David Roemer for Schutz Holiday 2020 Campaign with Irina Shayk

Photographer: David Roemer at Atelier Management. Fashion Stylist: Yashua Simmons at The Wall Group. Hair Artist: Harry Josh. Makeup Artist: Tatyana Makarova at Statement Artists. Manicure: Yukie Miyakawa at Walter Schupfer. Set Design: Stockton Hall at Atelier Management. Model: Irina Shayk at The Lions.

Stanislaw Boniecki for Vogue Hong Kong with Anya Lyagoshina

Photographer: Stanislaw Boniecki. Fashion Stylist: Jolene Lin. Hair Stylist: Shin Arima. Makeup Artist: Miguel Ramos. Manicurist: Shirley Cheng at See Management. Producer & Casting Director: Sheri Chiu Talent: Anya Lyagoshina at System.

2020 teve recorde de diretoras comandando filmes lucrativos, diz estudo da Universidade de San Diego

Pesquisa da Universidade de San Diego vê maior presença de cineastas na lista dos 100 filmes mais rentáveis do ano
ARTHUR ELOI

Patty Jenkins, Gal Gadot

Apesar de 2020 ter sido bastante complicado para o cinema, o ano foi recordista quando se trata da presença de diretoras na indústria. Segundo o Departamento Para Estudos de Mulheres na TV e Cinema, da Universidade de San Diego, nos EUA, 16% dos diretores que assumiram os 100 filmes lucrativos no ano são mulheres [via Variety].

Pode parecer uma porcentagem baixa, mas é um aumento significativo dos últimos anos. Em 2019, esse valor era de 12%, enquanto em 2018 as cineastas representavam meros 4% dos profissionais por trás das câmeras em filmes lucrativos. Os destaques do ano incluem nomes como Patty Jenkins por Mulher-Maravilha 1984, e Chloe Zhao por Nomadland, um dos queridinhos para brilhar na temporada de premiações de 2021.

Vale lembrar que o recorde se trata apenas de diretoras dos 100 filmes mais lucrativos de 2020. Em outras funções, mulheres representam 28% dos produtores e 21% dos produtores-executivos, um aumento de dois pontos em cada categoria em relação à 2019. Quem aumentou levemente foi a quantidade de diretoras de fotografia, que agora representam 3% dos profissionais nos filmes mais lucrativos (um ponto a mais que no ano anterior), mas também houveram quedas. As roteiristas representam 12% (uma queda de oito pontos), e as editoras, 18% (queda de cinco pontos em relação à 2019).

Por fim, o estudo também observou que filmes dirigidos por mulheres tendem a ter outras profissionais em cargos de peso. Dos longas comandados por diretoras, 53% também foram escritos por mulheres, 39% tiveram editoras, 13% tiveram trilha sonora por compositoras. Para referência, nos filmes dirigidos por homens, a porcentagem é bem menor para mulheres roteiristas (8%), editoras (18%) e compositoras (4%). Basicamente, mulheres tendem a empregar mais mulheres, enquanto homens empregam outros homens.

O estudo é conduzido pela universidade há duas décadas, e a edição de 2020 foi supervisionada pela diretora do departamento, a doutora Martha Lauzen, que comentou os resultados: “As boas notícias é que vimos dois anos consecutivos de crescimento para diretoras”, falou em comunicado. “Isso quebra um padrão histórico recente em que os números crescem em um ano e despencam no seguinte. As más notícias é que quase 80% dos filmes mais lucrativos ainda não tem uma mulher no comando.

Estilista Alexander Wang nega as acusações de assédio sexual

Denúncias contra o estilista tomaram as redes sociais após alegações de modelo britânico via TikTok.

O estilista Alexander Wang negou as acusações de assédio sexual deflagradas pelo modelo Owen Mooney em seu perfil no TikTok no início de dezembro, e endossadas por outros profissionais do meio nos últimos dias.

