Guerra dos consoles: Novos Xbox, da Microsoft, chegam nesta terça às lojas, antes do PlayStation 5

Com modelo mais em conta, empresa disputa a atenção dos gamers com a rival Sony

A Microsoft desenvolveu duas versões do novo Xbox, sendo uma delas mais em conta Foto: MICROSOFT / via REUTERS

A Microsoft dá o pontapé inicial na disputa pelo mercado da nova geração de consoles nesta terça-feira, com a chegada às lojas dos novos Xbox Series X e Series S.

A empresa larga na frente da rival Sony, que agendou o lançamento do PlayStation 5 para o dia 19 no Brasil — dia 12 nos EUA e em alguns mercados.

A chegada da nova geração impõe à Microsoft o desafio, e a oportunidade, de virar o jogo contra a rival japonesa. Na anterior, que chegou ao mercado em 2013, o PlayStation 4 derrotou o Xbox One com facilidade.

Segundo dados do Statista, a Sony vendeu 113 milhões de unidades, contra 48 milhões de consoles da Microsoft. E a virada neste cenário não será fácil.

— As pessoas que possuem um Xbox tendem a comprar o novo Xbox, enquanto as pessoas que possuem um PlayStation tendem a comprar o novo PlayStation — avaliou Michael Pachter, analista da Wedbush Securities, em entrevista à agência Reuters.

Quem vende mais consoles, fatura mais com a venda de jogos no mercado global de videogames, estimado pela consultoria NewZoo em US$ 159,3 bilhões — incluindo outras categorias, como PC e mobile.

Para tentar “roubar” gamers da rival, a Microsoft aposta no preço. O Xbox Series X, mais robusto, possui 12 teraflops de poder de processamento, 1 terabyte de espaço para armazenamento e unidade de Blu-ray. O preço sugerido no Brasil, após a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados, é de R$ 4.599, em linha com a versão mais robusta do PS5, que sai a R$ 4.699.

Para o público que não pode investir tanto na nova geração de consoles, a Microsoft oferece o Xbox Series S, sem leitor de mídias físicas, 4 teraflops de poder de processamento e 512 gigabytes para armazenamento, mas capaz de rodar todos os jogos que serão lançados. O preço: R$ 2.799, bem abaixo a versão mais em conta do PS5, a R$ 4.199.

Além do preço, a Microsoft está ampliando o conteúdo disponível em seu serviço de assinatura Xbox Game Pass Ultimate. Na véspera do lançamento dos novos Xbox, a empresa anunciou que o serviço EA Play, com jogos da Electronic Arts, estará disponível, sem custos extras, para os assinantes.

A empresa também investe em conteúdos exclusivos. Em setembro, a Microsoft comprou a produtora ZeniMax Media, dona, entre outros, do estúdio da Bethesda Softworks, criador de franquias de sucesso como Doom, Fallout e The Elder Scrolls.

App NightWare para Apple Watch ajuda usuários com estresse pós-traumático

Sabemos que o Apple Watch é um belo aliado do usuário no monitoramento da sua saúde e do seu bem-estar, e que novos recursos a cada ano vão preenchendo ainda mais cada lacuna dessa sua vocação. Na área da saúde mental, entretanto, o reloginho ainda tem muito a evoluir — já ouvimos rumores sobre recursos do tipo chegando ao dispositivo, mas nada se concretizou até o momento.

Por essas e outras, o aplicativo NightWare é significativo. Recentemente aprovado pela FDA (Food and Drug Administration, a “Anvisa dos EUA”) o app é um monitor de sono com vocação muito especial: ajudar a tratar pesadelos em pacientes que sofrem de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT — ou, no inglês, PTSD).

Para tal, o aplicativo usa os sensores do relógio (movimento, frequência cardíaca, sons) para detectar quando o usuário está tendo um pesadelo durante o sono; ao registrar uma ocorrência do tipo, o aplicativo faz o dispositivo vibrar de uma forma que aquele ciclo de sono seja interrompido sem acordar o paciente por completo — cessando, portanto, o pesadelo e permitindo que a pessoa continue a dormir.

O NightWare não é pensado para ser utilizado sozinho: seus criadores desenvolveram o app para que ele seja empregado como parte maior de um tratamento, junto a uma terapia especializada e, se necessário, medicamentos. Até por isso, não é possível simplesmente baixar o aplicativo e começar a usá-lo — é preciso uma prescrição médica para tal.

A aprovação da FDA veio após um teste indicando que a qualidade do sono dos usuários pode melhorar com o aplicativo e que seu uso é de baixo risco. Ou seja, fica a torcida para que a ideia vá em frente e seja disponibilizada em mais países — a saúde mental dos usuários agradece bastante.

Você pode obter mais informações sobre o NightWare no seu site oficial. [MacMagazine]

VIA ENGADGET

Novo terror de Jordan Peele chega em julho de 2022

Data foi oficializada pela Universal nesta segunda-feira (9)
NICOLAOS GARÓFALO

Jordan Peele – Kremer Johnson – Entertainment Photographer Los Angeles

Universal oficializou nesta segunda-feira (9) a data de estreia do novo filme de terror de Jordan Peele. O próximo longa do cineasta, que venceu o Oscar de Melhor Roteiro Original por Corra!, será lançado em 22 de julho de 2022 nos Estados Unidos (via Collider).

