Beach Invaders | 03 | Spring Summer 2020 | Full Show

Beach Invaders | Spring Summer 2020 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – MAREDAMARE)

Josh Oliver – Alex Arcoleo – Future/Cliff Drive /New Ideal/Catching Waves

Lola Nicon – WSJ. Magazine November 2020 By Dario Catellani

Chasing Waterfalls   —   WSJ. Magazine November 2020   —   www.wsj.com
Photography: Dario Catellani Model: Lola Nicon Styling: Elin Svahn  Editor: Magnus Berger Hair: Christian Eberhard Make-Up: Luciano Chiarello Casting Director: Piergiorgio Del Moro

Charles Spencer, irmão da princesa Diana critica ‘The Crown’: ‘não é verdade’

‘Acho que ajudaria se no começo de cada episódio falassem que não é real, mas baseado em fatos reais’, afirmou Charles Spencer
JOÃO PEDRO MALAR – O ESTADO DE S.PAULO

Charles e Diana. Série narra crise conjugal do casal e problemas de Diana com bulimia Foto: NETFLIX

O conde Charles Spencer, irmão da princesa Diana, criticou a série The Crown na quarta-feira, 25. Segundo ele, a produção da Netflix deveria deixar mais claro que trata-se de uma obra de ficção baseada em acontecimentos reais.

Perguntado sobre a série no programa televisivo Lorraine, Spencer disse que não é um “grande espectador”. “Vi alguns episódios no passado, mas não vi nenhum dos mais recentes, apesar de a minha esposa ter visto”, disse o jornalista e autor de livros de história.

A 4ª temporada da série sobre a família real britânica foi lançada no dia 15 de novembro, e introduziu a princesa Diana, retratando seu casamento com o príncipe Charles.

“Eu escrevo sobre história, eu informo que o que eu escrevo não é ficção, então se alguém ler, vai saber que é o que vão receber, e isso é igual com todos os historiadores. Eu acho que ajudaria bastante The Crown se, no começo de cada episódio, eles falassem que não é verdade, mas é baseado em alguns eventos reais, porque aí todos entenderiam que é um drama”, defendeu ele.

“Obviamente a Netflix quer fazer muito dinheiro, porque as pessoas estão nesse negócio, mas eu me preocupo que as pessoas achem que é algo totalmente verdadeiro”, continuou Spencer. Ele destacou que não ficou satisfeito com a forma como a sua avó materna, Ruth Roche, mais conhecida como baronesa de Fermoy, foi retratada na série.

Na produção, a baronesa, que morreu em 1993, é responsável por “educar” Diana em relação às normas da família real: “Ela foi retratada de um jeito particularmente desagradável, não é como ela era. Minha avó pode ter morrido há muito tempo, infelizmente, mas ela tem uma filha viva, 10 netos vivos, é justo que as pessoas sejam destruídas desse jeito? Eu acho que não”.

Spencer disse que “é preciso ser honesto com o consumidor”, e informar quando uma obra é ficção. “Eles [os espectadores] estão consumindo algo que assumem que é muito, muito realista, e, pelo que eu sei, e eu não sei muitas coisas pois não estava lá, mas do que eu sei, não é preciso”, afirmou o autor.

Em sua página, a Netflix define The Crown como uma “série dramática [que] segue a política, rivalidades e relacionamentos da rainha Elizabeth II e os eventos que fizeram a história”.

Motoristas mulheres da Uber poderão aceitar só passageiras em todo o País

Ferramenta será expandida para todo País após período experimental

Agora todas as motoristas mulheres do  Uber em todo o Brasil poderão aceitar corridas apenas de passageiras. A empresa anunciou nesta quinta, 26, que a ferramenta U-Elas estará disponível para todas as motoristas da plataforma a partir de 8 de dezembro. 

O programa foi revelado em caráter experimental no ano passado em três cidades (Campinas, Curitiba e Fortaleza) e foi expandido ao longo de 2020. O U-Elas é um botão dentro do aplicativo normal, que pode ser acionado a qualquer momento gratuitamente. 

“A ferramenta pode ser ligada a qualquer momento e está disponível exclusivamente para parceiras mulheres e de identidade não-binária. Entendemos que esse é um primeiro passo para que, no futuro, tenhamos um número suficiente de mulheres dirigindo para também oferecer essa opção para usuárias mulheres com a mesma eficiência que é marca registrada da Uber”, afirmou em nota Claudia Woods, diretora geral do Uber no Brasil. 

