Sleeping Giants é formado por casal de 22 anos do interior do Paraná

Grupo calcula ter retirado R$ 1,5 milhão em anúncios de sites de fake news
Mônica Bergamo
Ivan Finotti

Mayara Stelle e Leonardo de Carvalho Leal, fundadores do Sleeping Giants Brasil – Eduardo Anizelli/Folhapress

Aberto há sete meses, o perfil Sleeping Giants Brasil (SGB) tem causado um tsunami em sites da extrema direita ao forçar uma debandada de empresas anunciantes. A situação ocorre quando o SGB publica, em seu Twitter ou em seu Instagram, um alerta para uma determinada empresa, informando que ela está anunciando em sites de fake news.

Seja por discordarem do conteúdo, seja pelo constrangimento público criado, as empresas retiram seus anúncios, desmonetizando os sites. Até este domingo (13), o grupo operava de forma anônima, sob a justificativa de que recebem ameaças de morte diárias. Resolveram, no entanto, revelar sua identidade nesta entrevista.

O grupo foi fundado por apenas duas pessoas, um casal de 22 anos de Ponta Grossa, no interior do Paraná. Leonardo de Carvalho Leal e Mayara Stelle moram com os pais e são namorados desde os 15 anos. Ele era motorista de Uber até que teve o carro batido no início do ano. Ela era vendedora de maquiagens até que a epidemia da Covid-19 fechou os salões de beleza em Ponta Grossa.

Estudantes de direito do sétimo período de uma faculdade estadual da cidade, ambos vivem hoje do auxílio emergencial que o governo concede a milhões de brasileiros. Dizem que não há ninguém por trás deles e que não recebem nada pelo trabalho.

O Rede Liberdade, grupo de advogados e jornalistas que atua em casos de violação de direitos e liberdade de expressão, apoia os dois prestando assessoria jurídica e de comunicação sem cobrar nada.

O Sleeping Giants nasceu nos Estados Unidos, desmonetizando o site de extrema direita de Steve Bannon, chefe da campanha vitoriosa de Donald Trump em 2016.

Lendo sobre o assunto para o trabalho de conclusão de curso da faculdade, Leonardo e Mayara resolveram abrir o Sleeping Giants Brasil numa manhã de maio de 2020. Horas depois já tinham 20 mil seguidores e foram oficializados como representantes brasileiros dos Sleeping Giants pelo criador do perfil americano, Matt Rivitz.

O primeiro alvo do grupo, o Jornal da Cidade Online, sofreu a retirada de anúncios de 250 empresas, cada uma exposta publicamente pelo SGB por anunciar ali.

Até hoje, eles calculam ter retirado de três sites de notícias e dois canais o equivalente a R$ 1,5 milhão. Segundo eles, 700 empresas já seguiram seus alertas e retiraram os anúncios de sites duvidosos. O SGB tem 410 mil seguidores no Twitter e 170 mil no Instagram.

O Jornal da Cidade Online entrou com ação, que foi atendida, pedindo que o Twitter revele seus dados. É por isso que vocês resolveram sair do anonimato?

Leal: Não iam entregar nossos dados agora, eles iriam ficar em sigilo de Justiça. Mas a gente acredita que é o momento de mostrar o rosto para nossos seguidores, antes que um site de fake news descubra quem a gente é. Esperamos que se identifiquem com a gente, tanto as empresas que responderam quanto os seguidores que apoiaram.

Stelle: Vir a público está sendo uma questão. Ainda não é um consenso entre nós e nossas famílias. Muita gente tem essa curiosidade de saber quem está por trás do perfil, porque acham que são pessoas superpreparadas, que temos um grande mecanismo por trás. E somos nós dois, duas pessoas comuns. Temos alguns colaboradores, alguns seguidores que se oferecem para fazer design ou imagens para nossas postagens.

Matt Rivitz ajuda vocês de alguma forma?