Por enquanto, tudo o que se sabe sobre o filme é sua data de estreia e nenhum nome foi atrelado ao elenco até agora. Nem Peele nem o estúdio anunciaram sequer o título da produção.

Após surgir como roteirista e ator em projetos de comédia, incluindo seu próprio programa Key & Peele, Jordan Peele se reinventou no terror em 2017, quando lançou o elogiado e premiado Corra!. Desde então, o cineasta tem se envolvido com diferentes produções como Infiltrado na KlanA Lenda de CandymanHunters e Lovecraft Country em diferentes cargos.

Em 2019, ele dirigiu seu segundo filme, Nós, que também foi elogiado pela crítica.

Jill Biden: conheça o estilo da futura primeira-dama dos Estados Unidos

Spoiler! Ela adora cores, salto e flores
ANNA PAULA CHAGAS

Jill Biden (Foto: Reprodção Instagram @drbiden)
Jill Biden (Foto: Reprodção Instagram @drbiden)

Passada a ansiedade das eleições dos Estados Unidos, agora nos sentimos tranquilas para reparar em outras coisa a não ser as propostas eleitorais dos candidatos e sua equipe: looks. E vamos falar de Jill Biden chiquérrima? A mais nova primeira-dama dos Estados Unidos não escapou dos nossos olhares. Diferente de Melania Trump que se mantinha sóbria quando não se arriscava em um street style duvidoso, Jill tem um estilo romântico e clássico. A professora de 69 anos aposta quase sempre em estampa floral e combina até a máscara de proteção com o look.

Jill Biden (Foto: Reprodção Instagram @drbiden)
Jill Biden (Foto: Reprodção Instagram @drbiden)

Uma marca registrada da esposa de Joe Biden são as cores. Jill não dispensa um full look vibrante, do vestido aos scarpins. Ah! A professora também não tem problemas em repetir roupas. No primeiro debate eleitoral, Jill apareceu ao lado do marido com um vestido verde de cetim de seda. Ela usou a mesma peça em outro evento em Nova York há três anos atrás. 

Jill Biden (Foto: Reprodção Instagram @drbiden)
Jill Biden (Foto: Reprodção Instagram @drbiden)

Após notícias positivas sobre vacina, ações do Zoom caem 17%

Outras empresas de tecnologia impulsionadas pela quarentena, como Amazon e Netflix, também viram seus papéis terem queda nesta segunda

O Zoom também chegou a um acordo de privacidade com Comissão Federal de Comércio dos EUA nesta segunda

A notícia de que a vacina da Pfizer contra coronavírus tem eficácia de mais de 90% afetou o mercado de tecnologia nesta segunda-feira, 9: as ações do aplicativo de videochamada Zoom operaram em queda de 17% durante o dia. Outras empresas de tecnologia que foram impulsionadas pela quarentena e pelo aumento do uso de serviços digitais, como Amazon e Netflix, também viram seus papéis caírem em decorrência da previsão positiva para o cenário de pandemia. 

O aplicativo Zoom, especificamente, teve um crescimento acelerado durante a quarentena.  Em dezembro de 2019, o serviço tinha 10 milhões de participantes por chamadas por dia. Quatro meses depois, fechou o mês de abril com 300 milhões. 

As ações da Amazon e da Netflix operaram em queda de 5% e 8% nesta segunda, respectivamente. 

A notícia sobre a vacina desenvolvida pela farmacêutica Pfizer e pela empresa de biotecnologia BioNTech é o indício mais forte até agora de que a busca para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus possa ser bem sucedida. Ela apresentou uma eficácia de mais de 90% em proteger as pessoas contra a covid-19 na comparação com um placebo. A vacina em questão é uma das quatro que estão nos estágios finais de testes nos Estados Unidos. 

Zoom promete melhorar segurança 

Nesta segunda-feira, o aplicativo de videoconferência também chegou a um acordo de privacidade com Comissão Federal de Comércio dos EUA: a empresa se comprometeu a implementar um novo programa de segurança de informações.

As autoridades dos Estados Unidos disseram que o Zoom enfrenta risco de multas de até US$ 43 mil por cada futura violação cometida sob o acordo.

A empresa sofreu pressão nos últimos meses por não divulgar que seu serviço não continha totalmente criptografia de ponta a ponta, um método para proteger as informações que garante que apenas o remetente e o destinatário possam ler o conteúdo.

The 2nd Skin Co | Fall Winter 2020/2021 | Full Show

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Cody Page – Swimming At Night/All The Blood In My Heart/Do It Again

Viola Davis: ‘Minha maior fonte de força é minha autenticidade’

A grande atuação compartilha seus pensamentos sobre comunidade, humanidade e para onde vamos a partir daqui.
By Laura Brown Nov 09, 2020 @ 7:45 am

Credit: AB+DM/The Only Agency

Em sua casa, em Los Angeles, Viola Davis está enfrentando a pandemia COVID-19 como todo mundo. Também como todo mundo, ela tem dias bons e dias ruins. Hoje ela está no Zoom em uma camisa branca simples, sem maquiagem e um boné de cabelo. Bebendo um copo d’água, ela brinca generosamente sobre os benefícios de bebidas mais fortes.

