Um tour pela nova sede da ABC Melbourne

A emissora nacional ABC Melbourne recentemente contratou a empresa de arquitetura e design de interiores Cox Architecture para projetar sua nova sede em Melbourne, Austrália.

abc-melbourne-hq-6
Exterior

“Como emissora nacional, a ABC é uma instituição pública vital e integrante da vida social, cultural e política da cidade, do estado e da nação. Ocupando um local importante de Southbank, o edifício ABC faz parte de um recinto cultural, artístico e educacional dinâmico que remodelou a área estratégica do centro da cidade e se tornou o foco de um crescente programa público de eventos e atividades.

O projeto do novo edifício refletiu a intenção da emissora de consolidar todas as operações sob o mesmo teto em Melbourne, redirecionando seu edifício Southbank existente para criar um ambiente profissional unificado, integrado e colaborativo para um ambiente funcionalmente eficiente e contemporâneo.

O design possibilitou maior oportunidade para compartilhamento de conhecimento e colaboração interdivisional, posicionando o ABC para melhor responder a um cenário de mídia em constante mudança de um local de trabalho que oferece um ambiente dinâmico, integrado e visualmente transparente, ao mesmo tempo que promove a interação entre as equipes do programa e maior interesse e participação do público nos programas e eventos especiais.

Placas de piso generosas e conexões regulares suportam uma integração vertical excepcional no local de trabalho, um local de trabalho estilo campus e um andar térreo desenvolvido como uma extensão integrada do contexto urbano mais amplo. As medidas de sustentabilidade e eficiência energética incluem a conservação da água, proteção solar passiva, vidros de alta eficiência, sensores de ocupação da sala e um sistema de gerenciamento digital abrangente de edifícios, enquanto jardins no telhado, varandas e jardins de inverno garantem níveis ideais de ar fresco e luz “, diz Cox Architecture.

abc-melbourne-hq-13
Lobby
abc-melbourne-hq-14
Lobby
abc-melbourne-hq-15
Lobby
abc-melbourne-hq-4
Meeting rooms / corridor
abc-melbourne-hq-5
Corridor
abc-melbourne-hq-7
Atrium
abc-melbourne-hq-9
Atrium
abc-melbourne-hq-10
Atrium
abc-melbourne-hq-11
Stage
abc-melbourne-hq-3
Entrance

Andreas Ortner for ELLE Germany with Julia Sparrow

Photographer: Andreas Ortner at SCHIERKE Artists. Fashion Styling: Pia Leonie Knoll and Tinka Valérie. Hair and Makeup: Sigi Kumpfmueller. Model: Julia Sparrow.

A seção 230 norte-americana

É importante preservar a imunidade que a seção 230 dá ao mensageiro, desde que se trate mesmo de um mensageiro
Por Demi Getschko – O Estado de S. Paulo

Mark Zuckerberg, presidente executivo do Facebook, já teve de depor perante o Congresso dos EUA em debate sobre a Seção 230

Quando em 1991 estávamos recém-entrados na internet, houve uma disputa judicial nos EUA sobre a responsabilização de um provedor de serviços, a Compuserv, por abrigar conteúdo de terceiros, eventualmente ilegal. A discussão gerou uma proposta de lei que coibisse, entre outros, o linguajar obsceno na internet. Seguiu-se uma grande reação da comunidade contra essa proposta. Há o eloquente exemplo da “Declaração de Independência do Ciberespaço”, de John Perry Barlow, 1996. Uma versão bastante desidratada do CDA (Communications Decency Act) acabou aprovada em 1996, mas de uma maneira vitoriosa para a internet. Embutida no CDA constava a seção 230, conseguida pela comunidade, que criava “isenção de responsabilidade” para sítios web em relação a conteúdo provido por terceiros. Em espírito, é similar ao item sete do decálogo do CGI, que diz: “O combate a ilícitos na rede deve atingir os responsáveis finais e não os meios de acesso e transporte, sempre preservando os princípios maiores de defesa da liberdade, da privacidade e do respeito aos direitos humanos”.