Stelle: Quando ele entrou em contato conosco, quis saber mais sobre o que a gente queria fazer no Brasil antes de autorizar esse trabalho. Ele deu algumas dicas, como “use o VPN, não se mostre para as pessoas, tente permanecer no anonimato”. Foram essas coisas básicas. A gente não tem mais contato com ele, mesmo porque nenhum de nós fala inglês.

Qualquer um pode criar o perfil Sleeping Giants 2, por exemplo?

Leal: Sim, a gente fez desse jeito. Criamos a conta com esse nome e estamos aqui até hoje. Ainda é difícil para a gente, porque nunca trabalhamos com internet. A Mayara nem usava Twitter. Estamos nos acostumando com tudo isso ainda. A gente não se vê como ativista.

Como vocês se veem?

Leal: O Sleeping surgiu no meio de um estudo para um TCC sobre fake news. Ele apareceu como uma resposta. Pois todo mundo sabe qual é o problema, é o discurso de ódio, que domina o debate na internet, mas ninguém sabe qual é a resposta para isso. Quando a gente leu uma matéria do El País, pensou: “Putz, essa é uma resposta muito boa, muito fácil”. E todo mundo comprou muito rápido, mas nunca tivemos treinamento, nunca fizemos nada parecido.

O Matt falou para gente duas coisas principais: uma delas é nunca falar sobre política. O Sleeping não é um movimento de política, é um movimento de consumidores. Esse é um dos nossos valores. E a outra é a questão do anonimato e da segurança. Quando revelaram a identidade dele nos Estados Unidos, hackeando não se sabe como, colocaram o endereço em todos os sites de fake news e ele recebeu ameaças de morte sem parar, contra ele, a mulher, o filho de 15 anos, até para a sinagoga dele chegou ameaça.

Como estão se preparando para sair do anonimato?

Stelle: Tivemos que nos distanciar das famílias para mantê-los seguros. Minha família é muito distante da internet, são pessoas mais velhas, é difícil até explicar o que nós estamos fazendo. Então optamos por sair do anonimato longe deles. Neste momento estamos na casa de um amigo, em São Paulo.

Já sofreram muitas ameaças?

Leal: É bizarro porque se espera muito de nós, de uma estrutura, que ajudaria a nos preparar quanto a isso. A partir do momento que o Sleeping está tirando dinheiro dessas milícias digitais, que utilizam isso como uma forma de trabalho remunerado, a gente acaba virando alvo. Há sete meses, um motorista de Uber e uma vendedora de maquiagens começaram a receber ameaças de morte e agora têm que sair de casa para se revelar, têm que ter uma conversa super difícil com as famílias, dizer que você criou um perfil no Twitter, que muitas pessoas apoiam, que tem 700 empresas respaldando, e mesmo assim… A gente está arriscando a nossa vida dando essa entrevista, está arriscando a vida por conta do projeto e também está arriscando nossas famílias por conta disso.

Stelle: Já vimos pessoas oferecendo dinheiro pela nossa cabeça. As pessoas escrevem nos nossos perfis “Se matem”. Até esse momento, nenhuma ameaça foi levada à polícia, mas a partir dessa saída de anonimato, a gente pretende, sim, responsabilizar todo mundo que ameaçou.

Aberto em maio de 2020, o perfil Sleeping Giants Brasil (SGB) tem causado um tsunami em sites da extrema direita ao forçar uma debandada de empresas anunciantes
Aberto em maio de 2020, o perfil Sleeping Giants Brasil (SGB) tem causado um tsunami em sites da extrema direita ao forçar uma debandada de empresas anunciantes Eduardo Anizelli/Folhapress

Como estudantes de direito, o que dizem de a Constituição Federal assegurar a liberdade de manifestação do pensamento, mas vedar o anonimato?

Leal: O Sleeping foi criado às 5h de uma segunda-feira, num laptop sem bateria e, sete meses depois, a gente desmonetizou mais de R$ 1,5 milhão. Diferente de jornalistas, que estão acostumados a colocar a cara, nós não temos estrutura. A gente só está começando, temos 22 anos.

Como vocês definem os sites que vão desmonetizar?

