‘Moletom fashionista’ vai dominar a moda no pós-pandemia

Trabalhadores devem levar para a vida profissional o conforto que experimentaram nos meses de home office
Isabela Bolzani

Peças de vestuário no Centro de Distribuição da C&A, situado no Parque Ipê em São Paulo.
Peças de vestuário no Centro de Distribuição da C&A, situado no Parque Ipê em São Paulo. Eduardo Knapp/Folhapress

A diferença fica por conta da vestimenta: a bermuda toma o lugar das calças de alfaiataria. Na parte de cima, uma camisa bem passada para enfrentar as reuniões por vídeochamada ao longo do dia –ou mesmo uma camiseta, caso a agenda permita.

A demanda por roupas mais confortáveis ganhou força nos canais digitais durante o isolamento social e looks de malhas e materiais mais leves devem passar a ter uma participação maior nas vendas do varejo de moda mesmo com a volta gradual das atividades cotidianas.

O movimento acompanha a maior adesão das companhias por modelos de trabalho híbridos, nos quais parte dos dias da semana são trabalhados de casa.

Centro de distribuição da C&A, no Parque Ipê, em São Paulo; vendas online de roupas mais confortáveis ganharam força na pandemia – Eduardo Knapp/Folhapress

Segundo Fernando Pimentel, presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), apesar de o segmento de vestuário ter sofrido durante a pandemia do novo coronavírus, as vendas que aconteceram partiram de segmentos não tão comuns: calças e blusas de moletom, roupas de malha ou de academia, meias, chinelos e pantufas.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre o varejo apontam que as vendas do segmento de vestuário subiram 30,5% em agosto contra julho. O comércio em geral subiu 3,4% no mesmo período.

“As pessoas começaram a ficar mais em casa, trabalhar de um jeito diferente, se exercitar de outra maneira. Tudo isso foi demandando um tipo de produto diferente daquele que era necessário quando se trabalha no escritório, pegando condução. Houve uma procura por roupas mais confortáveis, mas que permitissem reuniões. O consumo com o vestuário caiu nesse período [de pandemia], mas tivemos uma mudança de mix nos produtos vendidos”, afirmou Pimentel.

Foi nessa mudança de cenário, do escritório para o home office, que Danielle Fortunato, 28, percebeu que precisaria fazer mudanças em seu guarda-roupa. Ela, que é coordenadora da área de projetos de uma seguradora e estava acostumada a trabalhar de traje social todos os dias, precisou comprar roupas mais confortáveis para conseguir trabalhar remotamente.

“Chegou a um ponto em que eu fui para o sítio dos meus pais de casaco social porque não tinha uma jaqueta de moletom para usar. Também precisei comprar uma calça de moletom, pijamas e até tênis porque eu só tinha scarpins [modelos de sapatos de salto alto fechados]”, afirmou.

Entre as grandes varejistas de moda, a maior demanda dos consumidores por roupas mais confortáveis também exigiu uma adaptação nos modelos e estilos.

Segundo o diretor de marketing da Riachuelo, Elio Silva, o momento exigiu uma transformação do produto oferecido nas lojas da marca, mais integrada ao desejo dos clientes. Ele afirma que, em um primeiro momento, a empresa viu um boom na venda de pijamas –de cada 10 compras, 8 continham o produto.

Em seguida, pantufas, chinelos e itens que aparecem em uma rotina doméstica ganharam força, além de produtos confeccionados para a casa –como cama, mesa e banho– e toda a linha de conforto da companhia, com itens de algodão, moletom e tecidos leves.

“O cliente começou a demandar outros modelos. Fizemos várias pesquisas para entregar uma proposta que contemplasse o que o consumidor queria e começamos a criar coleções específicas para o período, tentando trazer a inovação da moda para os itens mais confortáveis”, disse Silva, usando de exemplo a linha de tie dye [técnica de tingimento de roupas no estilo “faça você mesmo”], da companhia, que envolvia camisetas e moletons.

“O consumidor não queria mais comprar roupas com cores de inverno, mais sóbrias. Então tudo o que foi criado durante a pandemia foi mais leve e divertido.