Além da ferramenta, a empresa ampliou para todo o território nacional o o programa Elas na Direção, que oferece cursos online para as motoristas mulheres sobre educação financeira. A experiência nacional fez  o programa ser lançado também na Costa Rica, Peru, Argentina, Paraguai e México.

A empresa, porém, ainda não realizou um pedido de longa data das passageiras: ter a opção de poder pedir carros apenas com motoristas mulheres. 

‘Dama’ da arquitetura, Lia Siqueira fala sobre ano da pandemia: ‘As pessoas estão olhando mais para as casas’

À frente da Siqueira + Azul, que fundou em 1987, Lia é hoje um dos grandes nomes na sua área
Isabela Caban

A arquiteta Lia Siqueira Foto: Leo Aversa

Lia surge na tela do “Meeting” com sorrisão, blusa preta, óculos de grau, cabelos pra trás presos em um elegante rabo de cavalo, colar de argolas e logo revela um sotaque arrastado, com as oxítonas prolongadas. Uma indefectível carioca, que usa e abusa do adjetivo ma-ra-vi-lho-so, assim, bem entoado e cheio de otimismo. “Dei sorte de ter essa profissão em meio à pandemia. Sabe o que acontece? Nossa mente fica tão envolvida no projeto, que, tridimensionalmente, me sinto naquele lugar, para onde o ‘papel’ está me levando, e não necessariamente no espaço real onde estou. Isso é maravilhoso! Não sofri tanto com o confinamento”, conta, recorrendo a palavras como “papel” e “prancheta”, algo vintage para as novas gerações.

Piscina do Janeiro Hotel, no Leblon Foto: Divulgação
Piscina do Janeiro Hotel, no Leblon Foto: Divulgação

Emenda confirmando que seu mercado está agitado. Para Lia, as pessoas passaram a notar aspectos em casa que não percebiam: o sofá não tão confortável, o tamanho mais reduzido do imóvel passou a incomodar, o cantinho do trabalho precisando de incremento… “Tudo está sendo revisto, não só a moradia mas o institucional também, seja pelas regras da pandemia ou pela ocupação diferente dos espaços”. Resultado: o escritório anda a pleno vapor, ainda com boa parte do time em home office.

À frente da Siqueira + Azul, que fundou em 1987, Lia é hoje um dos grandes nomes na sua área, a dama da Arquitetura, unanimidade entre os colegas, que apontam como sua marca um luxo despretensioso: a habitual reverência à madeira, aos materiais claros, aos janelões, à luz privilegiada — não apenas a que entra naturalmente, mas os recursos que cria para transformar a casa em grandes rebatedoras. “Difícil se autodefinir, mas acho que tenho um lado feminino muito prático. Eu vejo uma busca minha na arquitetura pela praticidade na manutenção, por exemplo”, diz. Para o arquiteto Thiago Bernardes, Lia representa hoje a valorização da mulher. “Cresceu e se destacou em um universo machista, lidando com obra… E exportou o jeito carioca para o mundo. É a pessoa mais delicada que conheço, fica claro isso em seu trabalho. E como desenha! Uma joia da nossa cidade”, exalta.

Casa Itauna: muito verde e linhas retas Foto: Divulgação
Casa Itauna: muito verde e linhas retas Foto: Divulgação

Essa mistura fica clara no Janeiro Hotel, de Oskar Metsavaht, localizado no antigo Marina All Suites, na Praia do Leblon. O hotel que abre agora depois de meses fechado traz, no último andar, a piscina com borda infinita e uma abertura redonda na fachada, que emoldura o Morro Dois Irmãos. No interior, muita palha, madeira, linho e outros materiais de origem natural.

Leva sua assinatura também a casa-ateliê da artista plástica Adriana Varejão, no Horto. Existiam ali duas construções de épocas diferentes, que não se comunicavam. Uma onde Adriana morou e a outra nos fundos, feita para ser ateliê. Lia entrou para dar unidade. “Ela trabalhou lindamente, usando estruturas e esquadrias de ferro. Gosto da atmosfera sóbria de estilo sólido e industrial inspirados em Jean Prouvé. Amo também a grande estante em pé direito duplo com a escada de ferro na frente. Tem muita luz e ar! É uma beleza”, elogia Adriana.

