Blumarine | Spring Summer 2021 | Full Show

Blumarine | Spring Summer 2021 by Nicola Brognano | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/Multi Camera – Detailed/1080p – MFW/Milan Fashion Week) #Bloom

Zadig & Voltaire | Fall Winter 2020/2021 | Full Show

Zadig & Voltaire | Fall Winter 2020/2021 by Cecilia Bonstrom | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/Multi Camera – Detailed/1080p – New York Fashion Week)

Bilheteria EUA: Guerra com o Vovô, Tenet, Abracadabra, Os Novos Mutantes, Fúria Incontrolável

Guerra com o Vovô | Comédia com De Niro desbanca Tenet na bilheteria dos EUA

A comédia com Robert De Niro Guerra com o Vovô, que estreou esta semana, desbancou Tenet da liderança da bilheteria americana após 7 semanas. O longa dirigido por Tom Hill arrecadou US$ 3,6 milhões nos cinemas abertos dos EUA, de acordo com o Comscore. O registro enfatiza que apenas 48% dos cinemas dos EUA estão abertos. 

Tenet passou para o segundo lugar, tendo arrecadado US$ 2,1 milhões durante o último final de semana, e totalizando uma arrecadação de US$ 48,3 milhões no país. Ao redor do mundo, o longa de Christopher Nolan passou o marco de US$ 320 milhões.  

O relançamento de Abracadabra, que ficou em segundo lugar na bilheteria da semana passada, segue com arrecadação forte, no 3º lugar esta semana. O filme da Disney ganhou mais US$ 1,1 milhão.

O Top 5 da semana na bilheteria americana é seguido por Os Novos Mutantes, que arrecadou US$ 685 mil e Fúria Incontrolável, com US$ 660 mil. 

Um olhar sobre o escritório minimalista da Swim em Liège, Bélgica

A agência de comunicações estratégicas Swim contratou recentemente o estúdio de design de interiores Twodesigners para projetar seu novo escritório em Liège, Bélgica.

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Meeting room

“A L’Atelier estava cuidando da arquitetura do prédio, nós tivemos que cuidar do interior. Como o local era compartilhado com outras entidades, tivemos que pensar na melhor forma de tornar o espaço agradável e funcional para o Swim. Para isso, recebemos carta branca; estando ciente das restrições arquitetônicas.

O espaço determinou o layout do projeto e sua técnica. Em uma área de cerca de 350m², tivemos que transformar o edifício “básico” em um local atraente para os usuários e visitantes, tornando-o o mais funcional e estético possível.

Queríamos dar ao espaço uma disposição luminosa, com luz penetrante, graças às inúmeras janelas salientes. O suficiente para prometer um ambiente de trabalho ideal para os membros da Swim! Para isso, a parceria com o Atelier h foi óbvia e decisiva.

Porque o nome da empresa é “Swim”, a nossa equipa de arquitectos de interiores, grafistas e designers inspirou-se no tema da água com uma visão ampla. Desde um mergulho na piscina a férias no mar, quisemos dar uma sensação aquática e descontraída na escolha de cores, mobiliário e materiais.

Optamos por optar por materiais estéticos e funcionais, que remetem ao tema trazido pelo nome da agência do evento: sempre nos tons de madeira, azul e branco.

Para a cozinha de Swim, trouxemos nosso toque “sob medida”, como por exemplo, as prateleiras têm o formato de escadas de piscina. Para o layout do escritório, pretendemos manter a imagem de um espaço requintado, confortável e acolhedor. Queríamos que os membros da Swim se sentissem em casa no trabalho ”, afirma Twodesigners.

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Collaborative space
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Kitchen / seating area
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Kitchen
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Collaborative space
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Workstations
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Collaborative space

Antonio Marras | Fall Winter 2020/2021 | Full Show

Antonio Marras | Fall Winter 2020/2021 by Antonio Marras | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/Multi Camera – Detailed/1080p – MFW/Milan Fashion Week)

Jonathan Lloyd – What
Bob Bradley – Skate Kidz
Barrie Gledden – Smashed/Hollywood
Adam Drake – Punk Rotter

Gal Gadot e Patty Jenkins se reunirão em longa sobre Cleópatra

Dupla também estará na produção do longa
JULIA SABBAGA

Patty Jenkins, Gal Gadot

A dupla Gal Gadot e Patty Jenkins se reunirá novamente para a cinebiografia de Cleópatra, de acordo com o The Wrap. Assim como em Mulher-Maravilha, Gadot atuará e Jenkins dirigirá, e as duas ainda servirão como produtoras no projeto da Paramount. 

Laeta Kalogridis, roteirista de Alita: Anjo de Combate, Alexandre e Ilha do Medo servirá como roteirista do longa. Ainda não há mais detalhes de elenco, produção, ou previsão de filmagens. 

A história da última rainha do Egito já foi contada várias vezes em Hollywood, incluindo uma em 1934 estrelada por Claudette Colbert e a conhecida megalomaníaca versão de 1963, protagonizada por Elizabeth Taylor.

