#SPFW25ANOS: conheça as seis marcas estreantes desta edição

ÀLG, Freiheit, Irrita, Martins, Misci e Renata Buzzo são as marcas que estreiam na edição que celebra os 25 anos de SPFW, a primeira a acontecer em formato 100% digital. Aqui, saiba mais sobre cada uma delas

Peças da nova coleção da Irrita que será apresentada no SPFW (Foto: Cássia Tabatini)

Na contagem regressiva da primeira edição 100% digital do SPFW, que acontece entre os dias 4 e 8.11, apresentamos as seis marcas estreantes do evento: ÀLG, etiqueta “irmã” da À La Garconne de Alexandre Herchcovitch e Fabio Souza; Freiheit, de Marcio Mota; Irrita, de Rita Comparato; Martins, de Tom Martins; Misci, de Airon Martin; e a grife homônima de Renata Buzzo. Uma grande novidade desta temporada, que tem line-up com mais de 30 marcas, são as projeções em diferentes pontos da cidade de São Paulo tanto das apresentações, como de conteúdos históricos, para celebrar os 25 anos de evento. “O momento exige criatividade. Vamos trazer para as ruas o que antes era visto dentro de uma sala de desfiles”, disse Paulo Borges, fundador e diretor criativo da semana de moda. A seguir, saiba mais sobre as marcas novatas do evento: 

Irrita
Depois de participar de várias edições do SPFW com a extinta Neon (marca fundada em 2003 ao lado de Dudu Bertholini, que encerrou as atividades em 2013), Rita Comparato agora retorna ao evento com a sua etiqueta própria, a Irrita, lançada em 2018, em uma apresentação em vídeo. A marca faz um excelente trabalho de modelagem, com corte primoroso que sempre marcou o trabalho da estilista, e pensado para cair bem em todos os corpos.

Destaque também para a estamparia, desenvolvida pela própria Rita, e também por meio de parcerias criativas – caso dos prints criados para a nova coleção pelo artista gráfico Andrés Sandoval (na foto acima), antigo parceiro e amigo de Rita, e também a estampa artesãs desenvolvida com desenhos da estilista do Panamá junto com o artista plástico Rafael Silvares. “A cartela de cores é inspirada em uma viagem que eu fiz pra Guatemala e para o Panamá”, conta ela à Vogue. “O SPFW sempre dá um friozinho na barriga, mas traz a potência de ser vista por mais pessoas.”


Desfile ÀLG (Foto: Alexandre Furcolin)
Desfile ÀLG em fevereiro de 2019 (Foto: Alexandre Furcolin)

ÀLG
Alexandre Herchcovitch e Fabio Souza lançam em novembro de 2018 a ÀLG, marca irmã da À La Garçonne, que também produz as roupas com tecido encontrado em estoque, mas com tiragem maior e preço mais acessível. Inspirada no streetwear, mas, claro, com viés fashion, a etiqueta tem DNA jovem, não faz distinção de gênero e nem de sazonalidade. O primeiro desfile foi em fevereiro do ano passado e agora a ÀLG estreia no SPFW. Também no evento, o estilista apresentará um minidocumentário sobre sua carreira. 


Freiheit (Foto: Adriano Damas)
Peça da coleção “Flagwear” que a Freiheit apresentará na sua estreia no SPFW, com styling de Alexandre Herchcovitch (Foto: Adriano Damas)

Freiheit
Brasiliense baseado em São Paulo, Marcio Mota fundou a Freiheit (liberdade em alemão) em setembro de 2019 depois de retomar os estudos de moda na escola Polimoda de Firenze, na Itália. A grife faz uma alfaiataria com perfume street e cheia de personalidade. “A Freiheit nasceu com base na minha coleção de workwear histórico. Hoje tenho mais de 200 peças dos anos 20 aos 80”, conta o estilista e diretor criativo, que também é formado em publicidade e fundador da agência Pharus Design. “A principal característica da marca é a busca pela profundidade conceitual e intelectual. Na roupa isso se reflete em modelagens amplas e quadradas que se adequam em todos os corpos. Construí um sistema de modelagem a partir de um grid’, conta ele, que faz uma moda que não se prende a estações. 

O objetivo foi criar uma marca masculina, porém Marcio diz a Freheit tem conquistado também as mulheres. No SPFW, ele irá apresentar sua segunda coleção, batizada de “Flagwear”, em um desfile gravado. “Jogamos subliminarmente com as bandeiras da marca que simbolizam liberdade. Os grafismos geométricos foram incorporados às roupas criando recortes e encaixes coloridos por toda a coleção”, afirma ele, que espera ter visibilidade nacional com a estreia. 


Martins (Foto: Reprodução/Instagram)
Martins (Foto: Reprodução/Instagram)

Martins
A etiqueta Martins leva o sobrenome de Tom, paulistano que fundou a marca em 2016 com o desejo de criar peças que servissem para todos. “Soa até como um clichê, mas criei a marca porque não encontrava as roupas que queria usar. Sou grande, não era fácil”, conta. “Por isso, nosso foco são modelagens amplas e democráticas.” As peças são, em sua maioria, sem gênero e de tamanho único, e incluem camisas e túnicas estampadas com padronagens clássicas como listras e xadrezes, por exemplo. Um dos best-sellers é o macacão jeans – o denim faz parte das criações desde o início, e aparece com barras irregulares e desfiadas.