Nascida na Carolina do Sul e criada em Rhode Island, Davis é atriz há 33 anos, graduando-se na Juilliard em 1993. Ela começou nos palcos de Nova York, antes de seu papel indicado ao Oscar em 2008, Doubt, acelerar sua carreira nas telas. Davis, até agora, ganhou um Oscar, um Emmy e dois Tonys – a lendária tríplice coroa da atuação – e é a primeira mulher negra a fazê-lo. A última vez que ela esteve em um set de cinema, no entanto, foi no verão de 2019, quando ela estava filmando a adaptação cinematográfica da peça de 1984 de August Wilson, Ma Rainey’s Black Bottom. Davis é o dono do papel, assumindo a personalidade grandiosa da “Mãe do Blues” como um casaco favorito e lançando falas como “Onde está minha Coca? Eu preciso de uma Coca-Cola ”como se ela tivesse sido teletransportada de volta para a Chicago dos anos 1920.

Viola Davis
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Como todas as coisas que Davis faz – se ela se apresenta ou simplesmente fala – você se senta. Em uma entrevista, ela não cai na conversa fiada, preferindo usar o tempo e a audiência para coisas mais importantes. Ela tece a experiência negra – dela própria e da comunidade – em cada reflexão. Davis é especialmente comovente quando se trata de suas memórias de trabalhar com seu co-estrela de Ma Rainey, Chadwick Boseman, em sua última apresentação. Ela dá continuidade ao legado dele, como performer e produtora, contando histórias que ainda não encontraram luz.

Laura Brown: Viola Davis! Como você está?
Viola Davis: Estou bem. Como você está?

LB: Totalmente bem, mas é, tipo, no final de cada dia agora, você diz: “Sim, consegui!”
VD: Oh, sim, eu sei, e ainda não tomei um coquetel hoje, mas, você sabe … [risos] Temos um novo cachorrinho, Bailey, também. Ela é tão preciosa e fofa. Ela está curando meu coração partido e frio.

Viola Davis
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LB: Há uma palavra que me vem à mente quando penso em você: “comandar”. Acabei de assistir Ma Rainey, e você está interpretando um personagem que não tem nada além de comando. O que o atraiu para o papel?
VD: Tudo me atraiu em Ma Rainey, especialmente a ideia de que eu não sentia que poderia interpretá-la. Mas ela também me lembra muito as mulheres com quem cresci, todas as minhas tias e parentes, as pessoas de estatura maior que eu considerava tão bonitas. Eles nunca questionaram seu valor. Eles estavam com a maquiagem completa, os brincos, os Afros, as calças largas. Na cultura americana branca, a ideia de beleza e confiança clássicas sempre foi associada à extrema magreza, mas não na minha cultura. Na cultura afro-americana, temos o comando de nossos corpos. Existe uma maneira sem remorso que abordamos as roupas. Mesmo na forma como os seios de Ma Rainey estavam pendurados. No começo eu estava tipo, “Devo puxar meu vestido para cima e ser mais modesto?” Mas eu tinha que canalizar mamãe, e ela não faria isso. Nem meus parentes.

LB: Chegando à moda, sempre questionei a fetichização de mulheres magras e de aparência carente. Na cultura negra, muitas vezes você vê o oposto e a propriedade disso.
VD: Com certeza. Acho que toda a noção de propriedade na feminilidade tem a ver com nossa aparência. E só até você atingir a minha idade, 55, é que você tem o poderoso entendimento de que ser dono é você mesmo. É reconhecer suas falhas, reconhecer suas inseguranças e entender que isso faz parte da vida. Muitas vezes temos esses soluços na estrada e passamos uma quantidade terrível de tempo – anos – tentando varrê-los para debaixo do tapete em vez de entender que eles são parte da alegria.

LB: Você se lembra da primeira vez que se sentiu proprietário como artista?
VD: Isso é difícil porque a síndrome do impostor é uma grande parte da vida de um artista. Com a mídia social, você não deve dizer isso; você deve dizer que é o chefe. Mas quando você é um artista, você sempre sente que pode fazer melhor. Certa vez, fiz um workshop de produção de King Lear no Public Theatre – George C. Wolfe [que dirigiu Ma Rainey] foi o diretor. Eu estava interpretando uma lésbica que fingia ser um homem. No primeiro dia de ensaio, tirei o esmalte, me despedi da Viola e mergulhei completamente como homem.

LB: Como foi? Deve ser mais fácil. [risos]
VD: Oh, adorei. Mas, na verdade, foi muito difícil para mim fazer. E no final dessas duas semanas, quando voltei para a Viola, a mulher, apreciei mais ela. Eu estava dizendo olá para ela novamente, e todos os aspectos do meu cabelo, meus olhos, minhas unhas, todas as coisas que eu provavelmente nem havia percebido antes. Até meus pensamentos e meus sentimentos.

Credit: AB+DM/The Only Agency

LB: Sempre que te vejo em premiações, seja você apresentando ou recebendo um prêmio, as pessoas param e ouvem. Esse … comando.
VD: Hum, não vejo o comando. [risos] Outras pessoas veem isso muito mais do que eu. Direi que acho que minha maior fonte de força é minha autenticidade. Se tento canalizar algum outro ser, fico perdido. É quando meu nível de ansiedade sobe. Crescendo em Central Falls [R.I.] como a única garota castanho chocolate de cabelo crespo, eu sempre estava tentando canalizar as garotas que tinham a aparência de Farrah Fawcett. Teve resultados desastrosos. Portanto, a única coisa que posso fazer é canalizar minha autenticidade. Essa é realmente uma ferramenta poderosa, porque passamos nossas vidas inteiras tentando chegar lá. Se você está projetando isso, é por isso que as pessoas são atraídas.