Economista Mercedes D’Alessandro explica como é o primeiro orçamento com perspectiva de gênero na História da Argentina

Em entrevista a CELINA, Mercedes D’Alessandro, diretora nacional de Economia e Igualdade de Gênero no Ministério da Economia argentino, explica que o Orçamento 2021 foi construído para atacar as desigualdades entre homens e mulheres que ainda persistem no país
Leda Antunes

A economista Mercedes D’Alessandro é autora de um livro sobre economia feminista (ainda inédito no Brasil) e, neste ano, assumiu o cargo de diretora nacional de Economia, Igualdade e Gênero do Ministério da Economia argentino Foto: Reprodução/Twitter

Pela primeira vez na história, o governo da Argentina enviou ao Congresso um orçamento com perspectiva de gênero. A ideia é que as ações do Estado contidas no orçamento de 2021 efetivamente contribuam para reduzir as disparidades de gênero na Argentina e possam assegurar direitos às mulheres. O projeto traz uma relação de 55 medidas especificamente identificadas, com recursos que correspondem a 15% do Orçamento total e a 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Por trás da iniciativa está a economista Mercedes D’Alessandro, 42 anos, que atualmente comanda a Direção Nacional de Economia e Igualdade de Gênero do Ministério da Economia argentino.

D’Alessandro é uma das maiores referências no país quando o assunto é a economia feminista, uma vertente de pensamento que se dedica a repensar os principais conceitos da economia tradicional a partir de uma perspectiva que considera o valor do trabalho doméstico e de cuidado, feito majoritariamente por mulheres, para o funcionamento do sistema econômico.

Criada na província de Missiones, D’Alessandro concluiu o doutorado em Economia na Universidade de Buenos Aires e foi professora universitária por mais de 15 anos. Mudou-se para os Estados Unidos e, em 2015, na esteira do movimento “Ni Una Menos”, que discute violência de gênero e reivindica os direitos das mulheres na Argentina, criou o blog “Economia Feminista” para debater a igualdade de gênero sob uma perspectiva econômica. O sucesso foi tamanho que o blog se transformou em uma ONG especializada no assunto e virou livro: “Economía feminista. Cómo construir una sociedad igualitaria (sin perder el glamour)”, lançado em 2016 e ainda sem edição no Brasil.

Quando o economista Martín Guzmán assumiu o ministério da Economia do governo de Alberto Fernandez, eleito no ano passado, chamou D’Alessandro para criar a Diretoria Nacional de Economia e Igualdade de Gênero, que hoje conta com seis pessoas na equipe subordinadas apenas ao ministro e ao vice-ministro, mas deve chegar ao fim do ano com 14.

Em entrevista a CELINA por Skype, ela falou sobre a construção do orçamento 2021, explicou quais são as principais desigualdades de gênero na Argentina e os principais desafios para reduzir as disparidades entre homens e mulheres em um contexto de pandemia e crise econômica.

CELINA: Como surgiu o convite para criar a Diretoria Nacional de Economia e Igualdade de Gênero?

MERCEDES D’ALESSANDRO: Conheci Martín Guzmán, nosso atual ministro da Economia, quando estava nos EUA. Nos encontrávamos habitualmente para conversar sobre temas econômicos de interesse mútuo. E aí, quando lhe ofereceram o cargo de ministro, ele me convocou dizendo que queria criar no ministério um espaço institucional de economia com perspectiva de gênero.

Então voltei para Argentina para criar esse espaço, que não existia antes. Em termos de estrutura, acima de nós estão o ministro e o vice-ministro. A diretoria se desenhou dessa forma para que a nossa área tenha capacidade de incidir de maneira transversal em todas as demais áreas que formam o Ministério de Economia, como políticas macroeconômicas, políticas tributárias, finanças e energia.PUBLICIDADE

A missão da diretoria é trabalhar a economia e a igualdade de gênero. Isso é importante porque temos brechas de desigualdade gigantes, temos muita riqueza concentrada em poucas mãos e muita pobreza repartida. E isso, sob a perspectiva de gênero, se amplifica. A pobreza está feminizada e a riqueza está nas mãos dos homens. É um debate sobre desigualdade e sobre a necessidade da perspectiva de gênero para a transformação dessa estrutura de desigualdade.

Qual foi a sua função na elaboração do orçamento e o que significa ter um orçamento com perspectiva de gênero?

Um orçamento que se apresenta ao Congresso é como um plano de governo. Se esse governo entende que as mulheres têm maiores níveis de desemprego, de precarização e de pobreza, o plano que faz para o ano seguinte tem que responder a isso. O que fizemos foi sentar com a Fazenda, que é onde o orçamento é feito, e começar a procurar as políticas que têm como efeito diminuir as desigualdades. Identificamos que as despesas atribuídas para reduzir as disparidades de gênero correspondem a 15% do orçamento nacional que se apresenta para 2021. E isso equivale a 3,4% do PIB.