Em comunicado ao site Dazed, Wang afirmou ser inocente. “Nos últimos dias, tenho recebido acusações infundadas e grotescamente falsas. Essas alegações foram amplificadas injustamente por perfis das redes sociais conhecidos por publicar material difamatório de fontes não divulgadas ou anônimas, sem nenhuma evidência ou qualquer verificação de fato.”

“Ver essas mentiras sobre mim serem perpetuadas como verdades é enfurecedor”, continua Wang. “Nunca me envolvi no comportamento atroz descrito e nunca me comportaria da maneira que foi alegada. Pretendo chegar ao fundo disso e responsabilizar quem quer que seja responsável por originar essas reivindicações e disseminá-las viciosamente online.”

Descendente de tailandeses, Wang, de 37 anos, foi diretor criativo da Balenciaga entre 2012 e 2015. Hoje, continua com a grife que leva seu nome, assinando colaborações e vestindo famosas como as irmãs Gigi e Bella Hadid, Kendall Jenner e Kaia Gerber.

OWEB MOONEY ACUSA ALEXANDER WANG DE ASSÉDIO

Em dezembro, o modelo britânico Owen Mooney postou um vídeo no TikTok contando que foi assediado por um “famoso estilista” durante uma festa em 2017. Dois dias depois ele revelou, pela mesma plataforma, que se tratava de Alexander Wang, a quem chamou de “predador sexual”.

As acusações ganharam fôlego no início da última semana, quando republicadas pelos perfis do Instagram @diet_prada e @shitmodelmgmt, que endossaram as acusações com outros relatos de assédio e abuso sexual, publicados via stories. Segundo eles, os autores das denúncias preferiram permanecer anônimos.

A modelo e atriz Gia Garison também acusa Wang de assédio. Segundo ela, o estilista teria tentado abaixar sua calcinha e expor seus órgãos genitais na área VIP de uma festa da Holy Mountain em fevereiro de 2017. “Eu me lembro de estar dançando perto dele, e Wang estender a mão para puxar a parte de baixo do meu biquíni”. Ela conta que contestou a atitude do designer e se afastou, mas não fez nenhuma denúncia na época.

Segundo o jornal britânico The Guardian, um jovem chamado Nick, cujo sobrenome não desejou que fosse revelado, alegou ter sido estuprado por Wang em agosto de 2017, que teria feito sexo oral no homem enquanto ele estava inconsciente.

Outro homem, Nick Ward, que trabalha para uma construtora em Nova York, também acusou o estilista de agarrar repentinamente seu pênis em uma boate na madrugada de 10 de setembro de 2017. “Ele me agarrou, me apertou e continuou avançando pelo clube com sua comitiva como se nada tivesse acontecido”. Ainda segundo a publicação britânica, o advogado de Wang disse que ele estava em um desfile de moda até as 3 da manhã daquela noite e poderia provar que não estava na boate.

Conheça Ana Catalina Marchesi, a argentina que traz muitas cores à moda brasileira

Com trabalhos sempre artesanais, com muitas tintas, pedrinhas e que tais, ela faz parceria com marcas que vão de Farm à Alexia Wenk
Lívia Breves

A estilista argentina Ana Catalina Marchesi em seu jardim, no Rio Foto: Reprodução

Ela é um arco-íris. Filha de um artista plástico e de uma ceramista, a designer Ana Catalina Marchesi, de 30 anos, nasceu na Patagônia Argentina e cresceu em uma casa que mais parecia um ateliê, com tintas, pinturas e modelos vivos na sala.

Pintando cestos e usando roupas criadas por ela Foto: Reprodução
Pintando cestos e usando roupas criadas por ela Foto: Reprodução

Sempre muito colorida, só foi usar preto pela primeira vez outro dia. E os amigos até perguntaram se estava tudo bem com ela. “Adoro a cor, mas realmente não usava. Acho que estou amadurecendo”, brinca ela, que sempre fez as próprias roupas, repaginando algo comprado em brechó ou costurando do zero, do tecido à peça final.