LB: Você alcançou seu sucesso no cinema principal como um adulto. Quais são os benefícios do sucesso quando você é adulto?
VD: Provavelmente foi mais fácil porque eu sei o que quero. Eu faço isso há 33 anos. Eu sei o que é bom e o que é ruim. Se isso não muda as pessoas de alguma forma, então não é uma obra de arte. A única maneira de conseguir isso como ator é estudar a vida. Você não pode estudar outro artista. O que aprendi na minha idade é a coragem de fazer isso. How to Get Away with Murder foi um exemplo perfeito. Eu poderia ter perdido 40 ou 50 libras. Eu poderia ter usado uma trama longa e reta. Mas decidi começar com uma paleta que era eu. Fisicamente eu. Eu sou sábio por idade. Minhas rugas. Tudo isso. O fato de eu ter tido a coragem de fazer isso é uma prova de quanto tempo estou no negócio. O que eu vi, quantas vezes eu falhei. Como meu coração foi quebrado uma e outra vez.

LB: A atuação é considerada uma profissão individualista, mas existe essa homogeneidade em Hollywood.
VD: Aqui está o problema com nosso negócio. É um negócio de privação. E quando as pessoas são privadas, elas ficam desesperadas. Nossa profissão tem uma taxa de desemprego de 95%. E apenas 0,04 por cento dos atores são famosos. É isso aí. Se você olhar para a mídia social, você pensa: “OK, eu quero ganhar muito dinheiro, então vou ser um ator. Olhe para Viola, olhe para Reese Witherspoon, olhe para Kerry Washington. ” As pessoas não percebem que isso representa 0,04 por cento da profissão. Mais do que provável, se você vai ser um ator, vai assumir muitos papéis de baixa qualidade – se você conseguir encontrar o trabalho. Então, quando você está desesperado e não está trabalhando, a primeira coisa a fazer é olhar para as pessoas que estão trabalhando e tentar fazer o que elas fazem. Isso é o que todos nós estamos tentando fazer na cultura de qualquer maneira. Estamos tentando encontrar uma maneira de nos ajustarmos, de sermos notados, de ter uma vida significativa. É por isso que as pessoas tentam parecer jovens, fofas, magras para ter mais acesso ao dinheiro. Qualquer tipo de símbolo de status para que possam ser vistos e avaliados. E na nossa profissão, a corrida é só para trabalhar.

LB: Principalmente agora. Como você lidou com o bloqueio?
VD: Eu não fui bem no começo. Eu sei que muitas pessoas se sentiram muito bem com isso. Eu me senti ótimo, em termos de não gosto tanto de trabalhar. Hoje em dia, ser mulher é fazer malabarismos com a maternidade, ser esposa, cozinhar e depois ser a CEO e saber otimizar o seu negócio. Eu não gosto de trabalhar assim. Isso me deixa completamente louco. Então, o tempo de folga foi maravilhoso, mas eu sou um empata. Não sei como canalizar a dor e o sofrimento que outras pessoas estão passando e dizer: “Mas me sinto ótimo!” Foi muito difícil para mim processar o que estava acontecendo.

LB: Como você está mantendo o curso, especialmente para [sua filha de 10 anos] Genesis? Existem tantos ventos contrários.
VD: Em termos de Black Lives Matter, eu sou quem sempre fui. O que está acontecendo é o que sempre aconteceu. Nós apenas decidimos acordar. Como fui capaz de processar isso? Tenho dias em que falho miseravelmente. E é então que preciso de minhas duas ou três taças de vinho. Mas estou tentando não perder a esperança na humanidade. A única coisa que posso controlar na vida é o que coloco nela. Essa é a única coisa que posso fazer com o Gênesis. Ensine a ela que você ainda precisa ser gentil, precisa ter empatia. Isso vai fazer parte do seu legado. Você não tem ideia de quem pode mudar a vida. E, ao mesmo tempo, mesmo alguém que não compartilha de seu sistema de crenças pode ser um amigo. Essa é a complexidade da vida.

LB: Entender isso é vital, especialmente antes da eleição.
VD: Acho que [a advogada e política] Barbara Jordan disse isso melhor. Ela disse: “O que as pessoas querem é simples. Eles querem uma América tão boa quanto sua promessa ”. E o ponto principal é que é um sistema que foi construído sobre a desumanização dos negros e pardos. Tudo, de Jim Crow aos códigos Negros, ao encarceramento e aos milhões e milhões de vidas perdidas na Passagem do Meio. O trauma disso ainda ressoa até hoje, e não apenas com os negros e pardos, mas com os chamados opressores, que são os brancos. Todos nós fomos afetados pelo trauma. É quase como se tivéssemos que reaprender a interagir uns com os outros. Como amar um ao outro. Como conhecer uns aos outros como iguais. Isso é muito difícil porque nosso sistema de castas é sobre superioridade. Uma ideologia e ethos americanos baseados em quem está por cima consegue o sonho americano e quem está por baixo, que falha no teste, não. Temos que desmontar isso. Se estamos realmente acordados e não queremos que outro 2020 ou 1965 ou 1877 ou 1865 aconteça novamente, então precisamos começar lentamente a desmontar este sistema. E então veja as reparações.

