Conheça Marco Ribeiro, o estilista brasileiro que está chamando atenção no mercado internacional

Fluminense radicado em Paris, Marco Ribeiro chama a atenção no mercado internacional com looks inspirados no seu Brasil natal
SYLVAIN JUSTUM

Looks da coleção de inverno 2020, a Manifesto, da Marco (Foto: Naguel Rivero)

A vida do estilista fluminense Marco Ribeiro dá voltas. Radicado em Paris há seis anos, ele saiu de sua Petrópolis natal aos 14, morou na Argentina até os 26 e seguiu para a França com a intenção de empoderar as mulheres através de roupas globalizadas nas quais as figuras geométricas da bandeira brasileira são uma janela para a sensualidade. Retângulos, losangos e, sobretudo, o círculo vão além de belas alegorias e ganham funções e significados profundos nas criações da label Marco (@iammarcoribeiro), que vem recebendo boa atenção do mercado internacional – a marca ganhou inclusive as páginas da Vogue italiana de setembro, apontada como um dos destaques ao redor do mundo para ficar de olho.

Não é à toa que sua segunda coleção, de inverno 2020, é batizada de Manifesto. Além de incentivar um novo olhar sobre o corpo feminino, a linha carrega uma mensagem de igualdade, evoca a Declaração Universal dos Direitos Humanos e prega a liberdade de ser sensível e vulnerável à natureza cíclica da vida. O círculo é elemento-chave, portanto, na mensagem que Marco quer transmitir. “A vida é um círculo! Uso a figura geométrica como símbolo de união e como um protesto pacífico contra o preconceito, pois considero que estamos todos ligados em um mesmo diâmetro”, explica o designer.

Novos movimentos para a silhueta feminina e uma sensualidade conceitual como resposta à sexualização excessiva da mulher são focos de estudo para Marco. “Muitas vezes, o corpo nu feminino é reduzido a uma conotação sexual, frequentemente para a satisfação dos outros, especialmente no Brasil. Um corpo é algo poderoso e bonito, e quero mostrar como ele pode ser uma forma de autoexpressão definitiva. Gostaria que minhas roupas ajudassem quem as usa a sentir-se capaz de mostrar a pele por decisão própria, para dizer ‘esta sou eu’. E isso é, de certo modo, um protesto em um mundo onde tudo é altamente sexualizado”, explica.

A nudez de seios, barriga ou joelhos é estratégica nas roupas de Marco e é aí que entram as linhas geométricas da bandeira nacional, como molduras vazadas, plissadas e nervuradas para transformar a pele em arte abstrata. Para o seu exercício de cores e volumes, ele privilegia tecidos naturais como o linho e o algodão, que garimpa em deadstocks (estoques antigos inutilizados) de tecelagens em Paris, e seda regenerada. Reaproveitar sobras de panos de grandes marcas é uma das maneiras que Marco encontra para ser sustentável. Ele quer produzir sob demanda e também procura fazer suas roupas em ateliês locais, para viajar menos e garantir trabalho a artesãos menores, mas não menos talentosos. “A sustentabilidade é a nova couture, no sentido de luxo, mesmo”, compara.

Looks da coleção de inverno 2020, a Manifesto, da Marco (Foto: Naguel Rivero)
Looks da coleção de inverno 2020, a Manifesto, da Marco (Foto: Naguel Rivero)

O isolamento social de 2020 foi produtivo. Ele está finalizando a terceira coleção, com estreia prevista para o início do ano que vem junto como seu e-commerce próprio, que será o primeiro ponto de venda oficial da grife. O estilista não antecipa a inspiração, mas dá pistas ao garantir que o exercício de geometria segue firme e ao revelar que foi bastante impactado pelo movimento Black Lives Matter. O fascínio pelas formas femininas segue sendo seu combustível e certamente tem origem no ambiente de mulheres fortes no qual cresceu, muito ligado à avó e à mãe – com quem foi viver em Buenos Aires e Mar del Plata depois que ela se separou do pai, alfaiate.

Como saiu cedo do Brasil, consequentemente não teve tempo de criar um repertório com a vivência por aqui. “A ideia das geometrias fragmentadas da bandeira brasileira, por exemplo, só veio no ano passado, quando vi uma exposição pela primeira vez no Museu de Arte Contemporânea de Niterói”, conta. Também só visitou o Cristo Redentor recentemente, durante as últimas férias no País. Suas referências nacionais fogem dos clichês. “Sou fã dos Parangolés de Hélio Oiticica!” O sotaque não deixa dúvidas: Marco está totalmente ambientado em Paris, onde vive no 19ème arrondissement e mantém uma rotina pacata. Como um bom francês – ele tem cidadania do país –, seus programas favoritos são fazer visitas diárias à boulangerie da esquina para buscar um autêntico pain aux raisins e bater ponto mensalmente no Louvre. “Passei dez horas lá dentro na primeira vez”, lembra.

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