Lous and the Yakuza – Pop Magazine A/W 2020 By Charlotte Wales

Bonjour Bona Fide!   —   Pop Magazine A/W 2020   —   www.thepop.com
Photography: Charlotte Wales Model: Lous and the Yakuza Styling: Vanessa Reid Hair: Ramona Eschbach Make-Up: Cecile Parvina Manicure: Beatrice Eni  Set Design: Alex Bock

Antologia ‘African American Poetry: 250 Years of Struggle & Song’ reúne 250 anos da poesia negra dos Estados Unidos

Obra editada pelo poeta Kevin Young é um tributo à persistência desses autores em lutar por voz e liberdade
Parul Sehgal, The New York Times

Angelina
A poeta afro-americana Angelina Weld Grimké Foto: Domínio Público

Em seu comovente ensaio The Difficult Miracle of Black Poetry in America [O Milagre Difícil da Poesia Preta na América, em tradução livre], June Jordan lembrou sua participação como jurada de um prêmio de poesia em meados da década de 1980. Enquanto vasculhava a última rodada de manuscritos, começou a anotar substantivos recorrentes: lua, olmos, lilás, tundra.

“Dezesseis diferentes manuscritos de poesia escritos no ano de 1985 e nenhum deles usa as palavras da minha vida preta!”, ela notou. Os poetas, todos brancos, escreviam sobre manivelas e gansos da neve, nunca sobre baixos salários ou tiroteios policiais, nunca sobre os eventos globais da época: o apartheid na África do Sul, a fome na Etiópia.

“Não me atreveria e não me atrevi a impor minhas urgências aos poetas brancos que escreviam na América”, escreveu Jordan. Mas ela se maravilhou com a persistência dos poetas pretos, empenhados em escrever sobre a liberdade, mesmo que seu trabalho fosse ridicularizado como algo “típico” ou “panfletário”. “Este é o milagre difícil da poesia preta na América: nós persistimos, publicados ou não, amados ou não amado. Nós persistimos”.

A nova antologia da Library of America, African American Poetry: 250 Years of Struggle and Song [algo como Poesia Afro-Americana: 250 Anos de Luta e Canto], editada por Kevin Young, é um tributo monumental a essa persistência, desde o período colonial até os dias de hoje. O livro apresenta poemas sobre injustiça, assédio, fome – protestos impressos – mas também odes arrebatadoras à música e à comida, ao olhar dos lindos desconhecidos, ao tédio e dores do parto e da menopausa e, sim, à lua, olmos e lilases também.

Young – que vem sendo chamado de “poeta mais ocupado dos Estados Unidos” – escreveu inúmeras coleções de poesia e ensaios e editou antologias de versos sobre luto e jazz. Ele é editor de poesia da New Yorker e diretor do Centro Schomburg para Pesquisa em Cultura Negra da Biblioteca Pública de Nova York. Em janeiro, começará uma nova função como diretor do Museu Nacional Smithsonian de História e Cultura Afro-americana.

Seus muitos empreendimentos estão ligados ao esforço de resgatar do esquecimento, de contextualizar, de indicar pontos de continuidade e, ao mesmo tempo, insistir na multiplicidade das experiências. Uma das conquistas de Young com este novo livro que passou seis anos em composição é trazer à tona escritores menos conhecidos – especialmente escritoras, como Anne Spencer e Mae V. Cowdery, figuras esquecidas do movimento Harlem Renaissance – e questionar por que suas obras desapareceram. Eles nunca publicaram um livro? Viveram numa época, como os anos 1980, de escasso apoio institucional aos poetas pretos? Escreveram de formas trivializadas? Foram forçados a manter sua escrita em segredo?

Antologias podem ser uma barreira contra a obscuridade. Aqui vemos poemas considerados polêmicos demais para a época (poemas de amor arrebatadores de Angelina Weld Grimké, escritos para outra mulher) ou produzidos de maneiras tidas como marginais (rimas de pular-corda de Lucille Clifton, publicadas agora pela primeira vez).

Desde as primeiras páginas, a coleção me compeliu a lê-la de um jeito anormal e estranhamente bovino – do começo ao fim. (Todo mundo sabe que a maneira correta é a totalmente aleatória, começando com os favoritos – ou com os inimigos – e depois mordiscando aqui e ali conforme você avança). Mas esses poemas, embora dispostos em ordem convencional – divididos em seções cronológicas, organizadas em ordem alfabética por autor – fazem comentários implícitos uns sobre os outros.

