‘Pessoas trans perdem oportunidades no cinema por conta do preconceito’, conta a protagonista de ‘Alice Júnior’

Em entrevista a CELINA, a atriz Anne Celestino Mota conta sua experiência na realização do filme e fala sobre a importância da presença de pessoas trans no audiovisual como protagonistas de suas próprias histórias
Laura Suprani

Anne Celestino Mota foi a primeira mulher trans premiada como melhor atriz no Festival de Brasília. Foto: Acervo Pessoal
Anne Celestino Mota foi a primeira mulher trans premiada como melhor atriz no Festival de Brasília. Foto: Acervo Pessoal

RIO. Em seu primeiro trabalho no cinema, a atriz Anne Celestino Mota, de 22 anos, interpreta “Alice Júnior”, uma adolescente transgênero, que, ao se mudar de Recife para uma pequena cidade conservadora no Sul do país, enfrenta o preconceito de alunos e funcionários da escola local, enquanto tenta dar seu primeiro beijo.

O filme, que tem o nome da protagonista, circulou o Brasil em festivais nacionais de cinema, como o Festival do Rio, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Mix Brasil, chegando até outros países em eventos como o Festival de Berlim. 

Anne, assim como sua personagem, é youtuber e recifense, e utiliza seu canal para divulgar informações sobre temas como identidade de gênero, sexualidade e a causa trans. 

— Esse filme é muito importante para muitas pessoas, que são iguais a mim, e me sinto muito honrada em poder representá-las — destaca a atriz. — Mas é importante enfatizar que a minha realidade, assim como a da Alice, não é igual a da maioria das pessoas trans, especialmente aqui no Brasil. Eu tenho apoio da minha família, especialmente da minha mãe, e uma condição financeira estável, o que não faz parte da vivência de muitas pessoas.

Em entrevista a CELINA, por telefone, ela conta sobre sua experiência durante a realização do filme e sobre a participação em festivais de cinema no Brasil e no exterior. Anne também fala sobre a presença de pessoas trans no audiovisual e sobre a importância de poderem protagonizar suas próprias histórias.  PUBLICIDADE

CELINA: “Alice Júnior” foi a primeira grande produção da qual você fez parte. Como foi essa experiência?
Anne Celestino Mota: Antes de “Alice”, eu fiz trabalhos pequenos, algumas peças em cursos livres. Um dia, eu vi uma publicação no Facebook, contando que estavam procurando atrizes trans para uma produção. Mandei e-mail, e entraram em contato comigo. Eles [os produtores e diretores] me contaram que foi amor à primeira vista. Depois disso, fui até Curitiba para fazer um teste presencial, e já começamos a trabalhar com o elenco. Para mim foi uma experiência incrível. A partir daí, eu decidi que ser atriz era realmente o que eu queria. Durante todo o processo, fui consultada e ajudei a construir o roteiro. As gravações foram ótimas, e fiz muitas amizades; são pessoas com quem eu posso contar até hoje e que me auxiliam muito na minha carreira.

Tanto o público, quanto o circuito de cinema, receberam o filme muito bem. Como foi isso para você? Essa resposta já era esperada?
Foi uma surpresa essa recepção. Fizemos uma espécie de “turnê Alice Júnior” e viajamos pelo Brasil com o filme. Pensei que iríamos apenas exibi-lo nos festivais, mas começamos a ganhar prêmios, e isso foi totalmente inesperado. No Festival de Brasília, ganhei o prêmio de Melhor Atriz, e foi a primeira vez que uma mulher trans recebeu esse prêmio. Foi aí que eu percebi que estávamos fazendo história. Em Berlim, por exemplo, não fomos premiados, mas fomos o único filme ovacionado, o público nos aplaudiu de pé durante uns cinco minutos.

