MADVAN | Feather

MADVAN | Feather | Virtual Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p)

Vanity Couture | Resort 2020 | Full Show

Vanity Couture | Resort 2020 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – Art Hearts Fashion/Miami Swim Week)

Joshua Alan Barlow – So Incredible/Down For The Count

Harry Styles and Gemma Styles – Vogue USA December 2020 By Tyler Mitchell

Playtime   —   Vogue USA December 2020   —   www.vogue.com
Photography: Tyler Mitchell Model: Harry Styles and Gemma Styles Styling: Camilla Nickerson Hair: Malcolm Edwards Make-Up: Ammy Drammeh Manicure: Jenny Longworth  Set Design: Andy Hillman

Campeãs brasileiras de xadrez apontam pouco avanço no machismo retratado em ‘O Gambito da Rainha’

Série é uma das mais assistidas do ‘Netflix’ e ajudou no aumento da visibilidade para a modalidade, que teve novo ‘boom’ durante a pandemia
Giulia Costa e Marcello Neves

Juliana Terao: hexacampeã brasileira e professora de xadrez Foto: Edilson Dantas

Tetracampeã pan-americana de xadrez, Juliana Terao já competiu em eventos sem banheiro feminino. Professora e atleta profissional, Thauane de Medeiros teve vitória contestada por um adversário que alegava ter se desconcentrado porque ela era bonita. São situações que expõem como, embora a presença de mulheres ao tabuleiro tenha aumentado, ainda há discrepâncias entre gêneros, no tratamento, no número de mestres, de competidores e nas premiações.

Tal discussão ganha fôlego agora, quando o xadrez vive crescimento em meio à pandemia da Covid-19. No streaming, partidas atingiram mais de 41 milhões de horas de visualização na Twitch e, no Google, as buscas alcançaram o nível mais alto dos últimos sete anos. Nas últimas semanas ficou ainda mais em evidência por causa de “O Gambito da Rainha”, uma das séries mais assistidas da Netflix — gambito é o nome de uma jogada no xadrez.

A adaptação do livro “The Queen’s Gambit” (1983) conta a história de Beth Harmon, órfã prodígio que luta contra vícios enquanto enfrenta os maiores enxadristas do mundo entre as décadas de 1950 e 1960. Apesar de desconstruir os estereótipos ao redor do jogo, a série cria um ambiente utópico ao falar da inserção da mulher na sociedade — não eram comuns a liberdade, independência financeira e respeito que a personagem conquistou.

A protagonista Beth Hamon, da séria "O Gambito da Rainha" Foto: Charlie Gray / CHARLIE GRAY/NETFLIX
A protagonista Beth Hamon, da séria “O Gambito da Rainha” Foto: Charlie Gray / CHARLIE GRAY/NETFLIX

— Quando era criança joguei em muitos torneios onde era a única mulher, inclusive tinha que usar o banheiro masculino, o único que havia no local. Também há muitas piadinhas como as que a gente escuta em qualquer outro meio dominado por homens — conta Juliana, de 29 anos, que também é hexacampeã brasileira.PUBLICIDADE

O número entre meninos e meninas é equilibrado na categoria escolar, mas o cenário muda drasticamente quando avança ao profissional. Entre os mais de 1.700 grandes mestres no mundo, apenas 37 são mulheres. O número médio de atletas femininas em torneios é de 15%, e a diferença nos valores de premiação é discrepante.

— Falta reconhecimento, porque quando a mulher é destaque em algo não soa tão natural. Parece que foi sorte, e não que ela trabalhou duro e estudou para chegar lá — afirma Terao.

Celina:Como a série ‘O gambito da rainha’ iniciou um novo debate sobre o machismo no xadrez

A filósofa Valeska Zanello explica que as diferenças físicas utilizadas para justificar as desigualdades também são usadas para reafirmar as desigualdades intelectuais.

— Na cultura ocidental, somos ligadas à natureza, à emoção, ao instinto. Enquanto os homens ficam com a racionalidade, o julgamento e a lógica. O xadrez, por ser estratégico e trabalhar com matemática, seria “essencialmente” relacionado ao mundo masculino — diz a coordenadora do grupo “Saúde mental e gênero”, do CNPq.

