Google vira alvo de novo processo por monopólio nos EUA

Advogados-gerais de 10 Estados americanos acusam a empresa de práticas anticomerciais em negócio de publicidade digital, principal fonte de receita da empresa
Por Bruno Romani e Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Assim como outras gigantes de tecnologia, o Google, de Sundar Pichai, está na mira de reguladores nos EUA
Assim como outras gigantes de tecnologia, o Google, de Sundar Pichai, está na mira de reguladores nos EUA

Dois meses após a abertura de um processo pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, na sigla em inglês) e advogados-gerais de 11 Estados americanos, o Google virou alvo de um novo processo que o acusa de monopólio. Desta vez, a gigante está sendo questionada por advogados-gerais de 10 estados por conta da sua tecnologia de anúncios online – o primeiro processo está relacionado à ferramenta de buscas. Após o anúncio do processo, as ações da companhia permaneceram estáveis. 

O processo está sendo liderado por Ken Paxton, advogado-geral do Texas. Ele acusa o Google de promover práticas monopolistas em diversos componentes da cadeia do negócio de publicidade de digital, o que inclui aspectos de compra e venda de anúncios. As autoridades afirmam também que a compra da empresa DoubleClick pela gigante em 2008 alterou de forma fundamental o mercado, dando poderes à empresa de obter receita em todas as frentes de publicidade digital. O processo diz ainda que o Google obrigava clientes a usaram suas diferentes ferramentas para comprar e vender anúncios.

“Essas ações prejudicam cada pessoas nos EUA”, afirmou Paxton em um vídeo no qual anuncia o processo. “Se o mercado fosse um jogo de baseball, o Google seria o rebatedor, o arremessador e o árbitro” 

O Facebook, que virou alvo no começo do mês de Estados americanos, também é citado no processo. Nele, é chamado de ‘co-conspirador’ por supostamente combinar preços de anúncios com o Google – o que configuraria uma prática de cartel. As duas empresas teriam entrado em acordo em 2017, quando a rede social anunciou que entraria no segmento. Pelo suposto acordo, o Google daria vantagens ao Facebook em leilões de anúncios voltados para aplicativos. O Facebook não comentou ainda ao processo.    

Além de multas, o processo pede que a Justiça dos EUA desmembre o negócio publicitário da empresa. O documento fala em atingir “alívio estrutural para restaurar as condições competitivas em mercados relevantes. O novo processo atinge em cheio a principal fonte de renda da gigante. No último trimestre, o Google teve receita de US$ 37,1 bilhões em publicidade, isso corresponde a 80% do dinheiro recebido pela empresa no período. 

A gigante afirmou que as acusações são infundadas e que se defenderá no tribunal. Afirmou ainda que os preços de anúncios digitais caíram nos último 10 anos, e que cobra menos pelo acesso às suas ferramentas que o restante da indústria. “As alegações do procurador-geral Paxton sobre tecnologia de publicidade não têm fundamento, e ele foi em frente, apesar de todos os fatos”, disse Julie McAlister, porta-voz do Google.

Outros estados também estão investigando separadamente o negócio de buscas do Google e devem abrir em breve novas ações judicias ou então entrar em conjunto no processo já aberto pelo Departamento de Justiça.

O novo processo é reflexo de uma pressão bipartidária que tem surgido nos Estados Unidos  contra as grandes empresas de tecnologia do país. Os reguladores têm analisado o papel que Amazon, Apple, Facebook e Google desempenham na economia moderna, influenciando desde compras de consumidores até consumo de entretenimento. / COM AGÊNCIAS

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