Stelle: A gente olha, primeiramente, pelo alcance. O Jornal da Cidade Online, que foi o primeiro escolhido para desmonetização, foi também porque tinha grande histórico de notícias desmentidas em relação à pandemia. Acreditamos que a desinformação em relação à pandemia seja umas das principais fake news a ser desmentidas nesse momento. Quanto aos outros, fizemos uma pesquisa bem aprofundada, o número de processos judiciais, o número de notícias desmentidas pela grande imprensa.

Vale dizer que a gente não está aqui para cancelar. O SG não promove a cultura do cancelamento, o SG não promove a censura. Estamos aqui para alertar a empresa. A decisão de manter um anúncio ou retirar, e de banir um usuário por violação dos termos de uso ou não banir, pertence à empresa. Nós só avisamos.

Leal: E as empresas geralmente agradecem. Quando você joga um anúncio numa plataforma de mídia programática [Facebook ou Google, por exemplo, que vão distribuir aqueles anúncios de acordo com o perfil dos usuários], você acaba anunciando em 2.000, 3.000 sites. Então, não tem como a empresa controlar isso. A gente alerta a empresa e ela tem a liberdade de querer ou não aparecer nesse site. Elas gastam tanto dinheiro, constroem uma marca, que carrega os valores dessa empresa, e que muitas vezes não condizem com o site.

Quem desmonetizaram até agora?

Leal: Até aqui, a gente só desmonetizou três sites, porque é um trabalho de formiguinha, você vai tirando uma empresa por vez. Em ordem, foram Jornal da Cidade Online, Conexão Política e Brasil Sem Medo. Além disso, a gente desmonetizou o canal do Olavo de Carvalho no YouTube e o grupo paramilitar 300 do Brasil, da Sara Winter. Só no Jornal da Cidade Online, foram 250 empresas.

Todos esses sites são de direita. Isso é uma coincidência ou vocês são de esquerda?

Stelle: A gente não olha se o site é de esquerda ou de direita. Infelizmente, sabemos que o discurso de ódio está presente em todos os espectros políticos. O que acontece é que, nesse momento, não dá para negar que a extrema direita tem um alcance de desinformação muito maior que a esquerda. Mas as fake news estão, sim, presente em sites de esquerda. Tivemos um caso agora do Porta dos Fundos, que é conhecido como um canal de esquerda, e fez um vídeo claramente misógino.

Leal: Achamos que tínhamos que alertar o Porta dos Fundos sobre o erro que eles fizeram. Assim fizemos e logo depois eles excluíram o vídeo. Então, o Sleeping não é movimento de cancelamento. A qualquer momento você pode retificar um erro, como fez o Porta dos Fundos ao excluir a esquete, que era supermachista.

Stelle: A questão é que o alcance dos sites de direita é muito grande. O Jornal da Cidade Online, por exemplo, tinha ou tem 40 milhões de acessos por mês. É um número assustador, considerando que eles propagavam desinformação sobre a pandemia.

Leal: O Jornal da Cidade Online é a página de notícias do Facebook que tem maior engajamento sobre o coronavírus. Mais do que a Globo, do que a Folha, do que o Estadão. Quanto mais acesso o site tem, mais dinheiro ele vai ganhar. Então, os dois critérios são muito objetivos: a quantidade de conteúdo fake e o alcance que esse conteúdo tem.

Mayara Stelle e Leonardo de Carvalho Leal, fundadores do Sleeping Giants Brasil – Eduardo Anizelli/Folhapress

Existe uma coisa que é mentira, tipo “detergente cura coronavírus”. Agora, como definir o discurso do ódio? Para muita gente, o que o Olavo de Carvalho diz não é um discurso de ódio. Ao contrário, ele é o único cara que fala a verdade sobre o Brasil. Então, a gente pode estar diante de uma divergência de pontos de vista. Qual é o corte para isso?

