Comprar roupas novas, enviar e-mails, assistir Netflix… 6 atividades surpreendentes que aumentam sua pegada de carbono

Ficar em casa não significa que nossas emissões individuais de CO2 caíram a zero, mas quais são as práticas do nosso dia a dia que contribuem para as mudanças climáticas? Descubra abaixo
EMILY CHAN – VOGUE INTERNACIONAL

Enviar e-mails, assistir Netflix: 6 atividades surpreendentes que aumentam sua pegada de carbono – e como reduzir seu impacto (Foto: Getty Images)

Todos nós sabemos que voar de avião é ruim para nossa pegada de carbono – mas o que dizer de todas as séries da Netflix que assistimos enquanto estamos confinados? Cada vez mais, pesquisas mostram que nossos hábitos digitais também estão contribuindo para a crise climática, devido aos enormes centros de dados e servidores que alimentam a internet. Na verdade, o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) é responsável por 2% das emissões globais de gases de efeito estufa, de acordo com a UNFCCC – o que o torna tão prejudicial quanto a indústria da aviação.

O streaming é um fator importante, com um estudo descobrindo que cinco bilhões de reproduções do clipe de Despacito de 2017 usaram tanta eletricidade quanto cinco países africanos juntos em um único ano. “Muitas pessoas não estão cientes dos impactos ambientais do streaming”, disse Beth Webb, apresentadora do documentário Dirty Streaming: The Internet’s Big Secret. “Trata-se realmente de compreender como a Internet funciona em termos de energia [e] como é consumi-la ambientalmente em vários estágios.”

Mas usar a Internet, não é de forma alguma a única atividade diária que surpreendentemente contribui para nossa pegada de carbono. Aqui listamos outras seis  – e maneiras para reduzir este impacto.

1. Enviar e-mails
Pegada de carbono: 0.004kg por e-mail

Enviar e-mail é uma parte importante de todas as nossas vidas, mas você já considerou o impacto de todas as trocas desnecessárias que fazemos no dia a dia? De acordo com o professor Mike Berners-Lee, um e-mail comum gasta 4g de CO2 para ser produzido, enquanto um com um anexo grande tem uma pegada de até 50g, devido à eletricidade necessária para enviar, receber e armazenar seus e-mails. Pode não parecer muito, mas considerando todos os e-mails que enviamos globalmente, isso vai acumulando.

O que podemos fazer? Um estudo recente da empresa de energia OVO sugeriu que, se cada adulto no Reino Unido enviasse um e-mail de agradecimento a menos, economizaria cerca de 16.500 toneladas de carbono por ano.

2. Assistir Netflix
Pegada de carbono: 0.42kg assistindo por uma hora

Acompanhar séries no Netflix é a atividade definitiva de quarentena, mas ela também contribui para sua pegada de carbono. Um estudo sugere que 420g de CO2 são emitidos por cada hora gasta assistindo filmes em plataformas de streaming online. A Netflix revelou em fevereiro que seu consumo global de energia aumentou 84% em 2019.

O que podemos fazer? Assistir em definição padrão, em vez de alta definição – que consome até cinco vezes mais energia – é uma maneira fácil de diminuir nosso impacto individual. A própria Netflix já disse em março que está reduzindo sua qualidade de vídeo na Europa para reduzir a pressão sobre os provedores de internet durante a pandemia do coronavírus. Não deixar suas séries favoritas rodando em segundo plano é outra maneira de reduzir sua pegada.

3. Comer queijo
Pegado de carbono: até 6.75kg por um pedaço de 500g de queijo

A maioria de nós está ciente do impacto ambiental de comer carne, mas a produção de laticínios também leva a emissões significativas de carbono. O queijo é um excelente exemplo disso, produzindo entre 8,8 kg a 13,5 kg de CO2 por quilo – isso é mais do que o frango, que tem uma pegada de 6,9 kg por quilo.

O que podemos fazer? Além de reduzir drasticamente o consumo de queijo, outra maneira de reduzir o impacto de seu hábito de comer laticínios é optar por um queijo com menos gordura e menos denso, como mussarela ou ricota.

4. Comprar roupas
Pegada de carbono: 33.4kg por um par de jeans, ou 15kg por uma camiseta de algodão

Com a indústria da moda contribuindo com cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, é claro que precisamos pensar em nossas roupas ao reduzir nosso impacto ambiental. A produção de tecidos e os cuidados do consumidor (lavagem) são os principais contribuintes para a pegada de carbono geral das roupas: um par de jeans Levi’s pode levar à emissão de até 33,4 kg de CO2 ao longo de sua vida útil, por exemplo, enquanto uma camiseta de algodão pode fazer emissões de 15kg.