Além disso, elaboramos, junto com a Fazenda, uma mensagem ao Congresso para falar das condições de vida das mulheres e mostrar onde estão esses problemas e quais são as soluções. No processo, também falamos com cada um dos ministérios para saber quais políticas pensavam executar em 2021 para combater a desigualdade de gênero. Chamamos todas as pessoas responsáveis das áreas que entram no orçamento para pensar o que já estavam fazendo e onde, ou se não estavam fazendo e o porquê.

Também criamos ferramentas para medir os impactos dessas políticas, se o que foi atribuído foi executado, se cumpriu seu objetivo, se faltam recursos ou não, se a mesma política será mantida no ano seguinte. Isso também servirá para o público e para sociedade civil como uma ferramenta de transparência, para que se possa ver  o que o governo está fazendo de fato.

Mercedes D'Alessandro, diretora nacional de Economia e Igualdade de Gênero, e Martín Guzmán, ministro da Economia da Argentina Foto: Reprodução/Governo Argentino
Mercedes D’Alessandro, diretora nacional de Economia e Igualdade de Gênero, e Martín Guzmán, ministro da Economia da Argentina Foto: Reprodução/Governo Argentino

É a primeira vez que isso é feito na Argentina? Na América Latina houve algo parecido?

Não conheço como funciona em cada lugar, mas, na Argentina, sim, é a primeira vez. Quando se fala no programa de governo para o próximo ano, ele tem cinco pilares e um deles é a perspectiva de gênero e diversidade. Também é a primeira vez na História que um programa de governo propõe isso como um dos seus pilares.O discurso de gênero esteve presente em muitos governos, mas não nos decretos, nas leis e tampouco no orçamento. Uma coisa é falar de algo, outra é propor leis e a atribuir recursos para executá-las. Isso é único na Argentina.

Pode exemplificar algumas políticas que vão receber esses recursos e que desigualdades de gênero elas vão atacar?

A aposentadoria da dona de casa, como chamamos aqui, é uma das maiores despesas orçamentárias. Ela reconhece que o trabalho doméstico não remunerado é uma contribuição para a sociedade que precisa ser retribuída de alguma maneira pelo Estado. Essa política não é nova, mas agora podemos reconhecê-la e mostrá-la por essa perspectiva. É uma política que esteve em risco no governo anterior, que queria eliminá-la, mas a mobilização de muitas pessoas que estão perto de se aposentar o impediu.PUBLICIDADE

Outro exemplo é a criação do Ministério das Mulheres, Gênero e Diversidade. É a primeira vez que temos um ministério inteiro com essa função. Antes existia um instituto, com uma estrutura menor, mas agora o ministério tem um orçamento 13 vezes maior.

Uma das maiores propostas desse ministério para o próximo ano é uma política que se chama “Acompanhar.” Na Argentina, e em muitos países da América Latina, a mulher agredida por seu companheiro ou outra pessoa da família muitas vezes não tem condições financeiras para sair de casa. Esse programa, que é o maior do Ministério das Mulheres, concede o equivalente a um salário mínimo durante seis meses, além de acompanhamento psicológico e social, para que essas mulheres possam encontrar outro lugar para viver com segurança. É uma política nova, que vai começar a ser executada já no fim desse ano.

Todos os ministérios têm políticas com perspectiva de gênero?

A metade dos ministérios tem alguma despesa, e alguns têm políticas que não foram identificadas. Como é algo novo, alguns não puderam identificar ou fazer esse filtro a tempo, ou têm iniciativas menores, que não foram declaradas. No ano que vem, vamos registrar muito mais políticas, porque é um processo que vai se internalizando. E funciona graciosamente como um chamado, uma declaração de competência. Todos querem mostrar que fazem algo com a perspectiva de gênero e começam a pensar sobre isso.PUBLICIDADEhttps://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Esse orçamento pode reduzir ou proteger as mulheres da violência de alguma forma?

Sim. O orçamento não reflete só as políticas econômicas ou de redução de desigualdades, mas também que protegem as mulheres da violência e que permitem que elas acessem serviços básicos de saúde. Por exemplo, uma despesa no orçamento que possibilita que haja maior atenção para a detecção precoce do câncer de mama, contraceptivos gratuitos nos hospitais e educação sexual e integral em todas as escolas públicas.

Outra novidade é que, além da Argentina já ter a Lei de Identidade de Gênero e o casamento igualitário garantido em lei, foi criada uma cota para profissionais travestis e transexuais no serviço público. Isso significa que 1% do emprego no Estado tem que estar reservado para pessoas transgênero. Pessoas travestis e trans, em geral, trabalham na prostituição, não têm acesso à educação e têm dificuldade para acessar o mercado laboral. Essa política está orientada para melhorar esse acesso.

Em 2021, a Argentina também realizará o censo, que é feito de dez em dez anos, e, pela primeira vez, será incluída uma pergunta sobre qual é a identidade de gênero autopercebida. Esse registro estatístico vai nos permitir identificar a situação das pessoas travestis e trans no país. Isso não está incluindo no orçamento, mas da mesma forma tem perspectiva de gênero.