Stelle: O discurso de ódio é uma coisa subjetiva, mas ele busca reprimir ou intimidar uma pessoa sobre determinadas características inerentes a ela. Promove racismo, misoginia, machismo, xenofobia, sinofobia. É um discurso que intimida uma minoria. O Sleeping não quer calar ninguém. Somos completamente a favor da liberdade de expressão, inclusive usamos ela para alertar as empresas. O Olavo tem todo o direito de falar e de ter seu espaço para suas ideias. O Sleeping só alerta as empresas, e elas decidem se querem tirar o anúncio daquele conteúdo ou não.

Mas não acham que criam um constrangimento público para as empresas?

Leal: Não. Se estivessem constrangidas não agradeceriam publicamente o nosso alerta. As próprias empresas também são alvo de fake news. O próprio Olavo propagou uma que dizia que a Pepsi adoçava o refrigerante com fetos abortados. Quanto dinheiro a Pepsi está gastando para conseguir uma imagem, uma marca com muita história, e vem essa história “se você toma a Pepsi, você é um abortista terceirizado”.

Por isso que as empresas são nossas aliadas. A Band já foi alvo de fake news também, que dizia que ela tinha sido comprada pelo Partido Comunista chinês. A gente achou a Natura patrocinando conteúdo que era contra a própria propaganda dela. Gastaram para fazer uma propaganda de Dia das Mães, se não me engano, e estava anunciando em uma matéria machista que criticava a propaganda da Natura [por ser feminista]. A gente não constrange ninguém. A gente pergunta. As empresas têm o direito de saber para quem estão dando dinheiro.

Fazendo uma provocação, não acham que estão intimidando, por exemplo, o Olavo de Carvalho?

Leal: O Olavo de Carvalho tem um discurso que diz que a Globo ou a Folha devem ser fechadas e aí o Brasil viraria um lugar legal. Ele tem uma frase que diz que a imprensa deve ser tratada igual cachorro, a pontapés. Que estar na presença de jornalistas é estar na presença da pior espécie do mundo. Isso é um discurso de ódio, que visa quem você é, direcionado a essa minoria.

Mas ele tem o direito de achar que os jornalistas são isso aí.

Leal: Sim, mas as empresas têm o direito de não querer pagar por esse conteúdo.

Stelle: Não podemos tolerar a intolerância, digamos assim. Até onde vai o direito do Olavo de ofender as pessoas e ganhar dinheiro com isso? O SG não está promovendo nenhum ataque ao Olavo. Nós só perguntamos às empresas que estão vinculadas a ele se elas querem continuar pagando aquele conteúdo.

Vocês trabalham por meio do Twitter e do Instagram. Essas empresas são as responsáveis por destinar o dinheiro dos anúncios para o site x ou y. E elas ganham dinheiro ao fazerem essa ponte. Por que as big tech não estão entre os alvos de vocês?

Stelle: Esse debate é muito atual. Nós somos muito novos na internet e fizemos uma escolha de focar nos donos do dinheiro. Acredito que haja gente mais capacitada e experiente para iniciar esse debate nesse momento.

Vocês têm um poder imenso nas mãos hoje. Não há o risco de vocês atacarem alguém simplesmente por não gostaram dele?

Stelle: Nós não escolhemos nenhum alvo. O único alvo é a desinformação e o ódio. Se alguém publica isso, achamos completamente justo ela ser desmonetizada. Não é questão pessoal. Se a pessoa parar de escrever fake news, apagar o que já escreveu e pedir desculpas, deixa de ser uma pessoa que pode ser escolhida pelo Sleeping Giants Brasil.

O que acham de empresas brasileiras que trabalham com ditaduras que desrespeitam os direitos humanos?

Leal: Nesse momento não temos estrutura. A saída do anonimato pode abrir inúmera portas e no futuro podemos trabalhar em outras áreas, como essa.

Elogiar a ditadura militar é discurso de ódio ou liberdade de expressão?

Leal: Elogiar a ditadura é opinião, mas dizer que ela não existiu é fake news. Se tiver um site promovendo a ditadura militar, nós vamos atuar. No caso do grupo paramilitar da Sara Winter, ela iria receber R$ 80 mil por meio de um crowdfunding. Nós fomos até a empresa de crowdfunding e alertamos que a campanha dela estava em desacordo com seus termos de uso, que não admitia discurso de ódio, por exemplo. A empresa cancelou a campanha e não repassou o dinheiro.