“Eu / sou uma mulher preta / alta feito um cipreste”, escreve Mari Evans no poema I Am A Black Woman. “Olhe / para mim e se / renove”. Na página ao lado, o poema de Sarah Webster Fabio I Would Be for You Rain nos afasta com certo sarcasmo: “Eu seria para você a chuva; / insistente, persistente, ainda / intermitente”. A seca, ela escreve, “tem mãos mais gentis”. Ela é seguida por High on the Hog, de Julia Fields, com sua majestosa indiferença aos apetites e necessidades de qualquer pessoa, exceto aos de quem fala. “Quero os melhores aperitivos”, escreve ela. “Já fui / muito planejada / cortada / E agora quero do melhor”.

São momentos de humor dentro de um livro onde o que manda são as continuidades mais sombrias. Em seu poema de 1989 On the Turning Up of Unidentified Black Female Corpses, Toi Derricotte escreve sobre mulheres negras assassinadas que aparecem em campos e rodovias.

Estou errada em pensar que, se cinco mulheres brancas tivessem sido despidas e espancadas, as sirenes soariam até que alguém fosse responsabilizado?

Aja Monet atende a este chamado em “#sayhername”: “Sou uma mulher que carrega outras mulheres na boca”, ela escreve. E diz seus nomes: Rekia Boyd, Sandra Bland, Pearlie Golden e outras.

Lido desse jeito, o livro parece um poderoso volume da história americana, no qual poetas, a começar por Phyllis Wheatley, a primeira poetisa preta publicada no país, falam sobre sua época. Aqui vemos o ceramista David Drake, que, numa época em que a alfabetização era proscrita para as pessoas escravizadas, inscreveu em suas obras versos rimados sobre a separação da família sob a escravidão: “Me pergunto onde estão todos os meus laços / Amizade para todos – e todas as nações”). Aqui também vemos o nascimento do jazz, o julgamento de Scottsboro, o assassinato de Emmett Till, a Guerra do Vietnã, o assassinato de Malcolm X, as mortes de Michael Brown, Rekia Boyd e Sandra Bland.

Os poetas falam diretamente à América. Em 1853, James M. Whitfield escreveu: “América, isto é para ti, / Tu te vangloriaste a terra da liberdade, / É a ti que elevo a minha canção, / Tu, terra de sangue, crime e injustiça”. E os poetas também falam uns aos outros. Um dos aspectos mais comoventes da antologia é ver os escritores das primeiras seções – Langston Hughes, Paul Laurence Dunbar, Gwendolyn Brooks, June Jordan – virando ancestrais queridos, tornando-se ocasião para poemas das seções seguintes.

A antologia soa como uma forma de história, mas é também uma história da forma. Traça os afluentes das tradições inglesa e folclórica, os ritmos do jazz e dos beats, a influência do modernismo e do Black Arts Movement. Qualquer que seja o estilo, qualquer que seja o formato do recipiente, fica claro o poder de retenção do poema. Com mais eficiência que quase qualquer outra forma, o poema consegue transmitir uma sensação de simultaneidade: o passado pode saturar o presente, o futuro pode surgir atrás de nós, o ânimo pode oscilar entre o lamento e o louvor. O próprio poema se torna um local para discutir os custos de se transformar a luta em canto, como diz Young. Os poetas lutam com a urgência de documentar a violência, mas também se enervam com a compulsão. “Este filme não pode ser sobre a dor preta nem causar dor preta / este filme não pode ser sobre uma longa história de se ter uma longa história de feridas”, escreve Danez Smith em “dinosaurs in the hood”.

Ou então a poeta se move na direção oposta, sentada à janela, contemplando um poema sobre o céu e as nuvens e se detendo, como Nikki Giovanni em For Saundra: “Talvez eu não deva escrever nada / só limpar minha arma / e checar meu suprimento de querosene / talvez não sejam tempos / nada / poéticos”. Em “Wednesday Poem”, Joel Dias-Porter escreve: “abro minha pasta de poemas da natureza, / depois fecho a pasta e afundo na cadeira. / Que símile pode selar um ferimento à bala?”. “Certamente sou capaz de escrever poemas / celebrar a grama”, Lucille Clifton diz e logo se pergunta: “por que / sempre tem debaixo daquele poema / outro poema?”.

