Photographer Ren Pidgeon for Fashion Editorials with Feturi Talaga

Photographer: Ren Pidgeon. Talent / Stylist / HMU: Feturi Talaga at dt model mgmt.

Maria Fernanda Cândido fala sobre a carreira e educação

No ar na reprise de “A força do querer”, a atriz Maria Fernanda Cândido falou sobre a sua carreira e como teve que batalhar para chegar onde chegou.

– Hoje, me vejo já uma senhora. Eu tenho filhos adolescentes, e, assim, as coisas estão aí ainda, tudo está aí… Eu me sinto muito viva, com uma fome ainda muito grande. Então, essa construção (profissional) vai durar até o meu último respiro. Essa é a sensação que eu tenho… (…) E, não é fácil. Nada cai no colo da gente. Embora, Claro, as pessoas sempre vão ter essa imagem: “ai como ela é sortuda. Aí para ela, né, as coisas são fáceis”. Mas, é muito ralação. É muito trabalho – disse a atriz numa live neste sábado (19) no YouTube.

Ela é mãe de Thomas, de 14 anos, e Nicolas, de 12, fruto do seu relacionamento com Petrit Spahira, com quem é casada desde 2005. No papo, Maria Fernanda falou, ainda, sobre como o interesse pela educação fez com que ela alcançasse os seus conhecimentos atuais:

– Hoje, eu tenho essa coisa de falar idiomas: eu falo inglês, falo francês, italiano e falo português. Ótimo, são quatro línguas. Mas, por exemplo, esse francês que eu tive na escola, muitos colegas que estudaram comigo não falam nada de francês. Eu agarrei aquele francês de uma maneira tão voraz que com o pouco você faz o muito. Foram apenas três anos de estudo de francês. Mas eu tirei até a ultima gota do que eu podia tirar – comentou.

Ela explicou, também, um pouco das suas referências na profissão:

– Eu sou uma coletadora. Eu vou coletando e vou juntando livros, músicas, objetos, personagens, figurinos, adereços, cartas… A minha vida é muito assim. As minhas coisas, elas estão sempre assim em volta de mim. Eu sou muito cercada por tudo isso e, em determinado momento, essas peças se cruzam… (…) Eu sou uma pessoa, também, que respeita esse tempo. Eu releio obras – destacou. [Patricia Kogut]

Novo disco ‘Evermore’ de Taylor Swift merece respeito, mas não é espetacular

‘Evermore’, com participações de Bon Iver e Haim, é mais um lançamento da cantora a deixar seu passado pop mais distante
Jon Pareles

Foto: Beth Garrabrant

THE NEW YORK TIMES – Continuações são sempre complicadas. O original é um salto criativo; a sequência provavelmente será um avanço incremental. Até agora, Taylor Swift vinha trocando de colaboradores e desenvolvendo novas sonoridades a cada disco. Mas ela classifica “Evermore”, seu nono álbum, lançado de surpresa, como “irmão” de “Folklore”, que saiu há quatro meses.

Ela continuou a compor com o grupo de produtores e músicos que trabalhou com ela em “Folklore” —principalmente Aaron Dessner, do The National, que toca a maior parte dos instrumentos e colaborou
em 14 das 15 canções. O namorado de Swift, o ator Joe Alwyn, participou de três canções, sob o pseudônimo William Bowery; Jack Antonoff, que compôs com Swift em “Folklore”, participou de duas faixas.

“Evermore” se apega à sonoridade acústica minimalista de “Folklore”, com um piano caseiro e padrões de guitarra imperturbáveis. Swift e Dessner convidaram novos músicos para participar dos arranjos orquestrais miniaturizados de Bryce Dessner, também de The National, mas, durante a maior parte de “Evermore”, Swift é ainda mais introspectiva, abandonando seu passado pop mais do que havia feito em “Folklore” e derivando para um cuidado artesanal elegante e cerebra

Em “Folklore”, Swift decidiu que podia deixar de lado as composições autobiográficas e contar histórias sobre outras pessoas que não ela.

“Evermore” apresenta novos estudos sobre personagens, novos papéis a assumir, quando ela canta sobre infidelidade, sobre trapaças, e até sobre homicídio. “Ivy”, composta com Aaron Dessner e Antonoff, é uma canção com traços folk e estrutura complicada, sobre o caso secreto de uma mulher casada, envolta em trilhas de banjo e violão dedilhado, enquanto a cantora fala sobre a tentação que a dilacera. “Seu toque criou um brilho incandescente/ maculado mas ainda assim grandioso.”