Para a coleção número 10 que apresentará por meio de um fashion film no SPFW (produzido pelo Estúdio Choix e assinado por Gustavo Zylbersztajn e Victor Daguano), será um review de toda a história da marca. “O foco da apresentação é o produto e suas possibilidades enquanto uso. Existe um certo senso de humor no processo criativo, que tem crescido de um tempo pra cá, e que se reflete numa cartela de cores maior, estamparia, temas inesperados e a mistura deles.” Com a estreia na semana de moda paulistana, Tom quer que os valores da marca atinjam um número maior de pessoas. 


Misci (Foto: Divulgação)
Misci (Foto: Divulgação)

Misci
Natural de Sinop, município no Mato Grosso que faz parte do território amazônico, Airon Martin tentou o direito, a medicina, mas se encontrou mesmo no design de produtos. “Desenhava desde pequeno, mas mesmo vindo em uma família de mulheres, era difícil fazê-las entender que eu não me encaixa nos planos que elas tinham para a minha vida pessoal e profissional”, conta. Em fevereiro de 2018, fundou a Misci como um estúdio multidisciplinar de design e, em agosto do mesmo ano, lançou sua primeira coleção de vestuário e mobiliário. “Misci é um neologismo da palavra miscigenação, termo que mais aparece nos estudos de formação de identidade da estética brasileira”, conta ele sobre a inspiração das suas criações. A sustentabilidade é a principal ferramenta para o desenvolvimento dos seus produtos – e não só no material, mas na otimização do uso. “Nos aprofundamos em pesquisas têxteis. Nosso botões, por exemplo, são 100% sustentáveis, com origem de borra de café ou papel reciclado.”

No fashion film que apresentará no SPFW, Airon quis trazer reflexões importantes para a sociedade por meio da moda. A coleção foi intitulada “Brasil Impúbere” e, entre os conceitos, fala sobre a fase da puberdade. “As modelagens refletem essa indecisão que vem muito forte na puberdade, desconstruindo o conceito de masculino e feminino que a sociedade impõe. As peças são únicas, como o vestido com corte de blazer ‘masculino’. O vídeo também chama atenção para questões ambientais, tendo sido gravado na região de Atafona, São João da Barra, no litoral do Rio de Janeiro. “Essa região está sofrendo um desastre ambiental no qual o mar avança cada vez mais em direção a construções costeiras.” Uma única modelo, com descendências afroindígenas, estrela o desfile. 


Vestido Renata Buzzo (Foto: Vinicius Sampaio)
Vestido Renata Buzzo (Foto: Vinicius Sampaio)

Renata Buzzo
Integrante da Casa de Criadores desde 2016, a marca homônima da estilista Renata Buzzo também já participou do Green Talents, evento de sustentabilidade da Vogue Itália, e do Vancouver Fashion Week em 2014. Agora, ela celebra a estreia no SPFW, que era um dos seus objetivos. A etiqueta de Renata é vegana, ou seja, não utiliza nenhuma matéria-prima de origem animal – a nova coleção é composta de tecidos que já costuma usar, como musselines, cetins, crepes e tules. Além disso, tem preocupação com o meio ambiente: os resíduos das peças são sempre reutilizados, ao invés de serem descartados como lixo, em bordados, por exemplo. 

Para o SPFW, ela apresentará um fashion film dirigido por Thierssys Wender, da coleção chamada “Estudos Melancólicos”, que partiu de um poema de Renata com o mesmo nome. “As roupas e a cartela de cores conversam com o tema do texto que fala sobre melancolia, medos e algumas questões femininas”, conta. “Isso aparece em retalhos retilíneos soltos e nós pendurados nas roupas, por exemplo” As cores vão do azul celeste mais otimista, passando pelo lavanda, roxo e preto para representar a melancolia e ainda neutros “apáticos”. [Vogue]

Dando paz de espírito e um pedaço de bolo!

Posted by Pinch Food Design

Como fornecedores … como as pessoas comemoram é o que Pinch pensa 24 horas por dia, 7 dias por semana. Quer seja uma ocasião específica ou apenas porque, temos orgulho em criar experiências alimentares divertidas que ajudam aqueles que celebram a tornar o momento o mais memorável possível.

Com a pandemia se aproximando de nós, não poderíamos deixar de pensar em todas as diferentes maneiras que nossas comemorações terão de mudar … e o bolo de aniversário estava definitivamente no topo da lista. E então nos deparamos com este design brilhante, Top It Cake Shield, um escudo de bolo inventado por médicos, criado para proteger os festeiros de todas as idades de espalhar germes sobre os bolos ao soprar velas.

Ao soprar as velas de aniversário você pode aumentar a quantidade de germes que está espalhando em 1400%?!? Mas agora, com este escudo e painéis laterais cuidadosamente projetados, seu bolo está protegido de todos os ângulos.

O material transparente do Top It Cake Shield mostra a dignidade do seu bolo, além de você poder encaixar quase todas as formas e tamanhos de velas (mesmo as numeradas!) No sistema de rastreio proprietário do escudo – para que você possa iluminá-las e explodi-las Fora.