Sempre: o poema por trás do poema, o que está em jogo em cada detalhe. É impressionante contemplar a variedade e a história trazidas neste volume. Os poemas aqui reunidos têm a força do acontecimento. Foram escritos como atos de luto público e como segredos; são versos de amor e são lutas amargas. São uma companhia estimada. Ao fechar o livro, June Jordan volta à mente. Talvez se possa dizer o que ela disse para agradecer seu amor em Poem for Haruko: “Com que facilidade você segurou / minha mão / junto à maré baixa / do mundo”. /TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

African American Poetry: 250 Years of Struggle & Song

Editado por Kevin Young

1.110 páginas

Polônia vive ‘guerra fria’ entre mulheres progressistas e homens de extrema direita, diz sociólogo Rafal Pankowski

Em Varsóvia, manifestantes fazem performance durante protesto contra restrições ao aborto na Polônia
Em Varsóvia, manifestantes fazem performance durante protesto contra restrições ao aborto na Polônia – Slawomir Kaminski – 10.nov.20/Agencja Gazeta via Reuters

Conflitos entre progressistas e grupos de extrema direita trouxeram para as ruas uma “guerra fria” que se aprofunda há duas décadas na Polônia, diz o sociólogo e cientista político Rafal Pankowski, 44, presidente da associação antirracista Nunca Mais.

Mais que a tradicional divisão entre metrópoles progressistas e um interior rural conservador, o país passa por uma polarização que tem um forte componente de gênero, principalmente entre os jovens, diz ele.

Os homens formam o exército dos grupos de extrema direita, que anunciaram recentemente a criação de milícias e colocaram pela primeira vez o partido radical Confederação no Parlamento.

As jovens, por outro lado, são o motor dos movimentos progressistas, que nos últimos dias canalizaram a frustração ampla contra a radicalização do governo e da Igreja Católica em temas que vão muito além da legislação antiaborto, segundo o sociólogo, um dos principais estudiosos sobre a extrema direita no país.

De Varsóvia, Pankowski falou com a Folha por Skype sobre o que os protestos feministas têm de novo, que resultado podem obter e o que se espera da atual polarização política na Polônia.

Os extremistas que atacaram feministas são movimentos organizados ou grupos espontâneos? Houve as duas coisas. Grupos organizados fizeram um número preocupante de ataques, inclusive contra mulheres, o que não é comum na Polônia, não apenas em Varsóvia, mas em várias cidades. E houve grupos que se juntaram especificamente contra as manifestantes.

Devido ao ataque às igrejas? O ataque às igrejas foi muito mais simbólico que concreto, mas a defesa da Igreja foi um pretexto útil para mobilizar mais gente. Robert Bakiewicz, presidente da Associação da Marcha da Independência, conseguiu se impor como o rosto desse suposto movimento de defesa das igrejas. Já faz anos que seu grupo age contra movimentos progressivas, e agora eles anunciaram a formação de uma unidade paramilitar, chamada Guarda Nacional. A ONR, outro grupo, também anunciou suas Brigadas Nacionais.

São milícias armadas? Essa é a ideia. Não creio que sejam armas pesadas, até agora não houve incidentes, mas alguns desses grupos têm experiência em treinamento paramilitar. Outra corrente menos organizada mas muito importante são as torcidas de futebol. Os hooligans são os mais violentos e foram os que atacaram jornalistas, por exemplo, nos últimos dias.

Os hooligans atacam só pela violência ou há motivos ideológicos? Estão contentes de se engajarem em atos violentos, mas há também motivação ideológica. O ambiente das torcidas é fortemente infiltrado pela extrema direita nacionalista. A marcha de 11 de novembro começou como algo pequeno há dez anos e se tornou algo imenso no ano passado, com mais de 100 mil pessoas de todos os lugares da Polônia. Se você olhar, a grande maioria é formada por torcedores.

Existe um perfil claro dos hooligans? São homens jovens das classes trabalhadoras? O perfil é um pouco mais complexo em relação à classe social, mas, em termos gerais, é isso. Além disso, o partido governante, Lei e Justiça [PiS], é muito de direita.

Homem de óculos, camisa branca e paletó preto repouca o queixo na mão direita
Rafal Pankowski, sociólogo e cientista político polonês – RPO/Divulgação

Quanto de direita? Se 1 for o mais progressista e 10 o mais reacionário em termos de costumes, onde está o PiS? É bastante subjetivo, mas eu diria 8. Começou como um partido conservador igual aos outros, mas se moveu para a direita nos últimos anos, radicalizou-se, em parte por decisões pessoais de seu líder [Jaroslaw Kaczynski] e porque quase todos os mais liberais deixaram o partido.