Em “’Tis the Damn Season”, a cantora visita sua cidade natal na época das festas e propõe uma aventura de final de semana a alguém que ela deixou para trás. Em “Champagne Problems”, a narradora recusa
uma proposta sincera. A canção é um suspiro elaborado e prolongado, abrindo com um piano rústico que se emaranha a dedilhados de guitarra e um coro de “aahs”.

Swift se diverte mais com “No Body, No Crime”, com a companhia de duas das irmãs do grupo Haim, Este e Danielle Haim, em uma canção sobre infidelidade, vingança e homicídios não resolvidos, tudo isso com o estímulo de uma harmônica rural.

As mais recentes composições de Swift sobre rompimentos, uma de suas especialidades, buscam maturidade ao recuar um passo. Um som de órgão com algo de igreja cerca sua voz quando ela canta sobre o fim de um romance que durou sete anos, em “Happinness”, deslizando para a raiva, “espero que aquela que tome meu lugar junto a você/ seja uma bela tola”, mas ainda assim determinada a ser justa. “Haverá felicidade depois de você/ mas também houve felicidade por causa de você.

E a canção-título do disco, “Evermore”, contempla, ao som de uma linha de piano serena, o quanto ela costumava acreditar que “essa dor duraria para sempre”.

A cantora continua capaz de reclamar, como faz em “Closure”. Com uma percussão insistente e rangidos eletrônicos ecoando por trás de sua voz, ela se recusa a dar a um ex a satisfação de fingir que a separação entre eles foi amigável. Mesmo que já faça “muito tempo”, ela rosna, “não me trate como uma situação que precisa ser administrada/ estou muito feliz com meu desdém e minhas lágrimas”. É um vislumbre do que Swift talvez chame de “a velha Taylor”, sempre envolvida em combate emocional pesado.

“Closure” tem uma assinatura de tempo incomum, o mesmo vale para “Tolerate It”, na qual a personagem de Swift é uma mulher que dedica seu melhor a alguém que pouco aprecia o que ela faz.

Os dois casos representam exemplos dos toques de refinamento musical do disco, em companhia do dedilhado entrelaçado das guitarras em “Willow” e do som eletrônico reluzente e cordas furtivas em “Marjorie” (um carinhoso tributo à avó da cantora).

Os detalhes sônicos de “Evermore” são radiantes e meticulosos; as composições são cuidadosas e refletidas. É um disco que merece respeito. Mas, com todas as suas construções e conceitos, o disco mantém uma certa distância emocional.

Tradução de Paulo Migliacci

Photographer Carmen Rose for Fashion Editorials with Lottie

Shirt Witchery Pants Scanlan Theodore

Photographer: Carmen Rose. Hair & Makeup: Bernice Mansfield. Model: Lottie at Vivien’s Model Management.

Model: Lottie at Vivien’s Model Management
Shirt Witchery Pants Scanlan Theodore
Dress Kookai Earrings Lovisa
Dress Natalie Encarnita
Dress Asos
Dress Natalie Encarnita

Ekin Can Bayrakdar for Harper’s Bazaar Arabia with Jessica Burley

Photographer: Ekin Can Bayrakdar. Fashion Stylist: Zita Fodor. Hair Stylist: Natalia Vera López. Makeup Artist: Kenny Leung. Model: Jessica Burley.

Pequenas faculdades americanas recebem grandes doações de MacKenzie Scott

Ex-mulher de Jeff Bezos, MacKenzie Scott repassou milhões de dólares para ajudar a educação
Anemona Hartocollis

MacKenzie Scott doou bilhões em meio ao COVID-19. NY Post photo composite/Mike Guillen

THE NEW YORK TIMES – Elas chegaram como presentes de um Papai Noel secreto: US$ 20 milhões (R$ 102 milhões) aqui, US$ 40 milhões (R$ 204 milhões) ali, todas para a educação superior, mas não para as universidades de elite que geralmente atraem toda a atenção. Estas doações foram para faculdades e universidades de que muitas pessoas nunca tinham ouvido falar e tendem a beneficiar estudantes regionais, membros de minorias e de baixa renda.

Na terça (15), MacKenzie Scott, a 18ª pessoa mais rica do mundo, revelou publicamente que havia feito as doações para dezenas de faculdades e universidades, parte dos quase US$ 4,2 bilhões (R$ 21,4 bi) que ela deu a 384 organizações nos últimos quatro meses.

