Brechó de luxo Inffino usa inteligência artificial para checar se produto é falso

A Inffino, criada em 2010, vende bolsas e roupas de grife usadas e usa um algoritmo para comparar fotos microscópicas do produto e descobrir se são verdadeiras
Por Bruna Arimathea – O Estado de S. Paulo

Com produtos que podem passar dos R$ 40 mil, a maior parte do e-commerce se concentra nas bolsas de grifes
Com produtos que podem passar dos R$ 40 mil, a maior parte do e-commerce se concentra nas bolsas de grifes

Na onda dos brechós online em 2020, a Inffino, e-commerce de artigos de luxo de segunda mão, está apostando em um método que vai além da expertise do mercado glamuroso: a startup criou um sistema de innteligência artificial (IA) para reconhecer a veracidade de suas peças. 

Segundo Cássio Silbermann, sócio da Inffino, que também é sócio do Onovolab, um centro de inovação localizado em São Carlos, a tecnologia está sendo empregada para dar mais rapidez à triagem dos produtos. Na empresa, todas as peças passam por uma verificação tripla, que envolve a tecnologia de IA, o reconhecimento de características, como cheiro do couro e barulho do zíper, por exemplo, e a identificação de série individual. 

Para saber quais peças são verdadeiras, o sistema de IA compara as fotos microscópicas tiradas do produto com outras imagens que já existem no banco de dados. A partir daí, é possível fazer o “match” entre as características de um produto real ou falsificado. 

Silbermann também explica que o banco de dados se retroalimenta, ou seja, quanto mais imagens ele armazena, mais precisa será a avaliação das peças autenticadas. É esse machine learning (aprendizado de máquina) que permite que a tecnologia possa substituir o conhecimento humano, pelo menos no descarte de artigos falsificados. 

“A inteligência artificial acaba sendo mais rápida na negação. Então se chega uma peça, a gente tira a foto e o sistema diz que é falsa, aí acabou, trouxe agilidade. É um grande passo, mas ainda tem muita coisa pra acontecer nesse sentido. É como se fosse um reconhecimento facial, só que das bolsas. Quanto mais a gente usa, melhor fica o banco pra gente”, afirma.

Nascida em 2010, a Inffino faz parte do mercado de segunda mão que vive um bom momento. Nos últimos cinco anos, a empresa registrou um crescimento médio anual de cerca de 60% e Silbermann acredita que a credibilidade é a grande responsável pelo aumento das vendas.  “A autenticação é a chave do nosso negócio. No setor, a gente acaba tendo pouca competitividade porque pra fazer essa autenticação precisa de experiência, de credibilidade. Nosso ticket médio é em torno de R$ 2 mil, é preciso ter credibilidade, e tem uma barreira muito grande”.

O sistema de IA compara as fotos microscópicas tiradas do produto com outras imagens que já existem no banco de dados
O sistema de IA compara as fotos microscópicas tiradas do produto com outras imagens que já existem no banco de dados

Cada peça é precificada de acordo com seu estado e preço original, e a empresa recolhe entre 30% e 50% do valor do item. Com produtos que podem passar dos R$ 40 mil, a maior parte do e-commerce se concentra nas bolsas de grifes como Louis VuittonGucciPrada Hermès.

A pandemia, porém, também trouxe seus bônus para o setor. Em geral, o maior tempo em casa permite que as pessoas reflitam sobre seus itens e decida desapegar, ao mesmo tempo em que dá mais espaço para as pessoas navegarem no e-commerce, além daquelas que quiseram gerar renda com itens parados no guarda-roupa, afirma Silbermann. 

“A pandemia foi uma surpresa pra gente porque pro nosso mercado foi muito bom. As pessoas estavam em casa e acabaram tendo que conhecer um pouco mais do e-commerce, muita gente ainda não acessava. Teve gente que teve tempo e teve gente que precisou levantar recursos. E a nossa empresa faz isso, a gente vende mas a gente paga também”. 

Para o futuro, Silbermann acredita que o mercado de segunda mão ainda pode render mais frutos, principalmente no segmento de luxo. Apesar do “tabu” da compra de usados, o empresário aposta na cultura da nova geração de consumidores, que estão mais engajados no conceito de moda circular.

“As empresas estão percebendo que as marcas, hoje, não tem mais essa aversão ao produto de segunda mão, estão até fazendo parcerias com esses negócios, porque estão percebendo que a geração millennial, quando tem certeza que pode vender a peça depois, compra o produto primário. Essa geração está mais preocupada com sustentabilidade, com economia circular”. 

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