Projeto Casa Azul à beira mar Foto: Divulgaçao
Projeto Casa Azul à beira mar Foto: Divulgaçao

Outro braço de seu escritório é o design de mobiliário. Suas criações estão no catálogo do seleto grupo de designers da loja Etel, com peças em São Paulo, Milão e Nova York. Recentemente, o aparador Horizonte chegou a finalista do prêmio americano Architizer A+Awards — mais um para coleção do reconhecimento internacional, junto ao IF Design e Red Dot Design.

Projeto do atelier Horto Foto: Andre Nazareth
Projeto do atelier Horto Foto: Andre Nazareth

Lia Siqueira Cavalcanti cresceu em Ipanema, numa família com quatro irmãos, e circulou entre Gávea e Leblon, onde a avó morava em uma casa de pedra, na Rua Rita Ludolf. “Saía do Colégio Teresiano e seguia direto pra almoçar lá. Íamos juntas a uma florista em frente à farmácia Piauí, eu adorava a estética daquela loja, coberta por azulejos…”, lembra. O encanto pelo belo e a habilidade para desenhar já apontavam, ali, a carreira daquela menina. Chegou a ingressar na faculdade de Biologia, no início dos anos 1980, junto com Artes Plásticas, mas no meio do caminho trocou as duas por Arquitetura e Urbanismo, na Santa Úrsula, e logo arrumou estágio no escritório dos então sócios Chicô Gouvêa, Cadas e Lula Abranches. Saiu para morar no norte da Alemanha, na cidade de Kiel, por dois anos, junto com o marido, companheiro há quase quatro décadas. Trabalhou como arquiteta lá e, quando voltou, acabou abrindo seu próprio escritório, hoje instalado numa casa na Lopes Quintas, onde seus dois filhos (Felipe, 31 anos e Betina, 29) fazem parte da equipe. Ainda lembra bem o dia em que o filho decidiu trocar a faculdade de Economia pela Arquitetura. “Na hora que ele me contou, fingi que estava tudo bem. Mas depois me tranquei no banheiro, encostei na porta, fui deslizando até o chão e, sentada, chorei muito”, ri. “É uma trajetória de doação profunda, então fiquei só torcendo que ele tivesse o amor que eu tenho pela profissão.”

Além do dia a dia entre seu apê em Ipanema e o trabalho no Jardim Botânico, a arquiteta se divide em mais dois endereços. Toda semana, vai para São Paulo, onde tem escritório e um apart no Itaim, e nos fins de semana, pega a estrada rumo a Mangaratiba para encontrar o marido, que está morando por lá (se entregou à paixão de velejar). “Tenho uma coisa meio nômade. As pessoas brincam no escritório com o fato de eu ser muito ágil”, conta Lia, que só se veste de preto, em nome da praticidade. “Mas não me vejo como uma pessoa inquieta, sabe? Minha alma é serena, isso traz um equilíbrio. Maravilhoso!”.

Eva Green – Tatler Russia December 2020 By Javier Biosca

Tatler Russia December 2020   —   www.tatler.ru
Photography: Javier Biosca Model: Eva Green Styling: Serena Pompei Hair: Ken O’Rourke Make-Up: Lisa Eldridge

Masp terá exposição de Degas em dezembro

Ao todo são 76 obras, sendo 73 bronzes, dois desenhos e uma pintura
Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

‘Bailarina de Catorze Anos’, de Degas Foto: João Musa

Masp – Museu de Arte de São Paulo vai abrir, no dia 4 de dezembro, exposição com obras de Degas, que reúne o conjunto completo de bronzes pertencente ao museu e que não era exibido ao público há 14 anos. Ao todo, são 76 no total, sendo 73 bronzes, dois desenhos e uma pintura. 

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico do museu, e de Fernando Oliva, curador na instituição, a mostra poderá ser apreciada tendo em contraste imagens da artista brasileira Sofia Borges. Exposição está inserida no ciclo das histórias da dança. 

Apenas outros três museus no mundo possuem essa coleção completa de esculturas, o Glyptotek de Copenhague, o Metropolitan de Nova York e o Musée d’Orsay Paris. 

