Cientista de IA Timnit Gebru é demitida pelo Google e acusa empresa de racismo

Segundo Timnit Gebru, a empresa censurou um artigo sobre diversidade na inteligência artificial escrito por ela e a desligou dos sistemas sem aviso
Por Agências – Reuters

Timnit Gebru, uma pesquisadora respeitada do Google, questionou preconceitos embutidos em sistemas de inteligência artificial….Cody O’Loughlin for The New York Times

Uma importante cientista do Google em ética na inteligência artificial disse que foi demitida após criticar os esforços de diversidade da empresa, uma afirmação que a companhia contestou na quinta-feira, 3, no último encontro entre a gigante da internet e trabalhadores ativistas.

Timnit Gebru, que é negra, disse no Twitter que foi demitida na quarta-feira, 2, após enviar um e-mail a colegas expressando frustração com a diversidade de gênero na unidade de inteligência artificial (IA) do Google e questionando se os líderes da empresa revisavam seu trabalho com mais rigor do que o de pessoas de diferentes origens. Timnit é cofundadora da organização sem fins lucrativos “Black in AI”, que visa aumentar a representação de pessoas de cor na inteligência artificial, e foi coautora de um artigo importante sobre preconceito na tecnologia de análise facial.

Jeff Dean, chefe da unidade de IA do Google, disse à equipe, em um e-mail analisado pela agência de notícias Reuters, que Timnit havia ameaçado renunciar a menos que ela soubesse quais colegas consideraram não publicável um rascunho de a

rtigo que ela escreveu, uma exigência que Dean rejeitou.

“Aceitamos e respeitamos sua decisão de demitir-se do Google”, escreveu Dean no e-mail, acrescentando: “Todos nós genuinamente compartilhamos a paixão de Timnit em tornar a IA mais justa e inclusiva”.

Timnit disse em uma série de postagens no Twitter que o Google a cortou de seus sistemas sem avisar ou conversar com ela sobre suas preocupações.

A saída abrupta de Timnit acrescenta anos de a

ngústia, incluindo várias renúncias e demissões no departamento de IA e outras organizações do Google devido à diversidade. A decisão também questiona se os esforços da empresa para minimizar os danos potenciais de seus serviços são suficientes.

Mais de 150 funcionários expressaram apoio a Timnit, exigindo que o Google reforçasse seu compromisso com a liberdade acadêmica e explicasse por que escolheu “censurar” seu artigo, de acordo com uma petição publicada online. Sherlyn Ifill, presidente do Fundo de Defesa Legal e Educacional da NAACP, escreveu no Twitter que a demissão de Timnit foi “absolutamente irritante” e “um desastre”.

Na quarta-feira, o National Labor Relations Board emitiu uma queixa acusando o Google de monitorar e questionar ilegalmente vários trabalhadores que foram despedidos por protestarem contra as políticas da empresa e tentarem organizar um sindicato.

O artigo de Timnit argumentou que as empresas de tecnologia poderiam fazer mais para garantir que os sistemas de IA destinados a imitar a escrita e a fala humana não exacerbassem os preconceitos históricos de gênero e o uso de linguagem ofensiva, de acordo com um rascunho visto pela Reuters.

Em seu e-mail para a equipe, Dean disse que o artigo não foi entregue à empresa para revisão em tempo hábil e foi submetido a uma conferência sem a permissão do Google. Ele também questionou algumas de suas conclusões, que ele disse depender de preocupações desatualizadas, incluindo sobre o impacto ambiental de um grande número de computadores processando dados.

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