Visibilidade de série

Professora e atleta profissional de xadrez, Thauane de Medeiros ficou satisfeita com a visibilidade que a série proporcionou ao esporte. Acostumada a ser minoria nas competições, ela lembra que, mesmo que a obra se passe na década de 1960, retrata bem a realidade enxadrista atual.PUBLICIDADE

— Nos torneios hoje em dia é mais natural ter mulheres, mas as pessoas estranham quando falo que vivo disso. Aconteceu muito de eu ganhar de um rapaz e ele falar que não conseguiu se concentrar porque eu era bonita, como uma desculpa. Ainda hoje eles não lidam bem com uma derrota para uma mulher. Isso não melhorou nada em relação ao que a série mostra — afirma a atleta de 26 anos, que também é mestre nacional e representante do Brasil nas Olimpíadas de Xadrez.

Thauane de Medeiros é campeã brasileira e professora de xadrez Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Thauane de Medeiros é campeã brasileira e professora de xadrez Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Thauane também acredita que, por falta de igualdade de condições, ainda é necessário a divisão por gênero nas competições. Mundialmente, as competições são divididas em duas categorias: absoluto e feminina. Na primeira, tanto mulheres como homens podem se inscrever, ou seja, sem distinção de gênero.

— Além de ter poucas na modalidade, elas ainda não tem apoio. Mulheres se destacariam mais em qualquer esporte se pudessem se dedicar 100% sem tanta cobranças para outras coisas. Eu ficaria feliz se tivesse só um torneio geral, mas ainda é preciso dividir em categorias para estimular as mulheres.

Aumento na procura

Enquanto a crise de Covid-19 interrompeu os treinamentos e paralisou o calendário dos esportes mais populares, o xadrez caminhou no sentido inverso. Juliana foi representante do Brasil em seis olimpíadas presenciais da modalidade e sua sétima participação foi diferente — a edição 2020, que aconteceria na Rússia, foi realizado virtualmente.

A paulista Juliana Terao é hexacampeã brasileira e professora de xadrez Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
A paulista Juliana Terao é hexacampeã brasileira e professora de xadrez Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Devido ao sucesso da série, o xadrez também surgiu como opção para jogadores amadores que buscam exercitar a mente durante o longo período de isolamento. De acordo com a “chess.com”, uma das principais plataformas de xadrez on-line, os brasileiros jogaram mais de 9 milhões de partidas entre os meses de março e junho, ante cerca de 5 milhões no mesmo período do ano passado. O número de novos usuários também saltou de 24 mil para, em média, 53 mil por mês apenas nesta plataforma.

O esporte milenar se adaptou à internet e tem voltado a crescer de forma avassaladora, mas, no Brasil, ainda falta visibilidade.

— O que precisamos para ter esse boom de volta aqui é ter um jogador de grande nome como foi o Mequinho na época dele. O esporte não está em decadência, falta é apoio — disse Terao, se referindo a Henrique Mecking, melhor brasileiro da história.

A atleta destaca ainda a democracia da modalidade, que se reinventou no mundo digital:

— Ele adaptou muito bem à tecnologia, e hoje as crianças podem aprender xadrez de uma forma muito mais lúdica do que na minha época. Além disso, você pode ver idosos e crianças se enfrentando. Em qual outro esporte isso é possível?

Décor do dia: quarto com papel de parede vinho e cabeceira de palhinha

Paleta de cores marcante e papel de parede transformam ambiente com personalidade e irreverência
RAFAEL BELÉM | FOTOS JULIA RIBEIRO

Décor do dia: quarto com papel de parede vinho e cabeceira de palhinha (Foto: Divulgação)

Uma decoração colorida não precisa ser carregada e nem poluída. Bom exemplo disso é este quarto assinado pela designer de interiores Luciana Lins. Com uma paleta de cores marcante, o ambiente evidencia a irreverência e a personalidade dos moradores sem deixá-lo cansativo. 

