Fate: A Saga Winx | Adaptação da Netflix tem tom mais sombrio que desenho

Com personagens cativantes, nova série é completamente diferente do desenho e traz mais maturidade e personagens reais
MILENA ENEVOADA

Fate: A Saga Winx acabou de chegar à Netflix, depois de muita expectativa dos fãs do desenho animado Clube das Winx, exibido no Brasil nos anos 2000 pelo SBT. E, mesmo antes da estreia, a série teve muitas polêmicas por conta da ambientação mais sombria e do embranquecimento das personagens Musa e Terra. 

Aqui, assim como no desenho, as personagens também frequentam uma escola de fadas, mas em um contexto diferente. A série começa com Bloom (Abigail Cowen) chegando a Alfea com o objetivo de controlar a magia do fogo depois de um evento quase catastrófico. Seus pais não sabem que ela foi para uma escola, eles acreditam que ela está em um internato para tirar um tempo depois de tudo o que aconteceu. Diferente da personagem do desenho, Bloom não tem um relacionamento bom com os pais, o que é interessante para o desenvolvimento da personagem, e também como motivação para seu bloqueio em invocar magia e controlá-la. 

O que é bem perceptível também é que cada personagem carrega uma carga emocional e tem seus problemas internos, que vão ser explorados no decorrer dos episódios. Por mais que Stella (Hannah van der Westhuysen) seja aquela personagem que o público ama e odeia ao mesmo tempo, dá para perceber que ela carrega alguns segredos. Musa (Elisha Applebaum) é a fada das emoções e, por mais que ela tente ser reclusa, acaba se entregando demais para as pessoas (quem nunca?). Terra (Eliot Salt) é uma das personagens mais incríveis e importantes da série. Ela é prima da Flora do desenho – o que é bem interessante – e é uma personagem gorda que foge de estereótipos. Por mais que seja amiga e tenha uma personalidade doce, não é a personagem que vai servir para ser o alívio cômico ou ficar calada quando ouve comentários gordofóbicos – já deu para perceber o incômodo e o posicionamento da personagem quanto a esse tipo de situação. 

No primeiro episódio, Aisha (Precious Mustapha) é a personagem menos explorada, mas já dá para perceber que ela vai ser uma das mais próximas a Bloom. No decorrer da série, é de se esperar que Aisha tenha a devida atenção e desenvolvimento, e não sirva apenas para ser a amiga preta que tapa buraco, sustentando estereótipos racistas, como se ela não merecesse a sua própria história.

Mesmo as personagens sendo cativantes, o embranquecimento de Musa (originalmente asiática) é imperdoável e é questionável se seria mesmo necessário substituir Flora (uma personagem latina) por Terra e dar a ela uma importância secundária. Lembrando que isso não é culpa das atrizes, e sim da produção da série. 

Por mais que a série seja completamente diferente do desenho, ela tem um tom nostálgico ao apresentar os especialistas, citar o outro mundo, mostrar o dormitório das personagens principais e como elas se relacionam, e até mesmo os primeiros momentos em que a magia aparece. 

A dinâmica da série é ótima e é de se esperar que tenha um bom desenvolvimento por conta dos problemas joviais, mistérios e muita ação.

Fate: A Saga Winx já está disponível na Netflix, com seis episódios compondo a primeira temporada.

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