Mas há partidos ainda mais de direita, como o Confederação. Sim, e eles chegaram ao Parlamento com o apoio de homens jovens e uma enorme parcela dos hooligans. Há na Polônia hoje uma dimensão de gênero que não existia anos atrás, principalmente entre os jovens. Os homens são mais de direita, ou até de extrema direita, enquanto as mulheres jovens, como se vê pelos protestos, se não são de esquerda são muito mais progressistas.

Qual a força das mulheres? Os protestos recentes são muito especiais não só pela escala, mas porque aconteceram em centenas de cidades pequenas que nunca antes tiveram atividade política. O aborto foi a razão inicial, mas há uma insatisfação acumulada contra a tendência autoritária dos últimos anos, principalmente depois da campanha extremamente homofóbica na última eleição presidencial, em julho.

O presidente Andrzej Duda fez uma campanha homofóbica e foi reeleito justamente devido à força nas cidades pequenas. Por que esse descontentamento não aflorou na eleição? É de fato um paradoxo. Mas acho que em parte há relação com a pandemia; antes da eleição, o governo tinha mais crédito. Agora ficou claro que a Covid-19 não está banida, e muitos não entendem por que o governo gastou tanta energia contra os gays em vez de preparar o sistema de saúde para a segunda onda. Há muita ansiedade sobre o futuro, não necessariamente direcionada a saúde, mas à economia, que é um contexto importante dos protestos. A combinação de vários fatores criou essa massa crítica espetacular.

Há conciliação viável entre as forças progressistas e as de direita? Não há nem espaço nem apetite para diálogo, a polarização neste momento é muito intensa, assim como a divisão da sociedade.

Se os manifestantes dizem que não vão parar enquanto o governo não devolver direitos às minorias, a extrema direita está criando milícias e não há chance de conciliação, os poloneses caminham para um grande conflito? Sim, é de esperar. O conflito já está muito intenso em palavras e atitudes, e a hostilidade já virou violência em alguns momentos. Não houve mortes, mas há medo de que a agressão escale. São preocupações legítimas, e não espero solução rápida, porque há raízes profundas em tantos níveis. Há uma “guerra fria” dentro da sociedade polonesa que vai durar muitos anos.

Que resultado espera dos protestos progressistas? No futuro próximo, não devemos ver grandes mudanças. Pode ter um impacto significativo no longo prazo, porque esta é a socialização política dos mais jovens, uma experiência importante, que pode contribuir para mudanças sociais e culturais.

Os manifestantes adotaram uma linguagem agressiva, com slogans como “foda-se”. Há um objetivo político? A linguagem é de fato forte, e isso também é novo. Em parte é uma forma de manter longe os mais velhos. Eu compararia esses protestos a Maio de 68 na França. Este é o nosso Maio de 68, um novo estilo desconhecido na Polônia. Outra novidade é a hostilidade ou a rejeição aberta contra a Igreja.

Parte dos progressistas é também católica. A Igreja Católica na Polônia é monoliticamente pró-direita? Ou há divisões? Nos anos 1990 havia vozes mais progressistas e mais conservadoras, mas nas últimas duas décadas a Igreja adotou uma linha mais e mais dura, quase se confundindo com a mensagem da extrema-direita. A hostilidade das últimas semanas contra a Igreja não é gratuita, tem a ver com a radicalização do clero católico. Se por um lado eles são cada vez mais poderosos na política, por outro estão perdendo boa parte do respeito que tinham na sociedade.

É possível estimar o alcance da extrema direita na sociedade polonesa? Podemos fazer uma aproximação pelos resultados eleitorais. O Confederação teve pouco mais de 6% dos votos na eleição parlamentar do ano passado, quando chegaram ao Legislativo pela primeira vez, e neste ano seu líder e candidato, Krzysztof Bosak, teve 7% dos votos. Essa é a fatia de uma extrema direita abertamente racista e não democrática. Mas a maioria desse apoio vem de homens jovens, e entre eles a fatia chega a 30%.

A crise econômica pós-pandemia pode ampliar o alcance da extrema direita? Pode, mas não há nada de automático nisso. A extrema direita vêm crescendo sem ligação com a economia. A Polônia foi, por exemplo, o único país europeu que não entrou em recessão depois da crise global de 2008, mas a extrema direita cresceu mesmo assim, e continuou se ampliando nesta década, principalmente depois de 2015.

Por causa dos refugiados? Sim, mas eles [a extrema direita] criam problemas artificiais, que é exatamente o caso dos refugiados. É um número muito pequeno na Polônia, mas a extrema direita é hábil em criar uma ameaça imaginária, com muito apelo principalmente entre os mais jovens: 80% dos jovens poloneses são contra aceitar refugiados. Antissemitismo é outro exemplo desse mecanismo de “othering” [eleger outros como culpados] e estigmatização de minorias. A comunidade judaica na Polônia é mínima, mas virou assunto para a Confederação e para a campanha de reeleição do presidente Duda.

