Miley Cyrus faz pop-rock retrô, feminista e anti-Trump em ‘Plastic hearts’

No disco, cantora divide microfone com Dua Lipa e com seus ídolos do rock Stevie Nicks, Joan Jett e Billy Idol
Ronald Villardo – O GLOBO

Miley Cyrus lança novo disco, ‘Plastic hearts’ Foto: Divulgação

Legítima diva pop contemporânea afeita a atenções e reinvenções, Miley Cyrus está pronta para causar mais uma vez: chega nesta sexta-feira aos serviços de streaming “Plastic hearts”, seu sétimo álbum de estúdio. O trabalho sucede “Younger now” (2017), incursão da cantora pelo familiar universo country — ela é filha e afilhada de ídolos do gênero, Billy Ray Cyrus e Dolly Parton, respectivamente — e o esquisitão “Miley Cyrus & Her Dead Petz”, de 2015, disco de rock psicodélico experimental feito em parceria com a turma indie dos Flaming Lips.

Já “Plastic hearts”, que tem entre os produtores o vencedor do Oscar Mark Ronson, apresenta o lado pop-rock, feminista e político de Miley, uma ruptura leve se comparada àquela que a cantora provocou em 2013, em performance estridente no Video Music Awards, da MTV.

Até então, a americana do Tennessee era lembrada como Hannah Montana, a personagem do canal Disney que a apresentou ao universo adolescente, em 2006. Como todo artista talhado pelos ditames da Disney, Miley rapidamente tornou-se febre entre crianças e jovens, trilhando caminhos antes traçados por Britney Spears, Justin Timberlake, Christina Aguilera e tantos outros ex-astros e estrelas do império televisivo do Mickey Mouse. O problema é que o público cresce. E Miley cresceu para aparecer. A cantora chocou fãs e imprensa ao surgir na cerimônia fazendo danças provocadoras, mostrando a língua e esfregando-se em tudo o que estivesse por perto, de objetos de cena aos fãs na plateia.

Deu certo. Todo mundo falou de Miley no dia seguinte. Nem sempre bem, é claro.

Sete anos depois, ela segue chamando a tal da atenção, desta vez não por uma certa irreverência, mas por conta dos vocais poderosos em apresentações ao vivo e por covers bem construídos, como o de “Heart of glass”, do Blondie, no festival iHeart Festival, em setembro. O número fez tanto sucesso que acabou entrando como faixa bônus em “Plastic hearts”.

Aos 28 anos completados no último dia 23, Miley inaugurou a nova era em agosto, ao cantar “Midnight sky”, o primeiro single de “Plastic hearts”, mais uma vez, no Video Music Awards. Embalada num look retrô-disco-rock, de vestido brilhante, batom vermelho e cabelo Debbie Harry, ou seja, louríssimo, Miley ganhou logo espaço entre os assuntos mais comentados do Twitter, ainda durante a apresentação.

E a faixa foi hit instantâneo, entrando nas dez mais tocadas do Spotify no dia seguinte. Nascia a Miley mulher independente, que na letra da canção declara o poder de tomar as decisões sobre a própria vida: “I was born to run/ I don’t belong to anyone/ I don’t need to be loved by you” — em tradução livre, “Nasci para correr/ não pertenço a ninguém/ não preciso ser amada por você”. Meninas, meninos e menines adoraram.

Na semana passada, Miley apresentou “Prisoner”, o segundo single de “Plastic hearts”, um dueto com um dos nomes mais quentes do pop contemporâneo, a britânica Dua Lipa, indicada a seis Grammys. Na faixa, a dupla insinua um relacionamento enquanto canta a faixa descrita pelo semanário britânico “NME” como “um hino disco-punk”.

Os críticos acertaram. O novo álbum leva as inspirações roqueiras de Miley Cyrus, que vão de Stevie “Fleetwood Mac” Nicks (que aparece em versão de “Midnight sky” e na faixa extra “Edge of seventeen”) a Joan “I love rock and roll” Jett (com quem canta “Bad karma”, inspirada pela eleição de Donald Trump, em 2016), a um novo patamar. É rock mas é pop. É pop mas é forte.

“Eu aprendi isso com o Billy Idol”, revelou a popstar ao DJ e apresentador Zane Lowe, em entrevista publicada no perfil da Apple Music no YouTube, semana passada. “A música dele é rebelde, mas também tem ganchos que nos prendem. E não gosto de fazer música para acumular trabalhos, eu faço música para que as pessoas cantem comigo”. Miley e Billy dividem a faixa de sotaque eletrônico-oitentista “Night crawling”.

No lado político, além de “Bad karma”, Trump também inspira outra faixa, “Golden G string”. “Fala sobre as pessoas que têm ódio de artistas ousados mas absolvem um presidente que diz pegar as mulheres por ‘lá’”, conta a Lowe.

E, como no mundo pop som e imagem andam de mãos dadas, Miley arremata a empreitada musical com uma viagem fashion, posando para a capa do disco devidamente embrulhada num belíssimo look Jean Paul Gaultier. Porque retrô pouco é bobagem.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.