Viola Davis
Credit: AB+DM/The Only Agency

LB: [o governador da Califórnia, Gavin] Newsom acaba de ordenar o “estudo e desenvolvimento” de propostas de reparações.
VD: Sim, e na Carolina do Norte também. Mas a reconciliação é mais profunda do que até mesmo as reparações. Se minha filha fez algo para machucar alguém, ela vai ter que se desculpar, fazer as pazes. É disso que se trata o ser humano. Veja como estamos desconectados e desassociados uns dos outros nos últimos meses e como estamos entendendo a importância da conexão.

LB: Na verdade, nós ansiamos por isso. É humanidade básica.
VD: Com certeza! É como o [autor] Brené Brown diz. Ela diz: “Odeio autoajuda”. E sabe de uma coisa? Eu concordo com ela. Eu amo o autocuidado, mas não gosto de autoajuda.

LB: Todos devemos ser capazes de começar em condições de igualdade. Saiu um artigo no The New York Times alguns meses atrás. Era sobre um casal birracial – cara branco, mulher negra – que estava vendendo sua casa. Eles fizeram um orçamento para sua casa com seus pertences em exibição. Eles então removeram o dela e fizeram outra estimativa. “Sua” casa foi avaliada em $ 100.000 a mais. A opressão econômica é endêmica e vai demorar muito para ser desfeita.
VD: Com certeza. [Autor] James Baldwin disse: “Nós somos a nossa história.” E as memórias duram para sempre. Estamos vivendo em um sistema onde uma em cada três mulheres é abusada sexualmente quando chega aos 18 anos? Você vê o poder dessas memórias e do trauma que as acompanha ao longo da vida. Tudo, desde dismorfia corporal até depressão, suicídio, dependência de drogas. É a mesma coisa com a história. Os efeitos colaterais repercutem em todos os nossos bairros – especialmente nas cidades com educação e habitação precárias. É prevalente em saúde e emprego. Esta é a minha grande atração, e as pessoas em Hollywood sabem disso: tenho ótimos agentes; Adoro eles. Eu amo meu empresário. Eu amo meu publicitário. Mas eu digo isso a eles o tempo todo, eu digo: “Eu quero e espero conseguir o mesmo filé mignon que as atrizes brancas ganham. Cozido na temperatura exata. Você não pode me jogar um osso com um pequeno pedaço de carne realmente bom ainda nele e esperar que seja bom o suficiente para mim. Eu amo minha couve e tudo isso, e sei que nos deram as sobras. Eu sei cozinhar isso, mas quero um filé mignon. ”

LB: Você quer a carne Wagyu!
VD: Sim! [risos]

Viola Davis
BEAUTY BEAT Prolong protective styles by boosting moisture and shine with L’Oréal Paris Elvive Extraordinary Oil Treatment ($7; loreal parisusa.com for stores).| Credit: AB+DM/The Only Agency

LB: Houve também um siloing em torno do salário que veio à tona com o Time’s Up. Lembro-me de quando você disse: “As pessoas dizem que sou a negra Meryl Streep. Bem, então me pague como ela. ” Como essa clareza surgiu?
VD: Como mulher e como mulher negra, você pensa: “Eu sou como todo mundo.” Porque é nisso que você acredita. E é só até chegar a um certo ponto, e talvez você tenha um certo nível de expectativa, que você percebe que não é como todo mundo. Em Hollywood, as atrizes não dividem o salário umas com as outras enquanto estão sentadas bebendo uma taça de vinho. Uma grande parte disso, direi, é o ego. Ego porque você não quer que as pessoas saibam que você ganha menos do que elas pensam que você ganha. Outra parte é a etiqueta. Mas eu falo sobre solidariedade. Deve haver solidariedade com todos. Solidariedade com mulheres brancas e mulheres de cor. [Atriz] Michelle Williams, é claro, colocou isso de maneira linda. As diferenças de remuneração e a falta de acesso às oportunidades são enormes. Eu realmente espero mudanças. Estou tentando aumentar minhas esperanças. Mesmo que precise de um pouco de vodka. Se não avançamos juntos, não avançamos.

LB: Desde que o tempo acabou, você sente mudanças reais e tangíveis?
VD: Quando eu estava crescendo, se você fosse abusada sexualmente, ninguém falava sobre isso. Tornou-se seu fardo. Então, absolutamente mudou, e isso me dá grande esperança e satisfação. Mas, e este é um grande mas, quero essas mudanças para mulheres de cor. Você vê o documentário de Jeffrey Epstein [Jeffrey Epstein: Filthy Rich], que foi de partir o coração. Você vê a [sobrevivente do sequestro] Elizabeth Smart. Histórias horríveis, mas não quero dar à minha filha e a nenhuma jovem negra a imagem de que a única vez que você pode ser salvo é se for branco. Há uma grande adultificação das mulheres negras, como, “Você deveria saber melhor. Você é excessivamente sexualizado de qualquer maneira. Você é apenas uma prostituta na rua. ” Mas se você tem 13 anos e é uma prostituta na rua, está sendo traficada para sexo. Você precisa ser salvo. Não concordo com essas imagens separadas. A última milha que temos a percorrer no movimento feminista inclui todas as mulheres.

