Depois do Black Lives Matter, museus quebram timidamente seu silêncio

‘Os museus não são neutros’, afirmou em junho o Conselho Internacional dos Museus, composto por quase 30.000 membros
Sofiane Ouanes, AFP

Fachada do Metropolitan Museum of Art (Met), de Nova York Foto: Peter Foley/ EFE

O movimento antirracista Black Lives Matter, que desencadeou inúmeras manifestações e derrubadas de estátuas de “doadores generosos”, levou os museus a questionarem qual o seu papel e a abandonarem o silêncio pelo qual eram acusados.

“Os museus não são neutros”, afirmou em junho o Conselho Internacional dos Museus (ICOM), composto por quase 30.000 membros. Os museus “têm a responsabilidade e o dever de combater a injustiça racial […], desde as histórias que contam até a diversidade de sua equipe”. 

Após a morte de George Floyd nos Estados Unidos em maio deste ano, asfixiado por um policial branco, o movimento Black Lives Matter apelou a várias instituições, especialmente culturais, para exigir uma mudança e uma melhor representação. 

O Metropolitan e o MoMa de Nova York expressaram “sua solidariedade com a comunidade negra”. No Reino Unido, o British Museum, num ato simbólico, retirou de seu pedestal o busto de Hans Sloane, seu fundador, que enriqueceu graças ao tráfico de escravos, e agora o expõe em uma vitrine.

Na França, as reações foram mais tímidas e o debate foi protagonizado pela questão da derrubada das estátuas. Isso “destaca a dificuldade da França em enfrentar seu passado colonial”, considerou Françoise Vergès, cientista política e presidente da associação “Descolonizar as artes”.

Espelho da sociedade

O Museu do Louvre não se pronunciou publicamente sobre o movimento Black Lives Matter, mas sua direção garantiu que “aborda[va] as problemáticas e os desafios contemporâneos”. 

Nas galerias de arte, como a 59 Rivoli, o apoio ao movimento antirracista não deixa dúvidas, já que exibiram uma faixa com o slogan Black Lives Matter em sua fachada, no coração de Paris. Uma iniciativa que não teria ocorrido sem a presença de uma jovem artista, ela mesma vítima de discriminações raciais, segundo um dos fundadores do local, Gaspard Delanöe.

“Os museus são espelhos da sociedade. Se nesse espelho não se vê nenhuma diversidade, então temos um problema”, considerou Delanöe, que defende uma política de diversidade para descobrir novos artistas.

“A sociedade se move muito mais rápido do que as instituições, que mantêm uma atitude relutante em relação a este movimento”, afirmou Françoise Vergès, que recentemente coletou depoimentos de bailarinos da Ópera de Paris, “outra fortaleza” cultural à qual pediram que quebre seu silêncio sobre as questões de racismo.

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