Chega de ‘casinhas perfeitas’: mulheres dos subúrbios se rebelam contra Trump

Em Connecticut, elas formaram um grupo conhecido como SWAT, que faz campanha pela chapa de Joe Biden e Kamala Harris
Da AFP

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Mulheres do Subúrbio contra Trump (S.W.A.T, na sigla em inglês): Shira Tarantino (à esq.) e Brook Manewal fazem campanha contra a reeleição do presidente americano nos subúrbios de Stamford,em Connecticut Foto: TIMOTHY A. CLARY / AFP

NOVA YORK. Donald Trump garante que as mulheres dos subúrbios vão reelegê-lo presidente, mas, nos grandes subúrbios de Nova York, assim como em outros do país, muitas fazem campanha contra ele e rejeitam sua concepção dos subúrbios, que consideram racista e antiquada.

O grupo “Mulheres dos subúrbios contra Trump” (S.W.A.T., na sigla em inglês) se formou no início de agosto, quando o presidente americano, dirigindo-se a elas, disse que seu rival, o candidato democrata Joe Biden, “destruirá seu bairro e seu sonho americano”, com a construção moradias sociais.

“Fiquei em choque com como ele tentava pintar este quadro das mulheres do subúrbio que se integram ao seu bando e o quão racista era”, disse a cofundadora Brook Manewal em uma reunião do “S.W.A.T Team”. “Ele nos apresenta como se tivéssemos medo de perder nossos muros brancos, nossas casinhas perfeitas e jardins perfeitos, e não acho que isso retrate em nada as pessoas que eu encontro por aqui”, afirmou.

Naquela mesma noite, essa advogada de 43 anos enviou uma mensagem de texto para uma amiga e vizinha de Stamford, Shira Tarantino, sugerindo criar uma organização, com o objetivo de convencer as mulheres dos subúrbios a votarem em Biden.

S.W.A.T. nasceu como um pequeno grupo de Facebook. Cresceu rapidamente, graças ao boca a boca e às redes sociais. Agora, conta com 9 mil membros em 35 estados, segundo Manewal, uma advogada mãe de quatro filhos. As mulheres ligam para potenciais eleitores todos os dias e enviam pelo correio lembretes sobre a importância de se registrar e votar.

Também arrecadam fundos para a campanha de Biden, publicam informações on-line e estão organizando uma marcha para este sábado em Stamford. Também estão enviando 10 mil cópias de uma carta para a Casa Branca, dizendo a Trump: “Você NÃO nos conhece, você NÃO fala por nós e você NÃO representa o tipo de líder que respeitamos”.

No evento realizado na quarta-feira (14), as ativistas fizeram cartazes para a marcha de sábado com as legendas “Não retrocederemos” e “Se afaste do meu corpo”, uma referência à afirmação de Trump de que a Suprema Corte poderá revisar a lei que permite o aborto. Elas garantem que já conseguiram o apoio de algumas simpatizantes republicanas, embora afirmem que esse não é seu objetivo.

“Não acho que estamos aqui, necessariamente, para mudar a mente de pessoas que já decidiram o que vão fazer”, disse Tarantino, de 49 anos e mãe de dois meninos. “Acredito que o que estamos fazendo aqui é estimular as pessoas que normalmente não votam a saírem e ir votar”, disse esta executiva de uma organização sem fins lucrativos.

As mulheres brancas, incluindo as que vivem nos subúrbios, tiveram um papel significativo na inesperada vitória de Trump, que derrotou Hillary Clinton em 2016. Segundo o centro de pesquisa Pew Research Center, o percentual de mulheres brancas que votou em Trump chegou a 47%, contra 45% para Clinton.Entre as mulheres brancas com título universitário, 61% votaram em Trump, e apenas 34%, em Hillary. Estes votos foram cruciais para o presidente em estados como Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, onde ganhou por apenas 44 mil votos (menos de 1%).

Em agosto, Trump tuitou: “A mulher dos subúrbios votará em mim”, no dia 3 de novembro. Na última terça, em um ato de campanha na Pensilvânia, não se mostrou tão seguro. “Mulheres do subúrbio, posso lhes agradar, por favor? Salvei seu maldito bairro, ok?”, disse à multidão. O pedido surgiu depois de uma pesquisa do jornal The Washington Post e da rede ABC News, mostrando que, em agosto, Biden abriu 13 pontos em relação a Trump entre as mulheres dos subúrbios.

“Ele não tem ideia de como são nossas vidas. Não somos ‘donas de casa’, e estes não são os anos 1950”, disse à AFP uma das fundadoras do S.W.A.T., Katie Paris.

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