Como você se sente com isso?
Para mim é uma grande honra, mas a ficha ainda não caiu direito. Do dia para a noite receber tanto apoio, poder representar e ajudar tantas pessoas é muito significativo. Recebo mensagens de jovens, como eu, que se inspiraram na “Alice”, na sua confiança e coragem para enfrentar o preconceito na escola. São jovens que tiveram coragem de, por exemplo, assumir para suas famílias que são transsexuais. O filme afetou, positivamente, muitas pessoas, e isso também significa muito para mim.

O que mudou depois de ter participado do filme?
Comecei a fazer faculdade de teatro aqui em Recife e recebi muitas propostas de trabalho. Fui convidada a participar do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, como parte da Comissão de Seleção dos longas participantes da mostra do Festival. Também estou me dedicando mais ao meu canal no YouTube, o Transtornada, publicando vídeos novos toda semana, além de entrevistas e lives para os festivais internacionais em que “Alice” ainda está participando. O público do canal também cresceu muito. Conquistei fãs que estão sempre acompanhando o que eu faço.

Por que é importante que pessoas trans possam protagonizar suas próprias histórias?
A gente fala muito sobre o “transfake”, que é quando uma pessoa cis interpreta uma pessoa trans na televisão, no cinema etc. Essas obras são muito poderosas e influenciam muito as pessoas, e é importante que pessoas trans estejam nesses espaços para que possam ser vistas com mais naturalidade e de forma mais humana pelo público. Um filme sobre pessoas trans precisa também, por exemplo, de auxílio com o roteiro. Se uma obra é sobre a vida de pessoas trans, por que não as contratar? E não somente nesses casos, pois pessoas trans são totalmente capacitadas para trabalhar com audiovisual, nas mais diversas funções, mas perdem oportunidades por conta do preconceito.

Quando e porque você decidiu criar um canal no YouTube, o Transtornada?
O primeiro vídeo eu fiz para um ex-professor meu, que dá aula em um pré-vestibular e me pediu para falar sobre identidade de gênero e sexualidade. A partir daí, em 2016, eu decidi fazer outros vídeos. Assim como o “Alice Júnior”, eu falo sobre a causa trans de uma forma leve e bastante didática, com o objetivo de ensinar o público cis que não tem muita familiaridade com o tema, para que possam sair com mais conhecimento sobre a causa. Também tenho alguns conteúdos voltados para meus irmãos e irmãs trans, para que possamos nos apoiar. Recentemente, comecei a fazer também vídeos falando sobre mim, e sobre o filme, contando sobre os bastidores e curiosidades, o que tem feito bastante sucesso.

Cientista de IA Timnit Gebru é demitida pelo Google e acusa empresa de racismo

Segundo Timnit Gebru, a empresa censurou um artigo sobre diversidade na inteligência artificial escrito por ela e a desligou dos sistemas sem aviso
Por Agências – Reuters

Timnit Gebru, uma pesquisadora respeitada do Google, questionou preconceitos embutidos em sistemas de inteligência artificial….Cody O’Loughlin for The New York Times

Uma importante cientista do Google em ética na inteligência artificial disse que foi demitida após criticar os esforços de diversidade da empresa, uma afirmação que a companhia contestou na quinta-feira, 3, no último encontro entre a gigante da internet e trabalhadores ativistas.

Timnit Gebru, que é negra, disse no Twitter que foi demitida na quarta-feira, 2, após enviar um e-mail a colegas expressando frustração com a diversidade de gênero na unidade de inteligência artificial (IA) do Google e questionando se os líderes da empresa revisavam seu trabalho com mais rigor do que o de pessoas de diferentes origens. Timnit é cofundadora da organização sem fins lucrativos “Black in AI”, que visa aumentar a representação de pessoas de cor na inteligência artificial, e foi coautora de um artigo importante sobre preconceito na tecnologia de análise facial.

