Luxo, mistério e grande elenco em ‘The undoing’, nova série da HBO

Nicole Kidman e Hugh Grant em ‘The undoing’, série da HBO (Foto: Divulgação/HBO)

HBO não atendeu à insistência de fãs de “Big little lies” que pediam uma terceira temporada quando a série terminou, ano passado. Mas fez melhor: lança hoje “The undoing”. As produções têm em comum figuras essenciais. Nicole Kidman, de novo, além de estrelar é produtora executiva. E David Kelley assina o roteiro, que se inspira num romance (“You should have known”, de Jean Hanff Korelitz). Num primeiro momento, uma trama lembrará a outra. À medida que o espectador for avançando, porém, ele entenderá as diferenças também estruturais entre os enredos. Cada um com os seus encantos.

Nicole é Grace, uma psicanalista. Muito engajada num grupo de mães da escola do filho de 10 anos, circula em meio a personagens ricos, como ela. A futrica e o clima competitivo entre as mulheres equivalem aos da trama passada na Califórnia. Em vez da ensolarada Monterey, o ambiente é a Nova York dos casacos pesados e da fumaça de vapor saindo dos bueiros. Somos apresentados ao casal Grace e Jonathan Fraser (Hugh Grant), um pediatra inglês especializado em oncologia. Eles vivem num apartamento elegante com o filho, Henry (Noah Jupe), em clima de aparente felicidade. Dormem abraçados e namoram sob o chuveiro. O menino recebe a educação dos abastados e é tratado com delicadeza pelos pais.

No primeiro episódio, Grace se reúne com outras mães para organizar uma noite de gala: um leilão beneficente arrecadará ainda mais fundos para a escola. Nesse encontro tão cheio de ordem, uma copeira de uniforme engomado serve docinhos enquanto as mulheres bem vestidas falam de amenidades. Todo esse arranjo tranquilo é abalado quando Elena Alves (Matilda De Angelis) irrompe na sala. Ela surge com um bebê nos braços. Sem fazer cerimônia, levanta a blusa e amamenta o filho, quebrando aquela perfeição de modos geral e provocando um mal-estar inaudito. Diferentemente das outras mães, a moça mora no Harlem, área mais pobre da cidade, e seu filho é bolsista. Tem um ar triste. O gesto de Elena é só um prenúncio da dinâmica que puxa a dramaturgia de “The undoing”: nela, tudo se desfaz o tempo inteiro, como indica o título. A aparente estabilidade dos personagens vai sendo rompida em etapas, até a corda esticar e a eletricidade da história subir a limites inimagináveis. Um crime e um desaparecimento abalarão a vida de Grace, transformando o drama do início num mistério policial. Não digo mais para evitar o spoiler.

A série tem ainda um elenco de primeiríssima. Donald Sutherland faz o pai da protagonista. Edgar Ramirez é um detetive e Lily Rabe, Sylvia Steinetz, amiga de Grace. Diferentemente de “Big little lies”, não há pausas para respirar ou rir. É tudo mais pesado e assustador. Não perca. [PATRÍCIA KOGUT]

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