Paulo e Bernardo Jacobsen lançam livro de luxo com seus projetos arquitetônicos

Dupla responsável pelo MAR apresentam casas com ‘modernismo tropical’
Suzete Aché

Paulo e Bernardo Jacobsen lançam livro “Casa tropical” Foto: Leo Aversa

Foi uma feliz coincidência o lançamento do livro “Casa Tropical — Houses by Jacobsen Arquitetura” e a proximidade da comemoração dos dez anos (em 2021) de parceria entre Paulo e Bernardo Jacobsen. Pai e filho se dividem no comando dos escritórios no Rio, São Paulo e Lisboa, sendo a capital portuguesa um hub para as obras que fazem pelo mundo. O livro, editado pela inglesa Thames & Hudson, referência na bibliografia de arquitetura e design, mostra 25 residências projetadas na última década, com texto do jornalista americano Philip Jodidio: “O escritório estabeleceu sua própria versão da arquitetura brasileira por meio da reapropriação do modernismo que dialoga com suas raízes coloniais e indígenas”, define. É a primeira vez que a editora publica trabalhos de arquitetos brasileiros.

Uma das casas retratadas no livro "Casa Tropical" Foto: FG+SH
Uma das casas retratadas no livro “Casa Tropical” Foto: FG+SH

Há dois anos, Paulo recebeu o convite. “Procurei não interferir muito na escolha dos projetos. O resultado é uma visão bem europeia da arquitetura tropical, um olhar estrangeiro”, observa ele. Com 256 páginas, a publicação reúne mais de 300 fotos (de Leonardo Finotti, Fernando Guerra, Rômulo Fialdini e Pedro Kok), plantas de casas construídas a partir de 2012 em São Paulo, Rio e Bahia e uma em Melbourne, na Austrália, além de projetos em andamento nos Estados Unidos, na Bélgica e no Caribe. A partir de 20 de outubro, o livro chega às lojas da Livraria da Travesssa — por enquanto, a venda está sendo feita pela Amazon.

Paulo tem no currículo três livros anteriores, frutos da bem-sucedida sociedade com Claudio Bernardes (1949-2001), que durou mais de 25 anos. Antes de se juntar a Bernardo, ele chegou a trabalhar por um tempo com o filho de Claudio, Thiago. Bernardo, por sua vez, passou pelo escritório do arquiteto Christian de Portzamparc, em Paris, e pelo do arquiteto Shigeru Ban, no Japão, ambos ganhadores do Pritzker Prize, o Oscar da arquitetura.

Sem paternalismo, Paulo diz que ele e o filho divergem, mas se complementam. Um trabalha nas plantas, outro na forma volumétrica. A base são os croquis, embora novas tecnologias como o levantamento de terreno com o uso de drones e a produção interna de imagens ajude no processo. Essa conjunção está contribuindo para as atividades de expansão da Jacobsen Arquitetura, que a cada dia se internacionaliza mais. “No momento, estamos fazendo 18 casas em Dubai, nas ilhas artificiais, um hotel em Turks e Caicos e um prédio no Soho, em Nova York, entre outros trabalhos”, enumera Bernardo.

Nas páginas do livro, estão casas que mostram um modernismo tropical com extensos beirais que alongam telhados, muitas transparências que integram a paisagem e deixam os ambientes luminosos. “Usamos muita madeira e pedras brasileiras, vidros, ventilação cruzada, placas solares e esses beirais que exigem menos manutenção, porque protegem a casa da chuva e da insolação. Respeitamos o terreno fazendo uma arquitetura topográfica para que tenha sempre uma forma orgânica”, explica Bernardo, que incorporou a linguagem arquitetônica japonesa aos projetos. “O telhado generoso é o elemento mais importante, o que permite às pessoas estarem ao ar livre e, ao mesmo tempo, protegidas; também por isso projetamos muitas casas térreas. É não abrir a janela, mas abrir a porta”, acrescenta.

Casa linear em Bragança Paulista Foto: FG+SH
Casa linear em Bragança Paulista Foto: FG+SH

Foi a partir do escritório paulista que os carioquíssimos Paulo e Bernardo ganharam visibilidade: projetos realizados no interior do estado, com proporções generosas de terrenos, proporcionaram a execução de casas luxuosas. “É engraçado que os clientes sempre comentam que os arquitetos cariocas têm mais liberdade. Eles procuram no nosso trabalho a informalidade e o conforto, além da beleza”, analisa Paulo.

Entre os trabalhos públicos assinados por eles está o Museu de Arte do Rio (MAR), executado em parceria com Thiago Bernardes, e escolhido pela revista “Architecture Now” como um dos cem projetos mais importantes de 2013. O museu também foi premiado pelo Architizer A+Awards, Public Choice (2014); recebeu o selo LEED — Green Building Council, na categoria Silver (2014); e foi selecionado para a Bienal de Arquitectura de Buenos Aires (2017).

Ao final da conversa, pai e filho entregam um segredo: já têm material para mais um livro, com projetos de estilo bem diferente dos que ilustram o “Casa Tropical”. Sempre olhando o futuro.

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