É a mesma situação do Olavo de Carvalho em relação ao PayPal e ao PagSeguro, certo? Vocês pressionaram para essas plataformas de pagamento cancelarem as contas dele. Essas contas eram usadas para ele receber o pagamento por suas aulas online, certo?

Stelle: Sim. O PayPal cancelou a conta dele em agosto. A PagSeguro publicou nota em que dizia que era contrária à fake news e ao discurso de ódio, mas que estava impedida de realizar o bloqueio de um usuário: “Instituições de pagamentos devem garantir acesso não discriminatório aos seus serviços e liberdade de escolha dos usuários finais”.

Leal: Os termos de uso dizem que é terminantemente proibido que seus clientes usem “linguagem ou imagem ou transmitir ou propagar mensagem ou material que denotem ou promovam o preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem, ou que incitem à violência ou ao ódio”. Acreditamos que a PagSeguro está muito acima do Olavo de Carvalho e vai cancelar sua conta.​

Mayara Stelle e Leonardo de Carvalho Leal, fundadores do Sleeping Giants Brasil – Eduardo Anizelli/Folhapress

Para Benchimol, a XP é uma empresa de tecnologia

Em 2020, contratamos 600 pessoas da área; temos mais cientistas de dados que assessores’, diz fundador da empresa
Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

XP Investimentos
Guilherme Benchimol aparece no telão da Nasdaq na estreia da XP na Bolsa americana Foto: Matheus Detoni

No último balanço, a XP enfatizou a ideia de ser reconhecida como uma empresa de tecnologia. Guilherme Benchimol, sócio e fundador da companhia, gosta de destacar que metade dos 3,6 mil funcionários da empresa são de tecnologia. “Em 2020, contratamos 600 pessoas de tecnologia. Temos mais cientistas de dados do que assessores internos”, afirma Benchimol.

De acordo com ele, ser tecnológico não é uma opção, é uma necessidade. “Temos duas marcas que são totalmente tecnológicas, a Clear e a Rico. São milhões de transações por dia, de inteligência artificial, que permitem aos clientes ao acessar a Rico um atendimento diferenciado e em escala, até entender seu perfil para saber a hora de mandar uma mensagem correta”, afirma. “Não queremos parecer tecnológico, mas ser tecnológico.” A pandemia acelerou ainda mais esse processo porque, com as pessoas em casa, a busca por conteúdo financeiro aumentou. 

Banco. Sobre os próximos passos da empresa, Benchimol acredita que o banco da XP rodando de forma completa vai fazer muita diferença. Na sua avaliação, convencer os 2,7 milhões de clientes da companhia a investir tudo dentro da XP só seria possível se a empresa oferecesse uma experiência completa. “O banco é a maneira de verticalizar a experiência, da oferta do cartão de crédito que já começou até a conta corrente sem tarifas. Também já nos comprometemos ao menor juro do Brasil com crédito colateralizado.” A expectativa da empresa é ter até junho do próximo ano um banco capaz de competir em condição de igualdade com as grandes instituições financeiras, em termos de serviços bancários.

Benchimol, no entanto, faz questão de dizer que ter um banco na estrutura não significa que a XP vá se comportar como um banco tradicional. “Não estamos virando um banco. O banco é um produto para um cliente que investe com a gente. Hoje, não posso oferecer certos serviços fundamentais, por questões regulatórias. Com um banco na estrutura, o cliente vai ter uma experiência melhor na XP e manusear seus recursos aqui dentro.”

Para os próximos anos, Benchimol afirma que nunca esteve tão otimista com o Brasil. “A força e a transformação que um juro baixo faz num país como o Brasil é inacreditável. Desperta o senso de empreendedorismo e faz com que novas oportunidades surjam. ” 

Per Florian Appelgren for Madonna Magazine with Anna Mila

Photographer: Per Florian Appelgren. Fashion Stylist: Susanne Marx. Hair & Makeup: Tanja Kern. Postproduction: Nina Mairer . Model: Anna Mila.