Boina bordada criada pela La Pomponera Foto: Reprodução
Boina bordada criada pela La Pomponera Foto: Reprodução

Quando decidiu estudar Moda, os pais até olharam torto pensando que seria algo muito ligado ao consumo e pouco criativo, mas a caçula de seis filhos logo mostrou o que era a sua moda: autoral, artesanal, artsy e cheia de cores. “Estudo o motivo de cada tom, seus significados. Adoro destacar a beleza do trabalho manual nas peças e, por isso, são sempre únicas”, conta ela, que vem se tornando uma referência em estética carioca. “Quero colocar a mulher latina em todos os meus trabalhos, nos empoderar”, avisa.

Sandália em parceria com a SRI Foto: Reprodução
Sandália em parceria com a SRI Foto: Reprodução

Ana chegou ao Rio há seis anos, quando fazia uma viagem de férias pela América do Sul. Até que se apaixonou, pela cidade e pelo atual marido, o produtor de bandas e artista plástico Diego Luís Schmidt, e ficou. Deixou para trás a carreira portenha (iniciada em marcas como Rapsodia e o ateliê do teatro San Martin, em Buenos Aires) e se jogou nos mares de cá. Primeiro, foi trabalhar na Dress To, depois na Farm, onde assinou vitrines e ambientes das lojas, além de linhas de acessórios.PUBLICIDADE

A artista Ana Catalina Marchesi Foto: Divulgação
A artista Ana Catalina Marchesi Foto: Divulgação

Foi lá, por conta dos móveis de pompom que criou para a grife carioca, que ganhou o apelido La Pomponera, nome também de seu ateliê, que fica numa casa no Cosme Velho. “Este ano, quis me dedicar totalmente à minha marca própria, que une direção de arte, moda, produtos…”, conta.

Macacões bordados em parceria com Alexia Wenk Foto: Reprodução
Macacões bordados em parceria com Alexia Wenk Foto: Reprodução

Entre os recentes trabalhos estão a collab de sandálias cravejadas de miçangas com a SRI para a multimarcas paulistana Pinga, a coleção-cápsula de macacões de seda bordados para a Madnomad, de Alexia Wenk, a série de boinas para Alix Duvernoy e a linha de itens de louças pintadas com a stylist Lulu Novis. Além disso, deseja focar mais nos clientes diretos, uma turma a quem ela não conseguiu dar tanta atenção nos últimos tempos. “São peças únicas, sob encomenda. Adoro a troca que acontece”, diz. E tem acontecido bem.

Asherah | Resort 2020 | Full Show

Asherah Swimwear | Resort 2020 | Full Fashion Show in High Definition. (Widescreen – Exclusive Video/1080p – Art Hearts Fashion/Miami Swim Week)

Matt Goodman – You’re Gonna Love Me
Adam Drake – High Stakes

Tempos difíceis podem não trazer amor, mas oferecem clareza sobre você mesmo

A pandemia chegou. Mas a mensagem de texto dele não
Jenna Klorfein, The New York Times – Life/Style

Ilustração de Brian Rea/The New York Times

“Quer vir até aqui e manter a distância de dois metros hoje à noite?”, foi a mensagem de texto que enviei. Nenhuma resposta. Uma semana se passou. Limpei todo o meu apartamento, mas não tive resposta. Comecei a encarar os fatos. Todas comunicações cessaram durante a quarentena. Há padrões claros, implícitos, de namoro por aplicativo.

O primeiro é mudar o namoro virtual para offline. A menos que você seja muito indesejável, um segundo encontro normalmente é garantido. Um terceiro e quarto são cruciais. Mas então já não poderá ter a mesma conversa sobre irmãos e trabalho. Você realmente tem de começar a conhecer a pessoa.