Quais são as principais desigualdades de gênero na Argentina? E o que é mais difícil de atacar?

O mais difícil é a distribuição das tarefas de cuidado: 76% do trabalho doméstico é feito pelas mulheres, que trabalham três vezes mais que os homens nessas atividades. Acho que é igual em toda a América Latina. As mulheres estão associadas a cuidar dos filhos, cozinhar, lavar a roupa, cuidar da casa. Quando dizemos que há uma assimetria na divisão dessas tarefas, os homens sempre dizem “na minha casa eu cozinho” ou “mas eu tiro o lixo”. Sempre querem mostrar que fazem algo e não entendem o que isso significa para as mulheres.

Fizemos um estudo desde a eleição para colocar um preço nas atividades de cuidado. Elas representam 16% do PIB da Argentina. Se considerarmos que o trabalho feito pelas mulheres no interior dos seus lares é um setor produtivo da nossa economia, ele seria o setor com o maior peso, antes mesmo da indústria e do comércio. 

'76% do trabalho doméstico é feito pelas mulheres. Elas trabalham três vezes mais que os homens nessas atividades', diz a economista argentina Mercedes D'Alessandro Foto: Reprodução/Governo Argentino
‘76% do trabalho doméstico é feito pelas mulheres. Elas trabalham três vezes mais que os homens nessas atividades’, diz a economista argentina Mercedes D’Alessandro Foto: Reprodução/Governo Argentino

Analisamos os impactos da pandemia, com as escolas fechadas e os filhos em casa o tempo todo. Com isso, o setor do cuidado passou de 16% para 22% do PIB. Quer dizer que esse é o setor que mais cresce, enquanto todos os outros caem. Assim como aumentam os trabalhos essenciais, que não puderam deixar de ser realizados na pandemia, e que em grande parte são feitos por mulheres: professoras, enfermeiras e cozinheiras nos comedores populares.PUBLICIDADE

Eu sempre questiono meus colegas sobre como vamos retomar a economia se as crianças não podem ir à escola. Se isso acontecer, quem vai acabar deixando de trabalhar para ficar em casa vai ser a mulher. Isso é um problema, que está acontecendo agora no Brasil, no México, na Argentina e no Chile. Os empregos mais rapidamente retomados são os dos homens, e as mulheres estão ficando fora do mercado de trabalho. Esse é o maior desafio que temos: convencer nossos colegas que trabalham na produção, no transporte, na energia, todos setores muito masculinizados, que é preciso tomar medidas e pensar soluções. É muito difícil. Vejo as perguntas, mas não as soluções.

Sentiu alguma resistência para implementar a perspectiva de gênero no orçamento? O será mais desafiador quando ele for votado no Congresso?

O governo atual é aberto à perspectiva de gênero. Mas o maior problema que encontro é que, nessa crise que vivemos, tendemos a usar os instrumentos conhecidos. E esses instrumentos não têm perspectiva de gênero. Transformá-los leva tempo, e penso que os debates não serão suficientes. O orçamento é uma ferramenta gigantesca e que serve para fazer esse debate profundo, que se reflete em dinheiro. Porque é preciso de dinheiro para fazer as coisas.

No Congresso, hoje, não creio que as despesas de gênero serão motivo de discussão, mas, sim, a crise geral da Argentina. O orçamento prevê que o PIB vai cair 12 pontos em 2020. Em todo caso, o que está no foco da discussão é o que será feito no próximo ano para recuperar a economia. O maior desafio é compreender que essas políticas de gênero são políticas para a recuperação. Sem elas, não teremos como recuperar.

‘Deus me livre ser perfeita, eu seria insuportável’, diz Cláudia Abreu na véspera dos 50 anos

Morando em Lisboa, atriz estreia em ‘Desalma’, no dia 22, na Globoplay
Carolina Ribeiro

Vestido Wheat & Rose, pulseiras Vangloria Jewelry e anel Rocha Carvão Foto: Daryan Dornelles

Emoldurada por uma parede azul, Cláudia Abreu reage à orientação do fotógrafo (“Fecha os olhos e viaja. Você é uma super atriz”) e diz: “Rola timidez quando a gente é a gente. Não gosto de tirar foto”. Ela reluta em ser a protagonista. No papel de si mesma, habilidosa, transfere os olhares da equipe para um caquizeiro plantado na esplanada do hotel onde foi realizado o ensaio fotográfico, em Lisboa. “Nunca vi um pé de caqui. Aquilo é fruta-do-conde?”, aponta para outra árvore. “É uma magnólia”, informa um funcionário da casa. “Na minha vida normal, quando preciso viver momentos de glamour é ótimo! Mas prefiro a vida simples: ir para o mato, tomar banho de cachoeira, ler meu livro na rede e acompanhar o florescer de cerejeiras, ipês e quaresmeiras.”

