Novo disco ‘Evermore’ de Taylor Swift merece respeito, mas não é espetacular

‘Evermore’, com participações de Bon Iver e Haim, é mais um lançamento da cantora a deixar seu passado pop mais distante
Jon Pareles

Foto: Beth Garrabrant

THE NEW YORK TIMES – Continuações são sempre complicadas. O original é um salto criativo; a sequência provavelmente será um avanço incremental. Até agora, Taylor Swift vinha trocando de colaboradores e desenvolvendo novas sonoridades a cada disco. Mas ela classifica “Evermore”, seu nono álbum, lançado de surpresa, como “irmão” de “Folklore”, que saiu há quatro meses.

Ela continuou a compor com o grupo de produtores e músicos que trabalhou com ela em “Folklore” —principalmente Aaron Dessner, do The National, que toca a maior parte dos instrumentos e colaborou
em 14 das 15 canções. O namorado de Swift, o ator Joe Alwyn, participou de três canções, sob o pseudônimo William Bowery; Jack Antonoff, que compôs com Swift em “Folklore”, participou de duas faixas.

“Evermore” se apega à sonoridade acústica minimalista de “Folklore”, com um piano caseiro e padrões de guitarra imperturbáveis. Swift e Dessner convidaram novos músicos para participar dos arranjos orquestrais miniaturizados de Bryce Dessner, também de The National, mas, durante a maior parte de “Evermore”, Swift é ainda mais introspectiva, abandonando seu passado pop mais do que havia feito em “Folklore” e derivando para um cuidado artesanal elegante e cerebra

Em “Folklore”, Swift decidiu que podia deixar de lado as composições autobiográficas e contar histórias sobre outras pessoas que não ela.

“Evermore” apresenta novos estudos sobre personagens, novos papéis a assumir, quando ela canta sobre infidelidade, sobre trapaças, e até sobre homicídio. “Ivy”, composta com Aaron Dessner e Antonoff, é uma canção com traços folk e estrutura complicada, sobre o caso secreto de uma mulher casada, envolta em trilhas de banjo e violão dedilhado, enquanto a cantora fala sobre a tentação que a dilacera. “Seu toque criou um brilho incandescente/ maculado mas ainda assim grandioso.”

Em “’Tis the Damn Season”, a cantora visita sua cidade natal na época das festas e propõe uma aventura de final de semana a alguém que ela deixou para trás. Em “Champagne Problems”, a narradora recusa
uma proposta sincera. A canção é um suspiro elaborado e prolongado, abrindo com um piano rústico que se emaranha a dedilhados de guitarra e um coro de “aahs”.

Swift se diverte mais com “No Body, No Crime”, com a companhia de duas das irmãs do grupo Haim, Este e Danielle Haim, em uma canção sobre infidelidade, vingança e homicídios não resolvidos, tudo isso com o estímulo de uma harmônica rural.

As mais recentes composições de Swift sobre rompimentos, uma de suas especialidades, buscam maturidade ao recuar um passo. Um som de órgão com algo de igreja cerca sua voz quando ela canta sobre o fim de um romance que durou sete anos, em “Happinness”, deslizando para a raiva, “espero que aquela que tome meu lugar junto a você/ seja uma bela tola”, mas ainda assim determinada a ser justa. “Haverá felicidade depois de você/ mas também houve felicidade por causa de você.

E a canção-título do disco, “Evermore”, contempla, ao som de uma linha de piano serena, o quanto ela costumava acreditar que “essa dor duraria para sempre”.

A cantora continua capaz de reclamar, como faz em “Closure”. Com uma percussão insistente e rangidos eletrônicos ecoando por trás de sua voz, ela se recusa a dar a um ex a satisfação de fingir que a separação entre eles foi amigável. Mesmo que já faça “muito tempo”, ela rosna, “não me trate como uma situação que precisa ser administrada/ estou muito feliz com meu desdém e minhas lágrimas”. É um vislumbre do que Swift talvez chame de “a velha Taylor”, sempre envolvida em combate emocional pesado.

“Closure” tem uma assinatura de tempo incomum, o mesmo vale para “Tolerate It”, na qual a personagem de Swift é uma mulher que dedica seu melhor a alguém que pouco aprecia o que ela faz.

Os dois casos representam exemplos dos toques de refinamento musical do disco, em companhia do dedilhado entrelaçado das guitarras em “Willow” e do som eletrônico reluzente e cordas furtivas em “Marjorie” (um carinhoso tributo à avó da cantora).

Os detalhes sônicos de “Evermore” são radiantes e meticulosos; as composições são cuidadosas e refletidas. É um disco que merece respeito. Mas, com todas as suas construções e conceitos, o disco mantém uma certa distância emocional.

Tradução de Paulo Migliacci

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