Viola Davis conta detalhes de seu papel no último filme de Chadwick Boseman

Atriz vive a cantora Ma Rainey em ‘A voz suprema do blues’ e diz que o astro de ‘Pantera negra’ era ‘herói sem vaidade’
Kyle Buchanan, do New York Times

Viola Davis interpreta a cantora Ma Rainey em ‘A voz suprema do blues’, longa produzido por Denzel Washington que estreia em 18 de dezembro na Netflix: ‘Me diverti com ela’, diz atriz Foto: David Lee / David Lee/Netflix

É um dia calorento de verão em Chicago, em 1927, e todo mundo quer alguma coisa no filme “A voz suprema do blues” (no original, “Ma Rainey’s Black Bottom”). Os figurões brancos da indústria musical querem uma nova gravação da indomável Ma Rainey (Viola Davis), uma cantora sulista apelidada de “Mãe do Blues”, e querem isso imediatamente. Seu ambicioso trompetista, Levee (Chadwick Boseman), está desesperado para dar um toque contemporâneo às canções antiquadas de Ma, na esperança de fazer deslanchar a própria carreira.

E o que deseja Ma, após chegar atrasada à sessão de gravação, causar uma comoção na rua e avaliar os suplicantes músicos que a cercam como mosquitos?

Bem, para início de conversa, ela quer uma Coca-cola. Onde é que está?

Interpretar Rainey foi “fan-maldito-fantástico”, disse Davis. “Eu me deleitei com ela, movi meus quadris todos os dias. Havia tanta alegria nessa liberdade de expressão ”.Credit…David Lee/Netflix

A adaptação da peça de 1984 de August Wilson é obra do diretor George Wolfe e do roteirista Ruben Santiago-Hudson. A nova versão de “A voz suprema do blues” estreia dia 18 de dezembro na Netflix, com muitas mudanças desde que o filme foi rodado, há um ano. Em agosto, Chadwick Boseman morreu, aos 43 anos, após uma silenciosa batalha contra um câncer; Levee foi seu último papel.

— Ele fez um trabalho brilhante e se foi — diz Denzel Washington, um dos produtores do filme. — Ainda não consigo acreditar.

Além disso, após um verão de ajuste de contas racial pelo país, a trágica história de Wilson sobre afro-americanos navegando por um sistema manipulado se tornou ainda mais relevante.

— Como você pode seguir em frente quando você ainda é assombrado pelo passado? — pergunta o diretor Wolfe.

“A voz suprema do blues” é a segunda adaptação de uma peça de Wilson desde que Denzel Washington foi encarregado de trazer o trabalho do autor vencedor do Pulitzer para as telas, em 2015. A primeira, “Fences” (no Brasil, “Um limite entre nós”), foi dirigida por Washington e rendeu a Viola Davis o Oscar de atriz coadjuvante em 2017. Agora, ele espera reunir seu filho John David Washington, Samuel L. Jackson e o diretor Barry Jenkins na adaptação de uma terceira peça de Wilson, “The piano lesson”, de 1987.

Embora seja duas vezes vencedoras do Tony — por sua performance de 2001 no drama de Wilson “King Hedley II” e por seu papel no revival de 2010 de “Fences” na Broadway — Viola Davis nunca havia interpretado uma diva do blues da vida real como Ma Rainey, e nem sabia se seria capaz.

— Eu pensei em 50 outras atrizes antes de pensar em mim mesma — disse Davis. — Ela não se desculpa por nada, e isso se estende ao seu corpo e às suas roupas. Acredite em mim: eu, Viola, na minha vida, não faço isso.

Mesmo assim, uma vez que ela se comprometeu com o papel e deixou as inibições de lado, incorporar Ma Rainey foi “fantástico”, reconheceu a atriz.

— Eu me diverti com ela. Eu balancei os quadris todos os dias. Havia muito prazer naquela liberdade de expressão.

A autoconfiança de seu personagem ainda ensinou a Davis outra lição valiosa:

— Tenho que lembrar que não preciso negociar meu valor. Eu apenas nasci assim.

Chadwick Boseman interpreta o trompetista Levee em ‘A voz suprema do blues’. Este foi o último papel do ator, morto em agosto, aos 43 anos Foto: David Lee / David Lee/Netflix

Um herói sem vaidade

A produção foi toda projetada em torno da agenda lotada de Davis; as filmagens aconteceram em Pittsburgh, no verão de 2019, durante o hiato de sua série da ABC, “How to Get Away With Murder”; e todas as cenas de Davis foram filmadas antes, para que ela pudesse voltar às gravações da temporada final da série. Embora Boseman estivesse no auge da fama, recém-saído de sua Tríplice Coroa de sucessos de bilheteria “Pantera Negra”, “Vingadores: Guerra Infinita” e “Vingadores: Ultimato”, Davis descreveu sua coestrela como o parceiro definitivo:

— Um ator com o status de Chadwick geralmente chega e seu ego vem antes deles. Isso estava 150% fora de questão com Chadwick. Ele poderia descartar completamente qualquer ego ou vaidade que tivesse, e receber Levee.

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