Mal comparando, trata-se aqui da isenção de responsabilidade do mensageiro em relação à mensagem; o famoso “não mate o mensageiro”. Ninguém responsabilizaria o carteiro se a carta que ele trouxe é ofensiva! O ponto crítico nessa analogia é o quanto de “carteiro” há nos diversos intermediários de hoje, o que deve ser protegido, e quais os objetivos finais almejados.

Muitas vozes hoje defendem a extinção da seção 230, passando a responsabilizar os intermediários pelo conteúdo. O risco é que, na ânsia de debelar o que incomoda e prejudica, acabemos por perder um bem maior: o de receber sem interferências o que nos enviam. No caso do correio, isso seria fácil de resolver: sempre culparemos o remetente pelo abuso que cometeu. Mas no caso das plataformas, a “porca torce o rabo”. Por diversas razões, desde modelos econômicos de sustentação até a busca por poder de mercado, usa-se do crescente poder de computação, aliado a ferramentas automáticas de análise de conteúdo, para se oferecer ao público a possibilidade de um “tratamento higiênico” no que chega para ser distribuído. O poderoso “canto da sereia” é: “cuidaremos de seu conforto, usando nossos padrões éticos”. Com isso, os novos “carteiros” se colocam como juízes de valores, e se dispõem a livrar-nos das eventuais mensagens abusivas. Mais que isso, através dos algoritmos que perscrutam nossos gostos, sugerem com quem mais deveríamos interagir para nos sentirmos mais confortados. Como efeito colateral, o verdadeiro remetente acaba ficando no limbo da discussão, quando o alvo primário da justa ira deveria ser quem gerou a mensagem-problema.

Em resumo, é importante preservar a imunidade que a seção 230 dá ao mensageiro, desde que se trate mesmo de um mensageiro! E, se nada impede o carteiro de entregar-nos propaganda de remetentes identificados, não lhe compete filtrar conteúdos, indicar-nos grupos a integrar, ou repassar informações sobre que correspondência recebemos, sob pena de não mais se enquadrar na 230. Para manter a liberdade na internet o espírito da 230 deve ser preservado em seu contexto original, não apenas em parte dele.

Quando um fim almejado estropia arbitrariamente meios que temos para exercer nossos direitos, em breve não haverá saída: estaremos amortecidos quanto ao perigo que nos espreita. Esopo, um escravo grego autor de sábias fábulas, contava que se gritarmos “lobo” falsamente seguidas vezes, quando o lobo real vier já será muito tarde e estaremos indefesos…

*É ENGENHEIRO ELETRICISTA

No ano da pandemia, Netflix teve o maior aumento de assinantes da história

Durante o ano, a empresa ganhou 37 milhões de assinantes, crescimento de 31% em relação a 2019

Netflix anuncia resultado financeiro

Em um ano no qual muita gente ficou em casa, os serviços de streaming se beneficiaram. A Netflix anunciou ontem que em 2020 teve o maior ganho de assinantes de sua história. Durante o período, a empresa ganhou 37 milhões de assinantes, crescimento de 31% em relação a 2019, e ultrapassou a marca de 200 milhões de clientes em todo o mundo. 

O recorde foi revelado no resultado financeiro do quarto trimestre, anunciado no fim da tarde ontem. De outubro a dezembro, a empresa ganhou 8,5 milhões de assinantes, crescimento de 23% em relação ao mesmo período de 2019 – os analistas esperavam um acréscimo de 6 milhões de assinantes. 

O resultado não apenas superou as expectativas como também recuperou a performance do trimestre anterior, no qual o crescimento de apenas 2,2 milhões de assinantes decepcionou os investidores. A recuperação pode estar ligada a novas regras de lockdown estabelecidas principalmente na Europa. 

O reflexo do isolamento social na performance da empresa foi reconhecido na carta da empresa para os investidores. “Somos imensamente gratos que, nesses tempos desafiadores, pudemos oferecer aos nossos assinantes em todo o mundo uma fonte de escape, conexão e alegria.” 

A companhia também reconheceu a chegada de novos concorrentes – citou o ano da Disney+, que atingiu 87 milhões de assinantes ao fim de 2020 – e diz que o segmento de streaming vive um bom momento. 

Yung Kim, analista da Piper Sandler, disse em nota: “Os consumidores viajarão menos e aproveitarão menos entretenimento fora de casa, o que nos faz acreditar que a Netflix continuará a se beneficiar com mais assinantes e menos desistentes”. 