O que podemos fazer? Todos nós devemos considerar lavar menos nossas roupas, bem como comprar menos roupas. Enquanto isso, estender suas vidas úteis por apenas nove meses pode reduzir a pegada de carbono delas em cerca de 20 a 30%, de acordo com a WRAP – isso significa que optar por roupas vintage e de segunda mão também é uma escolha mais consciente.

5. Usar água quente
Pegada de carbono: 875kg por domicílio em um ano

Economizar água não é apenas conservar H2O; o consumo de água também leva a altas emissões de CO2, devido à energia necessária para fornecer, tratar e usar a água. Um estudo da River Network estimou que 5% do total das emissões de carbono dos EUA vêm do uso da água, enquanto um relatório feito pelo Energy Saving Trust sugeriu que o uso de água quente produz 875kg de CO2 por domicílio anualmente.

O que podemos fazer? Para economizar água e energia, podemos reduzir a duração de nossos banhos (o maior uso de água em nossas residências), lavar nossas roupas a 30°C (que pode economizar até 40% de eletricidade ao longo de um ano em comparação a temperaturas mais elevadas, de acordo com o Energy Saving Trust), e encher nossas máquinas de lavar roupas e louça até a capacidade máxima.

6. Lixo doméstico
Pegada de carbono: 313kg por domicílio em um ano

Você sabia que toda vez que joga fora seu lixo, está aumentando sua pegada de carbono? Isso se deve à energia necessária para produzir esses itens, bem como às emissões de gases de efeito estufa que são produzidas quando os resíduos vão para aterros sanitários e incineradores.

O que podemos fazer? O desperdício de alimentos é o maior contribuinte para as emissões de lixo doméstico, o que significa que é crucial evitar a compra a granel durante a atual pandemia e adubar quaisquer sobras de alimento. A reciclagem também pode gerar uma enorme economia de CO2, especialmente para materiais como alumínio e plástico. De acordo com a EPA, os EUA eliminaram 181 milhões de toneladas de CO2 vindos do lixo doméstico em 2014 simplesmente por adubagem e reciclagem – isso é o equivalente a tirar 38 milhões de carros das estradas.

男体盛り Nantaimori

Photographer Hengyi Liang re-creates the Nantaimori (男体盛り) for the FW20-21 “FOOD” issue of Fucking Young! magazine.

Nantaimori é a prática de servir sashimi ou sushi no corpo (geralmente nu) de um homem. Models Niko Xu, Chen Xu, Jiyuan Liang, Hang Yu, and Cunxiao Wang, são os convidados deste jantar especial.

Get your copy of Fucking Young! “FOOD” issue HERE and discover this cover-story and many other delicious recipes.

SoulTrain – Sergio at Two Management shot and styled by Juan de los Mares

Sergio at Two Management shot and styled by Juan de los Mares, in exclusive for Fucking Young! Online.

Assistant & Production: Hans Muller
BRANDS: Pablo Erroz, Playa de Anza, Javier Amaris, Arket.
Special thanks: Blend Showroom, Pep Perez, Estudi Trenta Nou

Omar Sesay By Joseph Sinclair for Fucking Young! Online

Omar Sesay at PRM Model Agency London captured by the lens of Joseph Sinclair and styled with pieces from Prada, in exclusive for Fucking Young! Online.

Fashion Editor: Chidozie Obasi @chido.obasi
Grooming: Nadia Altinbas @nadiaaltinbas
Editorial Coordinator: Gabriel Annouka @whatgabriel
Talent: Omar Sesay @sesay_omar at PRM Model Agency London @prm_agency
Total looks: Prada Fall/Winter 2020

Terceiro filme de Mulher-Maravilha é oficializado pela Warner

Gal Gadot e Patty Jenkins retornarão
NICOLAOS GARÓFALO

Warner Bros.’ ‘Mulher-Maravilha 1984’ vai estrear na HBO Max e nos cinemas em 25 dezembro nos EUA.  |   Warner Bros. Entertainment

Após anunciar que Mulher-Maravilha 1984 arrecadou US$ 16,7 milhões em seu primeiro final de semana em cartaz nos Estados Unidos – maior valor durante a pandemia -, a Warner oficializou o retorno de Gal Gadot e da diretora Patty Jenkins para um terceiro filme. O anúncio foi feito pelo presidente do estúdio Toby Emmerich em um comunicado oficial. De acordo com o produtor, o próximo filme deve encerrar a história da heroína planejada pela cineasta e pelo estúdio (via THR).