A um dia de celebrar 50 anos (“Não vamos fazer disso o foco da matéria, ?”, apela), Cláudia fala sobre a estreia da série “Desalma”, no dia 22, na Globoplay; os três meses de isolamento em Secretário, Região Serrana do Rio; a temporada que vive em Portugal; a regência da orquestra de quatro filhos; os 23 anos de casamento com o cineasta José Henrique Fonseca; a cultura de intimidação que embaça o Brasil; e o luto pelo sogro Rubem Fonseca, que morreu em decorrência de um infarto, há seis meses. “Foi uma porrada. Nós, como tantas outras famílias, vivemos um luto no confinamento. É uma coisa terrível. Quando um vai ficando bem, o outro não fica”, pontua Cláudia, que sinaliza estar numa fase muito sensível. “A gente morava no mesmo prédio, tinha uma relação muito estreita. Ele era uma figura imensa na vida de cada um. O corpo dele podia ter 94 anos, mas a cabeça era atemporal, um homem sem idade.”

Cláudia Abreu veste camisa e calça, ambos Wheat & Rose Foto: Fotos: Daryan Dornelles. Styling: Sara Soares. / Edição de moda: Patricia Tremblais. Beleza: Cris Severo. Agradecimentos: Torel Palace.

O baque ecoou na mudança temporária para Lisboa, onde o projeto é passar um ano. A cidadania portuguesa é parte da herança deixada pelo escritor, cujos pais eram de Vila Real (cidade ao Norte de Portugal). “Tem gente que fica imobilizado diante do luto ou de alguma situação terrível como a pandemia. A gente foi atrás da vida”, reflete. Durante o confinamento, pintou a ideia de a filha mais velha, Maria Maud, de 19 anos, estudar Música na Escola de Tecnologias, Inovação e Criação, instituição que tinham visitado quando passaram o réveillon em Portugal. A primogênita, que já é cantora e toca violão, passou na prova on-line e arrastou a família. “Quero vivenciar de fato a minha experiência europeia e que meus filhos amadureçam e saiam daqui com outra cabeça.” Parte das decisões foi não levar nenhuma funcionária do Brasil. “Não faz sentido você passar uma temporada na Europa e importar o mesmo conforto que tanto questiono de ter sempre alguém trabalhando para a gente.” Há um mês instalada em Lisboa, a atriz se diz mais carioca do que nunca. Gosta de pedalar com a família até a Torre de Belém nos fins de semana e pretende “entrar no circuito da bike power”, no Parque Florestal de Monsanto.

 Cláudia Abreu em Lisboa Foto: Daryan Dornelles / Daryan Dornelles

No Rio ou em Lisboa, para ela, não existe vivência mais fabulosa do que ser mãe de quatro. Além de Maria, Cláudia e o marido são pais de Felipa, de 13, José Joaquim, de 10, e Pedro Henrique, de 9. “Tem uma coisa muito bonita sobre ser mãe de muitos que é como se eu fosse um maestro e eles os instrumentos. Cada um pede uma intensidade, uma cadência. Tem um momento em que você tem que pedir para um ir mais para a vida e outro em que tem que dar uma seguradinha”, compara. Como regente, administra na prática a adaptação dos quatro na faculdade e na escola portuguesa, que desde setembro retomaram as aulas presenciais. “Eu procuro harmonia na minha família e com as pessoas com quem trabalho. Digo para os meus filhos quando misturam a turma no colégio ou agora que estão vivendo uma experiência numa escola diferente que eu mudo de grupo de amigos a cada trabalho que faço”, conta.

Casada há 23 anos com o cineasta José Henrique Fonseca, com quem também tem uma produtora de audiovisual, a Zola Filmes, e acaba de lançar a série “Bom dia, Verônica”, no Netflix, Cacau (para os íntimos) enxerga a relação com “normalidade”. “No momento em que você está tomando um vinho, que poderia não ter a ver com trabalho, já se torna uma conversa interessante que vai desembocar numa troca criativa. E a melhor parte é que a gente tem muitos projetos juntos, seja na vida, na produtora, na construção de uma casa ou na aventura de passar uns meses aqui”, enumera. “Somos iguais a todo mundo. Não trabalhamos tanto juntos. Fizemos um filme só lá atrás e agora temos a produtora. Criamos juntos não necessariamente para executar”, diz. “Quero aproveitar essa temporada no sentido de poder experimentar uma vida diferente. Sempre quis morar fora e nunca consegui, pois trabalho desde muito nova”, comenta ela, que viveu as inesquecíveis Clara em “Barriga de aluguel” (1990), Laura em “Celebridade” (2003) e Helô em “A lei do amor” (sua mais recente novela, em 2016).