‘Quem tem de se preocupar são os bancos’

Benchimol afirma não se preocupar com a saída do Itaú da XP e diz que grandes instituições terão fuga maior de clientes
Entrevista com
Guilherme Benchimol, sócio e fundador da XP
Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

Entrevista - Guilherme Benchimol
Para Guilherme Benchimol, fundados da XP, ‘mercado vai ficar muito concorrido’ Foto: Felipe Rau/Estadão

Há exatamente um ano, a XP Inc. estreou na Bolsa norte-americana Nasdaq. De lá para cá, a plataforma de investimentos viu seu valor de mercado crescer 38%: hoje, está avaliada em US$ 20,5 bilhões. Guilherme Benchimol, sócio e fundador da XP, diz que, com 90% da poupança dos brasileiros concentrada nos grandes bancos, o cenário é de mais crescimento pela frente.

São exatamente as grandes instituições financeiras – e não as plataformas – que o fundador da XP vê como a ponta frágil no ambiente de forte concorrência de hoje.

Assim, se disse pouco preocupado com a saída do Itaú Unibanco da sociedade, anunciada recentemente. “Não é o rabo que abana o cachorro, não é um acionista entrar ou sair que vai fazer a XP ser melhor ou pior”, diz.

Um ano após a oferta de ações (IPO, na sigla em inglês), o que mudou para a XP?

Se eu soubesse que abrir capital era tão bom, teria aberto antes. Não só pela parte do capital, que é uma commodity e se levanta de diversas maneiras, mas sobretudo pela governança e a qualidade de ajuda que consegue ter. Muitos esquecem qual é a essência de uma abertura de capital: ter novos sócios. Investidores alinhados com a empresa, que são grandes no mundo e, no nosso caso, já viram transformações similares a que queremos fazer no Brasil, ajudam a encontrar os atalhos, a buscar as melhores práticas e a se conectar com as pessoas. 

A saída do Itaú Unibanco da XP foi uma surpresa?

Não tenho nenhuma preocupação com relação a isso. A minha preocupação única e exclusiva é a XP. Fazer com que o negócio fique melhor, os funcionários se sintam realizados, os clientes satisfeitos – nossos acionistas são consequência disso. Não posso opinar sobre a decisão de qualquer acionista. Quem tem de decidir continuar como nosso sócio ou não são eles. Posso garantir que farei com que a companhia siga crescendo e seja melhor. A oportunidade no Brasil é muito grande. O Brasil ainda tem tarifas abusivas para clientes que investem da forma tradicional. É muito fácil falar que você é focado no cliente, mas quem é voltado ao cliente não cobra taxa de administração de um fundo DI de 1% ou fundo de administração de uma única ação de 3%. Dá para fazer uma transformação muito grande nos próximos anos – e é isso que vamos continuar buscando. A XP tem mais cientistas de dados do que banqueiros. Isso é um pouco da cultura que vemos para os próximos anos: uma empresa mais tecnológica e capaz de oferecer experiência para clientes e parceiro de forma inteligente.

Mas o movimento do Itaú Unibanco causou surpresa?

Só fico surpreso se a empresa não vai bem. Qualquer outra coisa que não diz respeito à empresa não me surpreende. Não é o rabo que abana o cachorro. Não é um acionista entrar ou sair que vai fazer a empresa ficar melhor ou pior. Tem temas que não me afetam e não me interessam. O que me preocupa é se nossos números estão crescendo, as receitas evoluindo e se os clientes estão satisfeitos. 

O sr. espera maior concorrência do Itaú, agora que eles não são mais sócios diretos?

O mercado financeiro como um todo vai ficar muito concorrido nos próximos anos, basta ver o que aconteceu com economias mais evoluídas, ainda mais com juro menor. Não me lembro de nenhum momento em que a concorrência fosse menor contra a gente, seja com o Itaú ou qualquer outro banco. Nossa vida há 20 anos é competir com os grandes bancos, sem nenhum tipo de moleza. Cada um tem de se preocupar com sua empresa e fazer o seu melhor. Quem ganha com isso são os clientes.