O projeto teve como ponto de partida o papel de parede vinho com relevo. O tecido serve como base principal para as demais texturas e tonalidades que compõem o ambiente, como os pendentes e a cabeceira com acabamento de palhinha e a roupa de cama em tons de azul. “A intenção por aqui para a escolha dos materiais foi quebrar o óbvio e trazer o contemporâneo para dentro do quarto”, explica a profissional. 

Traçado a mão por artesãos da Várzea Queimada, a luminária da Itens é um dos arremates da decoração. “A moradora é encantada pelas praias do Sul da Bahia. Por isso, não poderia deixar de trazer o pendente com tom de palha e toque luxuoso”, finaliza. 

Décor do dia: quarto com papel de parede vinho e cabeceira de palhinha (Foto: Divulgação)
Décor do dia: quarto com papel de parede vinho e cabeceira de palhinha (Foto: Divulgação)
Décor do dia: quarto com papel de parede vinho e cabeceira de palhinha (Foto: Divulgação)
Décor do dia: quarto com papel de parede vinho e cabeceira de palhinha (Foto: Divulgação)

Airbnb luta contra o problema das casas alugadas para festas

Barulho, danos à propriedade, problemas de segurança. Airbnb se apressa a resolver os riscos das casas de festas
Erin Griffith, The New York Times – Life/Style


A residência de luxo em Incline Village, Nevada, ao norte do Lago Tahoe, possui uma banheira de hidromassagem, sauna, mesa de sinuca, dois pátios e um quintal repleto de pinheiros altos. Pode acomodar 14 pessoas, de acordo com o site do Airbnb. E tem sido um pesadelo para Sarah Schmitz, uma senhora aposentada que mora ao lado.

A casa com frequência é local de festas barulhentas de despedidas de solteiro ou casamentos, disse a aposentada. Recentemente um grupo de universitários se hospedou ali e a fumaça da maconha entrava em sua casa. Quando pediu para pararem, jogaram lixo no seu terreno. “É uma casa com festas constantes”, disse. Ela chamou a polícia dezena de vezes e se juntou ao Incline Village STR Advisory Group, organização que luta contra as locações de curto prazo, onde a maior fonte é o Airbnb.

O que Sarah Schmitz contesta faz parte do “problema das festas em casa”, enfrentado pelo Airbnb. Quando um hóspede aluga uma propriedade para dar festas, algo que vem ocorrendo com mais frequência durante a pandemia do coronavírus, uma vez que as pessoas procuram lugares para socializarem pois os bares estão fechados e os hotéis representam mais risco. Em julho, a polícia de Nova Jersey interrompeu uma festa num imóvel alugado pelo Airbnb com mais de 700 pessoas.

As casas de festas são um risco para a reputação do Airbnb e com a companhia de US$ 18 bilhões se preparando para entrar na bolsa este ano. Em muitas localidades, as pessoas vêm se irritando com o barulho e os contratempos gerados pelos inquilinos. As queixas feitas de sites como Airbnbe Vrbo aumentaram 250% entre julho e setembro, em comparação com o ano anterior, de acordo com a empresa Host Compliance.

E pior, as casas de festas trazem problemas de segurança. Entre março e outubro pelo menos 27 tiroteios tinham ligação com imóveis alugados pelo Airbnbnos Estados Unidos e no Canadá, segundo um levantamento das notícias locais feito por Jessica Black, ativista que luta contra os aluguéis de curto prazo. Os dados coletados por ela foram confirmados pelo The New York Times.

Ao longo dos anos, os funcionários do Airbnb têm insistido para os executivos adotarem medidas para resolver o problema, segundo afirmaram seis pessoas que cuidam das questões da segurança na companhia. Mas a startup decidiu dar mais prioridade para o crescimento até que um tiroteio durante o Halloween num imóvel alugado pelo Airbnbsaiu na capa dos jornais de todo o país. Cinco pessoas morreram.

Os problemas estão provocando muitas disputas do Airbnbcom as comunidades sobre como regulamentar os aluguéis de casas. Grupos como o de Incline Village estão mais incisivos e compartilhando suas estratégias para combater essas locações de curto prazo. Cidades como Chicago, San Diego, Atlanta e Ann Arbor, Michigan, recentemente propuseram ou até implementaram regras mais rígidas e proibições no caso dessas propriedades.