Vestido Wheat & Rose, pulseiras Vangloria Jewelry anel Rocha Carvão Foto: Daryan Dornelles

Cláudia Abreu versão 5.0 não romantiza a idade. “Deus me live ser perfeita, eu seria insuportável”, graceja. “Para mim, Cacau vai ter sempre a força e a energia dos 20 anos. Nunca vou esquecer dela dançando numa noite de réveillon que passamos juntas em Teresópolis”, comenta a atriz Renata Sorrah, colega de cena de longa data. Por sua vez, a nova cinquentona do pedaço diz ser compreensiva com os seus limites. “Eu estava melhor antes da quarentena.” Hoje, faz aulas de ginástica on-line e planeja voltar a praticar ioga e meditação. Vai ao dermatologista com frequência, faz tratamentos para tirar manchas, mas está fora de intervenções invasivas. “É bonito envelhecer com suavidade.” Desde os 18 anos, não come carne vermelha e está tentando limar aves e peixes. Se rende, confessa, em ocasiões especiais, como um jantar japonês. “É menos por uma questão estética e mais por consciência”, diz.

A cobrança, para ela, está em outro patamar. “Se você não está fazendo novela, as pessoas acham que não está fazendo nada. Muita gente cobra”, reage Cláudia, que tem dois filmes por estrear, ainda sem data: “O silêncio na chuva”, de Daniel Filho, e “Terapia da vingança” (nome provisório), de Marcos Berstein.Na primeira fila de projetos está a série de suspense sobrenatural “Desalma”, em que divide o elenco com Cassia Kiss e Maria Ribeiro. Ambientada numa cidade fictícia inspirada numa colônia ucraniana, a trama é passada em flashbacks. Cláudia é Ignez, uma mulher que desaba de uma personalidade solar para atormentada a partir da morte de um parente.

“Cláudia vai para camadas que nunca tinha visto em termos de dramaticidade. Ela vive uma personagem que tem alguns problemas psiquiátricos que não são gritantes e evidentes, e é aí que é o mais difícil porque eles estão nas entrelinhas”, analisa a autora da série, Ana Paula Maia. Para a atriz, é essencial falar sobre o estigma da pessoa que faz tratamento psiquiátrico na TV. “Se você tem uma dor física, você vai ao médico e toma remédio para isso. Mas se tem uma dor na alma, você é maluco”.

Vestido Sienna Foto: Daryan Dornelles

Prevista para março de 2021, a gravação da segunda temporada de “Desalma” é a garantia da volta de Cláudia ao Brasil. “Apesar de sentir medo, acho importante que as pessoas possam voltar a trabalhar dentro de um protocolo seguro”, opina a atriz, que elege a palavra “traiçoeira” para caracterizar a Covid-19. “É uma doença que por vezes passa batida por algumas pessoas e por outras têm um desenrolar totalmente trágico. Acho que ninguém está seguro em lado nenhum. Mas em alguns lugares a questão foi tratada de uma maneira mais séria.”

Se o sonho de ter uma vida mais simples no campo parecia irreal, Cláudia o experimentou durante os meses de confinamento ao lado da família e da amiga Drica Moraes (“Responsável pelo departamento de lavanderia”), na sua casa em Secretário. “A gente se reencontrou por uma coincidência no carnaval. Quando deu o lockdown, a gente ficou um mês juntas lá. Vi Cacau cuidando dos quatro filhos, de uma maneira particular com cada um. A relação dela com o Zé é de profunda cumplicidade. E a gente botou em dia a nossa amizade, com papos sobre vida, morte, casamento e família”, conta Drica.

Cláudia Abreu em Lisboa Foto: Daryan Dornelles

O cenário bucólico ajudou a turma a passar pela quarentena, mas não a poupou dos novos desafios. “Nunca imaginei que meus filhos teriam aula on-line. Foi uma vivência rica em família. Mas se você é uma pessoa que tem uma cobrança alta, enlouquece. É difícil virar professora de muitos, lidar com a internet que cai e as demandas da escola” reflete Cláudia, classificando seus sentimentos como “ambíguos e opostos”. “Estava no campo e poderia ter desligado a TV. Mas não tem como ignorar o que está acontecendo, e exagerei de vivenciar de uma maneira muito obsessiva a forma como o Brasil estava lidando com isso”, avalia. Para desanuviar, maratonou os filmes de Ingmar Bergman, devorou livros, biografia, contos, diários e o que viu pela frente de Virgínia Woolf. “Tenho uma identificação com ela que vai além do estilo literário. Me surpreende que alguém que não viveu na minha época, sequer no meu país, ter sentido coisas tão parecidas”, diz. Agora, está escrevendo sobre a autora inglesa, ainda sem saber onde quer chegar, e prestigia amigos que atiraram-se no teatro virtual. “É uma forma de sobrevivência dupla. Não só à Covid como à política cultural”.

Cláudia volta três vezes à pauta do Brasil “para se expressar com as palavras certas”: “Sou a favor do bom senso. Se você se importa com cultura, educação, saúde, ciência, meio ambiente, direitos humanos, diversidade e diplomacia é impossível não se indignar e não se manifestar”. Entre as postagens na sua conta no Instagram, aborda questões como o Pantanal em chamas. Na balança de seu signo, equilibra a falta de pressa de voltar à sua casa no Leblon, no Rio, e a angústia de não parecer que está de costas para o Brasil. Apesar de que… “O Leblon tem envergonhado a gente”, diz Cláudia. A atriz vira os olhos e anuncia o fim da conversa.