O público que for ao museu começará vendo a escultura Bailarina de Catorze Anos (1880), obra mais icônica de Edgar Degas (1834-1917), que terá sua importância artística  reforçada com as releituras de Sofia Borges, que produziu fotografias em grande escala a partir das esculturas. 

Na programação do Masp, está prevista, para dia 18 de dezembro, a abertura da exposição Beatriz Milhazes: Avenida Paulista

Para visitar o museu é necessário fazer agendamento online, inclusive para as terças gratuitas, pelo link masp.org.br/ingressos

Degas
‘Quatro Bailarinas em Cena’, quadro de Degas Foto: João Musa

SERVIÇO

DEGAS – 4 de dezembro de 2020 a 1º de agosto de 2021

Masp. Avenida Paulista, 1.578, São Paulo. Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terça, das 10h às 20h (entrada até 19h30), quarta a sexta, das 13h às 19h (entrada até 18h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até 17h30); fechado às segundas. Agendamento online obrigatório, inclusive para as terças gratuitas. 

Ingressos: R$ 45.

Entrada gratuita às terças-feiras e, até 30/12, também às quartas-feiras. Veja todos os cuidados que o museu adotou para receber o público de forma segura e as novas regras de visitação em masp.org.br/visitasegura

Amigo Masp tem acesso ilimitado todos os dias em que o museu está aberto mediante agendamento de data e horário no site do museu. 

Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam R$ 22 (meia-entrada). Menores de 11 anos de idade não pagam ingresso, assim como pessoas com deficiência física com um acompanhante.

Acessível a pessoas com deficiência física, ar condicionado, classificação livre.

European Fashion Accelerator | EFA | Talent Search Vol. 4

European Fashion Accelerator | EFA | Talent Search Vol. 4

Silvia Leitmannová

Startup de aluguel de casa compartilhada, Yuca lança fundo imobiliário de R$ 40 mi

Valor será destinado à compra de imóveis pela empresa, que tenta transformar o mercado de locação residencial com ‘pacotão de serviços’ e gestão centralizada
Por Bruno Capelas – O Estado de S. Paulo

Rafael Steinbruch, cofundador da Yuca
Rafael Steinbruch, cofundador da Yuca

startup de habitação Yuca anuncia nesta quinta-feira, 26, a criação de um fundo imobiliário no valor de R$ 40 milhões. Realizado com assessoria do Itaú BBA, o veículo de oferta restrita teve captação já realizada junto a investidores profissionais e instituições. A captação vai ajudar a empresa, fundada em 2019, a comprar imóveis para aumentar a oferta de seu serviço de locação residencial em São Paulo. 

Ao contrário de outras startups de locação, como o unicórnio QuintoAndar, a Yuca parte de um modelo mais centralizado de aluguel residencial, colocando diversos serviços num único boleto. Além de aluguel, condomínio e IPTU, a empresa também oferece os móveis do apartamento, Wi-Fi, limpeza semanal e serviços de manutenção em um pacote só, que serve tanto para apartamentos individuais quanto para residências compartilhadas – neste segundo caso, a empresa capta imóveis de dois, três ou mais quartos e aluga-os por cômodo. 

“Hoje, você tem muitos jovens ou casais querendo morar em São Paulo em áreas que só tem imóveis de tamanho maior, então há um estoque desequilibrado. Nós queremos mudar isso e descomplicar a moradia na cidade grande”, explica Rafael Steinbruch, cofundador e líder da área imobiliária da empresa. Ele é sobrinho de Benjamin Steinbruch, da família controladora do Grupo Vicunha, de empresas como Vicunha Têxtil e CSN. 

Lógica de morar

Após trabalhar no fundo de investimento imobiliário Starwood Capital, ele fundou ao lado dos sócios Eduardo Brennand de Campos e Paulo Bichucher. O primeiro é da família do Grupo Brennand, de energia e cimento, criou a startup Parafuzo (uma espécie de “Uber das faxinas”) e é um dos sócios do fundo One.vc, investidor de nomes como Rappi e Loggi. Já Bichucher trabalhou no fundo Pátria Investimentos. No ano passado, a empresa levantou um aporte de US$ 6 milhões liderado pelo fundo Monashees e com participação, claro, do One.vc. Apesar dos sobrenomes, os executivos garantem que as famílias não tem investimento nem influência nas operações da Yuca. 