“A viabilidade e a lucratividade do Airbnbserão uma incógnita se o problema nas festas não for solucionado”, disse Karen Xie, professora na universidade de Denver que pesquisa esse setor de locações de curto prazo.

Christopher Nulty, porta-voz do Airbnb, disse que a empresa vem combatendo o problema com “novas políticas, produtos e tecnologias mais robustos para acabar com as grandes reuniões que extrapolam de longe medidas adotadas por outros”. Segundo ele, a empresa tem feito mudanças, apesar de “sabidamente terem impacto no crescimento e nas reservas”.

O Airbnbcomeçou a implementar as novas regras em torno da época em que preparava para entrar com seu pedido de registro na Bolsa de Valores. Em julho, estabeleceu que hóspedes com menos de 25 anos e menos de três avaliações positivas no site não podem reservar casas inteiras perto do local onde vivem. Em agosto, mês em que entrou com o pedido de abertura do seu capital, a companhia estabeleceu um limite de 16 pessoas para uma reserva, proibiu festase processou hóspedes responsáveis pelos eventos.

No mês passado, a companhia começou a testar tecnologia para bloquear reservas suspeitas feitas em último minuto e tirou algumas casas de festas da sua lista. E antes do Halloween – um ano depois do tiroteio ocorrido numa casa da Airbnbem Orinda, Califórnia –  proibiu locações de uma única noite naquela data.

Há muito tempo, a empresa está às voltas com problemas de segurança, segundo disseram alguns funcionários. Eles disseram que vinham solicitando à empresa para entrarem com processo por danos contra pessoas que usam as casas alugadas para festas, mas os executivos temiam que isto chamasse a atenção para os eventos. 

Vários funcionários disseram ter procurado remover a opção de “reserva instantânea, que confirma as feitas de imediato sem exigir aprovação do locador. Mas o recurso, que foi usado em quase 70% das reservas feitas em 2019, aumentava a procura, tornando o Airbnb mais competitivo com os hotéis. Portanto a empresa não tomou nenhuma providência.

Segundo Nulty, a Airbnbpromoveu o recurso de reserva instantânea para que os proprietários de um imóvel locado não pudessem discriminar os hóspedes e negar a reserva a um deles, acrescentando que eles podem desativar o recurso se assim desejarem. Mas negou que os executivos foram pressionados a processar as pessoas que promovem festas e que seus advogados rejeitaram a proposta por temerem chamar a atenção pública.

Em Incline Village, que tem cerca de nove mil habitantes, as casas de festa do Airbnb vêm incomodando cada vez mais os moradores. Logo depois que Joe e Edie Farrel, terapeutas aposentados, se mudaram para sua casa de férias ali, no ano passado, a casa vizinha se tornou um local do Airbnb. A música alta e as pessoas bêbadas criaram “’10 dias de ansiedade”, durante os feriados do quatro de julho, disse Edie Farrell.

“O Airbnb basicamente está ajudando as pessoas a criarem um hotel no nosso bairro”, disse Joe Farrell, 68 anos. “Agora você precisa se preocupar com sua segurança, paz e tranquilidade”. E então ocorreu o tiroteio fatal no Airbnb de Orinda. Um artigo no site da revista Vice se referindo às reservas fraudulentas do Airbnbe contas falsas de locatários também viralizou, levantando dúvidas quanto à confiança.

Em resposta, a companhia declarou que iria banir festasrealizadas por organizadores profissionais e promovidas nas redes sociais. E que faria uma verificação dos cadastros dos seus milhões de imóveis, anunciando uma linha direta global para vizinhos denunciarem as festas. E promoveu sua diretora de políticas, Margaret Richardson, para o cargo de vice-presidente de confiança (Depois disto ela saiu da companhia).

Mas quando a pandemia surgiu em março, os executivos tiveram dificuldade para manter a companhia à tona. A verificação ficou paralisada. A linha direta para os bairros, que seria disponibilizada globalmente, só é acessível nos Estados Unidos, Canadá e Holanda. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO