‘Boudoir’: mulheres comuns buscam ensaios sensuais na pandemia

Fotógrafa especializada no segmento tem agenda lotada, com clientes de todas as idades e tipos físicos que querem dar um close na autoestima
Jacqueline Costa

A fonoaudióloga Isabella Thomazini, de 26 anos, diz que a pandemia proporcionou uma reflexão sobre si mesma e sobre amor próprio Foto: Débora Agualuza/Estúdio LovelyBee

Para a fotógrafa americana Dorothea Lange (1895-1965), “a câmera é um instrumento que ensina a gente a ver sem câmera”. Desde 2014, a jornalista e fotógrafa Débora Agualuza, do estúdio LovelyBee (@lovelybbee.fotografia), colabora com esse pensamento, fazendo com que mulheres de todos os padrões se sintam belas e únicas do jeito que são por meio de ensaios sensuais, também conhecidos pelo termo em francês boudoir.

A fonoaudióloga Isabella Thomazini Foto: Débora Agualuza, do estúdio LovelyBee (@lovelybbee.fotografia)
A fonoaudióloga Isabella Thomazini Foto: Débora Agualuza, do estúdio LovelyBee (@lovelybbee.fotografia)

Para a fonoaudióloga Isabella Thomazini, de 26 anos, a pandemia proporcionou uma reflexão sobre si mesma e sobre amor-próprio. Para ela e outras mulheres que têm deixado cheia a agenda de Debora, decidir se deixar fotografar foi mais um momento de amor-próprio, de cuidado.

— Ser fotografada tira um pouco desse peso que eu coloco sobre mim. Fico olhando várias e várias vezes as fotos e reparando em coisas diferentes. Eu pego emprestado a visão do outro sobre mim, me vejo de fora e acabo me tratando com mais carinho. Passamos por tantas provações este ano que poder conversar comigo e dizer que eu mereço sim, não porque eu fiz todos os cursos, li todos os livros, me exercitei todos os dias ou cheguei mais perto do que consideram bonita, mas porque eu respeito o meu corpo, o meu tempo, me cuido e o amo por ser como é, foi bom. E me sinto linda — afirma Isabella.

A professora de português Bárbara Nogueira, de 35 anos, diz que quase desistiu na semana do ensaio:

— Eu me olhava no espelho e não curtia nem um pouco o que via. Mas eu fui, no meio de uma quarentena, acima do peso, cheia de relações com meu corpo, mas fui. Um dia antes, minha psicóloga me fez refletir sobre o quanto a relação com meu corpo deveria mudar, afinal em toda a minha vida eu nunca achei meu corpo perfeito. Na quarentena, nem se fala.

Conexão. Bárbara Nogueira: momento de cura na relação com o corpo Foto: Débora Agualuza, do estúdio LovelyBee (@lovelybbee.fotografia)
Conexão. Bárbara Nogueira: momento de cura na relação com o corpo Foto: Débora Agualuza, do estúdio LovelyBee (@lovelybbee.fotografia)

Débora fotografa em quartos de hotel na Zona Sul, principalmente em Santa Teresa, ou em apartamentos alugados pelo Airbnb. Ela acredita que por acontecerem em um ambiente intimista, os ensaios colocam a mulher em uma experiência de conexão:

— Isso é transformador. Muitas mulheres chegam inseguras e, na primeira conversa, começam a expor o que elas gostariam que eu escondesse na fotografia, como se estivessem pedindo desculpas por terem acumulado dobrinhas e celulites durante a quarentena.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.