Lendária livraria Shakespeare and Company pede socorro e recebe pedido recorde de livros

A histórica livraria é também um importante ponto turístico de Paris e está sofrendo os efeitos do coronavírus desde o primeiro lockdown na França
AFP

A livraria Shakespeare and Company, em Paris, em 2018 Foto: Charles Platiau/Reuters

Shakespeare and Company, icônica livraria de Paris que publicou Ulisses, de James Joyce, em 1922, está pedindo ajuda para os leitores depois que as perdas ocasionadas pelo lockdown em Paris, na primavera, ameaçam o seu futuro.

A livraria especializada em obras em língua inglesa mandou um e-mail para seus clientes na semana passada informando que ela estava enfrentando “tempos difíceis” e pedindo que eles comprassem livros. Paris entrou num novo lockdown no dia 30 de outubro e fechou todas as lojas de itens não essenciais pela segunda vez em sete meses.

“Estamos abaixo dos 80% desde o primeiro confinamento, em março, então, à esta altura, estamos usando nossas economias”, disse Sylvia Whitman, a filha do proprietário George Whitman, já morto.

Desde que mandou o apelo por e-mail, Whitman diz ter recebido muitas mensagens e pedidos. Em uma semana, ela recebeu 5 mil pedidos de livros, um recorde. Numa semana normal, o número ficaria em torno de 100. O apoio tem vindo de todos os lados, de estudantes de baixa renda até o ex-presidente Francois Hollande, que apareceu na livraria antes do lockdown.

Além disso, muitos moradores de Paris entraram em contato para fazer doações, e não compras, e para compartilhar memórias com relação à livraria – gente que se apaixonou lá dentro e até pessoas que já dormiram entre suas prateleiras.

“Meu pai costumava deixar pessoas dormirem na livraria. Cerca de 30 mil pessoas já fizeram isso”, ela disse.

Shakespeare and Company é a mais famosa livraria independente. Fundada por Sylvia Beach em 1919, Shakespeare & Company se tornou um ponto de encontro de escritores estrangeiros vivendo em Paris, como Ernest Hemingway, T.S. Eliot, F. Scott Fitzgerald e James Joyce. Durante a Segunda Guerra Mundial, a livraria foi fechada em 1941, depois que ela se recusou a vender a última cópia de Ulisses para um oficial nazista. A livraria reabriu em 1951 em um novo endereço e com um novo dono, George Whitman.

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