprio salário para aumentar os honorários dela. “Eu não sabia se contava ou não essa história, e ainda não. Mas vou contar, porque acho que é uma prova de quem ele era ”, diz Miller. “Este foi um filme de orçamento muito grande, e eu sei que todo mundo entende a disparidade salarial em Hollywood, mas pedi um número que o estúdio não iria conseguir. E porque eu estava hesitante em voltar ao trabalho e minha filha estava começando a estudar e era um momento inconveniente, eu disse: ‘Eu farei isso se for recompensado da maneira certa.’ E Chadwick acabou doando parte de seu salário para me levar ao número que eu havia pedido. Ele disse que era isso que eu merecia ser pago. ”

Para Miller, a generosidade e o apoio de Boseman eram sem precedentes na indústria. “Foi a coisa mais surpreendente que já experimentei”, diz ela. “Esse tipo de coisa simplesmente não acontece. Ele disse: ‘Você está recebendo o que merece e o que vale.’ É simplesmente incompreensível imaginar outro homem naquela cidade se comportando de maneira tão graciosa ou respeitosa. Depois disso, contei essa história a outros atores meus amigos do sexo masculino e todos eles ficaram muito quietos e voltaram para casa e provavelmente tiveram que sentar e pensar sobre as coisas por um tempo. Mas não houve ostentação, foi: ‘Claro que vou levá-lo a esse número, porque é isso que você deve receber.’ ”

Empire November 2020 – Chadwick Boseman cover

Read Miller’s full remembrance of Chadwick Boseman in the new issue of Empire, on sale Thursday 1 October and available to pre-order online here.

Juiz suspende decisão de Trump e TikTok continua funcionando nos EUA

O Juiz Carl Nichols decidiu em audiência neste domingo que o TikTok pode continuar disponível nas lojas de aplicativos da Apple e do Google temporariamente; imbróglio da negociação do app nos EUA continua
Por Agências – Reuters

A audiência foi convocada para a manhã deste domingo, 27, para decidir sobre prazos e ações a respeito do possível banimento do TikTok 

Uma decisão judicial em Washington, Estados Unidos, suspendeu neste domingo, 27, uma ordem do governo de Donald Trump que pretendia banir o aplicativo de vídeos TikTok de lojas de aplicativos nos Estados Unidos a partir desta semana — com a medida, usuários americanos não poderiam fazer novos dowloads do app e nem atualizar a plataforma.

O juiz americano Carl Nichols concedeu uma liminar solicitada pela chinesa ByteDance, proprietária do TikTok, para permitir que o aplicativo permanecesse disponível nas lojas de aplicativos dos EUA, mas se recusou a bloquear “por enquanto” restrições adicionais do Departamento de Comércio, previstas para entrarem em vigor em 12 de novembro, que de fato tornariam o aplicativo impossível de ser usado nos Estados Unidos.

Paralelamente à discussão sobre o banimento do TikTok de lojas de apps, a chinesa ByteDance está negociando uma parceria com companhias americanas, para garantir que sua operação continue nos EUA. A empresa informou que chegou a um acordo preliminar para que o Walmart e a Oracle adquiram ações no aplicativo de compartilhamento de vídeos, mas os termos exatos do acordo permanecem obscuros.

Em 20 de setembro, uma juíza da Califórnia emitiu uma liminar que impediu ordem semelhante de entrar em vigor contra o aplicativo de mensagens WeChat, da chinesa Tencent. O Departamento de Justiça pediu ao juiz para permitir que a proibição entre em vigor enquanto se aguarda recurso.

O TikTok disse que as restrições, em meio às crescentes tensões entre EUA e China sob a administração Trump, “não foram motivadas por uma preocupação genuína com a segurança nacional, mas sim por questões políticas relativas às próximas eleições presidenciais”.

ByteDance, Walmart e Oracle já haviam dito que o acordo entre eles permitiria que o TikTok continue operando nos Estados Unidos. Mas autoridades americanas expressaram sérias preocupações de que, nos moldes do acordo proposto, os dados pessoais de até 100 milhões de americanos que usam o app continuem sob controle chinês.

A ByteDance disse que seu acordo com a Oracle e o Walmart envolverá a criação de uma empresa americana autônoma e não implicará em qualquer transferência de tecnologia, permitindo ainda que a Oracle possa inspecionar o código-fonte do TikTok nos EUA.

A empresa também disse que o acordo precisa da aprovação da China e também de uma aprovação formal do Comitê de Investimento Estrangeiro dos Estados Unidos.

Uber recebe licença de 18 meses para operar em Londres

O Uber perdeu sua licença de operação na cidade no ano passado, após reguladores detectarem um “padrão de erros” de segurança no app

Londres é o maior mercado do Uber na Europa

O aplicativo de transporte Uber conseguiu retomar a licença para operar em Londres nesta segunda-feira, 28, após um juiz revogar a proibição do app — foi concedida uma nova licença de 18 meses. 

Ao anunciar sua decisão, o juiz Tan Ikram, da corte de magistrados de Londres, afirmou que a empresa é hoje uma operadora adequada de transporte apesar de problemas “históricos”. Ele disse também que tinha “confiança suficiente” de que o Uber “não representa mais um risco para a segurança pública”.

Em um comunicado nesta segunda, a companhia afirmou que a decisão é “um reconhecimento do compromisso do Uber com a segurança” e acrescentou que “não há nada mais importante do que a segurança das pessoas que usam o aplicativo”.

O Uber perdeu sua licença de operação em Londres no ano passado, após reguladores detectarem um “padrão de erros” de segurança na empresa. O Transport for London (TfL), órgão regulador de transporte da cidade, disse à época que uma mudança no sistema da companhia permitiu que motoristas não autorizados carregassem suas fotos nas contas de outros motoristas, comprometendo a segurança do app. 

A cidade de Londres é o maior mercado do Uber na Europa. A empresa acumulou cerca de 3,5 milhões de usuários e 45 mil motoristas na capital do Reino Unido desde o lançamento em 2012./ COM REUTERS

Debora Diniz: ‘A criminalização do aborto mata, persegue e não reconhece a capacidade de escolha das mulheres’

No Dia de Luta pela Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe, a antropóloga Debora Diniz, uma das principais pesquisadoras do tema no Brasil, celebra o movimento de mulheres latinoamericanas como o ‘mais vibrante do mundo’ e acredita que a resposta ao autoritarismo que ganha força na região ‘virá do feminismo’

Debora Diniz pesquisa o aborto no Brasil há 25 anos Foto: Arquivo Pessoal

aborto não saiu do debate público desde que o caso da menina do Espírito Santo, grávida aos 10 anos de idade após ser estuprada por um tio, veio à tona no mês passado. A pressão sofrida pela criança para manter a gravidez, mesmo tendo o direito legal de interrompê-la, e as cenas de extremistas religiosos em frente ao hospital onde ela seria atendida a chamando de assassina geraram revolta.

Pouco tempo depois, a mobilização se voltou para a uma portaria editada pelo Ministério da Saúde que dificultava o acesso ao aborto legal em caso de estupro ao obrigar os profissionais de saúde a notificarem à polícia ao acolher mulheres vítimas de violência sexual e a informarem a gestante sobre a possibilidade de visualização do feto por meio de ultrassonografia.

A medida foi imediatamente repudiada por uma série de especialistas em direitos reprodutivos e representantes do movimento de mulheres, e a pressão para que o governo recuasse fez o tema chegar até o Supremo Tribunal Federal, que avaliaria a constitucionalidade das novas regras na última sexta-feira (25). O julgamento acabou sendo adiado após o governo reeditar, na véspera, o texto da portaria.

Na nova redação, foi retirado o trecho sobre a visualização do feto, mas o ponto mais controverso permaneceu: apesar de retirar a palavra “obrigatoriedade”, a nova portaria ainda diz que os profissionais da saúde “deverão” denunciar o caso à polícia, independentemente da vontade da vítima.

Para a antropóloga Debora Diniz, que há 25 anos faz pesquisas sobre o aborto no Brasil e defende que o tema seja tratado como questão de saúde pública, a portaria foi usada como “termômetro” pelo bolsonarismo.