Neste ponto pode começar a mostrar outras partes da sua vida. Apresentar a ele seu grupo seleto de amigas nas quais confia para se vestir bem e papear tranquilamente. Você pode levá-lo àqueles locais secretos onde o garçom já sabe o que você vai pedir, preparar o café da manhã com suas colegas de quarto. Pode realmente funcionar.

Mas o problema é este cronograma. Não funciona na pandemia. Nós nos vimos durante três meses, foi meu relacionamento mais longo até agora e o mais tranquilo. Ele foi o primeiro namorado do qual não tinha o ímpeto de fugir na manhã depois de passarmos a noite juntos; pelo contrário, passávamos mais um tempo juntos, assistindo um episódio atrás do outro de Curb Your Enthusiasm.

Ele estava treinando para correr uma maratona e, com frequência, os seus treinos já programados acabavam com nossa maratona de TV. Ficava olhando meu calendário, contando as semanas desde o nosso primeiro encontro e me preparando para o inevitável fim de namoro como já ocorrera com todos outros homens que conheci em Nova York. Cada dia era sentido como uma pequena vitória – um passo mais perto de uma relação de verdade. Duas semanas antes de Nova York ser fechada, eu estava com dois casais de amigos num restaurante indiano em West Village.

Entre garfadas de tikka masala de frango, minhas amigas disseram que estava na hora de me abrir e falar dos meus sentimentos. Era uma conversa restrita? Definir a relação? Não tinha muita certeza, mas meus amigos insistiram que chega um ponto em todas as relações em que os sentimentos não podem mais ser guardados.

Não queria ser eu a iniciar esta conversa. Queria passar por aquela garota fria, misteriosa que não discute seus sentimentos ou que tem necessidade de se abrir. Mas minhas amigas deixaram claro que minha ansiedade cada vez mais intensa sinalizava que, na verdade, eu não era a garota fria e estava na hora de me expor. Equipada com os conselhos delas, eu me senti pronta: enviei uma mensagem de texto para ele dizendo que precisávamos conversar – uma mensagem direta, mas vaga. Como me instruíram. “Vamos almoçar depois da corrida”, ele respondeu.

Ele estava sempre correndo! Coloquei uma base à prova d’água no rosto, vesti meu melhor jeans de cintura alta e me dirigi para minha execução. Dividimos um sanduíche, frango e waffles enquanto falamos sobre o emprego que ele não conseguiu, mas não perguntou nada a meu respeito.

Várias vezes, ele olhou o seu Apple Watch. Pagamos e fomos para o parque do outro lado da rua. Depois de alguns momentos de silêncio pontuados por minhas observações sobre raças de cães, expus a ele os meus sentimentos. Tínhamos passado um fim de semana intenso juntos, depois do qual ele não me contatou durante vários dias.

Então eu queria saber onde ele se inseria nisso tudo. Se eu estava sentindo alguma coisa por ele, queria saber se era recíproco. A resposta que tive foi confusa. Ou talvez perturbadora. Ele me disse que gostava de mim, mas não queria apoiar uma pessoa emocionalmente, ou que alguém o apoiasse emocionalmente.

Ele valorizava sua independência, os limites e a corrida. E que tinha tempo para mim uma vez por semana. Fiquei firme, não me descontrolei. E nos despedimos com um beijo. E depois encontrei minha melhor amiga na escada da Brooklyn Public Library e chorei. No dia seguinte, enviei a ele uma mensagem de texto falando de uma peça que havia assistido. Disse a ele que precisava de tempo, só nos veríamos na semana seguinte.

Mas foi naquela semana que a cidade de Nova York adotou medidas de distanciamento social. O mundo pareceu bem diferente durante a pandemia. Mas as minhas preocupações principais continuaram as mesmas. Como muitos nova-iorquinos, fiquei horrorizada ao ler as manchetes dos jornais. Diariamente lia com nervosismo as notícias, reconhecendo que a gravidade da crise continuaria a se fazer sentir.