LB: Para que todas as mulheres possam ter domínio sobre como se apresentam, como se desempenham. Vamos voltar a Ma Rainey brevemente. Seu co-estrela foi Chadwick Boseman, em seu último papel. Fiquei impressionado com ele, apenas dando tudo de si. Você trabalhou com ele duas vezes, certo?
VD: Sim [em Ma Rainey e Get on Up]. Ele era um homem lindo e um grande artista. É como disse Issa Rae: ele era nosso como afro-americanos. Era alguém que possuía uma qualidade que poucos têm hoje, sejam jovens ou velhos, que é um compromisso total com a arte de representar. Independentemente do ego, independentemente de qualquer coisa. Ele estava com o mesmo agente de quando começou sua carreira. E quando você estava com ele no set, ele absolutamente não queria um tratamento de celebridade. Ele odiava isso. Ele realmente fez. Na verdade, tivemos uma pequena discussão sobre isso. Ele disse: “Viola, não me importo com o trabalho. Eu não me importo com todas as horas. São as outras coisas que me exaurem. ” Ele odiava a parte da celebridade. Eu tenho que dizer, todos nós fazemos. Porque temos que ser uma pessoa que simplesmente não conhecemos.

Viola Davis
Credit: AB+DM/The Only Agency

LB: Como você coloca sua cabeça nessa parte?
VD: Existem algumas pessoas que sentem que não há separação entre eles como artistas e sua personalidade pública. Isso me ajudou a saber a diferença. Posso sorrir e posar, sabendo que é apenas um risco ocupacional. Mas a vaidade não pode entrar em seu trabalho. Tipo, em tudo. Em um script, se eles disserem: “Ma Rainey tem dentes de ouro, sua muito e pesa 136 quilos”, então é isso que ela é. Se disser que ela é gay, ela é bissexual, então é isso que ela é. Se você vai interpretá-la, você tem que honrá-la. Essa é a única maneira de fazer isso.

LB: O que você está planejando a seguir?
VD: Bem, meu marido [Julius Tennon] e eu temos uma produtora, a JuVee Productions, e estamos tentando mudar o cenário para as pessoas que foram marginalizadas no negócio por tanto tempo. Esse pode ser nosso legado. Eu vim do teatro e pensei: “Oh, eu só tenho um gosto intelectual?” Porque eu lia os scripts e pensava: “Isso não é bom”. Portanto, esta é a minha maneira de trabalhar com artistas e escritores emergentes que escrevem papéis complicados para mulheres, para pessoas de cor, para asiáticos, para hispânicos. O próximo projeto é o First Ladies for Showtime. É uma série que traça perfis de Eleanor Roosevelt, Betty Ford e Michelle Obama. E então temos The Woman King, a história da tribo Agoji na África Ocidental, um grupo de guerreiras exclusivamente femininas que realmente existia no século XIX. As pessoas dizem o tempo todo: “Oh, existem tantos gêneros que os negros não fizeram.” Eu sinto isso. Eu sempre quis uma Mulher Negra de Coração Valente. Eu sempre quis chutar a bunda de alguém e fazer um sotaque.

LB: Existe um grande desejo por isso. Quando o Pantera Negra foi lançado, foi como, “Olá!”
VD: Temos tantos projetos diferentes em todo o espectro. E então, é claro, sempre tenho minha palestra e minha filantropia. Tem sido difícil com Central Falls agora. Eu costumava voltar lá tantas vezes, só para despejar nas crianças de lá. Portanto, tenho uma grande ambição com isso. Também faço parte do No Kid Hungry, que trata da insegurança alimentar e da privação alimentar neste país.

LB: Sempre gosto de perguntar às mulheres sobre ambição. Conte-me sobre o seu.
VD: Quando falamos de ambição como mulheres, ela não deveria ser apenas relegada ao trabalho. O poder de influenciar está nos momentos menores e pessoais. Às vezes, com as mulheres, sentimos que ambição significa força, e isso é confundido com ser mesquinho.

LB: Você pode ser dono de suas coisas sem ser uma vadia.
VD: A coisa mais importante que você pode fazer é possuir sua história. E então passe essa história com todos os seus fracassos, toda a alegria, todas as lições aprendidas, todos os erros, passe para uma jovem quando estiver dando conselhos. Não filtre e canalize em seus melhores momentos. Eu acredito que quando morrer a última pessoa que tem uma memória de você, é quando você realmente estará morto. Então, o que você quer que seja essa memória?

