Pinterest faz acordo de US$ 22,5 mi para resolver processo por discriminação de gênero

O processo foi movido por Françoise Brougher, ex-chefe de operações do Pinterest, que disse ter sido demitida após se pronunciar sobre como era tratada na empresa
Por Erin Griffith – The New York Times

Françoise Brougher, ex-chefe de operações do Pinterest, que disse ter sido demitida após se pronunciar sobre como era tratada na empresa

SÃO FRANCISCO – Na segunda-feira, 14, o Pinterest concordou em pagar US$ 22,5 milhões para resolver um processo de discriminação de gênero e retaliação movido por Françoise Brougher, sua ex-chefe de operações. É um dos maiores acordos individuais por discriminação de gênero já revelados publicamente .

Como parte do acordo, Pinterest e Françoise disseram que planejavam doar conjuntamente US$ 2,5 milhões para instituições de caridade que apoiam mulheres e minorias sub-representadas no setor de tecnologia com foco em educação, financiamento e defesa. As doações devem ser concluídas até o final do ano.

“Estou feliz pelo Pinterest ter levado isso muito a sério”, disse Françoise em uma entrevista. “Espero que seja o primeiro passo para criar um ambiente de trabalho melhor por lá.”

O acordo pode sinalizar uma mudança na forma como o Vale do Silício lida com esses processos. No passado, as empresas de tecnologia costumavam reagir, como quando a firma de capital de risco Kleiner Perkins Caufield & Byers contestou uma ação movida por uma de suas ex-investidoras, Ellen Pao, em 2012 – ela perdeu o caso. As empresas de tecnologia também têm resolvido esses processos confidencialmente.

Françoise está entre as mais proeminentes executivas de tecnologia a entrar com um processo de discriminação de gênero contra um ex-empregador. Em julho, Emily Kramer, ex-vice-presidente de marketing da Carta, processou a startup de tecnologia financeira por discriminação e retaliação. A Carta contestou as acusações.

David Lowe, advogado de Françoise disse que o acordo com o Pinterest foi importante por causa de seu tamanho, seu componente de caridade e seu anúncio público. Os veredictos de julgamento e acordos privados para casos de discriminação podem ser maiores do que os de Françoise, disse ele, mas os veredictos de julgamento podem ser apelados e resolvidos por valores menores, enquanto os acordos privados não responsabilizam as empresas da mesma forma. O acordo fornece uma compensação parcial pela perda de renda de Françoise, disse ele.

“Meu intuito era quanto a responsabilidade e mudança de conduta”, disse Françoise. “Compartilhar o acordo publicamente ajuda a aumentar a conscientização de forma mais ampla.”

O Pinterest, uma empresa de compartilhamento de imagens que servem de inspiração, está sob escrutínio há meses a respeito de como lida com seus funcionários. Em junho, duas funcionárias que haviam se demitido recentemente, Ifeoma Ozoma e Aerica Shimizu Banks, levaram à público suas experiências com comentários racistas e machistas, iniquidades de pagamento e retaliação na empresa. Outros relatos quanto a questões organizacionais no Pinterest deram mais força às suas denúncias.

Em agosto, Françoise processou o Pinterest no Tribunal Superior de São Francisco por tratamento machista. Ela ingressou na empresa em 2018 como diretora de operações e era responsável pela receita da empresa, com cerca de metade dos 2 mil funcionários subordinados a ela.

Mas, embora fosse uma executiva de alto escalão, disse Françoise, ela foi deixada de fora de reuniões importantes, recebia feedbacks distorcidos e ganhava menos do que seus colegas homens. Ela disse que foi dispensada em abril, depois de falar publicamente a respeito do tratamento dado a ela.

Junto com o processo, ela publicou um texto em um blog intitulado “The Pinterest Paradox: Cupcakes and Toxicity” [O paradoxo do Pinterest: cupcakes e toxicidade, em tradução livre], descrevendo sua experiência. Ela disse que a postagem gerou um grande apoio e relatos semelhantes de outras mulheres executivas do setor de tecnologia.

Naquela semana, mais de 200 funcionários do Pinterest apoiaram virtualmente Françoise, Ifeoma e Aerica e protestaram contra a cultura e as políticas do Pinterest. Logo depois, o Pinterest também foi atingido por ações judiciais de acionistas.

Em resposta, o Pinterest abriu uma investigação sobre sua cultura organizacional, cujos resultados não foram divulgados. Ela levou a inclusão de dois novos integrantes ao conselho de diretores, Andrea Wishom e Salaam Coleman Smith, duas executivas de mídia proeminentes que são negras e mulheres. O diretor financeiro do Pinterest, Todd Morgenfeld, que foi denunciado no processo de Françoise por comportamento discriminatório, continua na empresa.

Ela disse que estava animada pelas ações recentes do Pinterest em abordar sua cultura organizacional, incluindo a inclusão das duas novas participantes do conselho. Françoise disse que esperava que o Pinterest fizesse mais do que apenas colocá-las em seu conselho e “também ouvisse suas ideias”.

Ela acrescentou que a discriminação contra mulheres executivas seria resolvida apenas quando as mulheres “fossem mais a norma do que a exceção” em cargos executivos. Este ano, o número de empresas da Fortune 500 com CEOs do sexo feminino atingiu um recorde de 37, ou 7%.

“Quero que mais mulheres tenham voz”, disse Françoise, “mas, mais importante, quero mais mulheres na diretoria”. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.