“Enquanto fãs ao redor do mundo continuam abraçando Diana Prince e ajudando a forte estreia de Mulher-Maravilha 1984, estamos contentes de poder continuar esta história com nossas Mulheres-Maravilha da vida real – Gal e Patty – que retornarão para concluir nossa há muito planejada trilogia cinematográfica”.


Mulher-Maravilha 1984 conta com o retorno da diretora Patty Jenkins, Gal Gadot e Chris Pine, mas também inclui Pedro Pascal e Kristen Wiig como nova dupla de vilões.

O longa já está em cartaz nos cinemas brasileiros. Lá fora, o filme passa nas telonas e também no streaming HBO Max, ainda indisponível na América Latina.

Pandemia acelera inovações tecnológicas e muda forma de consumo de moradores

Google registra aumento de buscas sobre imóveis, com foco em espaço interno; plataforma Apto aponta que metade dos clientes quer apartamento com 2 dormitórios; veja o que mais foi destaque em 2020
Vanderson Pimentel

Apartamento compacto, estilo coliving, da incorporadora Yuca, no centro de São Paulo. Foto: Divulgação

A frase “fica em casa”, a mais emblemática durante a pandemia do novo coronavírus, mexeu de diversas maneiras com a sociedade e principalmente com o setor de imóveis. Em 2020, condomínios novos e antigos tiveram de se reinventar para atender as demandas de moradores, que passaram a maior parte dos dias em suas casas, tendo de readaptá-las ao “novo normal” ou procurar novas moradias que melhor satisfizessem seus desejos.

Segundo dados levantados pelo Google em dezembro deste ano, o volume de pesquisas sobre imóveis foi 32% maior em novembro de 2020 se comparado ao mesmo mês em 2019. Também entre os dois períodos, 2020 teve aumento nas procuras de imóveis tanto por aluguel (+70%) como por compra/venda (+62%).

A pesquisa do Google ainda mostra que 29% dos internautas planejam se mudar no próximo ano, sendo que para 43% dos entrevistados fatores como vista, ventilação e espaço interno são as coisas mais importantes para se ter nos condomínios.

procura por maior espaço também é vista nos lançamentos de 2020 em São Paulo. Pesquisa encomendada pelo Apto, marketplace de imóveis novos, mostra que 49% das pessoas estão procurando imóveis com 2 dormitórios, 12% com 3 dormitórios, e 4% estão atrás de lugar com 1, 4 ou mais dormitórios.

CEO da Apto, Alex Frachetta apontou que a alta foi impactada diretamente pelo fato das pessoas não saírem de casa. “O que se observa é a possibilidade de transformar o segundo dormitório em um espaço de home office, já que provavelmente essa prática permanecerá como uma tendência em muitas empresas.”

Ele também apontou outras novidades para os próximos anos. “Muitas construtoras investirão em implementações com mais áreas verdes e funcionalidades do tipo pay-per-use, que permitem aos moradores o acesso a diversos estabelecimentos como lavanderia, limpeza, lavagem de carros, supermercado e outras facilidades dentro do condomínio. São pequenas adaptações que começaram de maneira tímida, mas que ganharam força com o isolamento social e a obrigação de permanecer em casa.”

Veja o que mais foi destaque ao longo do ano no mercado da moradia.

Foco em espaços comuns

O excesso de solidão gerou uma alta de imóveis mais práticos. O coliving, que consiste em quartos ou apartamentos compactos e o restante dos outros ambientes compartilhados com outros moradores, teve uma queda no início da pandemia, mas logo se recuperou.

Baseada em pesquisas do Instituto de Pesquisas Sociais Políticas e Econômicas (Ipespe), que apontam que 63% das pessoas admitem morar de aluguel com contrato flexível em vez de comprar um imóvel, e 82% dos jovens que têm entre 16 e 24 anos não querem mais financiar a casa própria, condomínios também oferecem moradias por assinatura, com contratos digitalizados e sem fiador, além de manutenção, lavanderia pay per use e coworking, em empreendimentos 100% voltados para a locação.

Condomínios mais luxuosos também aproveitaram a mudança para oferecer novas atividades de entretenimento. Enquanto o Parque Global, em Pinheiros, conta agora com piscina privativa para reuniões no estilo “pool party”, wine bar e pista de boliche e simulador virtual de golfe, a incorporadora Yuny tem quadras de squash, sala de pilates e até uma sky station.