Artesy | Resort 2020 | Full Show

Artesy | Resort 2020 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – Art Hearts Fashion/Miami Swim Week)

Martin Felix Kaczmarski – Day Break Reflection/Orange Fizz

Carl Cox – Live from Melbourne (We Dance As One)

If you can, please donate to the amazing Mind Charity: https://defect.click/MIND.

  1. J Boogie – Dubtronic (Eric Powell Re-Edit)
  2. Chris + Dee – Come Together
  3. Ninetoes Feat. Maria Marquez – Vio
  4. Javi Colors & Dr. Alfred – Feeling Good
  5. Jovonn – Random
  6. David Morales & Michelle Shapa – Let It Go (Journey Mix)
  7. Marshall Feat. Yazid Le Voyageur – Rainy Days
  8. Eric Powell – Hey Dj
  9. Horatio – Next Summer
  10. Ronnie Spiteri – Musical Minds
  11. Louie Vega & The Martinez Brothers with Marc E. Bassy – Let It Go (Honey Dijon Remix)
  12. Fiorious – Follow Me (Harry Romero Club Dub)
  13. NO1NO’s X Missy Elliot – Double Take
  14. Crystal Waters & DJ Spen – Party People (MDFC Party Mix)
  15. NiCe7 Feat. Mikey V – Bad Advice
  16. Jamie Jones & Nicole Moudaber – Pepper Shake
  17. Purple Disco Machine – Body Funk (Carl Cox Remix)
  18. Cakes Da Killa X Proper Villains – Don Dada (Honey Dijon & Luke Solomon’s Extended Alcazar Remix)
  19. Marshall – Desert Island Discs
  20. J&G – Boogie Down
  21. Geraldine Hunt – Can’t Fake The Feeling (Carl Cox Remix)

Giulia Dias, a modelo de 22 anos que é a aposta da vez no mundo da moda

Curitibana sofreu um acidente de trânsito aos 9 anos que deixou cicatrizes no seu rosto e quer inspirar pessoas
Gilberto Júnior

Blazer Stella McCartney na NK Store, sutiã Intimissimi, bermuda Ka Store, colar Sara Joias e botas Calvin Klein Foto: Sher Santos
Blazer Stella McCartney na NK Store, sutiã Intimissimi, bermuda Ka Store, colar Sara Joias e botas Calvin Klein Foto: Sher Santos

Aquele sábado de julho de 2007 não seria um dia qualquer para Giulia Dias. A curitibana, então com 9 anos, acordou radiante. Em poucas horas, realizaria o sonho de sua vida: morar em Florianópolis. O caminhão de mudança atrasou e a menina e os dois irmãos — ela é a filha do meio de um casal de empresários — partiram com a avó paterna. “Fomos na frente para adiantar as coisas. Vovó daria banho em todos nós e estaríamos prontos quando meus pais chegassem”, conta a moça. “Minha última lembrança foi de me despedir de papai e mamãe. Caí no sono e nem vi quando ocorreu a colisão que me deixou marcas para sempre.”PUBLICIDADE

Dessa tarde, Giulia tem apenas flashes. “Eu me recordo de despertar em algum momento e estar rodeada de gente… Já no hospital, precisei ser muito corajosa. Vovó não conseguia falar, minha irmã mais velha estava em choque, meu irmão era bebê demais… Então, coube a mim passar o telefone de uma tia para os médicos informarem o que havia acabado de acontecer.”

Saia e blazer, ambos Hugo Boss, top Maria Filó, brincos Sara Joias e sandálias Alexandre Birman Foto: Sher Santos
Saia e blazer, ambos Hugo Boss, top Maria Filó, brincos Sara Joias e sandálias Alexandre Birman Foto: Sher Santos

Na sequência, a menina precisou ficar 15 dias na UTI em coma induzido e quase um mês no quarto de um hospital em Joinville, município de Santa Catarina. “Não fiquei assustada nem chorei ao me ver no espelho pela primeira vez. Não expressei qualquer tipo de reação. Era assim que teria de viver, com uma cicatriz no rosto e duas na barriga. No novo colégio, em Florianópolis, algumas crianças tiveram dificuldade em me aceitar. Mas nunca deixei que isso me abalasse. Era uma menina determinada e sabia exatamente quem eu era. Por fim, superamos nossas questões e nos tornamos amigas.”