Segundo o trio, o preço médio de um quarto compartilhado hoje em um imóvel da Yuca em São Paulo fica na casa de R$ 2,5 mil – a meta da empresa, que atua em bairros como Jardins, Pinheiros e Paraíso, é reduzir esse valor com o tempo, aumentando a quantidade de imóveis disponíveis e também o número de regiões em que atua. Atualmente, a empresa tem 250 unidades (entre quartos e apartamentos individuais) e a meta é alcançar 400 até o final do ano. 

Hoje, a Yuca consegue captar imóveis junto a investidores que possuem apartamentos e desejam ter uma gestão simplificada do bem ou então fazendo crowdfunding com investidores para adquirir os ativos, que ficam sob gestão de uma empresa-irmã da startup. Ao tomar posse do apartamento, a empresa faz reformas e o adapta para a demanda do mercado – segundo a Yuca, o custo médio do metro quadrado que assume é de R$ 6 mil. “Muitos apartamentos têm desenhos antigos, incluindo quarto de serviço, é algo que hoje não faz sentido na nossa proposta”, diz Steinbruch. 

“Queremos inverter a lógica de morar, indo a partir da demanda e não da oferta dos imóveis que existem”, afirma Steinbruch. Segundo ele, usar um fundo imobiliário é uma estratégia para expandir o radar da empresa, que já mira bairros paulistanos como República, Campos Elíseos, Sé, Luz e Bom Retiro. Nestas regiões, a empresa busca converter também prédios inteiros de uso comercial para residências, trabalhando junto à Prefeitura para a mudança. Um exemplo recente foi o do Mirante do Vale, na região do Vale do Anhangabaú. A Yuca também pretende começar a atuar no segmento de habitação de impacto social, reduzindo o valor médio de suas locações. 

Para Alberto Ajzental, professor da FGV especialista em mercado imobiliário, a proposta da Yuca faz sentido – e leva ao mundo residencial uma tendência que os coworkings já tinham estabelecido no mundo dos escritórios. “Em vez de uma laje corporativa, eles dividem apartamentos entre pessoas: quem aluga tem uma sala e cozinha melhor em um bairro melhor, enquanto eles conseguem cobrar uma margem maior do que no aluguel individual”, afirma. Por outro lado, ele ressalta um risco não financeiro para a operação: “dividir um teto com pessoas que você não conhece pode ser complicado de administrar.” 

A Yuca parte de um modelo mais centralizado de aluguel residencial, colocando diversos serviços num único boleto
A Yuca parte de um modelo mais centralizado de aluguel residencial, colocando diversos serviços num único boleto

Dinheiro no bolso

Em seu fundo imobiliário, a Yuca promete um retorno médio de 8% ao ano, o que Steinbruch vende como um investimento interessante em tempos de taxa Selic a 2% ao ano, o que afetou a renda fixa. Segundo ele, a intenção da empresa é seguir utilizando fundos imobiliários como tática para expandir suas operações – deve captar mais uma vez no primeiro semestre de 2021 e até o final do ano pretende fazer distribuição pública, abrindo espaço para que qualquer investidor possa comprar uma cota a partir de valores em torno de R$ 100. 

Usar fundos imobiliários para financiar a expansão não é uma tática inédita entre as startups – nos últimos meses, nomes como Housi e Loft também lançaram veículos financeiros semelhantes para poderem se financiar, adquirindo imóveis. É uma forma esperta de expandir a operação sem comprometer o capital ou as ações da companhia, afirmam fontes do mercado ouvidas pelo Estadão. Para Ajzental, é uma maneira ainda de mitigar o risco dos investidores. “Investir em imóvel é algo tradicional no Brasil, mas é uma operação arriscada por conta do capital e do número de imóveis. Um fundo reduz esses riscos”, afirma o professor da FGV-SP. 

Mas a Yuca pretende também fazer uma rodada de aportes em breve: segundo Brennand, a intenção é captar um investimento Série A no início de 2021. Os valores, nesse caso, serão usados para expansão da infraestrutura da empresa: hoje, a Yuca tem 70 funcionários. “Em seis meses, depois do aporte, queremos ter duplicado isso”, afirma Brennand. Novas cidades, porém, estão longe dos planos da empresa – segundo os sócios da startup, a empresa ainda tem muito o que explorar no mercado paulistano antes de abrir novas praças.