Funcionários identificam peças de roupa destinadas para vendas no e-commerce em área do galpão no centro de distribuição da C&A, no Parque Ipê, em São Paulo – Eduardo Knapp/Folhapress

Para o presidente da Marisa, Marcelo Pimentel, outro efeito característico do isolamento social que acabou moldando as vendas do setor foi o aumento de consumo de “tops” (parte de cima das roupas, como camisas) mais sociais.

“É o chamado ‘efeito videoconferência’, já que é exatamente o que aparece na imagem da câmera em uma chamada de vídeo. Além disso, também pela demanda dos clientes, começamos a ajustar a nossa coleção futura com um lounge wear [roupas com tecidos mais finos e leves], também adaptados com conteúdos de moda, como cortes e estampas, principalmente em calças”, disse.

Os executivos do setor afirmaram, ainda, que apesar de a demanda por moletons e malhas ter se sobressaído durante o isolamento social, consumidores continuaram comprando calças jeans – ainda que em menor quantidade.

O movimento é diferente do que foi observado em outras partes do mundo. Nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, grandes marcas de jeans como True Religion, Lucky Brand e G-Star RAW entraram com pedidos de recuperação judicial desde abril. A Levi’s, outra grande marca, reportou queda de 62% nas receitas do segundo trimestre, para US$ 498 milhões (R$ 2,8 bilhões).

“O nosso jeans continua muito forte. Houve um aumento de participação na venda desses itens, principalmente porque a maioria deles já vem com elastano. Criamos uma calça em maio, por exemplo, que veste até cinco tamanhos e foi sucesso de vendas. E essa tendência deve se estender para o pós-pandemia, já que os modelos híbridos de trabalho serão mais adotados pelas empresas”, afirmou o diretor de produtos da Renner, Henry Costa.

A expectativa é que apesar de a reabertura da economia acontecer e de o consumidor voltar para as lojas físicas gradativamente, esses modelos híbridos de trabalho ainda tendem a ditar as vendas de vestuário.

Mesmo entre consumidores mais adaptados às roupas casuais, os trajes mais confortáveis também ganham peso na decisão de compra. É o caso de Beatriz Bebiano, 24, que faz tradução de artigos científicos em um centro universitário. Ela afirma que deve levar as roupas confortáveis com ainda mais frequência para o ambiente de trabalho.

“Com certeza isso muda porque acabamos nos acostumamos com conforto. Vestir uma calça de alfaiataria nunca mais será a mesma coisa depois de passar meses vestindo moletom. Principalmente agora, que as estampas estão mais coloridas, dá para fazer looks interessantes”, disse.

Beatriz Bebiano, 24, tradutora, na casa dela em Santo André; ela comprou roupas mais confortáveis para aproveitar o home office
Beatriz Cecilio Bebiano, 24, tradutora, na casa dela em Santo André; ela comprou roupas mais confortáveis para aproveitar o home office – Mathilde Missioneiro/Folhapress

“Para mim, que tenho uma deficiência física e dificuldade de locomoção, conforto é ainda mais essencial. Ainda tenho dificuldades de achar roupas adeptas de uma moda inclusiva, que pense em designs que facilitem para quem tem alguma deficiência física. Nesse sentido, panos que esticam, mais fáceis de vestir, fazem muita diferença”, afirma.

Para o presidente da Abit, a demanda por roupas mais confortáveis deve se equilibrar um pouco mais em relação aos produtos sociais e casuais.

“Há a perspectiva de que essa adaptação das roupas mais confortáveis siga trazendo estilo e designs diferentes conforme a moda se transforme ao longo do tempo. Inclusive em relação à máscara, que passa a ser um acessório importante. O jeans e a malha compõem um uniforme muito característico da sociedade brasileira e isso deve continuar”, disse Pimentel, da Abit.

A gerente sênior de marketing da C&A Brasil, Mariana Moraes, afirma, ainda, que transformações feitas nos canais de venda e na forma de consumo dos clientes ao longo da pandemia também devem se estender.