A adolescência, ela conta, foi o período mais conturbado. “Normalmente, nessa fase não estamos satisfeitos com nada, e pode ser pior quando se tem cicatrizes. Há muitas exigências internas e externas, é um turbilhão de emoções, uma pressão estética para uma possível sexualidade aceitável, como diria (a escritora americana) Naomi Wolf. Então, eu ficava nessa dualidade de ‘sou bonita com todas minhas marcas’ e, ao mesmo tempo, ‘como posso ser atraente se tenho um corte no rosto’. Com o tempo, fui percebendo que as coisas não são assim tão extremas, podemos ter cicatrizes e sermos lindas, atraentes e inteligentes”, diz. “Lembro-me de falar para as minhas amigas: ‘se você não se amar ninguém vai fazer isso por você’. Isso sempre ajudou a melhorar minha autoestima.”PUBLICIDADEhttps://e67b05e4e5d3aed3ed128b4775e1ce9b.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Tamanha lucidez, a curitibana afirma, não é fruto de terapia, mas do apoio da família. “Ao percebermos que o mundo poderia ser cruel, nos fechamos. Meus pais são a base de tudo”, comenta a modelo. “Meu namorado, o ator Eduardo Pinter, é outra pessoa importante. Ele dá suporte para minhas maluquices. Inclusive, todas as vezes que o Eduardo tinha um teste, me incentiva a acompanhá-lo e tentar. Mas, novamente, eu achava que não me aceitariam da forma que sou. O mundo, no entanto, dá voltas e cá estou eu: virei modelo, aos 22 anos. Um ano atrás, não me imaginaria ocupando esse espaço. Meninas como eu simplesmente não estampavam capas de revista.”

Nova aposta da indústria da moda, a new face chega para quebrar velhos padrões — que alguns insistem em perpetuar — e mostrar que a beleza não é uma via de mão única. “Nunca duvidei da minha capacidade, mas não me enxergava nesse lugar por causa da minha cicatriz no rosto”, observa Giulia, que costuma dizer que as marcas que carrega estão ali para lembrá-la de suas força e resiliência. “Claro que bate uma insegurança de vez em quando. Mas resolvi lidar com essa questão com positividade. Escolhi seguir adiante do jeito que a vida se apresentava.”

Jaqueta Louis Vuitton, top A.Brand, calça Karamello e relógio Cartier na Sara Joias
Foto: Sher Santos
Jaqueta Louis Vuitton, top A.Brand, calça Karamello e relógio Cartier na Sara Joias Foto: Sher Santos

Revelada em abril, logo no começo da quarentena, por Andréa Damiani, dona da agência A.D. Models, Giulia fez uma grande transformação no visual. Raspou os cabelos com a ajuda do namorado e os descoloriu. “Antes do distanciamento social, minha rotina era bastante agitada. Ficava fora de casa o dia inteiro. Tinha aulas na faculdade de Relações Internacionais pela manhã e estudava Secretariado Executivo à noite. Com a pandemia, adotamos o ensino à distância. Entediada, decidi mudar o look”, diverte-se.

Nacionalmente, a curitibana é representada pela Way Model — a agência que cuida das carreiras de gigantes como Carol Trentini, Candice Swanepoel, Marlon Teixeira e Alessandra Ambrosio. “O mercado tem quebrado muitos padrões. É um momento de renovação. Precisamos mostrar toda a diversidade que existe nesse mundão”, analisa Anderson Baumgartner, responsável por direcionar a moça na indústria. “Ela é uma mulher lindíssima, uma beleza incrivelmente forte.”

Camisa, calça, chapéu e bolsa, tudo Prada, e tênis Reserva Foto: Sher Santos
Camisa, calça, chapéu e bolsa, tudo Prada, e tênis Reserva Foto: Sher Santos

Baumgartner acredita que a garota tem o que é necessário para triunfar: “A perspectiva é que meninas como ela conquistem cada vez mais espaço na moda. Giulia é promissora, pode chegar em qualquer lugar. Estará em campanhas de roupa, acessórios, lingerie, passarelas, vivendo em Nova York. O céu é o limite.” O agente cita o exemplo da top canadense Winnie Harlow, portadora de vitiligo que ganhou notoriedade a partir da metade da década, estrelando capas de revista e desfiles. “Há realmente um movimento de humanizar a moda no mundo inteiro.”PUBLICIDADEhttps://e67b05e4e5d3aed3ed128b4775e1ce9b.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

A presença de Giulia no métier é significativa, segundo a consultora de moda Manu Carvalho. “Tudo que começamos a plantar na virada do milênio está se consolidando agora. Essa mentalidade da era digital promove coletividade, compartilhamento, senso de comunidade. Pessoas diferentes sempre existiram, mas elas não se conectavam como hoje para trocar ideias e experiências… Essa é uma revolução on-line”, explica a consultora de moda.

Top e calça, ambos Dolce & Gabbana Foto: Sher Santos
Top e calça, ambos Dolce & Gabbana Foto: Sher Santos

De acordo com Giulia, desde que sua história ganhou a internet, dezenas de meninas entraram em contato para falar de suas marcas — nem todas expostas. “Criamos uma corrente virtual linda! Não paro de receber mensagens. Uma mãe me escreveu para contar que sua filha sofreu acidente quando tinha apenas 5 anos. O rosto da menina ficou com uma cicatriz parecida com a minha. Hoje, ela tem 15 e luta para superar o preconceito e os comentários maldosos. Essa moça sonha ser modelo, mas acredita que não há espaço para ela. Essa mãe mostrou minha história para a filha e me agradeceu por ser uma inspiração.”