FILE -- Outside Prairie View A&M University's student center in Prairie View, Texas, Oct. 30, 2018. MacKenzie Scott, the world?s 18th-richest person, recently donated $50 million to Prairie View A&M University, a historically Black college in Prairie View, Texas. (Todd Spoth/The New York Times)
Fachada da universidade Prairie View A&M, no Texas – Todd Spoth/The New York Times

Scott, que foi casada com o fundador da Amazon, Jeff Bezos, a pessoa mais rica do mundo, prometeu doar quase toda a sua fortuna. Suas ações da Amazon foram avaliadas em cerca de US$ 38 bilhões (R$ 194 bi, na cotação atual) no ano passado, mas teriam valorizado durante a pandemia do coronavírus.

O dinheiro veio depois de semanas ou meses de conversas na surdina em que representantes de Scott procuraram diretores de faculdades para entrevistá-los sobre suas missões, disseram vários deles na quarta-feira (16). Quando souberam quem estava por trás da iniciativa, também ficaram surpresos. Mas isso não poderia ter acontecido em melhor momento, quando a pandemia atinge duramente seus alunos, segundo eles.

“Fiquei perplexa”, disse Ruth Simmons, reitora da Universidade Prairie View A&M, faculdade historicamente frequentada por negros em Prairie View, no Texas, ao saber que Scott daria US$ 50 milhões (R$ 255 milhões), a maior doação que a universidade já recebeu. Ela pensou que tinha escutado mal, e a pessoa que telefonou teve de repetir o número: “cinco-zero”.

As doações de Scott elevam o total de suas ações beneficentes a quase US$ 6 bilhões (R$ 30,6 bi) neste ano, uma quantia extraordinária. Em outro toque heterodoxo, ela as anunciou em uma postagem no Medium na terça. “Esta pandemia foi uma bola de demolição na vida dos americanos que já enfrentam dificuldades”, escreveu ela. “Os prejuízos econômicos e problemas de saúde foram piores para as mulheres, as pessoas de cor e as que vivem na pobreza.”

Scott fez doações para mais de uma dúzia de faculdades e universidades tradicionalmente negras, assim como para faculdades e escolas técnicas que atendem a americanos nativos, mulheres, estudantes urbanos e rurais.

Alguns diretores de faculdades disseram que Scott não impôs restrições aos fundos, permitindo que eles decidam como irão usá-los. O dinheiro foi entregue à Prairie View em 20 de outubro, e Simmons disse que foi autorizada a começar a distribuí-lo imediatamente aos estudantes afetados pela pandemia.

Simmons disse que inicialmente lhe pediram para não divulgar a notícia da doação, mas argumentou que torná-la pública enviaria uma mensagem importante.

“Eu já fui presidente de uma dessas grandes faculdades —a Universidade Brown—, e lá, é claro, era comum conversar com pessoas sobre doações desse porte”, disse Simmons. “Mas isso raramente acontece em instituições como Prairie View, especialmente para os tipos de estudantes que atendemos.”

Tony Munroe, diretor do Colégio Comunitário do Distrito de Manhattan, instituição frequentada predominantemente por negros e hispânicos no sul de Manhattan (Nova York), que recebeu US$ 30 milhões (R$ 153 milhões) de Scott, lembrou que não foi necessário se inscrever para a doação. Ele simplesmente foi contatado por um representante de Scott, que o envolveu em conversas de sondagem sobre a missão de sua faculdade.

“Quando me contaram quem era a doadora e a quantia, me emocionei. Literalmente comecei a chorar”, disse Munroe.

Outra escola do sistema de Cidade Universitária de Nova York, o Lehman College, também recebeu US$ 30 milhões.

“Acho que ela está fazendo uma declaração muito clara: as comunidades a que essas instituições servem orgulhosamente são as que não têm muitos meios, mas têm o desejo; elas têm a garra, a energia”, disse ele.

A Universidade Estadual Morgan, em Baltimore, tradicionalmente negra, disse que a doação de US$ 40 milhões (R$ 204 milhões) feita por Scott, a maior de um único doador em sua história, dobrará seu fundo patrimonial.

A Faculdade Técnica e Comunitária do Oeste do Kentucky, em Paducah, disse que usará sua doação de US$ 15 milhões (R$ 76 milhões) —também a maior feita por um só doador— para ajudar adultos e estudantes rurais em más condições econômicas a se prepararem para o mercado de trabalho.