Dia Internacional da Menina: ‘Nada me preparou para o ódio que encontrei na internet’, diz estrela da série da Netflix ‘Eu Nunca…’

Maitreyi Ramakrishnan admite ter precisado de bastante desenvoltura para conseguir lidar com a reviravolta no roteiro de sua vida.
FERNANDO DUARTE

Maitreyi Ramakrishnan – Lara Solanki/Netflix

A jovem canadense de 18 anos alcançou a fama ao conquistar o papel principal de “Eu Nunca…”, série de comédia da Netflix, depois de deixar para trás 15 mil concorrentes.

Da noite para o dia, ela passou a ser exaltada como o destaque desta história de amadurecimento que retrata uma adolescente indo-americana de primeira geração. A série se tornou um grande sucesso de público, sendo um dos programas originais mais assistidos na plataforma de streaming em 2020.

Mas se de um lado Ramakrishnan afirma à BBC que transita pela grande maioria dos comentários nas redes sociais sociais, de outro ela revela que foi pega totalmente de surpresa por um aspecto da súbita fama.

“Eu me preparei para a série em si e para coisas como esta entrevista. A única coisa para a qual não pude me preparar foi para o ódio”, diz.

O ódio a que Ramakrishnan se refere são os ataques violentos nas redes sociais. “Eu sabia que isso aconteceria porque é o mundo em que vivemos. Você sabe o que é um comentário nojento ou uma ameaça de morte… Mas é diferente quando isso acontece de verdade.”

A atriz canadense afirma ter recorrido a afastamento temporários de suas contas de rede social quando se sentiu oprimida por experiências negativas.

“Eu me garanto de que todas as minhas contas de rede social sejam operadas por mim, pois quero ser minha voz autêntica”, explica. “Mas às vezes tenho feito pausas e me distanciado.”

‘MAIORIA DAS MULHERES ATACADAS ONLINE’

Infelizmente, Ramakrishnan não está sozinha, e então ela se tornou uma embaixadora da Plan International, uma ONG de direitos da criança focada na igualdade de gênero para ajudar a aumentar a conscientização sobre esta batalha contínua.

Mais de 14 mil meninas e jovens mulheres, de 15 a 22 anos, de 20 países diferentes responderam a uma pesquisa recente sobre vivenciar experiências semelhantes na internet. Os resultados, divulgados para coincidir com o Dia Internacional das Meninas (11 de outubro), apontam um quadro preocupante.

Mais da metade das entrevistadas (58%) disse ter sofrido ataques ou abusos nas plataformas de rede social. E quase 9 em cada 10 afirmaram ter sofrido vários tipos de assédio, desde o uso de linguagem abusiva e ofensiva até comentários racistas e ameaças de violência sexual.

“Isso não está certo”, diz Ramakrishnan. “A internet é uma ferramenta incrível de se ter quando se trata de encontrar respostas e aprender mais sobre o que está acontecendo no mundo, mas ataques são ataques e essa situação só aumenta a pressão que as meninas já enfrentam”, acrescenta.

Esse tipo de abuso está afastando algumas mulheres das redes sociais. Os pesquisadores da Plan International descobriram que a angústia causada por esse ataques online fez com que pelo menos 1 em cada 5 mulheres parasse ou reduzisse significativamente seu tempo na plataforma de rede social onde acontecia mais abusos.

De acordo com a pesquisa, isso ocorreu principalmente no Facebook e no Instagram. A CEO da Plan International, Anne-Birgitte Albrectsen, afirmou à BBC que tal afastamento em massa das redes sociais foi bastante prejudicial, especialmente durante a pandemia de Covid-19, quando as jovens dependiam tanto de suas vidas digitais.

“Tirar as meninas dos espaços online é extremamente ‘desempoderador’, em um mundo cada vez mais digital, e prejudica a capacidade delas de serem vistas, ouvidas e de se tornarem líderes”, diz Albrectsen.

“Esses ataques podem não ser físicos, mas geralmente são ameaçadores, implacáveis e limitam a liberdade de expressão das meninas.”

ATIVISTA ATACADA COM XENOFOBIA E AMEAÇAS DE VIOLÊNCIA

Tudo isso é algo muito familiar para Nadiuska, ativista feminista de 19 anos, que participou da pesquisa da Plan International.

A nicaraguense diz que teve de lidar com “uma boa quantidade de ataques em seu país”, mas foram os incidentes no exterior que a chocaram seriamente.

Enquanto estava na Espanha no ano passado, para participar de uma marcha contra as mudanças climáticas, ela disse que recebeu ameaças em suas contas de rede social.

“Eu recebi uma mensagem xenófoba de um perfil me dizendo que eles tinham modos de me deportar e de me agredir”, relembra. “Eu fico com medo. Não me senti segura online.”