Brincos Sara Joias Foto: Sher Santos
Brincos Sara Joias Foto: Sher Santos

Uma outra seguidora também dividiu a história do filho com a new face. “O menino foi mordido pela cachorra da família e ganhou uma cicatriz no rosto. Ele ficou muito feliz em saber que alguém com uma marca ‘igual’ a dele tinha virado modelo, que isso não era um empecilho para chegarmos aonde quisermos.”PUBLICIDADEhttps://e67b05e4e5d3aed3ed128b4775e1ce9b.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

No meio, a curitibana tem como referência Kendall Jenner, as irmãs Bella e Gigi Hadid e a supermodelo gaúcha Gisele Bündchen. “Gisele é uma mulher muito empoderada. É um exemplo profissional e humano. Ela coloca em pauta nossa relação com a natureza, tema urgente e necessário”, elogia a loura, que não esconde seu desejo de trabalhar para Chanel, Versace, Dior, Saint Laurent, Prada, Dolce & Gabbana… “Mas tenho uma identificação especial com a Gucci. Sempre olho para o que a grife está fazendo para me inspirar. É realmente uma grande referência.”

Top Karamello, bermuda NK Store, óculos Thierry Mugler para Gustavo Eyewear, lenço e brincos, todos Louis Vuitton Foto: Sher Santos | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Bruno Alsiv | Produção de moda: Marcela Recchia | Assistente de fotografia: Nathália Atayde | Produção executiva: André Storari e Christiano Mattos| Tratamento de imagem: André Kawart | Agradecimentos: Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude, Suderj e o Parque Aquático Júlio de Lamare
Top Karamello, bermuda NK Store, óculos Thierry Mugler para Gustavo Eyewear, lenço e brincos, todos Louis Vuitton Foto: Sher Santos | Edição de moda: Patricia Tremblais | Beleza: Bruno Alsiv | Produção de moda: Marcela Recchia | Assistente de fotografia: Nathália Atayde | Produção executiva: André Storari e Christiano Mattos| Tratamento de imagem: André Kawart | Agradecimentos: Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude, Suderj e o Parque Aquático Júlio de Lamare

Ao fim da nossa conversa, Giulia para um segundo, respira e conclui: “Nossas marcas, sejam quais forem, nos lembram do real propósito da vida. O meu é incentivar o maior número de pessoas e ajudar a construir um mundo melhor. Eu me aceito do jeito que sou, com minhas cicatrizes e todo o resto.” Isso é história.

No TikTok, todo mundo é gay

Estrelas jovens heterossexuais postam vídeos insinuantes com seus amigos no aplicativo – e não é só para ter mais visualizações
Por Alex Hawgood – The New York Times

Foster Van Lear, uma personalidade do TikTok de 16 anos de Atlanta, postou vídeos de si mesmo beijando amigos na bochecha

Connor Robinson, 17 anos, britânico, estrela do TikTok com barriga de tanquinho e bochechas rosadas, conquistou um grande número de seguidores deixando os fãs com água na boca. Entre a dose diária de dancinhas sem camisa e piadas sobre seu cabelo desgrenhado, Robinson posta alguns vídeos sexualmente sugestivos que, nas suas palavras, “quebram umas barreiras”.

Num vídeo de oito segundos, com uma canção de hip-hop do The Weeknd ao fundo, ele e um colega adolescente, Elijah Finney – que se autodenomina Elijah Elliot – aparecem num quarto de hotel em Londres e parecem prestes a se lançar a uma sessão de amassos apaixonados. O vídeo termina quando Robinson é empurrado contra a parede.

Mas, por mais atrevido que seja o vídeo, os fãs não têm a ilusão de que os dois estejam vivendo os arrepios do amor gay. Robinson e Finney dizem que são heterossexuais, mas, como descobriram alguns influencers do TikTok, a ação homem-a-homem é uma maneira infalível de gerar tráfego. Postado em fevereiro, o vídeo teve mais de 2,2 milhões de visualizações e 31 mil comentários (com muitos emojis de fogo e coração).

“Geralmente, eu faço vídeos de dança engraçados e coisas do tipo, mas parece que as coisas mudaram agora”, disse Robinson de seu quarto em Cumbria, Inglaterra, que é pintado de verde floresta para se destacar no TikTok. Ele calcula que 90% de seus quase 1 milhão de seguidores sejam do sexo feminino. “As garotas se sentem atraídas quando dois tiktokers gatos com muitos seguidores mostram o lado sexual um do outro”, disse ele.

Seguidores gays e bi-curiosos do sexo masculino também são bem-vindos. “Se assistir aos meus vídeos deixa você feliz e outras coisas, beleza”, acrescentou.

Como bem sabem os seguidores das jovens estrelas masculinas do TikTok, o vídeo de sedução de Robinson no hotel vem se tornando um clichê contemporâneo. A plataforma de mídia social voltada para os jovens está repleta de vídeos que mostram rapazes aparentemente heterossexuais dormindo de conchinha, atravessando a rua de mãos dadas, compartilhando a cama, chegando perto para dar um beijo, admirando os físicos esculpidos uns dos outros e se envolvendo em inúmeras outras situações homoeróticas, com o objetivo de fazer graça e, em última análise, gerar visualizações.

A tática de se fazer passar por gay para caçar cliques não se limita aos pequenos criadores de TikTok que tentam aumentar seu público. Basta olhar para os baladeiros da Sway House, que ganharam as manchetes nacionais por darem festas lotadas e barulhentas em sua propriedade de 720 metros quadrados em Bel Air, violando as diretrizes do coronavírus em Los Angeles.