Em relação à receita, a empresa de streaming viu o resultado crescer 24% em relação a 2019, atingindo a marca de US$ 25 bilhões. No quarto trimestre, o faturamento foi de US$ 6,6 bilhões – expansão de 21% em relação ao mesmo período do ano passado. É uma receita superior à do primeiro trimestre de 2020, período em que mais ganhou assinantes no ano. 

Na Bolsa

Os resultados fizeram as ações da empresa dispararem nas negociações após o fechamento do mercado – a valorização foi de 12,6%, fazendo os papéis atingirem o maior valor de sua história (ou US$ 565 por ação). A companhia chegou a ultrapassar os US$ 221 bilhões em valor de mercado. 

Em meio às notícias positivas, a companhia também anunciou que não precisará mais de financiamento externo para suas operações e que poderá até um fazer programa de recompra de ações de investidores, algo que não acontece desde 2011. Os anúncios devem ajudar a impulsionar ainda mais os papéis da líder em streaming, segundo analistas. 

iFixit destrincha os AirPods Max e os compara com rivais

Como de praxe, sempre que um novo produto da Apple chega ao mercado, a iFixit vai lá e coloca suas mãos (ou melhor, ferramentas) sobre eles. A última novidade, como sabemos, são os AirPods Max, novos fones de ouvido sem fio over-the-ear da Maçã.

Embora tenha demorado um pouco muito para divulgar o desmonte completo dos AirPods Max (tudo começou ainda em 2020 — antes do Natal — mas só foi concluído agora), a iFixit — não surpreendentemente — analisou minuciosamente cada detalhe dos novos fones e, ainda, os comparou com dois grandes concorrentes: o Bose NC 700 e o Sony WH-1000XM4.

Exterior

Por fora, os AirPods Max são uma “bela peça de engenharia”, segundo a iFixit. À parte do acabamento em alumínio anodizado e tecido telado e respirável, os fones de ouvido apresentam algumas peças que já são bem conhecidas: Digital Crown e porta Lightning.

O raio-X do AirPods Max mostrou que os fones de ouvido têm duas células de bateria — ambas localizadas no mesmo lado. A iFixit também notou alguns pontos de solda e fios perto das baterias, mas nenhum conector — o que indica que as baterias podem ser facilmente substituídas.

Segundo a iFixit, a Digital Crown dos AirPods Max (que serve para aumentar/diminuir o volume, controlar a reprodução e ativar a Siri) tem 3x o tamanho da peça dos Apple Watches.

Digital Crown dos AirPods Max

Já na parte inferior do fone do lado esquerdo, há uma porta Lightning, a qual pode ser usada tanto para conectar um dispositivo aos AirPods Max quanto para carregá-los.

Entrada Lighting dos AirPods Max

Ainda ao redor de ambos os lados dos fones, existem quatro microfones (oito, ao todo) para os modos Cancelamento Ativo de Ruído e Ambiente.

Interior

Se os AirPods Max, por fora, não são “nada demais”, por dentro eles são o pesadelo perfeito da iFixit — a começar pelo raio-X dos fones de ouvido, que mostram várias peças engenhosa e milimetricamente encaixadas.

Raio X dos AirPods Max

Além de serem presos por parafusos (os quais não devem ser totalmente removidos, apenas sutilmente girados), há peças que estão conectadas por fios — então, se você puxá-los de uma vez, poderá acabar arrebentando tudo.

Drivers dos AirPods Max

Com os parafusos removidos e o driver para fora, é possível vislumbrar a bateria dos AirPods Max em toda a sua glória. Ambas as células estão localizadas no mesmo lado do fone de ouvido (direito), ligadas por um único cabo.

Bateria dos AirPods Max

A iFixit identificou que as baterias são fabricadas pela Sunwoda, as quais fornecem uma capacidade total de 664mAh e 2,53Wh de energia a 4,35V — semelhante aos 2,39Wh nos fones de ouvido sem fio Bose NC 700, que também prometem cerca de 20 horas de escuta. Já o Sony WH-1000XM4s oferece um tempo de reprodução mais longo, de 30 horas, uma vez que possui uma bateria de 4,1Wh.