A Confederação pode ter conseguido 6% ou 7% dos votos, mas seu impacto na política é, na verdade, maior, e isso assustou o partido governante, empurrando seu discurso mais para a direita.

As pesquisas mostram que o PiS perdeu popularidade [em novembro, 28% declararam votar no partido, uma queda de 12 pontos percentuais em seis meses]. A ida para a direita deu errado? Eles calculavam que haveria alguma perda, mas provavelmente não esperavam reação nesta escala nem esse tipo de atos.


RAIO-X

Rafał Pankowski, 44

O sociólogo e cientista político polonês dirige a associação antinazista e antirracista Nunca Mais. Estudou política, filosofia e economia na Universidade de Oxford e ciência política na Universidade de Varsóvia, onde se doutorou. É coordenador do Centro para Monitoramento de Racismo na Europa Oriental, professor da universidade polonesa Collegium Civitas e vice-editor-chefe da revista antifascista Nigdy Wiecej (nunca mais).

‘Sophia Loren nunca desiste e aos 86 anos de idade é uma lição’, afirma Edoardo Ponti

Dirigida pelo filho, atriz retorna em ‘Rosa e Momo’ na Netflix, depois de anos sem filmar
Javier Romualdo, EFE

‘Rosa e Momo’, filme com Sophia Loren esteia na Netflix. Foto: REGINE DE LAZZARIS AKA GRETA/ NETFLIX

LOS ANGELES – Edoardo Ponti viajou para o sul da Itália com o objetivo de trazer sua mãe, Sophia Loren, de volta para as telas, com o filme A Vida Pela Frente, drama sobre uma sobrevivente do Holocausto que cuida de crianças abandonas e que marca a volta da lendária atriz italiana às telas depois de mais de uma década.

“Com minha mãe posso repetir a mesma cena dez, doze, quinze vezes. Nunca, jamais, em três filmes que realizamos juntos, ela me disse, “Edoardo, chega, não posso mais”. Ela nunca desiste, sempre quer o melhor. Com 30 anos é normal, mas ter esse desejo com 86 é uma grande lição”, afirmou o cineasta em uma entrevista à EFE.

É a terceira vez que Edoardo dirige sua mãe diante das câmeras. Mas desta vez isto parece ainda mais especial pois é o primeiro longa de Sophia Loren depois de mais de dez anos, rodado em sua terra natal, no sul da Itália, em que ela interpreta uma rígida e generosa madrasta.

“É assim que vejo minha mãe. Sempre desejo mostrar Sophia não como diva, mas como atriz, a mãe e a artista que conheço”, disse ele. Durante a entrevista, Edoardo, que é filho de Sofia com o produtor Carlo Ponti, não poupou elogios à mãe, à disciplina que inculcou nele e a um estilo artesanal de fazer filmes afastado dos “egos” e das “superficialidades”.

Reencontro com as raízes

Sophia Loren, 86 anos, e cuja última aparição no cinema até agora foi em Nine, de Rob Marshall (2009) volta em Rosa e Momo (título no Brasil) uma nova adaptação do romance A Vida Pela Frente, escrito por Romain Gary e publicado em 1975, que já foi adaptado para o cinema em 1978, no filme Madame Rosa – A Vida Pela Frente, dirigido pelo israelense Moshe Mizrahi e que recebeu um Oscar.

Nesta nova versão para a Netflix, Sophia Loren retoma a personagem de Madame Rosa, uma anciã que inicia uma amizade singular com um menino imigrante senegalês (Ibrahima Gueye) que ficou órfão.

Diferente da obra original, a história não se passa em Paris, mas em Bari, cidade do sul da Itália onde a beleza das ruas barrocas e a luz do Mediterrâneo contrastam com as tensões envolvendo a imigração e a pobreza.

“Para ela era importante se reencontrar com sua língua (o napolitano) porque quando você fala o idioma que aprendeu quando nasceu tudo muda, as expressões do rosto, o olhar”, disse Edoardo. O diretor dedicou grande parte do trabalho em Rosa e Momo procurando fazer com que Ibrahima Gueye, um ator mirim de 13 anos que divide as cenas com Loren, interpretando Momo, não se sentisse bloqueado diante do resplendor que cerca uma estrela da magnitude da italiana.