Algumas incorporadoras já oferecem condomínios que, além de contarem com as áreas de lazer mais tradicionais, também possuem espaços para produção de games, lives e conteúdo para internet e redes sociais.

Outra novidade que visa a praticidade é a implementação de minimercados nos prédios, em que as startups criam uma relação de confiança com os moradores, já que o serviço é realizado com autoatendimento.

Prioridade zero: digital

A digitalização geral do mercado foi outra mudança impulsionada pela pandemia. O crescimento de 47% dos e-commerces no primeiro semestre de 2020 fez com que as incorporadoras agilizassem a implementação de salas de delivery.

Levando em conta que em prédios antigos o volume de encomendas chegou a ser 70% maior em tempos de covid-19, a tendência é que as áreas físicas exclusivas para entregas siga crescendo.

serviço de arquitetura também ganhou fôlego. De acordo com a GetNinjas, a procura por profissionais do segmento subiu 112% entre março e maio de 2020, em comparação ao mesmo período do ano passado. Dentre as principais demandas, cresceu o desejo por uma área reservada para o trabalho remoto (70%) e há a intenção de maior utilização da cozinha (46%), segundo pesquisa da startup Loft, especializada no setor imobiliário.

A mudança fez também com que o investimento em fotógrafos e videomakers se intensificasse, para evidenciar os atributos de forma digital. Além de imobiliárias mostrarem seus produtos imobiliários por meio de tour virtual, construtoras também fizeram lançamentos dessa forma.

Imóveis mais amplos, fuga do centro

A necessidade de tentar se manter ativo fez com que o consumidor mirasse mais espaço. Em pesquisa da imobiliária digital QuintoAndar feita para o Estadão, a demanda por casas na rua subiu 8% e as de condomínio 20%, enquanto a busca por apartamentos e kitnetes caiu 6% e 10%, respectivamente.

O levantamento também mostrou a queda de procura de imóveis em bairros “queridinhos” como Pinheiros (-7%), Vila Mariana (-2%), Butantã (-9%), Bela Vista (-10%) e Moema (-10%), ao mesmo tempo em que Vila Andrade (19%), Tatuapé (14%), Santana (10%), Mooca (10%), Ipiranga (9%) e Perdizes (3%) tiveram aumento. Fora da capital paulista, São Caetano do Sul (66%), Diadema (56%) e Campinas (20%) registraram as maiores buscas entre maio e junho em comparação a janeiro e março deste ano.

A tendência de fuga dos centros populosos também aponta para a busca de imóveis no campo. Segundo a imobiliária Cadij, que trabalha com imóveis em Campos do Jordão, houve um aumento de 35% nas consultas de imóveis em condomínio com valor de até R$ 1,5 milhão.

Bridgerton – 1ª temporada

Nova adaptação literária da Netflix, série é um lindo romance de época, mas nem por isso tem uma trama vazia
CAMILA SOUSA

Uma verdadeira comoção tomou conta das redes sociais quando a Netflix anunciou um seriado adaptando Os Bridgertons, série literária de Julia Quinn que começou a ser publicada em 2000 com o livro O Duque e Eu. Com 9 obras ao todo, a franquia ganhou cada vez mais fãs ao longo dos anos ao contar a história da família do título e sua jornada pela sociedade aristocrática inglesa. Engana-se, porém, quem pensa que todo esse sucesso se deve somente às roupas de época e romances aterradores. Junto a tudo isso, Bridgerton tem várias camadas de discussões importantes que, felizmente, estão na série da Netflix.

Vale dizer o quanto a produção é um grande passo para o próprio serviço de streaming. Em uma época com cada vez mais plataformas disponíveis, é uma vitória para a Netflix ter os direitos de Bridgerton, entregando aos fãs um grande investimento em figurinos, cenários, fotografia, etc. Assim como acontece em The Crown, essa é uma oportunidade para a empresa mostrar seu potencial não somente como streaming, mas também como produtora.

Falando sobre a série em si, é curioso como Bridgerton se separa claramente em duas fases ainda na primeira temporada, uma decisão que pode parecer estranha, mas foi acertada. O começo é focado na apresentação de Daphne Bridgerton (Phoebe Dynevor) à sociedade e seus primeiros passos para conseguir um bom casamento. Mas, ainda que a rede de intrigas e fofocas na aristocracia tenha seu charme, essa fórmula já começa a ficar cansativa no terceiro episódio. Ciente disso, o showrunner Chris Van Dusen (Grey’s Anatomy) encerra este arco narrativo na metade da temporada e começa um novo, com Daphne e o Duque de Hastings (Regé-Jean Page) em uma nova jornada. Tal decisão traz um respiro para a história e a segunda fase abre brechas para discussões importantes, que vão além de romances e bailes.