“Toda essa mudança de produto também veio acompanhada de uma mudança dos canais de venda. O consumidor brasileiro ainda não tem maturidade de consumo online em confecção, mas foi um processo que se acelerou nos últimos meses e que deve trazer mudanças definitivas na forma de comprar. Modelos de drive thrus, autopagamento e as máquinas de autocompra [semelhantes às máquinas de refrigerantes em estações de metrô e trem] são iniciativas nas quais continuamos a apostar”, disse.

Rotina matinal da modelo Sigrid Agren com 8 meses de gravidez | Vogue Paris

A modelo Sigrid Agren levou a Vogue Paris em sua rotina matinal de gravidez em sua casa em Fort-de-France, na Martinica. Desde a primeira coisa que faz ao acordar na cama aos produtos que usa na pele e na maneira como se veste, veja como esta ex-modelo da Victoria’s Secret está vivendo sua gravidez.

Mix – Manuel Lormel

O Gambito da Rainha: o que é real na série da Netflix?

História é baseada no livro de Walter Tevis, publicado em 1983
JULIA SABBAGA

Desde sua estreia na Netflix, e cada vez mais (já que segue crescendo na lista de popularidade da plataforma), O Gambito da Rainha tem intrigado o público com um questionamento: a história de Elizabeth Harmon é real? A resposta é não. Apesar de um contexto histórico factual, se passando durante a Guerra Fria, a personagem vivida por Anya Taylor-Joy nunca existiu. O Gambito da Rainha é baseado em um livro homônimo, publicado por Walter Trevis em 1983. 

Mesmo assim, a série da Netflix explora o cenário dos anos 60 nos Estados Unidos e na União Soviética de modo preciso. Além de revelar as tensões entre as duas nações – principalmente no campo do xadrez – O Gambito da Rainha também retrata competições de modo certeiro. Relatos de mestres como a campeã estadunidense Jennifer Shahade à Vanity Fair ou de Garry Kasparov, ex-campeão mundial de xadrez ao NYT sugerem que a produção da Netflix acertou quando se trata do mundo competitivo: “É o mais próximo possível da atmosfera autêntica de torneios de xadrez”, disse Kasparov. 

A protagonista Elizabeth Harmon, apesar de fictícia, também rendeu comparações com o mestre de xadrez americano Bobby Fischer. Além de ter demonstrado habilidade no jogo desde seus 13 anos, Fischer também recebeu o título de campeão mundial após derrotar o então campeão e soviético Boris Spassky, no meio da Guerra Fria, em 1972. Aos interessados na história de Fischer, o enxadrista foi interpretado por Tobey Maguire no longa de 2014, O Dono do Jogo.

O Gambito da Rainha conta também com Thomas Brodie-Sanger (Game of Thrones), Harry Melling (Harry Potter) e Bill Camp (The Outsider) e está disponível na Netflix.

Monday Swim | Spring Summer 2020 | Full Show

Monday Swim | Spring Summer 2020 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – Miami Swim Week)

Martin Felix Kaczmarski – Closer Without You/In My Arms/Strung Along/Luminous Twilight/On The Verge/Drift Together

DC Comics e Marvel: conheça as origens de super-heróis e vilões

Conheça cinco personagens do universo DC e cinco personagens da Marvel e confira histórias para se aprofundar em cada um
André Cáceres

Batman, Coringa e Mulher-Maravilha são alguns dos personagens favoritos dos fãs DC COMICS

Deuses, loucos, monstros: os personagens da DC Comics podem ser rotulados como muitas coisas, mas algo que nunca lhes falta é grandiosidade. As histórias de heróis como Super-Homem e Mulher-Maravilha desafiam as leis da física, os limites do universo e as definições de humanidade, justamente porque grande parte dos personagens da DC Comics não são humanos. Trata-se de alienígenas, deuses, criaturas de outros planos, muito acima das pessoas comuns. É exatamente esse contraste que faz dos personagens humanos, como Batman, ainda mais identificáveis: por meio da autodeterminação, ele consegue ficar lado a lado com esses seres.


CORINGA

O Coringa é um dos mais misteriosos vilões da cultura popDC COMICS

ORIGEM

Não há uma origem canônica estabelecida para o Coringa, embora o quadrinho A Piada Mortal (1988), de Alan Moore, e o filme Coringa (2019), de Jason Todd, mostrem que ele era um comediante frustrado que enlouqueceu e direcionou sua fúria para o caos. Ele apareceu pela primeira vez em 1940, na primeira revista própria do Batman.