Ao percorrer os feeds de TikTok dos rapazes malhados do grupo, você começa a ter a sensação de que está testemunhando o que aconteceria se os meninos que apareciam nas capas da Tiger Beat passassem um verão desinibido em Fire Island Pines. É uma enxurrada de treinos suados e seminus, piadas sobre pênis, beijos de brincadeirinha e troca de pirulitos.

Josh Richards, 18 anos, uma das estrelas do grupo, já postou vídeos de si mesmo deixando a toalha cair na frente de seus “amigos” Jaden Hossler e Bryce Hall; fingindo beijar outro amigo, Anthony Reeves; e dando um selinho na testa de seu colega de quarto, Griffin Johnson, para a diversão de seus 22 milhões de seguidores.

A estrela do TikTok, Josh Richards, de 18 anos, postou vários vídeos brincando com seus amigos
A estrela do TikTok, Josh Richards, de 18 anos, postou vários vídeos brincando com seus amigos

Os vídeos certamente não prejudicaram sua marca. Em maio, Richards anunciou que estava deixando o Sway Boys e entrando num dos aplicativos rivais do TikTok, o Triller. Ele também apresenta dois novos podcasts muito populares e é o primeiro artista a assinar com a TalentX Records, gravadora formada pela Warner Records e pela TalentX Entertainment, uma agência de redes social.

“Esses meninos parecem um sinal dos tempos”, disse Mel Ottenberg, diretor de criação da revista Interview, que trouxe alguns dos Sway Boys em roupas íntimas na edição de setembro. “Não parecem ter medo tipo, ‘se eu ficar muito perto do meu amigo nesta foto, as pessoas vão achar que eu sou gay’. Eles são muito jovens e gostosos para se preocuparem com essas coisas”.

A diversão de ser “gay”

Uma década atrás, o contato íntimo entre dois jovens rapazes podia significar suicídio social. Mas, para os membros da Geração Z, que cresceram numa época em que o casamento entre pessoas do mesmo sexo nunca foi ilegal, ser chamado de “gay” não é mais o insulto que parecia ser tempos atrás.

Os jovens no TikTok se sentem livres para expandir o comportamento homossocial “porque surgiram numa era de declínio da homofobia cultural, mesmo que não a reconheçam como tal”, disse Eric Anderson, professor de estudos sobre masculinidade na Universidade de Winchester, na Inglaterra. Ao abraçar um lado “mais suave” da masculinidade, eles estão se rebelando contra o que Anderson chamou de “modelo antigay e antifeminino atribuído às culturas jovens das gerações anteriores”.

Mark McCormack, sociólogo da Universidade de Roehampton, de Londres, que estuda o comportamento sexual de homens jovens, acha que o declínio da homofobia é apenas um dos aspectos. Ele acredita que muitos desses influenciadores de TikTok não estão se divertindo às custas de uma identidade queer. Em vez disso, estão parodiando a noção de que “alguém ficaria desconfortável ao vê-los brincando com a ideia de ser gay”.

Em outras palavras, fingir ser gay é uma forma de rebelião e inconformismo adolescente, uma maneira de esses jovens heterossexuais manifestarem como sua geração é diferente da de seus pais, ou mesmo da geração dos millenials. Foster Van Lear, 16 anos, estudante de ensino médio de Atlanta com 500 mil seguidores, disse que os vídeos que o mostram beijando um cara na bochecha ou confessando sentimentos por seu “bróder” o fazem parecer legal e conectado.

“Na nova geração todo mundo é fluído, então os homens ficaram menos hesitantes em relação a essas coisas físicas, a mostrar emoções”, disse ele. “Seria ridículo achar que tem alguma coisa errada nisso”.

Conheça os ‘homiesexuals’

Mas não há confusão nenhuma entre a maioria dos fãs adolescentes que parecem não se cansar desses vídeos gays postados para gerar visualizações. Sempre que Robinson posta vídeos de si mesmo fazendo exercícios físicos com outro amigo, ele é inundado com comentários febris como “só eu achei isso um baita tesão?”, “meu celular até caiu aqui”, “tipo, eu nem consigo parar de ver”.

Ercan Boyraz, chefe de gerenciamento de influenciadores da Yoke Network, uma agência de marketing de mídia social de Londres, disse que a grande maioria dos comentaristas é formada por garotas. E, ao invés de se sentirem ameaçadas ou confusas com caras que ficam brincando com outros caras, elas acham tudo muito sexy. “Caras hétero sempre se sentiram atraídos por garotas flertando umas com as outras”, disse Boyraz, que já trabalhou com Robinson. “As meninas estão só pegando a mesma ideia e invertendo as posições”.

Chamemos de oportunidades iguais de objetificação. Enquanto isso, os fãs heterossexuais acham que estão vendo uma piada. E, embora não necessariamente sintam algum estímulo com esses vídeos, querem emular o tipo de amizade masculina desencanada que esses vídeos de TikTok retratam.

“Mostrar emoções com outro cara, especialmente sob a forma de piada, bota um sorriso no rosto das pessoas, uma gargalhada”, disse Foster Van Lear, que seguiu o exemplo de criadores de TikTok extremamente populares, como os caras da Sway House. Além disso, acrescentou ele, “aumenta as chances de maior engajamento do público”.