Mas meus pensamentos às duas horas da madrugada continuavam os mesmos de antes da covid-19: estou sozinha, incapaz de ser amada. E se ficar só para o resto da vida? A crise se intensificou e também o pânico. Não havia tempo para procurar alguém mais adequado. Você tinha de se agarrar o que estivesse disponível.

E então o corredor e eu começamos a trocar mensagens de texto de novo. E depois ele desapareceu. O lockdown foi uma reviravolta total para muitas pessoas. Como determinava o bom senso, se vocês são um casal, continuem assim. Ou passam a quarentena juntos ou se separem. Nós nos separamos.

Olhava com inveja minhas amigas superando o obstáculo que não consegui. Minha colega de quarto, também num relacionamento que durava três meses, comprou um walkie-talkie para se comunicar com o novo namorado. Se outros conseguiam, porque eu não ? Isolada, mergulhei em hipóteses. Se mantivesse o mito da garota fria por mais tempo ainda estaríamos juntos, protegendo um ao outro da desgraça exterior?

Na quarentena, você não tem desculpas para muitas distrações da vida. Não existe essa alegação de que “talvez ele esteja focado no trabalho ou saiu com os amigos”. Você tem de encarar a verdade: ele está sentado no sofá, olhando para o telefone e decidindo não atender, você também fica drasticamente limitado em termos de diversão, o que torna a rejeição mais dolorosa. Não há nenhum bartender com quem flertar, nada de cinema onde se esconder e nem música ao vivo para afogar seus pensamentos frenéticos. É uma realidade dura, mas esclarecedora.

Nossa necessidade de contato e reciprocidade aumenta em tempos de crise. Mas mesmo quando o distanciamento social apresenta desafios, as oportunidades para apoiar entes queridos são enormes. E tem duas formas: telefonar para amigos que estão do outro lado do país, compartilhar playlists e participar de happy hours virtuais Estes momentos de contato oferecem o respaldo que necessitamos.

Sentimos que estamos sendo abraçados, mesmo quando ninguém está fisicamente presente para dar o abraço. Fui forçada a confrontar minhas próprias necessidades. Estava esquecendo algo mais importante do que essa pessoa que eu ainda teria de conhecer realmente.

A dor não era só da rejeição, mas a decepção de achar que alguém poderia oferecer o que eu buscava desesperadamente em todos os relacionamentos: reciprocidade, correspondência emocional, segurança. O amor durante a quarentena não é diferente do amor em qualquer outro período: os feeds do Instagram sugerem um aumento enorme nas relações de amizade, mas a quarentena não produz amor do nada, também não rompe um relacionamento que já estava desestruturado. Ela apenas deixa isso claro. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Coreia do Sul descriminaliza o aborto no primeiro dia de 2021

Direito à interrupção voluntária da gravidez só era aceito para vítimas de estupro ou em casos de risco à saúde da gestante
Com G1

Mulher usa máscara em Seoul, capital da Coreia do Sul Foto: Ed Jones/AFP

RIO – O aborto não é mais uma prática ilegal na Coreia do Sul a partir deste primeiro dia de 2021. O direito à interrupção voluntária da gravidez, antes só aceito para vítimas de estupro ou em casos de risco à saúde da gestante, agora é extensivo a todas as mulheres. A lei que criminalizava o aborto foi retirada nesta sexta-feira da legislação do país.

Esta é uma vitória de Na Young, líder da associação Share, organização que defende os direitos das mulheres. Após uma proibição de 67 anos, a interrupção voluntária da gravidez não é mais ilegal na Coreia do Sul.

“Os membros da Assembleia Nacional não concordaram em alterar a lei existente. Mas a lei deveria expirar após a decisão do Tribunal Constitucional de abril de 2019, que a declarou ilegal. As disposições penais sobre o aborto na lei que o criminalizava não estão mais em vigor a partir de 1º de janeiro de 2021. Estou muito feliz em compartilhar esta boa notícia da Coreia do Sul ”, declarou Young.