No coração dos AirPods Max está a placa lógica — nesse caso, o dispositivo possui dois corações, um em cada lado. Aqui, a iFixit elogiou a Apple pelo trabalho feito no silício, que conta com dois chips H1, acelerômetro e uma série de conversores/condutores/amplificadores de áudio.

Placa lógica dos AirPods Max

Em ambas as laterais, a dobradiça eletromecânica da Apple também foi elogiada pela iFixit. Segundo eles, a Apple usa um cabo flexível envolvente na parte rotativa da dobradiça, com um tipo de sistema de roteamento inteligente e alívio de tensão integrado — alternando para contatos de mola para a conexão com a faixa de cabeça.

Dobradiça dos AirPods Max

A iFixit ressalta, porém, que há um truque: apesar da complexidade da dobradiça, é possível destacar toda a faixa de cabeça do AirPods Max com apenas uma ferramenta de remoção de cartão SIM ou clipe de papel, sem nem mesmo precisar abrir o protetor de orelha.

Reparabilidade e comparação

A iFixit finalizou dizendo que, no geral, os AirPods Max “lembram mais um relógio mecânico do que um par de fones de ouvido”.

Apesar de sua complexidade e de um procedimento de abertura do fone de ouvido repleto de parafusos e adesivos estranhos, os primeiros fones de ouvido [circum-auriculares] da Apple são na verdade bastante úteis — se você tiver todas as ferramentas e estiver disposto a trabalhar um pouco.

Além disso, eles disseram que, após destrinchar os AirPods Max, conseguiram “entender melhor” o preço cobrado pelos fones de ouvido. Nesse sentido, embora as opções da Sony e da Bose sejam mais em conta, o artesanato do dispositivo da Maçã “faz com que os concorrentes pareçam brinquedos”.

Dito isso, eles deram uma nota de reparabilidade 6 (de 10) para os AirPods Max, elogiando o material usado e a facilidade com que algumas peças podem ser removidas/substituídas.

Por outro lado, eles criticaram o extenso uso de ferramentas para desmontar completamente os fones (até mesmo para os padrões da iFixit), além do uso de adesivos e solda em algumas peças, complicando o reparo em alguns casos. [MacMagazine]

Carolina Dieckmann faz sucesso com série de fotos de biquíni nas redes sociais

Atriz, aliás, tem uma linha de biquíni em parceria com uma marca

Carolina Dieckmann Foto: Reprodução/Instagram

Carolina Dieckmann impressionou com fotos de biquíni nesta terça-feira. Na ocasião, a musa trajava um biquíni preto, estampado com diamantes, e detalhes cor-de-rosa.

“Tem todo um processo pra tenter virar sereia à milanesa… ahahahaha”, escreveu ela.

Moda praia, aliás, é assunto sério para Carolina. A atriz está em sua quarta coleção em parceria com a Feline. Ela é a responsável por toda a estamparia da linha.

Carolina Dieckmann Foto: Reprodução/Instagram

Em ‘Lupin’, Omar Sy interpreta um ladrão moderno, inspirado no charmoso personagem criado em 1905

Na série da Netflix, ator interpreta o afável Assane Diop, que idolatra o ladrão literário Arsène Lupin
Elisabeth Vincentelli, The New York Times

Omar Sy não interpreta Lupin, mas um afável parisiense chamado Assane Diop, filho de um imigrante senegalês que idolatra o ladrão fictício

Em 2011, uma participação estrelada no sucesso francês Intocáveis levou Omar Sy a um prêmio César de melhor ator e uma carreira em Hollywood, com papéis em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido e Jurassic World.

Esse sucesso fez de Sy – que nasceu nos arredores de Paris de pais imigrantes da África Ocidental – o tipo de estrela a quem uma produtora poderosa como a Gaumont pergunta quais são os papéis de seus sonhos.

“Se eu fosse britânico, teria dito James Bond, mas, como sou francês, disse Lupin”, disse Sy em uma chamada de vídeo recente, em francês, de sua casa em Los Angeles. “Ele é brincalhão, ele é esperto, ele rouba, ele está sempre rodeado de mulheres. Além disso, é um personagem que interpreta personagens. Para um ator, é o melhor”.