Simmons disse que a Prairie View A&M, com cerca de 9.000 alunos, está usando US$ 10 milhões (R$ 51 milhões) de sua doação para criar o Programa de Bolsas Sucesso da Pantera, para ajudar jovens e adultos que tiveram dificuldades financeiras com a pandemia a pagar suas contas da faculdade.

O resto do dinheiro será alocado ao fundo da universidade, aumentando-o de US$ 95 milhões para US$ 130 milhões (R$ 663 milhões), que sustentará coisas como recrutamento de professores e bolsas de graduação.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

Pinterest faz acordo de US$ 22,5 mi para resolver processo por discriminação de gênero

O processo foi movido por Françoise Brougher, ex-chefe de operações do Pinterest, que disse ter sido demitida após se pronunciar sobre como era tratada na empresa
Por Erin Griffith – The New York Times

Françoise Brougher, ex-chefe de operações do Pinterest, que disse ter sido demitida após se pronunciar sobre como era tratada na empresa

SÃO FRANCISCO – Na segunda-feira, 14, o Pinterest concordou em pagar US$ 22,5 milhões para resolver um processo de discriminação de gênero e retaliação movido por Françoise Brougher, sua ex-chefe de operações. É um dos maiores acordos individuais por discriminação de gênero já revelados publicamente .

Como parte do acordo, Pinterest e Françoise disseram que planejavam doar conjuntamente US$ 2,5 milhões para instituições de caridade que apoiam mulheres e minorias sub-representadas no setor de tecnologia com foco em educação, financiamento e defesa. As doações devem ser concluídas até o final do ano.

“Estou feliz pelo Pinterest ter levado isso muito a sério”, disse Françoise em uma entrevista. “Espero que seja o primeiro passo para criar um ambiente de trabalho melhor por lá.”

O acordo pode sinalizar uma mudança na forma como o Vale do Silício lida com esses processos. No passado, as empresas de tecnologia costumavam reagir, como quando a firma de capital de risco Kleiner Perkins Caufield & Byers contestou uma ação movida por uma de suas ex-investidoras, Ellen Pao, em 2012 – ela perdeu o caso. As empresas de tecnologia também têm resolvido esses processos confidencialmente.

Françoise está entre as mais proeminentes executivas de tecnologia a entrar com um processo de discriminação de gênero contra um ex-empregador. Em julho, Emily Kramer, ex-vice-presidente de marketing da Carta, processou a startup de tecnologia financeira por discriminação e retaliação. A Carta contestou as acusações.

David Lowe, advogado de Françoise disse que o acordo com o Pinterest foi importante por causa de seu tamanho, seu componente de caridade e seu anúncio público. Os veredictos de julgamento e acordos privados para casos de discriminação podem ser maiores do que os de Françoise, disse ele, mas os veredictos de julgamento podem ser apelados e resolvidos por valores menores, enquanto os acordos privados não responsabilizam as empresas da mesma forma. O acordo fornece uma compensação parcial pela perda de renda de Françoise, disse ele.

“Meu intuito era quanto a responsabilidade e mudança de conduta”, disse Françoise. “Compartilhar o acordo publicamente ajuda a aumentar a conscientização de forma mais ampla.”

O Pinterest, uma empresa de compartilhamento de imagens que servem de inspiração, está sob escrutínio há meses a respeito de como lida com seus funcionários. Em junho, duas funcionárias que haviam se demitido recentemente, Ifeoma Ozoma e Aerica Shimizu Banks, levaram à público suas experiências com comentários racistas e machistas, iniquidades de pagamento e retaliação na empresa. Outros relatos quanto a questões organizacionais no Pinterest deram mais força às suas denúncias.

Em agosto, Françoise processou o Pinterest no Tribunal Superior de São Francisco por tratamento machista. Ela ingressou na empresa em 2018 como diretora de operações e era responsável pela receita da empresa, com cerca de metade dos 2 mil funcionários subordinados a ela.

Mas, embora fosse uma executiva de alto escalão, disse Françoise, ela foi deixada de fora de reuniões importantes, recebia feedbacks distorcidos e ganhava menos do que seus colegas homens. Ela disse que foi dispensada em abril, depois de falar publicamente a respeito do tratamento dado a ela.

Junto com o processo, ela publicou um texto em um blog intitulado “The Pinterest Paradox: Cupcakes and Toxicity” [O paradoxo do Pinterest: cupcakes e toxicidade, em tradução livre], descrevendo sua experiência. Ela disse que a postagem gerou um grande apoio e relatos semelhantes de outras mulheres executivas do setor de tecnologia.