— É importante assinalar que esse processo serviu como termômetro de até onde o bolsonarismo poderia ir com aquilo que sempre foi sua força motriz, que é a perseguição ao tema do aborto e das questões de gênero — diz a pesquisadora, que desde 2018 vive fora do Brasil em função das ameaças de morte que passou a receber depois de apresentar os dados de sua pesquisa sobre aborto e defender a descriminalização do procedimento em audiência pública no STF, também naquele ano.

Conversei com Debora em duas ocasiões. A primeira em 31 de outubro, por Skype. Ao longo de uma hora, a pesquisadora falou sobre o debate em torno do aborto no Brasil, o movimento de mulheres na América Latina, a atuação de Damares Alves à frente do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e a crise gerada para as mulheres com a pandemia de Covid-19 (a primeira parte da entrevista foi publicada em 4 de setembro).

Para ela, não é possível dissociar a defesa da descriminalização do aborto da luta feminista. A antropóloga vê com bons olhos o fortalecimento da mobilização de mulheres na América Latina, acredita que os movimentos feministas da região vivem um momento de “revigoramento” e acredita que os valores feministas serão fundamentais no futuro pós-pandemia.

—  A pandemia nos mostrou que não vivemos sem cuidar, sem assumirmos nossa interdependência. E isso é um valor feminista, porque é um valor sobre a vida das mulheres — afirma a antropóloga.

Na última sexta-feira (25), voltei a falar com Diniz para saber como ela avaliava as últimas mudanças feitas na portaria do Ministério da Saúde e o que pensava sobre a posição de Damares Alves, que durante entrevista ao jornalista Pedro Bial, também na semana passada, defendeu que a menina do Espírito Santo deveria ter mantido a gravidez por mais duas semanas para ser submetida a uma cesárea, ao invés de ter feito o aborto. Confira os principais trechos:

Feminismo e descriminalização do aborto

“Um grande problema de quando você tem cabelo branco é que você se torna quem define algo. Eu não estou aqui para definir o que o feminismo pode ou não fazer e ser. Mas eu defendo um feminismo inclusivo que não use a lei penal contra necessidades de saúde das mulheres. Eu não acredito que possa existir, na diversidade dos feminismos, uma variação sobre uma das questões centrais, como aborto. Podemos elencar outras. Mas me sinto segura sobre aborto e sobre a violência contra as mulheres. Não há um feminismo que não lute contra o fim da violência contra as mulheres e meninas, que naturalize ou que chame dilema, porque as mulheres não conseguem sair ou porque acabam retornando a situações violentas. Eu tenho outras explicações para esses fenômenos ao invés de chamá-los de dilemas. Da mesma forma com o aborto.

A criminalização do aborto mata, persegue e não reconhece um dos valores centrais do feminismo que é a capacidade de as mulheres fazerem suas escolhas sobre quando ser mãe, como ser mãe e como cuidar dos seus filhos, mas também de não usar a lei penal para persegui-las e a força do Estado para transformá-las em criminosas. Eu não posso imaginar nenhum feminismo na sua pluralidade que não reconheça o direito de cidadania e dignidade das mulheres. Eu não queria jamais que fosse a minha cabeça branca a dizer ‘é isso que é o feminismo.’ Mas teria muitas dificuldades de reconhecer no tema da violência contra mulher e do aborto qualquer forma de relativismo, porque o dilema é relativizar, é não assumir que há absolutos no feminismo. E eu defendo que sim, há absolutos.”

A discussão sobre o aborto

“A violência contra mulher já não é mais tão relativizada, mas o aborto ainda é porque a narrativa patriarcal ainda é hegemônica para definir as perguntas. Nós íamos a debates em que as pessoas perguntavam quando a vida humana tem início. Eu paro e me pergunto: porque eu preciso responder a essa pergunta, que nem a ciência sabe, para explicar porque uma mulher não deve ser presa por aborto? Eu estou tentando olhar o real e determinar que perguntas importam para prender, perseguir e matar mulheres. É uma pergunta filosófica e metafísica? Ou é uma pergunta sobre dignidade, cidadania e equidade? Nós ainda não fomos capazes de reescrever as perguntas que importam para a cena pública.” [Leda Antunes]