Linguagem machista de anúncios de emprego afasta mais de metade das mulheres de vagas na Engenharia

Pesquisa revelou que o uso de linguagem mais inclusiva e abandono de termos relacionados à masculinidade atrai mais mulheres a setores dominados por homens
Thomson Reuters Foundation

Pesquisa mostra que anúncios de emprego que utilizam termos machistas e expressões relacionadas à masculinidade desencorajam candidaturas de mulheres Foto: Freepik

LONDRES – A linguagem tendenciosa em alguns anúncios de emprego na Grã-Bretanha impede que até uma em cada duas mulheres se candidatem a vagas, disse um estudo divulgado na última quarta-feira (13), em meio a um impulso para atrair mais mulheres para setores dominados por homens. 

A Openreach, que opera a maior parte da rede de banda larga do país, descobriu que o interesse das mulheres em se candidatar a um emprego na área de engenharia aumentou em mais de 200% quando foram feitas alterações na linguagem utilizada no anúncio.

A empresa perguntou a 2 mil mulheres sobre dois anúncios diferentes para o mesmo cargo, e descobriu que elas foram desencorajadas por frases machistas como “sujar as mãos” e também menções a escalar um poste telegráfico. 

“Ficamos surpresos ao ver a diferença que a linguagem faz”, disse Kevin Brady, diretor de recursos humanos da Openreach, que busca recrutar mulheres para 500 dos 2.500 novos empregos de engenharia este ano — dez vezes mais que os níveis históricos. 

“Esperamos que este seja o catalisador para ajudar a quebrar as barreiras que impedem as mulheres de considerarem um papel na engenharia.”  

Enquanto 80% das mulheres disseram que não pensariam em trabalhar na área de engenharia, 56% se interessaram pelo emprego depois que o anúncio foi reformulado, incluindo a substituição da palavra “engenheiro” por “coordenador de rede”.

O novo anúncio também listava habilidades em uma linguagem mais neutra, estipulando que os candidatos não deveriam ter medo de altura e ser bons em concluir tarefas. 

Pouco mais de 3% dos engenheiros da Openreach são mulheres, em comparação com 11% dos engenheiros a nível nacional. 

Com um quarto das entrevistadas, que tinham entre 18 e 55 anos, dizendo que ainda acreditavam que certas funções eram mais adequadas aos homens, os pesquisadores afirmaram que as descobertas têm também implicações para muitas outras indústrias. 

A legisladora Caroline Nokes, presidente do Comitê de Mulheres e Igualdade do Parlamento, disse que encorajar mais mulheres na engenharia tem sido uma batalha durante décadas.

“Este estudo dá um grande passo no sentido de remover barreiras que impediriam às mulheres se considerarem aptas para papéis que são perfeitamente capazes de desempenhar”. 

Hilary Leevers, presidente-executiva da organização Engineering UK, que trabalha para aumentar a diversidade no setor, pediu a outras empresas que revisassem a linguagem que usam em seus anúncios. 

O estudo, realizado com linguistas especialistas em Paisagem Linguística, também mostrou que 55% dos entrevistados possivelmente estavam pensando em uma nova carreira por causa da pandemia. 

“Nunca houve um momento mais importante para derrubar as barreiras de recrutamento e abrir setores anteriormente fechados”, disse Brady, da Openreach. 

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