Alguns anos depois dessa conversa com a Gaumont, estreou na Netflix uma temporada com cinco episódios da nova série francesa de Sy, Lupin. Menos de uma semana depois, a série, uma correria estilosa ambientada no coração de Paris, virou o segundo título mais popular do serviço de streaming nos EUA, a primeira vez que uma série francesa estreou no Top 10, de acordo com a Netflix. Uma segunda temporada já foi filmada e está prevista para chegar ainda este ano.

Mas há uma reviravolta na história: Arsène Lupin não é um personagem da série que leva seu nome – pelo menos não um personagem de carne e osso. Mas agora muitos leitores devem estar se perguntando: “Espera aí, Lup-quem?”.

Criada pelo escritor francês Maurice Leblanc em 1905, Arsène Lupin é um nobre integrante da gangue de bandidos encantadores conhecidos como ladrões cavalheiros. Assim como Thomas Crown, Danny Ocean, Simon Templar e (para incluir uma dama) Selina Kyle, Lupin é elegante e eficiente. Ele prefere disfarce e persuasão à violência e é tão arrojado que suas vítimas quase lhe agradecem a honra de serem roubadas.

Herói de muitos contos e romances, Lupin foi visto pela primeira vez como a resposta francesa a um certo detetive britânico; Leblanc chegou a atrevidamente escrever histórias crossover não autorizadas estrelando um tal de Herlock Sholmès. Só a França produziu vários filmes e adaptações para a TV sobre o ladrão. Uma geração inteira ainda canta a música tema da série que foi veiculada em 1971-74. Em 2004, surgiu um filme estrelado por Romain Duris.

Sy, 42 anos, não interpreta Lupin, mas um afável parisiense chamado Assane Diop, filho de um imigrante senegalês que idolatra o ladrão fictício. Sy, que também é creditado como produtor artístico, admitiu que, na primeira vez em que propôs um projeto baseado em Lupin, ele estava mais familiarizado com a reputação do personagem.

“Honestamente, era só uma coisa que você conhece, era parte da cultura”, disse ele. “Depois liguei os pontos entre os livros, os programas de TV que via quando era criança e alguns mangás. Fiquei totalmente viciado em Lupin”.

George Kay (Criminal), criador e showrunner britânico da série, disse num vídeo chat que, quando foi chamado, estava mais familiarizado com outras criações da cultura pop da virada do século 20, como Sherlock Holmes, Scarlet Pimpernel ou A.J. Raffles.

“Mas quando me disseram que a Netflix queria fazer a série com o Omar Sy, que ele estava no projeto, a combinação dessas duas coisas deixou tudo muito interessante para mim”, disse Kay. “Porque eu amo muitas coisas do Lupin: os truques, as trapaças”.

O cineasta francês Louis Leterrier (Carga ExplosivaO Cristal Encantado: A Era da Resistência), que dirigiu os três primeiros episódios de Lupin, foi um dos primeiros membros da equipe criativa, antes de a ideia ser levada à Netflix. (A série foi produzida pela Gaumont para a Netflix). Ele disse que demorou um pouco para definir um conceito.

“Nosso primeiro passo era descobrir para onde queríamos ir”, disse Leterrier numa chamada de vídeo. “Omar vai de fato interpretar Lupin? É contemporâneo ou clássico?”.

Em suas trapaças, o personagem Assane Diop (Omar Sy) se utiliza de inúmeros disfarces, como no roubo de colar no Museu do Louvre.  Foto: Emmanuel Guimier/Netflix

No final das contas, “George Kay veio com uma ideia que todos adoramos”, acrescentou. “Queríamos ver Omar em toda a sua humanidade e experiência com o mito, em vez de simplesmente chamá-lo de Arsène Lupin e fazer uma coisa que já tinha sido feita”.

Quando encontramos o Assane de Sy, ele está obcecado em vingar seu pai viúvo (Fargass Assandé), que morreu 25 anos antes. O velho Diop, que trabalhara duro para dar ao filho as ferramentas de que ele precisava para ter sucesso na sociedade francesa (começando pela importância de conhecer bem a gramática), suicidou-se na prisão após ser acusado de roubo, deixando órfão o jovem Assane. O bem mais precioso de Assane se tornou um livro de Lupin que seu pai lhe dera de presente – um presente que moldaria sua vida inteira. (A série tem o subtítulo À sombra de Arsène).