Sem limite oficial de aborto

No entanto, não há um limite oficial para a prática do aborto em um país com costumes conservadores. O movimento pró-vida está reagindo e se organizando para que muitas emendas sejam aprovadas. Primeiro, para proibir o aborto depois de seis ou dez semanas de gravidez e, em seguida, para que os médicos tenham a opção de recusar a realização do aborto.

Alguns grupos de direitos das mulheres também querem uma estrutura legal, que garanta o acesso ao aborto para todos e cobertura de seguridade social.

Ao todo, oito emendas foram apresentadas na Assembleia Nacional, o que deve gerar um debate acalorado nos próximos meses.

Será que você deve fazer uma desintoxicação digital? Veja dicas

A quarentena, as eleições e as tragédias do dia a dia nos deixaram bastante abalados em 2020; veja como aproveitar o novo ano para renovar as energias e ter hábitos tech mais saudáveis
Por Brian X. Chen – The New York Times

Muito tempo de tela pode prejudicar nossa saúde mental, privando-nos do sono e de tarefas mais produtivas

Quando é hora de dar um basta? Quase todos nós tivemos rotinas diárias parecidas no último ano: ficamos presos em casa, vendo filmes na Netflix, assistindo vídeos para deixar a casa bonita no YouTube e jogando videogame. Parece que não há nada que se possa fazer sem olhar para uma tela. Mas a vida precisa ser mais do que isso. Com um novo ano começando, agora pode ser um bom momento para dar um tempo e pensar numa desintoxicação digital.

Não, isso não significa abandonar a internet. Ninguém exigiria isso de nós agora, com tantas informações importantes sobre a pandemia. Pense nessa desintoxicação como uma dieta. Uma substituição de hábitos ruins por outros mais saudáveis, para dar aos nossos olhos cansados o tempo de descanso tão necessário. “Há muitas coisas boas para fazer online, mas a moderação muitas vezes é a melhor regra para a vida – e não é diferente quando se trata de telas”, disse Jean Twenge, professor de psicologia da Universidade Estadual de San Diego e autor de iGen, um livro sobre as gerações mais jovens que estão crescendo na era do smartphone.

Muito tempo de tela pode prejudicar nossa saúde mental, privando-nos do sono e de tarefas mais produtivas, dizem os especialistas. Eu estou passando por isso. Antes da pandemia, meu tempo médio de tela no celular era de 3 horas e meia por dia. Nos últimos meses, esse tempo quase dobrou. Então procurei especialistas em psicologia para ouvir alguns conselhos. Desde definir limites até encontrar alternativas às horas que passamos grudados em nossos telefones, aqui está o que podemos fazer.

Trace um plano

Nem todo tempo de tela é ruim – afinal, muitos alunos estão frequentando a escola por meio de aplicativos de videoconferência. Então, o primeiro passo é avaliar quais partes do tempo de tela parecem tóxicas e deixam você infeliz. Talvez você se sinta assim lendo as notícias ou navegando pelo Twitter e Facebook. O segundo passo é criar um plano realista para minimizar o consumo das coisas ruins.

Você pode definir metas modestas, como um limite de 20 minutos por dia para ler notícias nos fins de semana. Se achar que é possível, reduza o limite de tempo e o defina como uma meta diária. A repetição o ajudará a formar novos hábitos.

É mais fácil falar do que fazer, claro. Adam Gazzaley, neurocientista e coautor do livro The Distracted Mind: Ancient Brains in a High-Tech World [“A mente distraída: cérebros antigos em um mundo de alta tecnologia”, em tradução livre] recomendou a criação de eventos de calendário para quase tudo, até mesmo navegar na web e fazer pausas. Isso ajuda a criar estrutura.