SUPERPODERES

O Coringa não possui poderes sobrenaturais, mas tem diversas habilidades físicas e mentais, e é um dos mais temidos vilões da história dos quadrinhos.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● A Piada Mortal (1988), HQ de Alan Moore
● Uma Morte na Família (1988), HQ de Jim Starlin
● Batman: O Homem que Ri (2005), HQ de Ed Brubaker e Doug Mahnke
● Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), filme de Christopher Nolan
● Coringa (2019), filme de Jason Todd


MULHER-MARAVILHA

A pioneira Mulher-Maravilha é a principal heroína feminina dos quadrinhosDC COMICS

ORIGEM

Surgida na revista All Star Comics #8, de 1941, a Mulher-Maravilhaé uma amazona, inspirada na mitologia grega. Criada pelo psicólogo e inventor William Moulton Marston, a personagem surgiu como fruto de seu relacionamento poliamoroso com Elizabeth Holloway Marston e Olive Byrne, e refletia os ideais feministas delas, embora tenha sido acusada de propagar referências eróticas e subtexto sadomasoquista para as crianças durante a era de perseguição e censura aos quadrinhos. A história de sua concepção foi contada no filme Professor Marston & the Wonder Women (2017).

SUPERPODERES

Superforça, velocidade, voo, longevidade, regeneração, magia, além de seus equipamentos: laço da verdade, braceletes indestrutíveis e jato invisível.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● Battle for Womanhood (1942), HQ de William Moulton Marston
● Gods and Mortals (1987), HQ de George Perez
● Desafio dos Deuses (1987), HQ de George Perez
● Mulher-Maravilha: Hiketeia (2003), HQ de Greg Rucka e J.G. Jones
● Mulher-Maravilha (2017), filme de Patty Jenkins


BATMAN

O Batman levou tramas sombrias e subtexto sobre insanidade mental aos quadrinhosDC COMICS

ORIGEM

Criado por Bill Finger e Bob Kane, o Batman é fruto das histórias detetivescas e de mistério com clima noir que dominavam os quadrinhos antes da era dos super-heróis. Sua primeira aparição foi na revista Detective Comics, em 1939, com enfoque muito maior em seu lado investigador do que exatamente na questão de combate ao crime ou de ser um bilionário excêntrico, características que foram sendo adotadas mais tarde. No ano seguinte, o Batman ganhou uma revista própria e uma vasta galeria de vilões, como Coringa, Pinguim, Charada e Duas Caras.

SUPERPODERES

O Batman não possui poderes, embora utilize sua fortuna, seus equipamentos e seu treinamento para combater o crime.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● Batman: O Cavaleiro das Trevas (1986), HQ de Frank Miller
● Batman: Ano Um (1988), HQ de Frank Miller e David Mazzucchelli
● Asilo Arkham (1989), HQ de Grant Morrison e Dave McKean
● O Longo dia das Bruxas (1996), HQ de Jeph Loeb e Tim Sale
● Batman Begins (2005), filme de Christopher Nolan


FLASH

Poderes de Flash permitiram DC criar histórias sobre multiversosDC COMICS

ORIGEM

Criado pelo roteirista Gardner Fox e pelo ilustrador Harry Lampert, o Flashfez sua primeira aparição em 1940 e, desde então, muitos personagens, heróis e vilões já vestiram o seu manto. Os principais personagens a usarem o nome Flash ao longo das oito décadas de histórias do herói são Jay Garrick, Barry Allen, Wally West e Bart Allen.