Assim como o larápio de Leblanc, o Assane adulto rouba e se livra de confusões graças a seu bico doce e seu talento para mudar de figura. Mas não espere nenhuma máscara hiper-realista de látex à la Missão: Impossível – Assane é decididamente avesso à tecnologia, algo condizente com a tendência da série, deliberadamente antiquada.

“Lupin era um observador atento da sociedade e queríamos que Assane fosse igual”, disse Sy. “Ele não precisa de muito para se disfarçar: ele se mistura ao tipo de pessoa que não chama atenção e desaparece”.

Quando Assane sai para roubar um colar fortemente guardado no Louvre, por exemplo, ele alterna entre se disfarçar de zelador e se passar por um rico amante da arte que vai a um leilão. No primeiro caso, ele se torna invisível, um homem negro entre tantos outros; no segundo, ele explora o fato de se destacar num mar de rostos brancos, ressaltando seus traços.

“Gostei muito do aspecto ‘ladrão cavalheiro’, mas queria subvertê-lo e lhe dar um ângulo social”, disse Leterrier. “Achei interessante a ideia de um homem negro de um metro e noventa de altura se esgueirando tanto na alta sociedade quanto no submundo”.

Kay aproveitou a oportunidade para soltar algumas declarações de passagem. “É muito importante ter um protagonista franco-africano”, disse ele. “Os alvos do personagem são o establishment francês, e estamos encenando esses dramas nos cenários parisienses mais clássicos”.

Na verdade, Assane está muito ciente de como a sociedade francesa tradicional o enxerga e costuma usar esses preconceitos para enganar suas vítimas. A série também tenta passar uma mensagem astuta para ter os fãs mais dedicados dos livros Lupin de ascendência africana e norte-africana, ou birracial.

Para Sy, “a ideia é dar uma nova cara ao que significa ser francês hoje”, disse ele. “O arquétipo mudou”.

TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Kamala Harris vai fazer história, assim como sua família ‘grande e misturada’

Vice-presidente eleita poderá ampliar as ideias rígidas sobre dinâmica familiar politicamente aceitável

Kamala Harris sorri
A vice-presidente eleita dos EUA, Kamala Harris, fala com a imprensa em estúdio em Atlanta, na Geórgia – Saul Loeb – 11.ago.20/AFP

THE NEW YORK TIMES – Quando Kamala Harris for empossada como vice-presidente dos Estados Unidos, ela representará muitas “primeiras”: primeira mulher vice-presidente, primeira mulher negra, primeira de ascendência indiana. Mas há outro marco que estará em exposição: o de sua família.

Enquanto Kamala ascende a essa função sem precedentes, observada por seus entes queridos, milhões de americanos verão uma versão expandida da família americana olhando de volta para eles —uma que poderá ampliar as ideias rígidas sobre dinâmica familiar politicamente aceitável ou papéis de gênero.

A família de Kamala está pronta para esse momento. Sua sobrinha, Meena Harris, já usa uma camiseta “Titia Vice-Presidente”. Sua enteada, Ella Emhoff, que estuda arte em Nova York, pretendia tricotar um terno para a ocasião (ela optou por um vestido).

Kerstin Emhoff, mãe dos enteados de Kamala —sim, Kamala e a ex de seu marido são amigas—, poderá levar na bolsa um ramo de sálvia: ela tem certeza de que o Capitólio precisa de uma defumação.

E, claro, o marido de Kamala, Doug Emhoff, estará lá —marido orgulhoso e apoiador, o cônjuge vice-presidencial provavelmente estará tirando fotos da mulher, estreando seu novo papel de primeiro segundo- cavalheiro do país (e agora no perfil do Twitter para comprovar).

Para as mulheres, uma vida familiar pública geralmente é importante de uma maneira mais carregada: é uma forma de compensar a percepção de “dureza” que as mulheres políticas tendem a carregar.

Como explicou Susan Douglas, professora de comunicação na Universidade de Michigan, enfatizar a maternidade pode “suavizar a imagem” de uma política que precise falar, por exemplo, sobre guerra ou processar pessoas para cumprir sua função.