“Quando você junta duas pessoas que têm um grande coração e uma alma sensível é fácil”, afirmou o diretor.

Sophia Loren retoma a personagem de Madame Rosa, uma anciã que inicia uma amizade singular com um menino imigrante senegalês (Ibrahima Gueye) que ficou órfão. Foto: REGINE DE LAZZARIS AKA GRETA/ Netflix

‘Ela me ensinou a nunca desistir’

Sophia e Edoardo passaram mais de um mês em Bari com o jovem ator e sua família para criar um vínculo cotidiano que se traduzisse para a tela. “Queria que Ibrahima conhecesse Sophia como a “mamma”, tanto no início como no final da jornada, que tomasse o café da manhã e assistisse TV junto com ela”.

Assim, a emblemática atriz e o jovem ator construíram sua química na tela sob o olhar atento de Edoardo Ponti, que continua aprendendo com sua mãe. “Nunca desiste”.

Indagado se é obcecado pela perfeição depois de crescer e viver no meio de gênios da sétima arte, Edoardo deixou claro que uma das lições mais importantes, influenciada pelo neorrealismo, é a verdade.

“Não é a busca da perfeição, mas chegar a um momento autêntico. Ao mais real possível, a esse momento de verdade”, disse.

Sophia Loren e Edoardo Ponti
‘Ela nunca desiste, sempre quer o melhor. Com 30 anos é normal, mas ter esse desejo com 86 é uma grande lição’, diz Edoardo Ponti sobre a mãe, Sophia Loren. Foto: Netflix

‘O Oscar é a lembrança de uma experiência inesquecível’

Num ano estranho para o cinema, Rosa e Momo já surge como um filme forte candidato ao Oscar, pois Hollywood tem muita expectativa com essa nova obra italiana que conta também com Laura Pausini, que responde pela trilha sonora.

Uma nova indicação para Sophia Loren quebraria vários recordes e restituiria a atenção da premiação para o cinema italiano.

“Sem dúvida seria belo, mas o nosso Oscar já está no coração e na lembrança de uma experiência inesquecível”, disse Edoardo.

O diretor lembra que sua família sempre se manteve longe do showbiz e por isso ele vê o cinema como algo artesanal, como “estar a serviço de uma obra e não do ego ou da superficialidade”, valores que procura realçar neste filme que fala de “inclusão e tolerância”.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

NEVER TOO SMALL 14sqm/150sqft Micro Loft Apartment – Chambre De Bonne

Escondido no sótão do último andar de um edifício histórico de 1800 está o apropriadamente chamado Chambre de Bonne (quarto de empregada em francês) projetado por nonestudio. Inspirado no design de iates, o nonestudio redesenhou esta pequena casa de 10m² (+ 4m² de loft) no leste de Milão como um espaço perfeito e versátil; usando um forro de madeira contínuo para conectar as superfícies da casa e criar uma série de espaços flexíveis.

Produced by https://newmac.co
Creator: Colin Chee
Director/Camera: Alessandro Carpentiero Photography
Producer: Lindsay Barnard
Editor: Colin Chee

In Video Credits:
Interview: Giulia Menestrina
http://www.nonestudio.it

Produced by: Newmac
Newmac.co
Director/Camera: Alessandro Carpentiero Photography
Creator: Colin Chee
Producer: Lindsay Barnard
Editor: Colin Chee

Music:
Compass by Some Were At Sea
Arlist.io

Movimento de mulheres na China distribui absorventes gratuitamente em escolas e universidades

Para combater a falta de acesso a itens de higiene e o constangimento enfrentado por mulheres durante seus períodos menstruais, campanha distribui absorventes em caixas e sacolas espalhadas por banheiros femininos de instituições de ensino chinesas
Tiffany May e Amy Chang Chien, do New York Times

Sacos de absorventes embalados individualmente surgiram do lado de fora dos banheiros da Universidade de Guangxi em Guangxi, China. “Pegue um e coloque outro de volta depois. Acabe com period shaming (constrangimento menstrual, em tradução livre)”, dizem as instruções Foto: NYT

HONG KONG — Tudo começou quando uma única caixa de absorventes higiênicos apareceu em uma sala de aula numa escola de ensino fundamental em outubro. Em seguida, um recipiente de plástico com absorventes foi preso às paredes de quatro banheiros em uma universidade de Xangai.

Até a primeira semana de novembro, caixas e sacos contendo absorventes embrulhados individualmente teriam aparecido do lado de fora de banheiros em pelo menos 338 escolas e faculdades em toda a China. Cada um trazia uma versão das mesmas instruções: “Pegue um e coloque outro de volta depois. Acabe com period shaming (constrangimento menstrual, em tradução livre).”