Mulheres da temporada

Os homens fazem parte da história de Bridgerton, mas a história é focada principalmente em personagens femininas, que são diferentes entre si, e trazem olhares diversos sobre o que é ser uma mulher em uma sociedade extremamente patriarcal. A protagonista Daphne, por exemplo, tem o sonho de conseguir um bom casamento por amor e ter filhos. Talvez ela pareça menos interessante por ter interessantes tão “comuns” ao que se espera de uma mulher na época, mas é exatamente o fato de a subestimarmos que torna seus momentos de ascensão tão interessantes. Dentro do contexto da vida que escolheu para si, Daphne mostra força ao confrontar situações com as quais não concorda e amadurece, mostrando sororidade com uma personagem que está sofrendo sozinha simplesmente por ser mulher.

Se a protagonista já traz tantas camadas, as coadjuvantes da história tornam tudo ainda mais interessante. Eloise Bridgerton (Claudia Jessie), irmã mais nova de Daphne, é completamente diferente da protagonista. Ao invés de casar e ter filhos, ela deseja estudar e, mesmo sem entender exatamente o que está fazendo, ajuda outras mulheres ao seu redor a ter voz. Violet Bridgerton (Ruth Gemmell), a viúva e matriarca da família principal da história, mostra como há força no amor e é a responsável por conduzir os filhos e filhas à idade adulta. Já a Lady Danbury (Adjoa Andoh) mostra a importância de lutar pelo que acredita, mesmo diante da teimosia e falta de afeto dos homens da época. Os exemplos são vários e a série se aproveita bem de cada trama para dar pitadas disso ao público. Nada é panfletário ou exagerado: um olhar com mais significado ou uma união para descobrir os segredos sórdidos de um pretendente ruim são suficientes para mostrar que a força de Bridgerton está nas mãos das mulheres.

Dentro desse contexto, há duas personagens que merecem um destaque especial. A primeira delas é Marina Thompson, interpretada por Ruby Barker. Trazida para a série em um contexto diferente dos livros, Marina é uma mulher negra que sofre durante quase toda a temporada e funciona como um contraponto interessante para Daphne. Enquanto a protagonista tem os privilégios de sua família, Marina se sente cada vez mais sozinha, triste e culpada. Nos episódios finais da temporada, aliás, a jovem passa por provações além do normal, em um vai e vem de notícias ruins que são de partir o coração. Marina é forte e mostra como é capaz de fazer o que for necessário por sua família, mas sempre deixando claro como sua luta será sempre maior do que a de outras mulheres.

O segundo nome é aquele que causou burburinho na internet: Lady Whistledown. Com voz original de Julie Andrews, a personagem foi comparada à Gossip Girl da série adolescente, por ser a responsável por um jornal que circula entre a alta sociedade e comenta os momentos bons e ruins dos personagens. Curiosamente, no entanto, o papel da Lady Whistledown é bem menor do que o esperado. Ainda que seu jornal movimente a trama algumas vezes durante a temporada, a maior parte dos acontecimentos importantes de Bridgerton acontece sem sua intervenção, apenas com seu comentário espirituoso como complemento. Lady Whistledown não poderia ser mais diferente da Gossip Girl e isso é positivo. Nada aqui soa como uma cópia, mas como, de fato, uma criação inédita e condizente com a época.

Ainda sem uma segunda temporada confirmada, Bridgerton encerra sua primeira temporada fechando alguns arcos importantes, deixando uma ou outra ponta solta e lidando com seu maior mistério de forma surpreendente. O romance e a sensualidade fazem parte da narrativa e agradam quem procura por uma história com essas características, mas o seriado entendeu que só isso não segura uma narrativa. Apostando acertadamente em diversas personagens femininas, a série é interessante de assistir e pode ter um longo e competente caminho pela frente, caso a Netflix decida adaptar todos os livros de Quinn.

NOTA DO CRÍTICO **** Ótimo

Photographer Mara Lazaridou for Glow Magazine with Marouso Tzaneti

Photographer: Mara Lazaridou. Fashion Stylist: Stefanos Malamas Hair and Makeup: Natasa Keramida. Model: Marouso Tzaneti.