‘A moda está presa a um ideal de beleza antigo’, diz a modelo Giorgia Narciso do longa ‘Favela é Moda’

Documentário que discute representatividade no mercado fashion vai ao ar nesta segunda-feira, no canal Curta!
Marcia Disitzer

Giorgia em desfile na Casa dos Criadores Foto: Marcelo Soubhia/Fotosite
Giorgia em desfile na Casa dos Criadores Foto: Marcelo Soubhia/Fotosite

A carioca Giorgia Narciso, de 24 anos, guarda ótimas recordações e muitas sensações da época das filmagens do documentário “Favela é Moda”. O filme de Emilio Domingos, que vai ao ar nesta segunda-feira, às 16h30, no canal Curta!, e está disponível no Now, acompanha o desenvolvimento de modelos de uma agência que busca aumentar a representatividade de modelos negros e fora dos padrão estabelecidos pela moda. O longa faz parte da “trilogia do corpo” que conta com os documentários  “A Batalha do Passinho” e “Deixa a Régua”, do mesmo diretor.

“Estava com 20 anos e no início da minha transição. Cheguei a ser expulsa de casa, mas agora a minha família me aceita”, conta Giorgia. “Falo um pouco sobre esse assunto no filme”, diz ela, que hoje mora em São Paulo.

Ela ressalta que a moda é uma de suas formas de expressão, ao lado da arte. “Há dois anos e meio me mudei para São Paulo para fazer um curso de roteiro”, explica.

Como modelo, Giorgia participou do reality show “Born to Fashion”, do canal E!, que foi ao ar em agosto de 2020. Também fez desfiles, campanhas e editoriais; como artista, integrou exposições e oficinas em espaços como Instituto Tomie Ohtake e Museu Hélio Oiticica, entre outras experiências.

Giorgia vê uma evolução no mercado fashion. “Está melhor do que dez anos atrás, há um tensionamento social que vem cobrando isso. Porém, também existe muita resistência contrária da antiga moda. Eu, por exemplo, não me considero uma modelo trans e, sim, uma modelo. E o mercado vive querendo nos colocar em caixinhas que são limitadoras”, analisa. “A moda está presa a um ideal de beleza antigo.”

Emilio Domingos reflete sobre as mudanças. “Começamos a filmar o documentário seis anos atrás. Ainda há muito racismo, mas existe um número maior de modelos negros na moda em geral. Essa é uma conquista da sociedade, e as redes sociais têm ajudado bastante nesse sentido”, conclui o diretor.

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