Jeff Dean, chefe da unidade de IA do Google, disse à equipe, em um e-mail analisado pela agência de notícias Reuters, que Timnit havia ameaçado renunciar a menos que ela soubesse quais colegas consideraram não publicável um rascunho de a

rtigo que ela escreveu, uma exigência que Dean rejeitou.

“Aceitamos e respeitamos sua decisão de demitir-se do Google”, escreveu Dean no e-mail, acrescentando: “Todos nós genuinamente compartilhamos a paixão de Timnit em tornar a IA mais justa e inclusiva”.

Timnit disse em uma série de postagens no Twitter que o Google a cortou de seus sistemas sem avisar ou conversar com ela sobre suas preocupações.

A saída abrupta de Timnit acrescenta anos de a

ngústia, incluindo várias renúncias e demissões no departamento de IA e outras organizações do Google devido à diversidade. A decisão também questiona se os esforços da empresa para minimizar os danos potenciais de seus serviços são suficientes.

Mais de 150 funcionários expressaram apoio a Timnit, exigindo que o Google reforçasse seu compromisso com a liberdade acadêmica e explicasse por que escolheu “censurar” seu artigo, de acordo com uma petição publicada online. Sherlyn Ifill, presidente do Fundo de Defesa Legal e Educacional da NAACP, escreveu no Twitter que a demissão de Timnit foi “absolutamente irritante” e “um desastre”.

Na quarta-feira, o National Labor Relations Board emitiu uma queixa acusando o Google de monitorar e questionar ilegalmente vários trabalhadores que foram despedidos por protestarem contra as políticas da empresa e tentarem organizar um sindicato.

O artigo de Timnit argumentou que as empresas de tecnologia poderiam fazer mais para garantir que os sistemas de IA destinados a imitar a escrita e a fala humana não exacerbassem os preconceitos históricos de gênero e o uso de linguagem ofensiva, de acordo com um rascunho visto pela Reuters.

Em seu e-mail para a equipe, Dean disse que o artigo não foi entregue à empresa para revisão em tempo hábil e foi submetido a uma conferência sem a permissão do Google. Ele também questionou algumas de suas conclusões, que ele disse depender de preocupações desatualizadas, incluindo sobre o impacto ambiental de um grande número de computadores processando dados.

Amanda Louise Macchia for Vogue Russia with Simona Kust & Sofia Steinberg

Photographer / Director: Amanda Louise Macchia. Fashion Stylist: Katerina Zolototrubova. Hair Stylist: Quentin Guyen. Makeup Artist: Mayumi Oda. Models: Simona Kust & Sofia Steinberg.

Airbnb restringe condições de reservas no Ano Novo para evitar festas

A empresa quer evitar que inquilinos organizem festas de final de ano nos imóveis alugados pela plataforma
Por Agências – Reuters

Todas as reservas feitas antes das novas regras serão mantidas, mas usuários precisam se comprometer a não organizar festas

Airbnb tornou mais difícil reservar apartamentos para o Ano Novo em Paris, Nova York, Londres e outros importantes destinos citando necessidade de limitar os riscos de realizações de festas tornadas ilegais por medidas de autoridades públicas.

A partir desta quinta-feira, 3, viajantes que não tenham críticas positivas em seus perfis no Airbnb não poderão alugar um apartamento por uma única noite em 31 de dezembro nos Estados Unidos, França, Inglaterra, Canadá, México, Austrália e Espanha, afirmou a companhia em comunicado.

As pessoas que planejam passar o último dia do ano em imóveis anunciados no Airbnb também terão que se comprometer a não organizar qualquer festa de Ano Novo e estarão cientes de consequências legais que podem enfrentar se não obedecerem a regra, acrescentou a companhia.

Todas as reservas feitas antes das novas regras serão mantidas, afirmou o Airbnb. A empresa citou que a maior parte das reservas de um único dia feitas com objetivo de organização de eventos de fim de ano normalmente ocorre em dezembro.

Reservas de última hora feitas por pessoas que buscam um lugar para alugar perto de suas próprias casas e que não tenham recebido críticas positivas também serão restritas, disse a companhia.