Essas expectativas podem significar que não há muito espaço para escapar de uma definição estreita de família —o que torna a família Harris-Emhoff ainda mais significativa.

“É notável”, disse Ralph Richard Banks, professor de direito na Universidade Stanford que escreveu sobre raça, gênero e padrões familiares. “De certas maneiras, eles estão na vanguarda de diferentes aspectos das famílias americanas e como elas estão mudando.”

Alguns poderiam dizer que são um reflexo de onde os americanos já estão. Hoje, o número de casais que têm uma união interracial é de aproximadamente 1 em 6, número que, juntamente com o de casamentos interreligiosos, vem aumentando desde 1967, segundo o Pew Research Center.

Kamala, filha de uma indiana e de um jamaicano imigrantes, foi criada com práticas cristãs e hindus, enquanto seu marido, que é branco, frequentava um acampamento de férias judeu —em seu casamento, Kamala participou do ritual judaico de quebrar uma taça.

Ela tinha mais de 40 anos quando se casaram —mais velha que a idade média do primeiro casamento para mulheres no país, embora esse número continue subindo.

Emhoff era divorciado, com dois filhos do casamento anterior, o que os situava entre os 25% que não vivem com os dois pais biológicos, segundo o Censo americano. Kamala não tinha filhos. Muitos americanos não têm, enquanto as taxas de fertilidade atingem um piso histórico nos últimos anos. Ela já disse várias vezes que ser “Momala” para seus enteados é o seu papel “mais importante”.

“As pessoas têm mais opções”, disse Banks. “Essa é uma mudança de toda a sociedade, mas muitas vezes não é tão visível em posições de poder.”

FAMÍLIA GRANDE E MISTURADA

No discurso em que aceitou a nomeação para concorrer à vice-Presidência, durante a Convenção Nacional Democrata, em agosto, Kamala falou sobre sua mãe, Shyamala Gopalan Harris, uma imigrante que chegou à Califórnia quando adolescente com o sonho de ser pesquisadora do câncer e criou Kamala e sua irmã, Maya, depois de se divorciar do pai das meninas. Na maior parte da vida de Kamala foram só as três.

Quando Maya engravidou aos 17 anos e teve sua filha, Meena, foram as quatro. “Minha avó e minha tia foram segundas mães para mim”, disse Meena Harris, 36, que faz aniversário no mesmo dia que a tia. (Maya Harris, assim como Kamala e Emhoff, não quiseram ser entrevistados para esta reportagem.)

Naquele discurso, Kamala comentou que família não é só a de sangue, mas “a família que você escolhe”. A dela inclui sua melhor amiga, Chrisette Hudlin, em cujo casamento ela anunciou sua candidatura a secretária da Justiça e de cujos filhos é madrinha. Foi Hudlin quem a apresentou ao advogado da área de entretenimento “engraçado, autogozador” que se tornaria seu marido.

Doug Emhoff nasceu em Nova York e foi criado em Nova Jersey e num subúrbio de Los Angeles, filho de Barb e Mike, uma dona de casa e um designer de calçados que, mais recentemente, fundaram o grupo “Avós para Biden” no Facebook. Durante 16 anos ele esteve casado com Kerstin Emhoff, com quem teve Cole, 26, e Ella, 21, cujos nomes prestam homenagem a John Coltrane e Ella Fitzgerald.

Como diz Kerstin Emhoff, o casamento era bastante tradicional: Doug cuidava das finanças, ela fazia as tarefas domésticas. Ambos trabalhavam em tempo integral. “Isso fazia parte de nossa ligação —éramos dois profissionais apaixonados”, disse Kerstin.

As crianças cursavam o ensino fundamental e médio quando os pais se separaram, e Emhoff foi morar num apartamento próximo. Elas se alternavam em semanas na casa do pai —chamando a si mesmos de “Equipe do Palazzo” devido ao nome do condomínio, aprendendo a fazer as coisas que a mãe cuidava.

ANFITRIÃO NACIONAL

Doug Emhoff se tornará o primeiro membro masculino do reduzido grupo de cônjuges da Casa Branca —papel que não tem descrição de cargo nem salário ou deveres formais.

Tradicionalmente, as primeiras e segundas-damas desempenharam o papel de anfitriãs: decorar a casa para festas, organizar almoços, enviar receitas familiares anualmente a uma revista para o “Concurso do Biscoito da Primeira-Dama”.

