Kylie Minogue faz o convite para sua nova era e álbum ‘DISCO’

Em entrevista especial à Vogue, a cantora australiana comenta a produção do seu décimo quinto álbum ‘DISCO’, o sonho de garota que se realiza aos 52 e o sentimento do seu último show no Brasil, em março de 2020
BRUNO COSTA (@BROGUEIRINHO)

Kylie Minogue em performance de Infinite Disco, pocket show em streaming do lançamento de seu novo trabalho Disco (Foto: David Lopez-Edwards)

No dia 21 de julho de 2020, Kylie Minogue (@kylieminogue) confirmou nas redes sociais que seu novo álbum DISCO seria lançado no dia 6 de novembro, e aqui estamos. Sendo este seu 15º trabalho de estúdio, em quase 33 anos de carreira musical, de seus 52 anos, a cantora que começou na teledramaturgia, relata à Vogue que perde as palavras quando explica o que sente sobre a concretização deste projeto: “Estou muito empolgada em ter a oportunidade de deixar o DISCO seguir e falar sobre ele. Deixar as músicas terem suas vidas, para que todos possam curtir.” 

No ano em que um dos seus álbuns completa 20 anos e se afirma como um dos trabalhos que garantiu a retomada da artista aos holofotes da música pop, Kylie se refez como artista: criou um estúdio, aprendeu a parte técnica e finalizou o material, tudo em casa, por conta da quarentena. Com tudo pronto, se afastou do eletrônicos e foi curtir e experienciar suas músicas no jardim de sua morada, na Austrália. PUBLICIDADE

Ela, que já incluiu Dancing Queen do ABBA em seu setlist em turnês, já fez mash up de sua música Light Years com o hit I Feel Love de Donna Summer, na estonteante Fever Tour em 2002, além de ter colaborado com um dos expoentes do gênero disco, o produtor musical Giorgio Moroder, mergulha de vez na era da brilhantina, e convoca novamente seus fãs a se jogarem na pista de dança, em um projeto que tem como síntese uma fiel homenagem aos seus ídolos e a sua criança interna, que era fã de disco music. 

Capa do álbum DISCO (Foto: Instagram / Reprodução)
Capa do álbum DISCO (Foto: Divulgação)

Com três singles já lançados, como a animada e sempre falando de amor Say Something, a delicada e bem estruturada união de pop chiclete com os embalos da disco em Magic e a quase despercebida, mas agitada I Love ItDISCO percorre pelo gênero que o autointitula, de forma que transparece a entrega contagiante de Minogue em suas 16 faixas. Unindo sua identidade pop, que nos remete ao famoso “La La La” de Can’t Get You Out Of My Head, adicionado a reinvenção do gênero, que desponta novamente nos charts e streaming da atualidade nos materiais de outros artistas como Dua LipaMiley Cyrus e Doja Cat, por exemplo.

Direto de sua casa, Kylie conversou com à Vogue pelo Zoom, distribuindo carisma, nostalgia de seus fãs brasileiros, detalha como é concluir um projeto em plena quarentena e sua apresentação por streaming no sábado, 7 de novembro. Confira a conversa na íntegra na sequência.

Kylie, em sua história, há relatos seus de que você assistia suas artistas favoritas na TV nos anos 1970 e não imaginava estar no mesmo lugar que elas. Como é compor um álbum que celebra seus ídolos?
De certa forma, é como um sonho realizado, porque quando eu era jovem, digo, entre 8, 9 e 10 anos, estava apenas entrando na música, música pop no rádio, tocando os discos dos meus pais: Donna Summer, os Bee Gees, The Beatles e The Rolling Stones. Eu logo me apaixonei com a disco music. Eu falo isso com uma cópia do meu álbum ao lado e estou olhando nele e você me fazendo essa questão sobre a minha infância, me faz pensar nessa jovem garota, segurando um vinil e que em algum lugar na minha mente tinha a fantasia de que seria cantora um dia e aqui estou.

Então, sim, é um sonho realizado. Eu sei que o caminho para chegar até este lugar tem tido os seus altos e baixos mas, tem sido uma linda jornada, majoritariamente.

A disco music foi composta por gerações de décadas passadas. Qual o processo de trazer este som para as novas gerações também?
Bem, eu realmente percebi cedo que eu tive que me curvar aos grandes, me curvar aos pés de Giorgio Moroder, Chic, Donna Summer, Diana Ross, Gloria Gaynor. Mas numa tentativa de não copiar as músicas deles, acho que isso seria um grande erro, mas é claro que você escuta o álbum e uma música como Last Chance, com altas batidas do Bee Gees, ABBA, as referências estão ali, certamente. Eu só tive que tentar encontrar o meu próprio caminho com partes da disco music que fazem sentido para mim e tentar criar algo novo a partir disso.