SUPERPODERES

Graças à sua supervelocidade, o Flash possui a habilidade de viajar no tempo em condições extremas e, por isso, ele foi pivô de alguns dos principais eventos do Universo DC, como a Crise nas Infinitas Terras, uma HQ sobre multiversos que reuniu todos os personagens da editora nos anos 1980.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● Flash de Dois Mundos (1961), HQ de Gardner Fox e Carmine Infantino
● Crise nas Infinitas Terras (1985), HQ de Marv Wolfman e George Pérez
● The Flash: Terminal Velocity (1994), HQ de Mark Waid
● Flashpoint (2011), HQ de Geoff Johns e Andy Kubert
● The Flash (2014), série de Greg Berlanti, Andrew Kreisberg e Geoff Johns


SUPER-HOMEM

O ‘padrão-ouro’ dos super-heróis, Super-Homem é praticamente uma divindadeDC COMICS

ORIGEM

Criado por Jerry Siegel e Joe Shuster em 1938, na primeira edição da revista Action Comics, o Super-Homem é o padrão ouro dos super-heróis e estabeleceu muitos dos parâmetros que seriam seguidos ou quebrados nos anos seguintes por outros personagens. O Super-Homem é o alter ego de Clark Kent, um jornalista que, na verdade, é um alienígena chamado Kal-El, vindo do planeta Krypton.

SUPERPODERES

Superforça, velocidade, voo, longevidade, regeneração, acuidade visual ampliada, visão de calor, visão eletromagnética, visão microscópica, visão em raio-x, visão telescópica, visão infravermelha, hálito congelante

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● A Origem do Super-Homem (Superman #53, 1948), HQ de Bill Finger e Wayne Boring
● Superman (1978), filme de Richard Donner
● Para o Homem que Tem Tudo (1985), HQ de Alan Moore
● O que aconteceu ao Homem de Aço? (1986), HQ de Alan Moore
● Entre a Foice e o Martelo (2003), HQ de Mark Millar


Marvel Comics

Dramas humanos, falhas de caráter e zonas cinzentas entre o bem e o mal: essas são algumas das principais características das histórias da Marvel. Não se trata de heróis perfeitos, divindades imaculadas, mas sim de pessoas comuns que têm de lidar com a responsabilidade dos poderes que lhes foram confiados, ou até mesmo personagens cínicos, sem tanto interesse em fazer o bem, mas que equilibram suas facetas boas e más. É assim que super-heróis como Homem-Aranha e Hulk cultivaram a identificação dos leitores e se tornaram favoritos para tantos fãs.


THANOS

Thanos ganhou popularidade após arco dramático nos cinemasMARVEL COMICS

ORIGEM

Thanos, o Titã Louco, não era grande conhecido do público até 2012, quando apareceu na cena pós-créditos do primeiro filme dos Vingadores, mas sua origem remonta à edição 55 de Homem de Ferro, publicada em 1973. Criado por Jim Starlin, ele começou como um coadjuvante com uma história trágica: filho do governante da lua Titã, de Saturno, ele monta um exército para tomar o reino do pai. Seu plano de executar metade das formas de vida no universo é desenvolvido ainda na década de 1970, nos quadrinhos do Capitão Marvel.

SUPERPODERES

Superforça, longevidade, poderes psíquicos, manipulação da matéria e teletransporte.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● Desafio Infinito (1991), de Jim Starlin
● A Ascensão de Thanos (2013), HQ de Jason Aaron e Simone Bianchi
● A Vida e Morte do Capitão Marvel (2017), antologia de HQs por vários artistas
● Vingadores: Guerra Infinita (2018), filme de Joe e Antony Russo
● Vingadores: Ultimato (2019), filme de Joe e Antony Russo


HOMEM-ARANHA

Ao conciliar vida de jovem e combate ao crime, Homem-Aranha ganhou identificação dos fãsMARVEL COMICS

ORIGEM

Criado em 1962 por Steve Ditko e Stan Lee, o Homem-Aranha foi tão importante para a era de prata dos heróis quanto o Super-Homem para a era de ouro. Um adolescente tímido que precisa conciliar os problemas de sua vida cotidiana com a responsabilidade de usar os poderes recém-adquiridos para combater o crime, Peter Parker ganhou a identificação imediata dos leitores e pavimentou uma nova geração de heróis. Além de suas histórias em quadrinhos, o Homem-Aranha é um dos personagens mais retratados no cinema.

SUPERPODERES

Superforça, capacidade de escalar e se fixar em superfícies, regeneração, premonição de perigo, além de aparelhos que o fazem lançar uma substância semelhante às teias de uma aranha.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● If This Be My Destiny…! (The Amazing Spider Man #31-33, 1965), HQ de Steve Ditko e Stan Lee
● Spider-Man No More (The Amazing Spider-Man #50, 1967), HQ de Stan Lee e John Romita
● Homem-Aranha (2002), filme de Sam Raimi
● Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017), filme de Jon Watts
● Homem-Aranha no Aranhaverso (2019), filme de Peter Ramsey, Rodney Rothman e Bob Persichetti


HULK

O Incrível Hulk é a atualização de ficção científica do arquétipo do médico e do monstroMARVEL COMICS

ORIGEM

Hulk é praticamente a versão Marvel do clássico O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson com uma adaptação para a era da guerra fria. Alter ego de Bruce Banner, um cientista, o Hulk é um monstro verde incontrolável, que reflete o pior lado da personalidade de seu Banner. Nesse sentido, ele subverte o estereótipo dos super-heróis ao ser apresentado como um antiherói e muitas vezes até como vilão em suas histórias. Criado por Stan Lee e Jack Kirby, ele apareceu pela primeira vez já em uma revista própria, em 1962. Desde então, é um dos personagens mais populares da Marvel, tendo ganhado séries de TV e filmes.

SUPERPODERES

Transformação em Hulk, superforça, regeneração, capacidade de respirar imerso em água, emissão e manipulação de raios gama

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● A Batalha do Século (Fantastic Four #25-26, 1964), HQ de Stan Lee e Jack Kirby
● Hulk: Futuro Imperfeito (1992), HQ de Peter David
● Planeta Hulk (1999), HQ de Greg Pak, Carlo Pagulayan e Aaron Lopresti
● Hulk: The End (2002), HQ de Peter David e Dale Keown
● O Incrível Hulk (2008), filme de Louis Leterrier


CAPITÃO AMÉRICA

Capitão América encarnou a luta pela liberdade durante a 2ª Guerra MundialMARVEL COMICS

ORIGEM

Capitão América é um supersoldado cujas habilidades foram ampliadas com um soro experimental desenvolvido pelo exército americano. Um dos mais antigos e importantes personagens da Marvel, criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby, antecipando a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o herói levou o patriotismo e as temáticas políticas para o mundo dos quadrinhos. Sua primeira história traz na capa uma ilustração do Capitão América dando um soco em ninguém menos que Adolf Hitler, e a luta contra o autoritarismo sempre foi um de seus principais princípios, ainda que isso faça o personagem se voltar contra o próprio governo americano de tempos em tempos.

SUPERPODERES

Superforça, regeneração, resistência e longevidade, capacidades ampliadas por um soro experimental.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● Império Secreto (1974), de Steve Englehart
● A Morte do Capitão América (2004), HQ de Ed Brubaker
● Guerra Civil (2006), HQ de Mark Millar e Steve McNiven
● Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), filme de Joe Johnston
● Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014), filme de Joe e Anthony Russo


HOMEM DE FERRO

Tony Stark lida com suas falhas de caráter que tornam o personagem mais humanoMARVEL COMICS

ORIGEM

Criado em 1963 por Stan Lee, Jack Kirby, Larry Lieber e Don Heck, o Homem de Ferro se autodenomina um gênio, playboy, milionário e filantropo. No entanto, o líder dos Vingadores nunca foi exatamente um dos personagens mais populares da Marvel. Até que, quando a empresa começou a construir seu universo cinematográfico sem ter como produzir filmes de seus principais heróis — X-Men, Quarteto Fantástico e Homem-Aranha, cujos direitos para o cinema estavam com Fox e Sony —, o Homem de Ferro passou a ganhar popularidade até ser hoje um dos mais importantes personagens da Marvel.

SUPERPODERES

O Homem de Ferro não tem superpoderes, mas por ser um inventor endinheirado ele utiliza uma armadura que lhe concede voo, superforça, lasers, resistência, entre muitas outras habilidades.

PRINCIPAIS HISTÓRIAS● Tales of Suspense #39 (1963), HQ de Stan Lee, Larry Lieber e Don Heck
● Homem de Ferro: O Demônio na Garrafa (1979), HQ de David Michelinie, Bob Layton e John Romita Jr.
● Homem de Ferro: Extremis (2004), HQ de Warren Ellis e Adi Granov
● Homem de Ferro (2008), filme de Jon Favreau
● Os Vingadores (2012), filme de Joss Whedon


EXPEDIENTE

Editor executivo multimídia Fabio Sales / Editora de infografia multimídia Regina Elisabeth Silva / Editores assistentes multimídia Adriano Araujo, Carlos Marin, Glauco Lara e William Mariotto / Editor de Cultura Ubiratan Brasil / Editora assistente de Cultura Charlise Morais / Reportagem André Cáceres / Designer Multimídia Lucas Almeida

07/11/20 – Transmissão ao vivo SPFW 25 Anos

Transmissão ao vivo SPFW 25 Anos

Nookie Beach | Spring Summer 2020 | Full Show

Nookie Beach | Spring Summer 2020 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – Miami Swim Week)

Martin Felix Kaczmarski – Real About You/Spinning Round

Matthew McConaughey explica por que não entrou em detalhes sobre abuso sexual em nova biografia

Em ‘ Greenlights’, ator revela que foi chantageado a ter relações sexuais aos 15 anos e molestado aos 18

Matthew McConaughey sabe que há pessoas que pensam: “Puxa vida, McConaughey se encaixa em tudo.” Ele disse que escreveu “Greenlights” em parte como um corretivo. Crédito … Devin Oktar Yalkin para o New York Times

Em entrevista à jornalista americana Tamron Hall, o ator Matthew McConaughey revelou o motivo para não dar detalhes sobre os abusos que sofreu na adolescência em sua autobiografia intitulada ‘Greenlights’. Aos 51 anos, Matthew resolveu se abrir sobre ter sido chantageado a ter sua primeira relação sexual aos 15 anos e sobre ter sido molestado aos 18 por um homem enquanto estava incosciente no banco de trás de uma van. O ator, no entanto, não deu mais detalhes sobre ambas as histórias:

“No final das contas, não há nada que eu ache construtivo sobre os detalhes”, disse ele. “A menos que eu tivesse uma maneira construtiva e realmente boa de ver que pudesse ser identificada por outras pessoas, eu sinto que esses detalhes poderiam ter sido apenas captados e relatados por voyeurismo”.

“Eles poderiam ter sido a coisa que todos os programas iriam destacar. ‘Leia sobre os detalhes de quando Matthew foi molestado’ ou ‘Leia sobre quando ele foi chantageado’, e essa é a manchete errada”, explicou ele. “Também escrevo no livro que nunca me senti uma vítima.”, disse o ator.

“Esses dois eventos aconteceram comigo aos 15 e 18 anos. Se tivessem acontecido comigo mais jovem, talvez eu tivesse ficado mais confuso”, emendou. “Mas quando eles aconteceram comigo, ficou muito claro para mim que eles estavam errados, que não eram ideais, que não eram como deveriam ser.” Continuando, ele acrescentou: “Então, acho que ter essa clareza é provavelmente a razão pela qual isso não ficou comigo e me confundiu mais tarde ou me deixou com uma visão não realista de como o mundo deveria funcionar”.

Para escrever o livro, que já está disponível para compra, Matthew se isolou por 52 dias no deserto sem eletricidade. “Eu mantenho diários há 36 anos. Há alguns anos, minha mulher disse ‘ Você fala em mergulhar neles por 36 anos e ver no que dá’. Agora é a hora”. O ator é casado com a modelo brasileira Camila Alves.

“Reparei em muitos sinais vermelhos e amarelos que tive na minha vida antes, que com o tempo ficaram verdes”, explicou Matthew. “Com o tempo, vi coisas difíceis e trágicas – percebi que são coisas que podem funcionar para todos. A morte de um ente querido é uma luz vermelha – para mim, a mudança de meu pai era uma grande luz vermelha – mas, então, eu percebi quando olhei em meus diários o quanto … as coisas que ele me ensinou o mantiveram vivo pelo que eu aprendi com ele e o homem que tento ser diariamente. Isso é sinal de que ele estou indo em frente”, refletiu.

São Paulo Fashion Week tem coleções com tom político mais incisivo e estridente

Grifes exploram desde a desconstrução da bandeira nacional até silenciamento imposto pela ditadura militar
Pedro Diniz

Criador: Vinícius Santa Rosa | Crédito: Foto: Vinícius Santa Rosa / Metrópoles
Direitos autorais: Todos os direitos reservados

Num ano em que a cultura amargou cortes de investimentos e a liberdade de expressão sofreu ataques de uma minoria que, apoiada pelo poder, parece a querer ver com boca e mãos costuradas, a moda agora tateia formas de, por meio das linhas, descosturar a opressão.

Parte das marcas que desfilaram no terceiro dia de desfiles da São Paulo Fashion Week e outras que ainda devem apresentar seus filmes até o domingo aumentam o volume político das coleções.

Na LED, do estilista Célio Dias, o azul profundo da bandeira brasileira tingiu um vestido curto feito com técnica de crochê. A marca ainda explora a técnica do macramê em peças que falam ao seu cliente desprendido de convenções sobre o que seria roupa de homem ou de mulher. Tanguinhas e roupa de rede podem vestir e expor a pele de todos os gêneros e identidades.

Mais além ainda foi a Misci, de Airon Martin, que estreou na semana de moda se apropriando da bandeira completa, mas também de suas linhas e cores amarela e verde, aqui apagadas, como se estivessem sob um véu de fumaça.

Segundo ele, a bandeira hoje “está vinculada a um discurso extremista”, que prega a perda de liberdades individuais, não representa o país e nada tem a ver com a moda.

No litoral do Rio de Janeiro, numa área que vem sendo engolida pelo mar, sua modelo de traços indígenas tais quais os dos povos escorraçados pelo fogo alastrado em regiões não muito distantes de Sinop, em Mato Grosso, onde nasceu Martin, usa óculos com lentes das cores da bandeira.

Algo minimalista em suas formas, as roupas são soltas, não carregam firulas e mostram um trabalho minucioso de modelagem que, em alguma medida, conseguem abraçar qualquer biotipo.

Essa mesma ideia de recomposição da costura seria levada aos limites por João Pimenta, que encerrou o dia. Inspirado pela ideia de asfixia, cuja imagem tem a ver com a Covid-19, ele criou espécies de armaduras por meio das roupas.

Não é possível identificar a pele, o tamanho do corpo ou o gênero das pessoas que desfilaram uma vasta seleção de xadrezes, calças largas, saias e bordados. Na visão de Pimenta, elas servem para todos.

As cabeças foram cobertas com balaclavas, nas quais foram aplicados adornos brutos, a exemplo de grandes espinhos. Atrás das jaquetas pesadas, a cruz invertida que identifica a marca lembrou a intolerância religiosa.

“Não estou feliz com a zona de conforto em que a moda se sentou, de não olhar o que acontece à sua volta”, disse.

A zona de conforto a que Pimenta se refere lembra o estado de silêncio da indústria nos anos 1960, quando a estilista mineira Zuzu Angel foi a única a se levantar contra a ditadura militar e foi morta, em 1976, num atentado.

Foi dela que seu conterrâneo e colega de profissão Ronaldo Fraga pescou as referências e o tema que encerra o último dia desta São Paulo Fashion Week. Ele explorou há 20 anos a obra da primeira grande estilista mulher do país e única “heroína na pátria” no livro de heróis nacionais.

Agora, décadas após a coleção “Quem Matou Zuzu Angel” ter se tornado um marco da moda brasileira, ele volta ao tema porque “é necessário”.

Assim como ela fez, ele homenageará a cultura de moda nacional com rendas, neste caso produzidas em parceria com uma comunidade de Monteiro, no Cariri paraibano.

Enquanto Angel aplicou sóis quadrados, soldadinhos e anjos para denunciar, num desfile-protesto nos Estados Unidos, os horrores da repressão, Fraga fez frutas e folhas para dizer que o Brasil tem parte da população que não valoriza.

“O país parece viver de ciclos, quando achamos que tudo está superado e viramos a página, retrocedemos novamente”, disse Fraga. “Escolhi Zuzu porque ela é verbo, está em várias mulheres mortas por expor seu pensamento, está no genocídio indígena, na queima da Amazôna. Ela é nossa história”, afirmou.