Enquanto o resultado mais esperado não sai, veja cinco conquistas para as mulheres e pessoas LGBT+ nas eleições dos EUA

Após uma participação recorde da população nas eleições, candidatas que representam as minorias no país conquistam cargos importantes nas casas legislativas estaduais e nacionais
Laura Suprani

As novatas Mauree Turner, Sarah McBride, Cori Bush e a reeleita Alexandria Ocasio-Cortez vão representar as minorias nas casas legislativas dos EUA Foto: Reprodução

Além da notícia mais aguardada sobre quem será o próximo presidente dos Estados Unidos, as votações da última terça-feira (3) também trazem resultados significativos para as minorias do país. Mulheres, pessoas negras, LGBTs e latinas elegeram representantes para as casas legislativas estaduais e nacionais que pretendem, nos próximos anos, atuar em favor daqueles que por muito tempo tiveram suas demandas ignoradas.PUBLICIDADE

Conheça alguns dos representantes escolhidos que prometem trazer diversidade para as câmaras e senados estaduais e para o Congresso americano e lutar pelos direitos das minorias:

Cori Bush, primeira mulher negra a representar o Missouri no Congresso

Cori Bush, ativista do movimento Black Lives Matter, é a primeira mulher eleita ao Congresso americano pelo estado do Missouri. Foto: NEETA SATAM / NYT
Cori Bush, ativista do movimento Black Lives Matter, é a primeira mulher eleita ao Congresso americano pelo estado do Missouri. Foto: NEETA SATAM / NYT

Primeira mulher negra eleita para representar o Missouri no Congresso, a democrata Cori Bush derrotou o republicano Anthony Rogers com aproximadamente 78% dos votos no 1º Distrito Congressional do estado. Enfermeira e mãe solo, Bush liderou protestos pelo movimento Black Lives Matter na cidade de Ferguson, após a morte a tiros de um jovem negro, Mike Brown, por um policial branco, em 2014.

No Twitter, ela reafirmou a importância de poder representar a classe trabalhadora e a luta dos movimentos antiracistas no Congresso. Em discurso após sua vitória, Bush declarou:

“A primeira mulher negra e também a primeira enfermeira e mãe solo a ter a honra de representar o Missouri no Congreso americano. Deixe-me dizer isso: às mulheres negras, às meninas negras, às enfermeiras, aos trabalhadores essenciais e as mães solo: esse é o nosso momento.”

Sarah McBride, primeira senadora estadual trans dos EUA

Em 2016, Sarah McBride foi a primeira mulher trans a participar da Convenção Nacional do Partido Democrata. Foto: SAUL LOEB / AFP
Em 2016, Sarah McBride foi a primeira mulher trans a participar da Convenção Nacional do Partido Democrata. Foto: SAUL LOEB / AFP

Eleita para ocupar uma cadeira no Senado estadual de Delaware, a democrata Sarah McBride é a primeira mulher trans a ser escolhida para o cargo nos Estados Unidos. E, após sua posse, será a pessoa transgênero com o cargo legislativo mais alto no país.

Ativista pelos direitos da população trans, em 2012 McBride foi também a primeira estagiária abertamente transsexual na Casa Branca, durante a administração de Barack Obama. Em 2016, foi a primeira a discursar numa convenção partidária, pela Convenção Nacional Democrata.

Após a vitória, com 73% dos votos, ela informou: “Espero que esta noite mostre para crianças LGBTQ que nossa democracia também é grande o suficiente para elas. Qualquer que seja a mensagem enviada a população LGBTQ essa noite, não é uma mensagem enviada por mim, é enviada pelos eleitores. Acho que essa é a coisa mais importante para mim e para todos nós lembrarmos.”

Mauree Turner, primeira legisladora não-binária dos EUA

Novata na política, Mauree Turner venceu a eleição para um cargo na Câmara Estadual de Oklahoma, tornando-se a primeira pessoa não-binária a atuar como legisladora estadual, e a primeira muçulmana eleita no Estado Foto: Reprodução/Instagram
Novata na política, Mauree Turner venceu a eleição para um cargo na Câmara Estadual de Oklahoma, tornando-se a primeira pessoa não-binária a atuar como legisladora estadual, e a primeira muçulmana eleita no Estado Foto: Reprodução/Instagram

A ativista Mauree Turner, novata na política, venceu a eleição para um cargo na Câmara Estadual de Oklahoma, tornando-se a primeira pessoa não-binária a atuar como legisladora estadual, e a primeira muçulmana eleita para legislatura pelo Oklahoma.

Segundo Turner, ela pretende trabalhar em torno de uma reforma do sistema de justiça criminal, acesso à saúde e uma renda miníma mais alta para a população, além de advogar pela liberdade religiosa e pelos direitos da população LGBT+.

“Tenho muitas emoções sobre esta noite. Mas, acima de tudo, sou grata pelo meu distrito por me oferecer essa oportunidade”, ela declarou em suas redes sociais após a vitória.

Alexandria Ocasio-Cortez e colegas do ‘Esquadrão’ são reeleitas

Da direita para a esquerda: Ayanna Pressley, Ilhan Omar, Alexandra Ocasio-Cortez e Rashida Tlaib. Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP
Da direita para a esquerda: Ayanna Pressley, Ilhan Omar, Alexandra Ocasio-Cortez e Rashida Tlaib. Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

“Esquadrão” é o nome dado ao grupo composto por quatro congressistas da ala mais à esquerda do partido Democrata americano: Ilhan Omar de Minnesota, Alexandria Ocasio-Cortez de Nova York, Rashida Tlaib de Michigan e Ayanna Pressley de Massachussets.

As quatro, mulheres não-brancas com menos de 50 anos, foram reeleitas para mais um mandato. Elas representam um grupo demográfico mais diverso e de uma geração mais jovem, que defende políticas mais progressistas, como a defesa ao meio ambiente e combate às mudanças climáticas, cobertura de saúde para todos os cidadãos americanos e medidas de combate ao racismo.

Ritchie Torres e Mondaire Jones, primeiros homens negros gays eleitos ao Congresso

Ritchie Torres e Mondaire Jones se tornarão os primeiros homens negros abertamente gays a assumir cargos no Congresso americano. Foto: Reprodução
Ritchie Torres e Mondaire Jones se tornarão os primeiros homens negros abertamente gays a assumir cargos no Congresso americano. Foto: Reprodução

Ritchie Torres e Mondaire Jones se tornarão os primeiros homens negros abertamente gays a assumir cargos no Congresso americano.

Torres, membro do conselho da cidade de Nova York, derrotou seu adversário com 88% dos votos, e representará o distrito do Bronx.

“Eu espero que possa representar a possibilidade de que uma criança pobre, uma criança de cor, uma criança LGBTQ de um lugar como o Bronx, possa superar as possibilidades e se tornar um membro do Congressos dos Estados Unidos”, afirmou após a contagem dos votos.

Jones, advogado atuante na região do Vale do rio Hudson, foi eleito afirmando a intenção de levar ao Congresso uma visão progressista, com o objetivo de eliminar as injustiças e desigualdades que dominam o país.

“Enquanto crescia, nunca imaginei que alguém como eu pudesse concorrer ao Congresso, ainda mais ser eleito. Crescer pobre, negro e gay é não se ver em lugar nenhum. Agora, estou honrado pela oportunidade de uma vida”, escreveu no Twitter.

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