LB: Muito bom. Diga-me, como é um dia ideal para você?
VD: Meu dia mais perfeito é entrar na minha jacuzzi quando o sol está nascendo. Julius e eu estamos em jejum intermitente agora, mas talvez haja alguma fruta ou comida ali, e apenas sentamos e conversamos. Então podemos malhar. Eu adoro fazer compras no mercado. Eu cozinho tudo. Porque desenvolvi um pequeno problema de açúcar no sangue, tive que aprender a fazer tudo: torta de maçã com farinha de amêndoa, paella com baixo teor de carboidratos. Eu faço ótimas couve. E então nós temos uma sala de cinema, e eu sirvo vinho espumante bruto – eu adoro isso – ou eu faço meu go-to, que é água com gás e vodka Tito com um toque de limão. Então eu tenho meu sorvete de noz-pecã Keto Iluminado. Eu poderia continuar e continuar…

Viola Davis
Credit: AB+DM/The Only Agency

LB: Com o jejum intermitente, isso significa que você está jogando de volta tudo que pode antes, tipo, às 20h?
VD: Sim, estou. Mas você sabe o que? Os últimos dias não foram bem sucedidos. Eles realmente não têm. [risos]

LB: Há quanto tempo você é casado?
VD: Somos casados ​​há 17 anos. E estamos juntos há 21 anos, quando nos conhecemos no set de City of Angels, o programa de Steven Bochco, em 1999. Julius era o anestesista Dr. Holly, e eu era a enfermeira Lynnette Peeler. [risos] E eu pensei, “Ele é tão fofo.” Eu estava comendo um bagel, como sempre fazia. Eu estava vindo de Nova York – comi o bagel.

Viola Davis
Credit: AB+DM/The Only Agency

LB: Eu também, senhora.
VD: No momento em que conheci meu marido, minha vida melhorou. Antes de conhecê-lo, eu estava tentando namorar, mas não sabia o que estava fazendo. As pessoas me disseram para ir para a Barnes & Noble no Columbus Circle [em N.Y.C.] porque eles disseram que essa era a maneira de pegar caras. [risos] Eu coloquei um pouco de maquiagem, mas não funcionou para mim. Por fim, lembro que alguém disse: “Encontre alguém que ame você, Viola”. E conheci meu marido. Encontrei alguém que me ama. É isso aí.

Mercado Livre recebe autorização do Banco Central para atuar como instituição financeira

A decisão já havia sido publicada no Diário Oficial, no último dia 15, mas só hoje a autoridade monetária deu a confirmação
Por André Ítalo Rocha – O Estado de S. Paulo

Mercado Livre ganha sinal verde do Banco Central 

Mercado Livre recebeu nesta segunda-feira, dia 9, a autorização do Banco Central (BC) para operar como uma instituição financeira, informa nota à imprensa distribuída pela companhia. A decisão já havia sido publicada no Diário Oficial, no último dia 15, mas só hoje a autoridade monetária deu a confirmação.

O aval do BC abre espaço para o Mercado Livre consolidar sua atuação no segmento de crédito. Desde 2017 a empresa tem o Mercado Crédito, com empréstimos para quem tem conta no Mercado Pago, fintech de pagamentos do Mercado Livre. O anúncio ocorre um mês e meio depois de o Mercado Livre ter anunciado que recebeu do Goldman Sachs um aporte de R$ 400 milhões, destinados à ampliação do serviço de crédito.

“A licença de instituição financeira permitirá reforçar o foco da companhia em expandir as operações de crédito dentro de seu ecossistema. Desde o início da oferta, em 2017, o grupo já concedeu mais de R$ 4 bilhões em créditos no Brasil, em um total de mais de 10 milhões de transações. Essas operações alcançaram principalmente consumidores e empreendedores sem acesso ao crédito no sistema financeiro tradicional”, explica, em nota, Tulio Oliveira, vice-presidente do Mercado Pago, que já opera como instituição de pagamento.

A licença de instituição financeira também permitirá ao Mercado Pago acessar fontes de financiamento diferentes, que podem complementar a estratégia de funding da companhia. “Ter um rol de instrumentos de financiamento mais completo beneficiará de forma estrutural toda a área de fintech e trará maior solidez, além de resiliência para o negócio”, afirma Pedro de Paula, diretor do Mercado Crédito no Brasil.

26% de meninas brasileiras não têm dinheiro para comprar absorvente

Pobreza menstrual é o nome que se dá a falta de acesso a absorvente higiênico no Brasil onde meninas, entre 15 e 20 anos, chegam a passar meses sem ter o que usar
POR CAROLINA DELBONI

Absorvente íntimo ainda é artigo de luxo mesmo que seja um item de higiene básica da mulher

Se no Reino Unido, onde a Rainha Elizabeth impera há 68 anos, 1 a cada 10 meninas não tem pounds para comprar um absorvente, o que dirá uma brasileira com real no bolso. Pobreza menstrual é um problema que afeta 26% das mulheres no Brasil e durante a pandemia o problema se agravou uma vez que as doações diminuíram. E se existe distribuição de camisinhas, por que não de absorventes, também? Estamos falando de saúde.

Absorvente feminino ainda é artigo de luxo. A um custo médio de R$16 o pacote com 20 unidades, muitas vezes não é suficiente para o ciclo no mês. Quase sempre é preciso comprar dois. Estamos falando de R$32/mês em artigo de higiene básica. E é exatamente aí que está o ponto desta matéria: absorvente não é item de beleza, é item básico de higiene feminina.

E quando se olha por esta perspectiva é possível olhar, também, uma questão que é social: muitas meninas e mulheres não tem condições financeiras de arcar com R$32 reais mensais. Parece pouco? Não é quando a gente olha a realidade de um país onde o ganho médio de vida gira em torno de R$1.439,00, segundo dados do IBGE que considera população com registro em carteira e valor sem distinção de gênero.