Os absorventes foram parte de um esforço mais amplo para aumentar o acesso ao produto, que nem todas as alunas podem pagar, e para eliminar a vergonha em torno de uma função corporal natural que há muito foi estigmatizada, de acordo com os organizadores de uma campanha popular chamada Stand by Her. 

Fundada por Jiang Jinjing, uma defensora dos direitos das mulheres, a campanha visa colocar o assunto da pobreza menstrual — o que as Nações Unidas descrevem como a luta financeira que mulheres e meninas de baixa renda enfrentam para comprar produtos menstruais —  para o primeiro plano no debate nacional. Jiang, que ganhou destaque em março após mobilizar as entregas de absorventes higiênicos para hospitais em Wuhan, na China, durante o surto de coronavírus, começou a campanha para combater a pobreza menstrual este ano.

Sacos de absorventes embalados individualmente surgiram do lado de fora dos banheiros da Universidade de Guangxi em Guangxi, China. Alunos e professores estão colocando os produtos fora dos banheiros como parte de uma campanha popular para combater a pobreza menstrual e remover o estigma em torno da menstruação Foto: FIONA FEI / NYT
Sacos de absorventes embalados individualmente surgiram do lado de fora dos banheiros da Universidade de Guangxi em Guangxi, China. Alunos e professores estão colocando os produtos fora dos banheiros como parte de uma campanha popular para combater a pobreza menstrual e remover o estigma em torno da menstruação Foto: FIONA FEI / NYT

Em uma entrevista publicada em setembro por uma revista online de Xangai, Sixth Tone, Jiang disse que costumava acreditar que os produtos menstruais eram inacessíveis apenas nas províncias ruarias chinesas mais empobrecidas, mas logo percebeu que o fenômeno era generalizado.

“Essa é a chamada pobreza feminina”, disse Jiang, mais conhecida por seu pseudônimo, Liang Yu. “Quando falamos sobre pobreza, as necessidades das mulheres se tornam automaticamente invisíveis.”. Ela recusou um pedido de comentário desta reportagem.

Seu grupo arrecadou 126 mil dólares em uma campanha de financiamento coletivo em outubro para enviar absorventes para 2.000 adolescentes em áreas rurais e fornecer informações sobre menstruação e educação sexual. Uma professora do ensino fundamental se inspirou nos esforços de Jiang e colocou uma caixa com absorventes gratuitos em sua sala de aula, dizendo às alunas para pegar um e substituí-lo mais tarde. 

Jiang postou fotos enviadas pela professora não identificada no Weibo, uma plataforma de mídia social chinesa. Ela encorajou outras a fazerem o mesmo e a campanha em torno do que ela chamou de “caixas de ajuda mútua” disparou. 

Caixas com absorventes começaram a aparecer nas entradas de banheiros femininos em escolas e faculdades de todo o país. Alunas da Universidade de Ciência Política e Direito do Leste da China, em Xangai, anexaram caixas do lado de fora de quatro banheiros femininos no campus. 

Fiona Fei, uma estudante de 23 anos de pós-graduação da Universidade de Guangxi, no sul da China, se inspirou a pendurar bolsas com zíper em torno dos banheiros do campus em outubro. Ela disse em uma entrevista por telefone que o pensamento patriarcal e as aulas incompletas de biologia nas escolas ensinaram as meninas a ver suas funções corporais como indecentes. “Muitas pessoas ao meu redor sentem vergonha”, disse ela, “e por isso queremos romper essa vergonha juntas”.

A impossibilidade de comprar produtos menstruais é comum em muitos países, e essa inacessibilidade costuma ser agravada por costumes sociais que consideram a menstruação um tabu. Mulheres e meninas no Nepal são banidas de suas casas para cabanas durante seus períodos menstruais. Pelo menos uma ou duas mulheres morrem nas cabanas a cada ano por exposição a condições adversas, mordidas de animais ou inalação de fumaça após acender fogueiras para se manterem aquecidas.

Um estudo publicado em julho pelo Centro Maple de Aconselhamento Psicológico de Mulheres em Pequim descobriu que quase 70% das entrevistadas disseram que tentam esconder os absorventes higiênicos que carregam, e mais de 61% usam eufemismos para se referir à menstruação.