Naquela semana, mais de 200 funcionários do Pinterest apoiaram virtualmente Françoise, Ifeoma e Aerica e protestaram contra a cultura e as políticas do Pinterest. Logo depois, o Pinterest também foi atingido por ações judiciais de acionistas.

Em resposta, o Pinterest abriu uma investigação sobre sua cultura organizacional, cujos resultados não foram divulgados. Ela levou a inclusão de dois novos integrantes ao conselho de diretores, Andrea Wishom e Salaam Coleman Smith, duas executivas de mídia proeminentes que são negras e mulheres. O diretor financeiro do Pinterest, Todd Morgenfeld, que foi denunciado no processo de Françoise por comportamento discriminatório, continua na empresa.

Ela disse que estava animada pelas ações recentes do Pinterest em abordar sua cultura organizacional, incluindo a inclusão das duas novas participantes do conselho. Françoise disse que esperava que o Pinterest fizesse mais do que apenas colocá-las em seu conselho e “também ouvisse suas ideias”.

Ela acrescentou que a discriminação contra mulheres executivas seria resolvida apenas quando as mulheres “fossem mais a norma do que a exceção” em cargos executivos. Este ano, o número de empresas da Fortune 500 com CEOs do sexo feminino atingiu um recorde de 37, ou 7%.

“Quero que mais mulheres tenham voz”, disse Françoise, “mas, mais importante, quero mais mulheres na diretoria”. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Autora Cecily von Ziegesar de ‘Gossip Girl’ está preparada para encarar um público mais adulto

‘Cobble Hill’ tem uma pegada mais madura do que a obra mais famosa de Cecily von Ziegesar, mas ainda há espaço para o drama
Alisha Haridasani Gupta, The New York Times – Life/Style

Cecily von Ziegesar no Brooklyn, bairro onde se passa seu novo romance, Cobble Hill. Foto: Tonje Thilesen/The New York Times

A inspiração para o último romance de Cecily von Ziegesar? Piolhos.

Cerca de oito anos atrás, quando seus dois filhos estavam no ensino fundamental no Brooklyn, ela não conseguia afastar a ideia de que o cabelo deles, e o dela, estavam infestados desses insetos hematófagos. “Eu ia até a enfermeira e dizia: ‘Você pode olhar minha cabeça?’ Eu penteava o cabelo dos meus filhos toda noite. Ouvi dizer que passar maionese no cabelo e enrolar a cabeça com filme plástico afoga os piolhos, de modo que eu fazia isso no meu cabelo todo dia”, disse von Ziegesar em uma entrevista.

Um encontro semelhante com piolhos dá início a seu livro, Cobble Hill, exceto pelo fato que, em vez de uma mãe com dois filhos tendo um esgotamento emocional, é Stuart Little, uma estrela do rock cuja esposa Mandy, logo se revela, finge ter esclerose múltipla para ficar na cama e fugir de seus deveres familiares, como deixar as crianças na escola e pagar impostos.

Se esse comportamento parece maniacamente egocêntrico, é o tipo de personagem em que von Ziegesar, a autora da série best-seller para jovens adultos Gossip Girl, se especializou – e que defende quando necessário. “Adoro Mandy. Eu a admiro por ter a coragem de agir, tipo: ‘Isso é o que preciso fazer agora'”, afirmou a autora, com um tom carinhoso em sua voz.

Chame-se isso de coragem ou egoísmo, ou egoísmo corajoso, esses traços podem ser encontrados na maioria de suas personagens femininas, observou von Ziegesar, desde a intrigante Blair Waldorf e os traidores que a cercaram em “Gossip Girl” até as quatro personagens femininas de Cobble Hill. Além de Mandy, há uma britânica expatriada trabalhando em uma revista no estilo Condé Nast, uma enfermeira do ensino médio apaixonada pelo pai de um aluno e por um artista ambíguo. “Eu não queria que elas fossem personagens que você ama odiar”, comentou von Ziegesar.

Essas mulheres e sua família se sentem como as personagens que as fãs adolescentes de Gossip Girl podem ter se tornado. Afinal, desde que seu primeiro livro foi lançado, em 2002, e a adaptação para a televisão começou a ser exibida em 2007, essas fãs agora estão atingindo a idade adulta, considerando mudanças de carreira, comprando casa e trocando suas inseguranças juvenis por outras mais maduras. Isso pode incluir, como é o caso dessas personagens, desistir de paixões para priorizar uma carreira insatisfatória que paga as contas, conseguir um emprego em que não sabem como atuar, mas fingem que sabem, ou aprender que talvez não amem tanto seu cônjuge como costumavam amar – tudo isso enquanto sofrem com o que as pessoas pensam delas.