Qual deve ser o resultado dos movimentos dos grandes bancos buscando reter os clientes de maneira mais ativa para as plataformas?

Em 2019, os maiores bancos brasileiros fizeram R$ 500 bilhões em receitas. Fizemos 1% desse resultado. Então, temos um oceano azul muito grande pela frente. Qualquer pessoa que ache que a XP fez uma transformação muito grande não tem a dimensão dos números que ainda estão dentro dos grandes bancos, seja investimento, previdência, seguro, cartão de crédito e conta corrente. Então, quem deveria estar preocupado são os bancos. Obviamente, vão surgir outras empresas como a XP, que vão tentar convencer os clientes a ter experiências melhores e mais baratas. Diria que a competição vai aumentar muito para eles, já que 90% da poupança está dentro deles. A competição não é com os novos entrantes, mas com quem tem o dinheiro de verdade. Só na caderneta de poupança, há duas XPs nos grandes bancos. Vejo com clareza que vai ter uma fuga maior dos investidores dos grandes bancos em busca de experiências exclusivas, preços mais competitivos e qualidade de serviços.

Os investimentos que os grandes bancos têm feito em tecnologia, marketing e com os clientes na área de investimento não podem reduzir a vantagem competitiva das plataformas?

No que depender de mim, não. Óbvio que ninguém quer perder o cliente, mas quem se dedicar e conseguir encantar o cliente vai vencer essa guerra lá na frente.

A XP tem escritórios de agentes autônomos ligados à sua plataforma que têm volume de ativos sob gestão que superam o de algumas corretoras. Como a empresa pretende lidar com esses grandes escritórios, se houver mudança na regulação que permita a entrada de um sócio investidor, implicando concorrência para a XP?

Não acho que seja concorrência contra nós. São serviços complementares – e quero que os agentes autônomos fiquem mais fortes. Os serviços de assessoria financeira precisam de uma empresa como a XP por trás. Se a evolução da regra for nesse caminho, é super positivo e a mudança na exclusividade não altera nada. Hoje em dia, não existe exclusividade para a distribuição de fundos de investimento e títulos bancários, só para renda variável e valores mobiliários. Mas é mais prático ter uma experiência única em uma corretora e para o escritório ter uma experiência consolidada com seus clientes.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgou um estudo recentemente no qual diz que pode ter errado ao permitir a exclusividade, porque teria provocado concentração de mercado. Qual sua opinião?

Quem falou isso foi a CVM. Não sei. Até três anos atrás, ninguém queria trabalhar com agentes autônomos. Por décadas fiquei brigando com todo mundo para dizer que a profissão era séria. Só depois que fizemos o acordo com o Itaú, todo mundo entendeu que tinha valor. Havia investidores institucionais que não operavam na nossa mesa porque achavam que os agentes autônomos eram muito perigosos. Os agentes autônomos só chegaram até aqui pela nossa insistência e obstinação em investir na profissão e fortalecê-la.

Kapturing for Vogue Czech with Yumi Lambert

Photographer & Video: Kapturing. Fashion Stylist: Adelaida Cue Bär. Hair & Makeup: Francesca Vigliarolo. Photo Assistant: Angela Simi. Styling Assistant: Leonie Celler. Casting: Nick Forbes Watson. Model: Yumi Lambert.

NEVER TOO SMALL 49sqm/527sqft Small Underground Design – Basement Apartment

Localizado abaixo do nível da rua, mas com uma vista do horizonte de Sydney, Brad Swartz encontrou um projeto desafiador único neste apartamento de subsolo de 49m². Limitado por seu status de patrimônio, ele abordou o projeto com um toque leve, favorecendo móveis independentes em vez de armazenamento embutido, elevando a cozinha e estendendo seus acessórios em armários personalizados no corredor dos apartamentos. Esses elementos flutuantes ao lado da paleta mais clara do apartamento permitem que a luz flua livremente por toda a casa, dando uma sensação brilhante ao que seria um espaço escuro.

