Entre os dois ‘Borat’, sensibilidade a piadas com outras culturas e países mudou

Cartaz de “Borat 2” na Quinta Avenida: dessa vez, não foi só no Cazaquistão que não acharam graça das menções ao país Crédito: Timothy A. Clary / AFP

A família de uma sobrevivente do Holocausto resolveu processar a Amazon e os produtores do filme “Borat 2”. Ela morreu antes do lançamento do filme. Os parentes afirmam que Judith Dim Evans aceitou ser entrevistada pelo personagem encarnado pelo comediante britântico Sacha Baron Cohen por acreditar que se tratava de uma produção séria.

Foi por balançar a linha entre a sátira e a realidade que Cohen fez sucesso no primeiro “Borat”, em que o fictício repórter do Cazaquistão dizia a feministas reais que mulheres tinham o cérebro menor do que o de um homem. Os preconceitos ultrajantes eram demonstrados também por uma série de piadas sobre o Cazaquistão, o que fez a ditadura cazaqui até pagar campanhas publicitárias com o intuito de desfazer o que considerou uma difamação realizada pelo falso documentário.

Isso foi há 13 anos, e a controvérsia ajudou o primeiro filme. Mas a sensibilidade a piadas com etnias e culturas mudou. O risco é de “Borat” ser considerado aquilo que Cohen pretende expor nos seus alvos, como os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, dos Estados Unidos, Donald Trump, e Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York (advogado de Trump, Giuliani é ridicularizado no “Borat 2”). Nas redes, acusa-se Cohen de preconceito contra o Cazaquistão. “Blackface asiático” foi uma das expressões usadas no Twitter.

A acusação tem menos chances de se tornar uma piada do que as queixas do governo cazaqui em 2007 porque sustenta outra, feita pelos críticos do ativismo identitário: a de que atos de preconceito têm pesos e medidas diferentes, dependendo do lado político em que estão. Como disse no Twitter Nassim Nicholas Taleb, um guru do mundo das finanças orgulhoso de sua ascendência asiática: “‘Borat’ é provavelmente o filme mais racista da história, degradando abertamente o povo do Cazaquistão”, escreveu. “Muitos são ‘cancelados’ pelo uso errado de certas palavras fora do contexto. Sacha Baron Cohen e os autores ganharam um passe livre da ‘esquerda’ porque ele ataca Giuliani?” [Gustavo Alves]

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