Nadiuska diz que episódios frequentes de ataques violentos afetaram sua saúde mental e teve que fazer terapia e tomar medicamentos para lidar com as emoções desencadeadas pelo abuso.

A pesquisa da Plan International descobriu que as mulheres engajadas em causas sociais são particularmente visadas por agressores, que também atingem desproporcionalmente pessoas de minorias raciais ou pessoas que se identificam como LGBTQ+.

“Como movimentos como #MeToo e Black Lives Matter mostraram, a mídia social se tornou um espaço cada vez mais importante para o ativismo”, diz Albrectsen, da Plan International. “Os números são mais ou menos iguais em todas as regiões, e isso é bastante preocupante.”

A Europa foi a região onde uma maior porcentagem de meninas relatou ataques online (63%), enquanto a América do Norte foi a menor, com 52%. A América Latina tem uma taxa de 60%.

“As redes sociais estão permitindo mais abuso contra essas jovens mulheres do que elas encontrariam na sociedade em geral”, afirma Albrectsen. Defensores da igualdade de gênero temem que esses ataques possam ser particularmente prejudiciais às tentativas de aumentar o número de mulheres online.

‘QUANTIDADE CHOCANTE DE FOTOS ÍNTIMAS NÃO SOLICITADAS’

As recém-chegadas ao ambiente online podem ser desestimuladas rapidamente, como lembra Cathy, uma ugandense de 20 anos.

A jovem começou a usar a internet há apenas três anos, pois para ela estar online e usar as redes sociais era uma distração muito necessária de uma rotina de trabalho duro como alfaiate, função que exerce para ajudar a sustentar sua mãe, sua irmã e seu irmão.

Mas ela disse no levantamento da ONG que logo depois de entrar no Facebook foi bombardeada por diversas fotos de nudez de um homem que conheceu online.

“Um cara veio à minha caixa de entrada e falou ‘oi’. Eu respondi ‘oi’. Ele disse ‘como você está?’, e eu respondi. Mas no dia seguinte, quando acordei, encontrei várias imagens bizarras. Ele tinha me mandado várias fotos pelado. Foi chocante e triste”, disse.

Histórias como a de Cathy estão longe de serem raras. Quase 40% das garotas e jovens mulheres entrevistadas na pesquisa registraram ter sofrido assédio sexual.

Há uma pressão crescente para que as plataformas de redes sociais combatam o assédio. As empresas dizem ter adotado nos últimos anos uma série de medidas voltadas para combater o abuso online e têm se comprometido publicamente em acabar com ele.

O Facebook, que também é dono do Instagram e do WhatsApp, afirma usar inteligência artificial para buscar conteúdo de bullying e diz monitorar constantemente denúncias de abuso feitos por usuários. E que sempre remove ameaças de estupro, por exemplo.

“É crucial manter as mulheres e garotas seguras em nossos aplicativos. Nós investimos em tecnologia para banir abusos de nossas plataformas e trabalhamos com mais de 200 organizações de segurança ao redor do mundo para proteger mulheres de ataques online, comentários ofensivos e atenção indesejada”, afirma em nota Cindy Southworth, chefe de segurança da mulher do Facebook.

“Pesquisas como essa (da Plan International) nos ajudam a entender mais profundamente como as mulheres e as meninas estão sendo afetadas por essas questões. Como parte da campanha da Plan International, estamos trabalhando com eles para abrir sessões de escuta com jovens mulheres para que elas compartilhem suas experiências e para quem nós possamos apoiá-las mais no Facebook, no Instagram e no WhatsApp”, acrescenta Southworth.

Procurado pela reportagem, o Twitter afirma que também usa ferramentas tecnológicas para identificar conteúdo abusivo, e que a maioria dos tuítes abusivos agora são identificados usando essas ferramentas, algo que faz com que não se dependa apenas de denúncias de usuários. A empresa também disse que lançou recursos para melhorar o controle dos usuários sobre suas conversas.

Até o momento da publicação desta reportagem, o Snapchat e o TikTok não haviam respondido aos pedido de comentários feitos pela BBC. Parte dos ativistas quer ver mais ações concretas de empresas e também de governos em termos de mudanças na legislação.

‘É PRECISO MAIS AÇÃO’

“No momento, o ônus de lutar contra o assédio online é das vítimas”, diz Chenai Chair, pesquisadora sobre gênero e direitos digitais na Web Foundation, organização criada pelo inventor da World Wide Web, Sir Tim Berners-Lee.

A atriz Maitreyi Ramakrishnan agora é também outra voz que amplia a pressão. Ela é uma das milhares de pessoas que assinaram uma carta aberta da Plan International pedindo às companhias de mídia social que “criem mecanismos de denúncia de violência mais eficazes”.

“As pessoas precisam entender que o assédio dói, mesmo quando vem de uma pessoa aleatória. Não devemos descartar o que as vítimas passam”, diz ela. “Eu denuncio comentários de ódio, mas acho que as plataformas não deveriam permitir isso antes de mais nada.”

BBC NEWS BRASIL