Existe até um termo para descrever homens heterossexuais que vão além do bromance e exibem sinais não sexuais de afeição física: homiesexual (algo como “amigo sexual”, em tradução literal). Uma pesquisa pela hashtag homiesexual traz mais de 40 milhões de resultados no TikTok. Existem também memes, compilações do YouTube e moletons com frases como: “Não é gay. É homiesexual”.

Queerbaiting ou clickbait – isca de cliques ou de LGBT?

Ainda assim, vídeos de homens heterossexuais pulando no colo uns dos outros ou admirando o traseiro uns dos outros só para gerar visualizações no TikTok podem parecer ofensivos, especialmente para espectadores gays.

Colton Haynes, 32 anos, ator assumidamente gay de Teen Wolf, foi ao TikTok em março para denunciar a tendência. “Para todos os caras heterossexuais que continuam aí postando esses vídeos e rindo e fazendo piada: ser gay não é piada”, disse ele. “Piada é você achar que teria seguidores ou likes sem a gente”. “Então parem de ser homofóbicos”, acrescentou ele, com um palavrão.

Mas alguns fãs gays veem a tendência como um progresso. Steven Dam, 40 anos, analista de mídia social da Art and Commerce, uma agência de talentos de Nova York, disse que, no começo, achou que esses vídeos eram homofóbicos. Mas, quanto mais seu feed de TikTok se enchia de jovens se chamando de “lindos”, disse ele, mais começou a reconhecer que havia “um novo tipo de definição de heterossexualidade para homens mais jovens”.

A popularidade desses vídeos melosos, disse ele, é “tem menos a ver com homossexualidade” e mais a ver com uma “mudança de paradigma para uma forma de masculinidade em evolução, que não tem mais vergonha de demonstrar afeto”. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Você não pode parar nossa voz (You Can’t Stop Our Voice)

O filme mais recente da Nike, “You Can’t Stop Our Voice”, ilustra como você não precisa ser uma superestrela global para causar impacto e estende os esforços da NIKE, Inc. para obter votos. Dirigido por Hiro Murai e narrado pela atriz Regina King, o filme apresenta atletas como LeBron James, Naomi Osaka, Odell Beckham Jr., Sue Bird, Ja Morant, A’ja Wilson e Tim Anderson.

Em alinhamento com os esforços da Nike para aumentar a participação dos eleitores e minimizar as barreiras à votação, a empresa fez parceria com a empresa de rede de transporte Lyft para apoiar a votação antecipada e o acesso a passagens com desconto * em comunidades que historicamente tiveram mais dificuldade em chegar às urnas como eleitores de apoio no quintal da Sede Mundial da Nike.

Visit Vote.Nike.com for more information.

Infância: precisamos falar sobre a objetificação dos corpos de meninas negras

Pesquisadora afirma que racismo estrutural promove hipersexualização e adultização dessas jovens, para quem o exercício da liberdade física é limitado
Larissa Medeiros

O racismo sofrido pela população negra contribui para a objetificação e o aumento da vulnerabilidade dos corpos de meninas negras até os dias de hoje Foto: Arte de Ana Luiza Costa

De acordo com a plataforma “Violência contra a mulher em dados”, entre 2011 e 2017, mais de 45% dos casos de abusos sexual registrados no Brasil foram de meninas negras de 0 até 9 anos. No mesmo período, quando analisamos os números referentes às meninas brancas, este percentual cai mais de 7%. O racismo estrutural e a vulnerabilidade social e econômica ajudam a explicar esses dados, mas é preciso discutir também a hipersexualização dos corpos de mulheres negras, inclusive na infância.

Deise Benedito, especialista em Relações Étnico-raciais e mestre em Direito e Criminologia pela Universidade de Brasília (UnB), afirma que o racismo sofrido pela população negra contribui para a objetificação e o aumento da vulnerabilidade desses corpos até os dias de hoje.

— Esse processo é influenciado pelo racismo, a discriminação e pela  permanente “coisificação” de meninas negras consideradas como mais fáceis, maliciosas e transgressoras, além de serem expostas de forma errônea como pervertidas — analisa a especialista.

Uma pesquisa sobre a percepção do corpo de crianças negras publicada pela Universidade Georgetown, nos EUA, mostra que garotas de pele mais escura são consideradas menos inocentes, mais maduras, mais sabidas sobre sexo e mais autossuficientes do que crianças brancas.

Deise explica que esse processo de “adultização”, sofrido principalmente por meninas negras, afeta a construção do imaginário infantil da criança. 

— O corpo da menina branca é protegido pela inocência enquanto o da negra é considerado sujo. O processo do racismo estrutural na sociedade brasileira rouba cruelmente a essência das meninas negras, e a “adultização” contribui para transgredir a infância, os sonhos e as fantasias infantis — afirma.

A estudante Larissa Fernandes, de 15 anos, se identificou com um episódio da série de conferências TEDx São Paulo, em que a ativista Nátaly Neri aborda a forma como a sociedade elogia o corpo da menina negra à espera do estereótipo que vê na mídia. Para Larissa, o racismo disfarçado de elogio,  ao qual Neri se referiu, fez parte de sua infância e ainda acontece nos dias de hoje.