Estamos falando, muitas vezes, das mães ou avós dessas meninas que estão empregadas e arcam com todos custos da casa, família e higiene. Só que higiene no Brasil custa caro. Sabonete custa caro, shampoo custa caro. Condicionador de cabelo nem se fala. Vai fazendo a lista. E dai você coloca os pacotes de absorventes da casa.

Na falta de um absorvente, meninas usam miolo de pão, roupa velha, pedaço de pano de chão, papel higiênico, jornal e há quem deixe escorrer pelo corpo. E sabe o que acontece com meninas quando escorrem? São, pelo menos, 5 dias sem ir à escola. Uma semana de falta escolar porque não tem absorvente higiênico para frequentar a escola. Ambos, garantias básicas.

E a pobreza é tamanha que em 2014 a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu que o direito das mulheres à higiene menstrual é uma questão de saúde pública e de direitos humanos. A ONU estima que uma em cada dez meninas perdem aula quando estão menstruadas.

Mas se existe distribuição gratuita de camisinhas por que não de absorventes higiênicos, também? Com essa proposta, nasceu no Reino Unido o movimento, que agora é uma Organização, chamado Free Periods. Liderado pela ativista e estudante Amika George, de 19 anos, que luta, junto a outras jovens, pela distribuição gratuita do item em escolas e universidades do país.

Plan International do Reino Unido, uma instituição não governamental humanitária que promove programas e projetos centrados em crianças e adolescentes, estima que 49% das meninas perderam um dia inteiro de aula por causa da menstruação, das quais 59% inventaram uma mentira ou uma desculpa alternativa. A pesquisa também mostra que 64% perdeu uma aula de educação física, ou esporte, dos quais 52% das meninas inventaram uma desculpa.

A Escócia foi o 1º. País a aprovar, este ano, o projeto de Lei que regulariza o fornecimento de absorventes para mulheres de todas as idades de forma gratuita. “Os absorventes já são distribuídos gratuitamente nos banheiros de escolas e universidades do país desde 2018. A diferença é que, com a nova lei, eles passariam a ser disponibilizados também em farmácia, centros comunitários, clubes e locais públicos”, segundo nota da revista Super Interessante, de março.

E por que está matéria faz sentido em plena pandemia? Porque no Brasil a pobreza é ainda maior que no Reino Unido. E as doações que existiam, sumiram. Os poucos pontos de distribuição gratuita que tinham estão fechados uma vez que muito deles estão localizados dentro das escolas.

Em outubro de 2019, a Câmara aprovou o Projeto de Lei 4968/19 que criou um programa de distribuição gratuita de absorventes higiênicos para todas as alunas das escolas públicas de nível fundamental e médio, por meio de cotas mensais. Estimasse que meninas percam cerca de 45 dias letivos, ao longo do ano, por falta de absorventes.

Apresentada pela deputada Marília Arraes, PT-PE, a proposta está em análise na Câmara dos Deputados. A deputada quer combater a falta de acesso a absorventes ou a falta de recursos que possibilitem a aquisição dos produtos, além de reduzir faltas em dias letivos de educandas em período menstrual. E a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP), apresentou em março deste ano, o projeto de lei para distribuição de absorventes gratuitos em locais públicos.

Na página oficial do Senado, existe uma votação aberta lançada por Lais Lyssa, uma menina de Goiânia, espera por 20mil votos para lançar a obrigatoriedade da distribuição gratuita de absorventes em postos de saúde de todo o país. Porque mulheres em situação de rua ou de extrema pobreza lidam com seus períodos menstruais frequentemente. Elas sofrem com a falta de acesso à higiene básica todo mês por uma necessidade biológica imutável. Absorvente gratuito sendo distribuídos em postos de saúde é uma garantia de higiene, conforto e saúde a todas mulheres do nosso país.

No Rio de Janeiro, absorvente higiênico agora é item de cesta básica

Mulheres essas que caminham pelas ruas como muitas e que menstruam como outras tantas. Mas esquecemos que precisam de um pacote de absorventes como um bebê precisa de fraldas. Ainda que este deva ser um direito, importante refletir sobre o que enxergamos quando a mulher que menstrua mora debaixo de um viaduto e tem sangue pelo corpo. O que isso nos causa?

Um feminino que pouco se olha. Pouco se importa. Rafaella Bona, estudante de design de produtos, na Universidade Federal do Paraná, se importou. Em entrevista ao site da Globo, ela conta que pensou no projeto depois que assistiu o filme “Absorvendo o tabu”, curta-metragem documental vencedor do Oscar de 2019.

Seu absorvente sustentável, desenvolvido a partir da fibra da banana ainda não ganhou os postos de saúde e nem os olhos do investidor. Pena. São pouco mais que 600 assinaturas ao projeto da Laís que lança a ideia de distribuição gratuita de absorventes em postos de saúde. Pouca gente sabe do projeto. Ainda.

Por isso é importante falar. Dedicar páginas em jornais, revistas, veículos de comunicação para tocar nos assuntos tabus. 26% das meninas brasileiras entre 15 e 17 anos não têm dinheiro para comprar absorvente. Isso é mais que ¼. Estamos falando de falta de recursos pra acessar produtos básicos de higiene. Não é sobre feminismo. Não é mimimi. É sobre ser mulher.