As novas regras do Airbnb ocorrem a poucos dias de a companhia fazer uma oferta pública inicial de ações (IPO) na Nasdaq, que pode avaliar a companhia em US$ 35 bilhões.

Décor do dia: sala de jantar com paleta neutra e conexão com o jardim

Espaço faz parte de residência inspirada em conceitos chineses
LUIZA QUEIROZ | FOTOS: ANDREW POGUE / DIVULGAÇÃO

Projetada pelo estúdio de arquitetura Wittman Estes, esta sala de jantar faz parte de uma residência em Washington inspirada em conceitos chineses de perspectiva e design. Com visual clean e minimalista, o espaço tem atmosfera calma e tranquilizadora. A paleta de cores neutras e materiais naturais reforça a conexão do cômodo com a natureza do jardim, e a luminária de design contemporâneo garante um aspecto moderno ao ambiente.

No espaço, chama atenção o contraste entre o piso de concreto exposto e a mesa e cadeiras de madeira. O elemento do mobiliário traz aconchego e aquece o cômodo. Do espaço, é possível avistar as diversas camadas de árvores e plantas do jardim, o que reforça a ideia de privacidade e faz o espaço parecer mais profundo do que realmente é. O conceito também tem relação com as três noções de altura, profundidade e distância nas pinturas chinesas tradicionais. 

As vistas para o quintal são um truque usado pelo escritório em todo o andar térreo da casa. Com a integração da vegetação aos interiores proporcionada pelas grandes janelas de vidro, os profissionais buscaram trazer maior sensação de amplitude para a residência. A paleta escolhida, neutra e em tons claros, ajuda na tarefa ao valorizar a luz natural do espaço. Que tal?

Netflix lança trailer e data de estreia de ‘Pequenos Grandes Heróis’

Filme irá mostrar as versões adultas de Sharkboy e Lavagirl, assim como a filha dos personagens
JOÃO PEDRO MALAR – O ESTADO DE S.PAULO

Novo filme da Netflix mostrará as versões adultas dos heróis Sharkboy e Lavagirl Foto: Netflix / Reprodução

Netflix divulgou nesta sexta-feira, 4, o trailer do filme Pequenos Grandes Heróis, que estreará no serviço de streaming em 25 de dezembro. A produção mostra um grupo de crianças, filhos de super-heróis, que precisam salvar o mundo, e seus pais, em meio a um ataque alienígena.

O filme é dirigido por Robert Rodriguez, que ficou conhecido por criar e dirigir a franquia Pequenos Espiões e o filme Sharkboy e Lavagirl. Os dois heróis que dão nome ao filme irão aparecer na nova produção, já como adultos e com uma filha. O ator Taylor Lautner, que interpretou o Sharkboy, não retornou para o papel.

Já Taylor Dooley, que viveu a Lavagirl, irá interpretar a heroína novamente. Ela se junta a outros atores como Pedro Pascal, que dará vida a um dos super-heróis da Terra, e Priyanka Chopra, que interpreta uma agente misteriosa do governo dos Estados Unidos responsável por cuidar dos filhos dos heróis.

“Neste Natal, vai ter filme com criança capotando adulto no soco sim”, brincou a Netflix em uma publicação que divulgou o novo trailer da produção. “Então, enquanto você espera pelo Papai Noel, é hora de sentar e deixar essas crianças incríveis mostrarem para você como ser um herói!”, comentou Priyanka no Instagram.

Sam Rollinson – Vogue Thailand December 2020 By Rui Faria

Rhythm in Red   —   Vogue Thailand December 2020   —   www.vogue.co.th
Photography: Rui Faria Model: Sam Rollinson Styling: Bobette Cohn  Hair: Christos Kallaniotis Make-Up: Kim Brown Manicure: Chisato Yamamoto  Creative Direction: Christie Phedon