“Eu não poderia escrever os livros Gossip Girl agora, mas não poderia ter escrito Cobble Hill antes. Espero ter progredido como escritora”, disse von Ziegesar, de 50 anos.

Ela própria é um produto do mundo do Upper East Side, onde Gossip Girl se passa: embora tenha crescido no Upper West Side, frequentou a escola no primeiro bairro e lá teve “pequenas experiências divertidas, como virar a esquina da escola e ir para a casa de um amigo – eu tinha alguns amigos cujos pais eram um pouco relutantes em deixá-los vir à minha casa”, lembrou.

A ideia de Gossip Girl surgiu quando von Ziegesar era editora da empresa de livros por encomenda Alloy Entertainment, agora uma divisão do Warner Bros. Television Group. Na época, o mercado de livros para jovens adultos estava cheio de séries como Aí Galera, que apresentava locações inventadas. “Aquilo era muito estranho para mim. Por que não escrever sobre um lugar real? Acontece que o lugar real que conheci foi o Upper East Side”, comentou.

O número preciso de exemplares vendidos de Gossip Girl é difícil de obter porque o primeiro da série chegou antes que o rastreamento fosse disponibilizado, mas algumas estimativas sugerem que vendeu mais de quatro milhões de cópias. A série de TV durou seis temporadas e ajudou a transformar membros do elenco em celebridades, como Blake Lively, Leighton Meester, Penn Badgley e Ed Westwick. Um reboot no HBO Max está em andamento.

Em 2002, quando o livro de estreia de von Ziegesar foi lançado, ela teve seu primeiro filho. Quando a série de TV estava chegando ao fim, em 2012, tinha dois filhos com idade suficiente para estarem ligados no tema. “Assistíamos ao programa juntos como uma família. Eu me lembro de que uma vez, quando pus meu filho na cama, ele me disse: ‘Acho que não consigo dormir.’ Perguntei por que não, e ele me respondeu: ‘Estou muito preocupado com o Chuck'”, contou ela no quarto recentemente desocupado de sua filha, que está começando o primeiro ano na faculdade.

A lente voyeurística que von Ziegesar aplicou a habitantes do antigo Upper East Side, explorando a tensão entre sua vida interior nervosa e a aparência exterior perfeita, foi o que ela procurou trazer para Cobble Hill, que leva o nome do caro bairro do Brooklyn onde ela e os personagens vivem. Só que esse livro é mais identificável, mais normal: em vez de abrir caminho para as escolas da Ivy League ou dar festas na Park Avenue, essas personagens estão tentando encontrar uma babá para que possam curtir uma noite de bebedeira em um karaokê.

“Foi corajoso e real”, disse o agente literário e autor Bill Clegg por e-mail. Ele trabalhou com von Ziegesar nas edições e nos feedbacks do livro, mas observou que não foi preciso fazer muito. “Acho que só pedi que ele fosse mais longo”, acrescentou. (Mandy, ao que parece, também é sua personagem favorita.)

Von Ziegesar publicou vários livros desde a última edição de Gossip Girl, incluindo Cum Laude, sobre alunos de uma pequena faculdade no Maine, e It Girl, um spin-off de Gossip Girl cuja modelo na capa era a jovem Hope Hicks, agora uma das conselheiras do presidente Donald Trump. Embora tenham usado a mesma fórmula de mergulhar nas provações e nas aflições da adolescência, não tiveram o impacto de Gossip Girl.

Cobble Hill é um ponto de partida maior para von Ziegesar. E ela mencionou que já há rumores iniciais de transformá-lo também em uma série de TV.

Nos anos em que trabalhou no livro, von Ziegesar – que admitiu que seu processo de escrita nunca foi organizado ou metódico – anotava flashes de inspiração, ideias e eventos da vida real em post-its que ela espalhava pela casa. “Ao contrário de Gossip Girl, que era uma série da qual eu fazia dois livros por ano, isso realmente é o ápice de muitas coisas. Trabalhei nesse livro muito esporadicamente por um longo tempo”, declarou ela. Neste ano, enquanto limpava um de seus armários, von Ziegesar encontrou uma caixa de post-its antigos. “Dei uma olhada e disse ao meu marido: ‘Ah, meu Deus, tudo entrou no livro'”, concluiu a escritora.