Muitas primeiras e segundas-damas também se concentraram em trabalho mais robusto e políticas específicas: nos últimos anos, voltaram sua atenção para a alfabetização infantil (Laura Bush), alimentação saudável (Michelle Obama) e famílias militares (Jill Biden). Melania Trump começou a campanha “Seja Melhor”, visando conter o bullying.

Mas as regras não escritas permanecem, como “fique na sua faixa”. Eleanor Roosevelt, importante nas negociações do New Deal, ouviu que devia “se limitar ao tricô”, e esse sentimento perdurou.

Laurel Elder, professora de ciência política no Hartwick College e coautora do livro “American Presidential Candidate Spouses” (esposas de candidatos presidenciais americanos), chamou isso de “o novo tradicionalismo”: a ideia de que os americanos preferem esposas que são ativas e visíveis no apoio a seus parceiros (a parte nova), mas que não se desviem de seus papéis secundários (a parte tradicional).

“Apesar de as mulheres hoje fazerem tudo, as expectativas das pessoas para as esposas do presidente e vice-presidente são muito tradicionais”, disse ela. “Os americanos estão muito divididos sobre se elas devem ter uma profissão —e realmente não querem que sejam assessoras políticas.”

Jill Biden e Karen Pence continuaram dando aulas enquanto seus maridos serviram como vice-presidentes —e, como primeira-dama, Jill Biden será a primeira a manter um emprego em tempo integral.

Seu colega na vice-Presidência, Doug Emhoff, abandonou a carreira profissional de advogado de artistas. É ligeiramente mais complicado que um ato puramente feminista —havia questões sobre se seu emprego poderia apresentar conflitos de interesse—, mas pode ao mesmo tempo ser visto como totalmente conformista ou absolutamente radical, segundo Elder. “Ver um homem assumir esse papel é surpreendente, emocionante e um pouco desorientador, já que contesta ideias muito antigas”, disse ela.

‘TITIA VICE-PRESIDENTE’

Quando a “grande e misturada” família Harris-Emhoff, como Ella Emhoff a descreveu, reunir-se nesta semana, será o primeiro encontro de todos em mais de dois meses. A última vez foi na semana da eleição, em uma casa em Delaware, onde a notícia estava em todas as telas, e Kamala repetia —pelo menos no começo: “Isto é ótimo, não é? Vocês não adoram estar aqui? Não adoram estar todos juntos?”.

Eles se distraíram com jogos, karaokê, comida —e esperaram ansiosamente pelos resultados oficiais de uma eleição que projetaria sua unidade familiar a um nível maior de visibilidade. “Uma noite se transformou numa festa, todos dançaram”, disse Cole Emhoff.

Em outras palavras, apenas uma família reunida —esperando que a história acontecesse.

A vida que eles conheceram antes deixará de existir nesta quarta (20), mas eles tentarão manter certa normalidade. Emhoff e Kamala são os únicos membros da família imediata que viverão em Washington o tempo todo. Os almoços de domingo —uma tradição que hoje acontece por meio do Zoom— continuarão, mas, na nova função, Kamala talvez tenha menos tempo para fazer seus famosos pimentões recheados.

Emhoff continuará sendo “Doug” para seus filhos —hábito que eles adquiriram quando pequenos e que seria difícil mudar agora. Kamala ainda é “Momala” para seus enteados e “titia” para suas sobrinhas, sobrinhos e afilhados. E Meena Harris aprendeu a não tentar chamar sua tia de “Kamala”.

“Ela vira a cabeça rápido e diz: ‘Meu nome é Titia, não admito que você me chame de Kamala!'” De todo modo, ela tem um novo nome, segundo Meena Harris: “Senhora VP [vice-presidente] Titia”.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

Awkwafina – Harper’s Bazaar US February 2021 By Ryan McGinley

Have You Met Nora Lum?   —   Harper’s Bazaar US February 2021   —   www.harpersbazaar.com
Photography: Ryan McGinley Model: Awkwafina (Nora Lum) Styling: Yashua Simmons Hair: Johnnie Sapong Make-Up: Holly Silius Manicure: Thuy Nguyen  Set Design: JC Molina