— Algumas das frases que ela citou como “ela vai dar trabalho” ou “vai ter muitos pretendentes” fizeram e fazem parte da minha vida. Geralmente, essas afirmações eram reproduzidas por desconhecidos ou parentes de segundo grau. Como essas pessoas sabiam sobre o futuro de uma criança preta que nem tinha se desenvolvido ainda?  — questiona Larissa. — Nós, que somos ou fomos crianças negras, escutamos coisas que influenciam muito o nosso futuro e a maneira como vão nos enxergar — afirma.

A estudante Caroline Rodrigues, de 21 anos, acredita que a objetificação dificulta o exercício da liberdade dos corpos negros. Para ela, a livre exposição do corpo feminino é um tema que precisa ser apresentado às meninas negras de forma mais cautelosa, principalmente se elas estiverem inseridas em ambientes menos privilegiados economicamente e socialmente.PUBLICIDADE

— Acho que (essa liberdade) deve ser tratada com cuidado justamente por haver um perigo de exposição. Não dá para comparar uma menina que vive na favela totalmente sem segurança com uma menina de classe alta que vive em ambientes mais seguros. Acredito que a restrição ao vestir, infelizmente, varia de acordo com a classe social em que ela está inserida — aponta.

A pesquisadora Deise Benedito lembra que, apesar das mães alertarem suas filhas sobre a objetificação dos corpos negros, não há como vigiá-las o tempo todo,  uma vez que grande parte dessas figuras maternas são chefes de família e trabalham fora. De acordo com a plataforma Gênero e Número, em 2018, o número de mulheres negras monoparentais com filhos de zero a 14 anos chegou a mais de 7 milhões, o maior já registrado. 

Deise ressalta que é preciso cuidado até mesmo ao postar fotos das meninas na internet:

— Vemos nas redes sociais situações absurdas em que as crianças são expostas. Os pais precisam ter extremo cuidado com a preservação delas na internet, para que não se tornem vítimas de violência sexual através das redes. Isso precisa ser tratado com ainda mais cuidado entre as meninas negras vítimas do racismo e da hipersexualização de seus corpos — alerta.

Superação, drama e política na ótima série ‘O gambito da rainha’

Gambito da rainha é o nome técnico de uma manobra do jogo de xadrez. E também o estranho título de uma série ótima que acaba de chegar à Netflix (“The queen’s gambit”). Portanto, não se deixe intimidar por ele e embarque.

Anya Taylor-Joy em ‘O gambito da rainha’, da Netflix (Foto: Divulgação)

Os sete episódios se baseiam no romance homônimo de Walter Tevis. Acompanhamos Elizabeth Harmon (criança, nos anos 1950, a cargo de Isla Johnston; e adulta, de Anya Taylor-Joy). Sua mãe morre num acidente de carro. Sozinha no mundo aos 8 anos, é levada para um orfanato num cafundó no Kentucky. Divide o dormitório com dezenas de outras meninas que também passaram da idade de atrair uma família adotiva. Boa aluna, tem o temperamento mais fechado. Como as outras, recebe uma dose diária de tranquilizantes, o que dá uma ideia do regime disciplinador da instituição.

Um dia, a mando da professora, vai limpar o apagador do quadro-negro no porão. Lá, se depara com o vigia, Shaibel (Bill Camp), entretido com uma partida de xadrez em que ele próprio é seu adversário. Logo fica interessada pelo jogo. Depois de muita insistência, acaba convencendo o homem a lhe ensinar a dominar o tabuleiro. “Dominar”, aliás, é um eufemismo. Ela é um prodígio. Mesmo ainda tão jovem, passa a vencer o mestre com facilidade.

Na adolescência, uma surpresa: Elizabeth é adotada por um casal e muda de cidade. Não se integra na escola, embora obtenha boas notas. A mãe, Alma Wheatley (Marielle Heller), é uma mulher deprimida, mas sensível. Quando o pai sai de casa abandonando as duas, uma ligação forte se estabelece entre elas. O enxadrismo é uma vocação inescapável, e a personagem resolve participar de torneios. Começa se inscrevendo em competições obscuras, de subúrbio. Trata-se de um mundo exclusivamente masculino, que se surpreende com a chegada da moça. Mas, focada, Elizabeth não se importa com o preconceito. Ela passa a frequentar disputas importantes e fica famosa. Aparece estampando a capa de publicações como a “Life” e ganha o respeito de todos. A mãe se torna sua agente e grande companheira.

Todo esse drama da vida privada ganha uma dimensão histórica quando a protagonista compete em Paris e Moscou. É o período da Guerra Fria. Há um paralelo entre as disputas da campeã americana com seu adversário soviético e os acontecimentos políticos.

“O gambito da rainha” tem grandes interpretações. Destaco sobretudo as duas atrizes geniais que interpretam a protagonista. O papel é um desafio e tanto, já que a personagem, contida e de poucas palavras, também aparenta sempre estar experimentando uma ebulição interna. Ambas conseguem transmitir essa agonia silenciosa tão subjetiva e ao mesmo tempo fundamental. A reconstituição de época e os lindos figurinos e cenários também encantam. A série merece toda a sua atenção. [PATRÍCIA KOGUT]