Cena do clipe Magic (Foto: Divulgação)
Cena do clipe Magic (Foto: Divulgação)

Em 2010, com o álbum Aphrodite, você declarou que escolheu as músicas escutando e dançando pelos cômodos da casa. E agora para o DISCO, como foi?
Ótima pergunta. Quando comecei o álbum, no contexto anterior de mundo, vamos dizer assim, eu estava no estúdio e tudo era como era. Eu terminei em minha casa, em meu novo home studio, que soa ser algo grande mas na verdade não é. E provavelmente, escutar na minha casa foi um despertar. Como no jardim, com meu fones de ouvido e tentando me afastar do computador, me afastar dos aparelhos, apenas tentando ter experiências sonoras sem olhar na tela, sem ver as ondas da músicas, sem olhar as letras e sim ter uma visão com isso, que é um ponto importante. Eu me tornei tão focada e obcecada por isso. E escutar depois de pronto, como foi no Aphrodite, foi uma tentativa de sair de casa, ou pelo menos de sair de perto do computador.

Em entrevista à Apple Music, você declara que quando tudo normalizar, o DISCO terá uma turnê e palcos maiores que os anteriores, convidando todos a dançar. Mas agora, qual o papel de desfrutar o DISCO em casa?
Com muita esperança e de coração, o jeito prático é como podemos consumir música: pode comprar online, pode escutar no streaming, no rádio. O grande benefício é que há esta forma de entrega. De outro lado, com certeza, é muito diferente. Mas tem sido um momento de muito valor. Estar em casa e emanar uma luz por meio da música, de forma diferente, como haverá no show do Infinite Disco, neste sábado (7), é um dos jeitos de se concretizar, digo, é um desafio para o time em pensar como fazer isso? Não é um show, não é um vídeo, mas é um pouco de tudo isso.

Acredito que no final, estamos todos deixando registrando durante esses 50 minutos de show, com um senso, eu espero, de convidar você à pista de dança comigo. Como eu postei: eu estou no palco e você na plateia. E claro que a união, de todos estarem juntos e a energia dessa união, mesma estando separados. Eu desejo que com o Infinite Disco, você se sinta em ter um tempo de estar na pista de dança comigo. É menos palco e mais pista de dança.

Trecho da apresentação de Kylie no especial Infinite Disco (Foto: David Lopez-Edwards)
Trecho da apresentação de Kylie no especial Infinite Disco (Foto: David Lopez-Edwards)

Suas turnês têm diversos figurinos e muitos deles assinados por nomes como Jean-Paul Gaultier, Dolce & Gabanna, entre outros. O que podemos esperar para a era DISCO?
Olha, eu conheci essas pessoas novas, para os dois vídeos que eu fiz, Say Something e Magic. É uma dupla de designers e stylist e trabalhamos tão bem juntos. Foi uma troca linda, fresca de energia e pontos de vista. E para Infinite Disco, eu tenho que confessar que foi muito difícil. Mas nunca estive na situação onde eu visto apenas uma roupa em 50 minutos. Normalmente é uma peça para três ou seis músicas e há as trocas. Então, definir apenas uma, que pudesse complementar e fizesse sentindo a cada parte do show, mesmo que não haja sessões no Infinite Disco, mas pela sequência. Eu estou realmente satisfeita de que deu certo, porque, não será como você viu no show no Brasil, mas muito do que aconteceu depois eu estou tentando atingir, com looks certos.

Quem são os seus fãs atualmente?
Para ser honesta, eu não tenho muita certeza. Não tenho mesmo. Eu acho que, nos concertos ao vivo, é um bom parâmetro para mensurar e ver os rostos das pessoas e saber quem está lá. E esse é um dos motivos que eu amo tanto em estar em turnê. Absolutamente há fãs que têm a minha idade, ou são mais velhos, os que são mais novos, talvez há mais da nova geração de fãs do pop. Eu acho que minha fanbase atualmente seria provavelmente de pessoas não tão novas quanto eu. Assim como eu cresci, há fãs que cresceram junto comigo e há pessoas que deram um tempo, deixaram de me seguir, voltaram. Mas acima de tudo, é lindo ver a diversidade de fãs que tenho e eu realmente amo.

Qual a sua principal lembrança do show de São Paulo, no Festival GRLS, em março de 2020?
O barulho, o amor, as boas-vindas. E isso foi antes do lockdown. Agora eu associo isso na minha cabeça como o último maior show que eu fiz. Bem, eu não tinha In My Arms no set há muito tempo e dizemos: “temos que colocá-la, eu acho que é um hit lá”. Uau. Eu literalmente não conseguia escutar a mim mesma nas primeiras quatro músicas. Eu não sabia se estava no ritmo, no tom, não tinha ideia. Mas foi lindamente irresistível.

Há uma possibilidade de retorno?
Absolutamente.

E está ansiosa para que o DISCO chegue logo para o público?
Eu sempre perco as palavras. Eu não consigo acreditar, depois de tantos anos, parece que é eterno. Meses, por que leva meses? Por que eu não posso liberar agora? Eu tenho as mesmas questões que os fãs têm. Por que demora tanto? Mas há razões para isso, juro que existem. E e as coordenadas do relógio, o tempo passando.

Eu estou muito empolgada em ter a oportunidade de deixar o DISCO seguir e falar sobre ele, deixar as músicas terem suas vidas, para que todos possam curtir. E Infinite Disco, eu espero que as pessoas saibam a tempo, que possam adquirir os ingressos, porque não é uma casa de show, não há lotação, todos podem se enturmar. E assim que estiver acabado, não sei quando verão novamente. Por isso os convido para curtir comigo.

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