Embora a campanha Stand by Her na China tenha recebido apoio nas redes sociais, também foi criticada e ridicularizada. Alguns disseram que as caixas com absorventes deveriam ser colocadas dentro dos banheiros para dar mais privacidade às pessoas. Em um incidente amplamente divulgado, caixas de pedidos de doações para lenços de papel foram colocadas do lado de fora dos banheiros masculinos na Universidade da China de Ciência Política e Direito, em Pequim, como referência grosseira à masturbação.

Mas a campanha também encontrou apoiadores entre os homens. Conor Yu, um estudante de 22 anos da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, disse que nunca aprendeu sobre menstruação na escola, mas foi influenciado por amigas feministas a prestar atenção no assunto. Ele montou caixas do lado de fora dos banheiros femininos no campus e pediu permissão para colocar pôsteres informativos na biblioteca, mas o pedido foi negado.

Nos últimos anos, o assunto tornou-se menos tabu na China. Em 2016, a nadadora olímpica Fu Yuanhui quebrou barreiras com uma entrevista à beira da piscina, na qual revelou que havia menstruado antes da disputa.

Neste verão, o tema da pobreza menstrual passou a ser examinado novamente na China porque absorventes baratos, sem marca, que não foram embalados individualmente, foram colocados à venda por um comerciante não identificado em uma plataforma de comércio eletrônico. Algumas pessoas questionaram por que alguém compraria esses absorventes potencialmente insalubres. Dois compradores online sugeriram que haviam adquirido os itens porque não podiam pagar por produtos mais caros.

Em agosto, uma garota de 17 anos em Chengdu arrecadou quase 200 mil dólares em uma campanha online para enviar absorventes para duas escolas secundárias em Liangshan, uma região na província de Sichuan que tem uma das maiores taxas de pobreza do país. 

Jiang, fundador da Stand by Her, disse em um post online: “O processo de ter discussões altas e frequentes removerá o estigma da menstruação. Isso vai libertar milhares de mulheres que têm vergonha disso.” Ela observou que “absorventes” e “menstruação”, antes palavras tabu, estavam sendo mais comumente discutidas no país. “Isso já é um marco e um grande avanço”, disse.

PlayStation 5 Review: Next Gen Gaming!

PlayStation 5 review from a casual gamer.

0:00 Intro

0:45 Design Thoughts

2:42 What’s New

5:01 Next Gen Gaming

7:12 Ray Tracing

9:52 NBA 2K21

11:07 The Controller

Michelle Pfeiffer comemora 27º aniversário de casamento com David E. Kelley

A estrela celebrou seu ‘único’ marido em suas redes sociais

Michelle Pfeiffer e David E. Kelley (Foto: Reprodução)

Michelle Pfeiffer comemorou seu 27º aniversário de casamento com o marido David E. Kelly com uma linda postagem no Instagram.

Após quase três décadas juntos, a atriz três vezes indicada ao Oscar compartilhou uma foto antiga e uma imagem mais recente. “Meu primeiro e único por 27 anos. Feliz aniversário para o meu amor, @davidekelleyproductions”, escreveu na legenda.

Na primeira foto, o casal está possivelmente participando de premiações na década de 1990. Já na segunda imagem, Pfeiffer postou uma selfie deles relaxados em sua casa.

Pfeiffer, 62, e Kelley, 64, que é um renomado escritor e produtor de televisão, se casaram em 1993, bem na época em que receberam sua filha adotiva Claudia.

Pfeiffer havia entrado com em procedimentos de adoção antes de conhecer Kelley. “Quando ela veio, ele e eu estávamos juntos há apenas cerca de dois meses”, disse a estrela de Scarface ao Good Housekeeping em 2007.

Michelle Pfeiffer e David E. Kelley (Foto: Reprodução)

“Então, nós trouxemos esse filho imediatamente e a maioria das pessoas não tem. Mas eu realmente pude vê-lo em uma situação que certamente separaria os meninos dos homens. Obviamente, ele realmente se mostrou à altura da ocasião”, continuou.

Sua família cresceria no ano seguinte, quando o casal deu as boas-vindas ao seu filho biológico John. 

Kelley, ex-advogado, é a força criativa por trás de sucessos da TV como ‘Big Little Lies’, ‘Ally McBeal’, ‘The Practice’, ‘Picket Fences’, ‘Chicago Hope’ e ‘Boston Legal’.

Junto com Scarface, o currículo estelar de Pfeiffer em Hollywood inclui papéis em Grease 2, The Witches of Eastwick, Married to the Mob, Dangerous Liaisons, The Fabulous Baker Boys, Batman Returns, I Am Sam, Vengers: Endgame e Maleficent: Mistress Of Evil.