Por exemplo: às 8h da manhã, você pode separar 10 minutos para ler notícias e, às 13h, 20 minutos para andar na bicicleta ergométrica. Se você se sentir tentado a pegar o telefone durante a pausa para os exercícios, saiba que qualquer tempo de tela violará o tempo que você dedica aos exercícios. Mais importante: trate o tempo de tela como se fosse um doce que você se dá de presente de vez em quando. Não pense nele como uma pausa, pois isso pode fazer o oposto de relaxar você.

“Nem todos os intervalos são iguais”, disse Gazzaley. “Se você fizer uma pausa e entrar nas redes sociais ou num programa de notícias, pode ficar difícil sair desse buraco”.

Crie zonas livres de celular

Precisamos recarregar nossos telefones durante a noite, mas isso não significa que os dispositivos precisam estar próximos a nós enquanto dormimos. Muitos estudos demonstraram que as pessoas que mantêm os telefones no quarto dormem pior, de acordo com Twenge.

Os smartphones são prejudiciais ao nosso sono de várias maneiras. A luz azul das telas pode levar nossos cérebros a pensar que é dia, e alguns conteúdos que consumimos – especialmente notícias – podem ser psicologicamente estimulantes a nos manter acordados. Portanto, é melhor não olhar para os telefones uma hora antes de dormir. Além do mais, a proximidade do telefone pode nos tentar a acordar e dar uma olhadinha no meio da noite.

“Meu conselho número 1 é não ter celular dentro do quarto durante a noite – isso vale para adultos e adolescentes”, disse Twenge. “Deixe o telefone carregando fora do quarto”.

Fora de nossos quartos, podemos criar outras zonas livres de celular. A mesa de jantar, por exemplo, é uma excelente oportunidade para as famílias concordarem em deixar o telefone de lado por pelo menos 30 minutos e se reconectarem.

Resista às iscas

Os produtos de tecnologia projetaram muitos mecanismos para nos manter colados às telas. O Facebook e o Twitter, por exemplo, fizeram seus aplicativos de maneira que você possa rolar indefinidamente pelas atualizações, maximizando a quantidade de tempo que passa em seus sites.

Adam Alter, professor de marketing da Stern School of Business da Universidade de Nova York e autor do livro Irresistible: The Rise of Addictive Technology and the Business of Keeping Us Hooked [algo como “Irresistível: a ascensão da tecnologia viciante e o negócio de nos manter conectados”, em tradução livre], disse que as empresas de tecnologia empregam técnicas de psicologia comportamental que nos deixam viciados nos produtos delas.

Ele destacou dois ganchos principais:

Metas artificiais: Semelhante aos videogames, os sites de redes sociais criam metas para manter os usuários engajados. Entre elas, o número de curtidas e seguidores que acumulamos no Facebook ou Twitter. O problema? As metas nunca são cumpridas.

Reprodução sem fricção: o YouTube reproduz automaticamente o próximo vídeo recomendado, isso para não falar da rolagem infinita do Facebook e do Twitter. “Antes, havia um fim natural para cada experiência”, como a leitura da última página de um livro, disse ele. “Uma das maiores coisas que as empresas de tecnologia fizeram foi remover os sinais de interrupção”.

O que fazer? Para começar, podemos resistir aos ganchos deixando nossos telefones menos intrusivos. Desative as notificações de todos os aplicativos, exceto aquelas essenciais para o trabalho e para manter contato com as pessoas importantes para você. Se você ainda se sentir muito viciado, tome medidas extremas e coloque o telefone no modo de escalas de cinza, disse Alter.

Também há um exercício mais simples. Podemos nos lembrar de que, fora do trabalho, muito do que fazemos online não importa e é um tempo que pode ser melhor gasto com outras coisas. “Qual é a diferença entre ter 10 curtidas ou 20 curtidas? Não tem a menor importância”, disse Alter. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU