Síndrome da vez: entenda por que os ‘millennials’ ganharam o apelido de geração burnout

Evidências ainda destacam que mulheres são as mais atingidas pelo problema por terem muitas vezes a jornada dupla e serem submetidas à pressão estética
Lívia Breves

Burnout: por que tantas pessoas estão sentindo o sintoma Foto: ShutterStock

De uns tempos para cá, o termo burnout passou a ser usado com assiduidade até nos grupos de WhatsApp, o novo papo de botequim. A palavra nunca foi tão falada e os sintomas, sentidos. O colapso físico e mental, causado principalmente por excesso de trabalho, tem se tornado uma frequente entre os millennials, aqueles que nasceram entre 1980 e 1996, que não à toa receberam o apelido de “geração burnout”. São pessoas que, apesar de darem tudo de si, ainda se sentem cobrados até chegarem ao ponto de pifar.PUBLICIDADE

Essa característica geracional estimulou a escritora americana Anne Helen Petersen a publicar, ano passado, o artigo “Como os millennials se tornaram a geração burnout”, que já chega aos 10 milhões de leitura e virará um livro em breve. No texto, ela conta que “você sente o burnout quando esgota todos os seus recursos internos, mas não consegue se libertar da compulsão de continuar”. Tudo começa com empregos que cobram performances irreais e se intensifica diante da pressão em performar bem na vida on-line. O livro “Burnout: O segredo para romper com o ciclo de estresse”, de Emily Nagoski, doutora em medicina comportamental, e Amelia Nagoski, sobrevivente da síndrome, é outro que está fazendo sucesso e chega este mês no Brasil pela editora Best-seller. As irmãs perceberam que, durante a quarentena, o distúrbio atacou mais mulheres, “que muitas vezes trabalham em jornada dupla e são submetidas à pressão estética e à busca por perfeição em todos os aspectos da vida”. As irmãs comentam que “o livro é indicado para todas que á se sentiram exaustas por tudo o que precisam fazer e que, mesmo assim, pensam que não estão fazendo o suficiente”.

O livro “Burnout: O segredo para romper com o ciclo de estresse”, de Emily Nagoski, doutora em medicina comportamental, e Amelia Nagoski, sobrevivente da síndrome, chega este mês no Brasil Foto: Reprodução
O livro “Burnout: O segredo para romper com o ciclo de estresse”, de Emily Nagoski, doutora em medicina comportamental, e Amelia Nagoski, sobrevivente da síndrome, chega este mês no Brasil Foto: Reprodução

De acordo com especialistas, a cobrança por tornar cada segundo da vida produtivo, de fazer mil coisas ao mesmo tempo e não se dar a chance de praticar o ócio levam ao burnout. O tempo que a tecnologia poupa de trabalho, definitivamente, não tem sido convertido em qualidade de vida. Com a pandemia, tudo foi ainda mais acentuado: da insegurança ao período em frente às telas, fazendo mais pessoas faiscarem. “O trabalho remoto abriu demandas e cobranças que não eram tão presentes, como se a pessoa pudesse estar onipresente em diversas frentes. Não tivemos uma fase de adaptação. A transição precisa de tempo e de recursos emocionais para ser de sucesso. Hoje, ficar sem bateria no celular por duas horas acarreta em sensações de abstinência, como se fosse a falta de uma substância química no organismo”, explica Leonardo Lessa Telles, diretor do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB).

A comunicadora carioca Lara D’Avila, de 29 anos, começou a se sentir sufocada durante um dia aparentemente normal dentro de casa e teve uma crise de burnout Foto: Reprodução
A comunicadora carioca Lara D’Avila, de 29 anos, começou a se sentir sufocada durante um dia aparentemente normal dentro de casa e teve uma crise de burnout Foto: Reprodução

Falta de ar, insônia, irritabilidade e insegurança são algumas das características que precedem o burnout. Há um mês, a comunicadora Lara D’Avila, de 29 anos, começou a se sentir sufocada durante um dia aparentemente normal dentro de casa. Ao invés de esconder o susto, ela contou os detalhes em suas redes sociais. “Veio a sensação, perdi o ar, chorei. Busquei encontrar uma válvula de escape. Como tenho uma voz na internet (são mais de 60 mil seguidores no Instagram), quis ser bem transparente. Não acredito apenas em filtros bonitos”, conta ela. Para se recuperar, Lara procurou ajuda psiquiátrica, passou a limitar o tempo em frente às telas, focou mais em meditação, e intensificou os exercícios físicos. “É bom evitar conteúdos que causam gatilho. Não sou a favor da influência que estimula o consumo desenfreado, não acredito em look do dia e busco espalhar informações atuais, necessárias, que tenham a participação de especialistas. Por conta disso, me cobro cada vez mais. Mas preciso sempre lembrar que tenho que ser do meu tamanho, não me comparar”, diz Lara.

A psicanalista Vilma Rangel ressalta a importância de colocar limites nas solicitações profissionais e domésticas. “Na pandemia, as exigências foram aumentadas: empresas cobram ilimitadamente seus funcionários, os trabalhos de casa acumularam e os cuidados com os filhos fora da escola são muitos. O burnout se dá por esse excesso de pressão. É preciso perceber que há demandas que não podem ser atendidas e colocar limites. Ou bate o pino”, afirma.

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