FKA twigs processa Shia LaBeouf por agressão e assédio sexual

Cantora narra momentos de agressão e humilhação vividos ao lado do ator

FKA Twigs processa ator Shia Labeouf, seu ex-namorado, por abusos sexuais e transmissão de doença venérea

A cantora FKA twigs, 32, entrou com um processo contra o ator Shia LaBeouf, 34, nesta sexta (11), no qual o acusa de agressão e assédio sexual. O processo foi aberto no Tribunal Superior de Los Angeles. Ela e o astro de “Transformers” namoraram em 2019 por menos de um ano.

Em reportagem publicada no jornal The New York Times, Twigs relata uma série de ocasiões, ao longo do relacionamento com LaBeouf, em que ele teria sido agressivo e violento. Ela também afirma que o ator lhe transmitiu doença sexualmente transmissível “conscientemente”.

Twigs disse que, certa vez, acordou sendo enforcada por ele, e que chegou a ser pressionada e até mesmo a ter a vida colocada em risco pelo ex.

Numa das ocasiões, LaBeouf dirigia, em suas palavras, “de forma imprudente, removendo o cinto de segurança e ameaçando bater se ela não declarasse seu amor por ele.” Ao deixar o carro, segundo o relato de Twigs, ele a teria seguido, agredido e a jogado contra o veículo enquanto gritava com ela, antes de tê-la forçado a voltar para dentro do automóvel.

Em resposta ao jornal, o ator disse ser alcoólatra e que não estava em posição de comentar os efeitos de suas ações sobre as pessoas.

“Não tenho desculpas para o meu alcoolismo ou agressividade, apenas racionalizações. Tenho sido abusivo comigo mesmo e com todos ao meu redor por anos. Tenho um histórico de ferir as pessoas mais próximas de mim. Tenho vergonha dessa história e sinto muito por aqueles que magoei. Não há mais nada que eu possa dizer.”

A estilista Karolyn Pho, que também namorou LaBeouf, reiterou o comportamento agressivo de LaBeouf à publicação e descreveu momentos de igual teor violento passados em sua companhia.

Até aqui, LaBeouf vem acumulando um longo histórico de comportamento abusivo. Preso inúmeras vezes, ele já foi fotografado por paparazzi em situações de confltos com outra namorada, a atriz Mia Goth.

Jeremy Choh for Numéro Russia with Lily Nova

Photographer: Jeremy Choh. Fashion Stylist: Jana Bartolo. Hair Stylist: Anthony Nader. Makeup Artist: Carol Mackie. Casting Director: Aleks Ivanof Model: Lily Nova at IMG Models.

DC Comics anuncia que novo Batman dos quadrinhos será negro

Novo vigilante da franquia é filho do ex-empresário de Bruce Wayne, Lucius Fox

Tim Fox, o próximo Batman dos quadrinhos Foto: Reprodução/Twitter da DC

SÃO PAULO — A partir de janeiro, o mundo dos quadrinhos terá, oficialmente, um Batman negro. Batizado de Tim Fox, o personagem vai estrelar a série “Future state: The next Batman”, escrita por John Ridley — roteirista vencedor do Oscar por “12 anos de escravidão”.

Fox é filho distante de Lucius Fox, ex-gerente de negócios de Bruce Wayne apresentado nos quadrinhos em 1979. A história se passa em uma versão futurística de Gotham, controlada pelo vilão Magistrado. Todos os vigilantes são considerados criminosos, e o Batman (Wayne) foi morto. Até que surge um novo para salvar a cidade.

Em entrevista ao “New York Times”, Ridley comemorou que seu trabalho agora será melhor apreciado pelos filhos. “Eles me apoiam, mas claro que eles preferem assistir a ‘Pantera Negra’ do que ’12 anos de escravidão’, vamos ser honestos”, disse.

“Poder escrever o próximo Batman, e meus filhos sabendo que ele será negro, não importa se o resto do mundo odiar, mas eu terei meu público e eles já estão amando”, completou.

A primeira aparição de Fox como Batman será numa pacote de quatro edições de “Future state”, que sairá em janeiro nos Estados Unidos.